Sexta-feira, 31.08.07

Pés na (nossa) Terra

Passeando pela teoria:
A escolha de uma ideologia política não é mais do que a escolha de um caminho que se crê apto a tornar a humanidade mais feliz.
Depois, vem a vida real.
E é aqui que, normalmente, as coisas se complicam. As explicações podem ser várias - incoerência, compromisso, orgulho, inveja ou desonestidade intelectual. Um mundo de circunstâncias que podem levar a crêr que a motivação susceptível de animar, originariamente, a adesão a um caminho que "tornaria a humanidade mais feliz" se pode transformar no exercício de uma prática susceptível de tornar "uns mais felizes do que outros".
Trata-se de uma (mais ou menos grave) consequência dos grandes ódios que saem das pequenas cabeças: aquelas que, pelas razões que referi ou por outras, se deixam alienar. As que passam a ver só metado dos filmes, a citar metade dos livros, a crêr em metade das notícias. Aquelas que, por isso, acabam por só conseguir falar de metade da infelicidade humana.
E isso descredibiliza. Porque há silêncios tão descredibilizantes quanto as mais bizarras das palavras.

Sobre as comemorações da Revolução de Outubro, volto a insistir: aconselho a visualização do filme "Torre Bela" (cinema King, em Lisboa).
Ali não há (muitos) comentários. Há som e imagens da história que a esquerda (a sério) quis escrever.
Algum povo ouviu e agarrou numa caneta. O texto redigido é o que ali se demonstra.

Há esquerda para comentar, com honestidade?
publicado por Joana Alarcão às 23:23 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Outubro em Setembro

Parece que o blog tem merecido a visita de alguns militantes de extrema-esquerda activistas dos «direitos humanos». É bom. Espero que voltem, ainda que, de preferência, com mais ordem e menos insulto. Isto aqui não é nenhum campo de transgénicos, nem nós somos nenhuma multinacional.

E já agora gostava de saber quantos desses vão à festa do Avante? E quanto desses se vão distanciar das comemoração dos 90 anos da Revolução de Outubro?

A comemoração da Revolução de Outubro, nos nossos dias e à porta da nossa casa, é algo de verdadeiramente inaceitável. E espanta-me que não haja uma onda de contestação nacional, a começar por aqueles – mais ou menos intelectuais - que dizem ter sido vítimas da mentira para justificar o seu engano durante décadas.

Pois bem, hoje já não há mentira. Sabemos todos que Lenine, primeiro, e Estaline, depois, foram directamente responsáveis pela perseguição, deportação e morte de centenas de milhares de pessoas. Um Estado autoritário que apagou muitos corações e aprisionou a liberdade da multidão.

Aceitaríamos, sem contestar, que jovens inflamados festejassem o dia de 30 de Janeiro de 1933, por ter sido o da ascensão de Hitler ao poder, mesmo que se distanciassem da sua prática e apenas quisessem adoptar a sua ideologia?

Que o Partido Comunista continue agarrado a uma ideologia que produziu tantos mortos e provocou tanto atraso, é coisa que custa a aceitar, mas é lá com eles.

Agora que o Partido Comunista continue a festejar a prática revolucionária, aquela que começou em Outubro e não mais parou, com as vítimas que a todos nos envergonham porque mancham a Humanidade, é escandaloso.

O mínimo que seria de esperar era que artistas convidados, conferencistas, militantes e participantes dissessem: assim não vou. Partido Comunista, já chega! Não manchem mais as vossas mãos e não poluam mais o nosso ambiente.
E por falar em ambiente, será que é desta que o Bloco de Esquerda se vai atirar a essa multi-nacional que é o comunismo internacional?

publicado por Filipe Anacoreta Correia às 17:40 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Crime de Tráfico de influência desportiva

Tenham lá cuidado ó srs. dirigentes, foi hoje publicado no Diário da República o novo tipo penal de tráfico de influência desportiva:
«Quem por si ou mediante o seu consentimento ou ratificação, por interposta pessoa, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, ou a sua promessa, para abusar da sua influência, real ou suposta, junto de qualquer agente desportivo, com o fim de obter uma qualquer decisão destinada a alterar ou falsear o resultado de uma competição desportiva é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal
(artigo 10.º/1 da Lei n.º 50/2007, 31 de Agosto)
publicado por Paulo Marcelo às 12:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Ricos Pobres

Gostava imenso que os nossos pobres (portugueses) tivessem o mesmo rendimento dos pobres americanos do post citado abaixo pelo Pedro Picoito. Convém lembrar, apesar do tema ser muito discutido, mas há sempre quem não saiba, que esses pobres o são em termos relativos. Digamos que o José Sócrates é relativamente pobre se sentado à mesa com o Belmiro e o Ricardo Salgado. Há portanto uma fatia da sociedade americana que é relativamente pobre quando comparada com a média do país.

Esses índices de pobreza relativa acabam por medir melhor desigualdade (relativa) do que miséria (algo mais absoluto), mas nem assim são um grande indicador. Qualquer índice nacional atribui o mesmo valor a $USD 10,000 em New York ou no Mississippi, com as distorções que facilmente se deduzem.

Só uma nota em relação aos seguros de saúde. Não sendo um especial apreciador de um conjunto de áreas no sistema de saúde americano, gostava de lembrar que num país onde a cobertura médica é imensamente realizada através dos planos de seguros providenciados pelos empregadores, é normal que, sendo também um país com mobilidade no emprego, esses mesmos seguros quebrem no final dos contratos e deixem o cidadão temporariamente sem plano de saúde. Ou seja, há um desemprego flutuante de curto/médio prazo, onde se incluem milhões de americanos em mudança de emprego, que fornece volume a esse indicador de pessoas sem seguro. Convém então lembrar que esta é uma situação temporária (e desagradável, no entanto) para muitos desses cidadãos.

Existe um conjunto de opções para os desempregados continuarem a usufruir do mesmo seguro que detinham antes da terminação do seu contrato, por exemplo através de um programa chamado COBRA que permite a continuação através do pagamento do prémio de seguro, mas julgo que apenas 20% das pessoas com essa opção o fazem, dado ser um custo elevado face às incertezas do desemprego.

Os EUA não são o Elísio, mas é sempre bom calibrar devidamente as críticas.
publicado por Manuel Pinheiro às 12:20 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

E os pobres, hã? Milhões de pobres

Vítor Dias posta mais um naco de prosa alheia sobre (adivinhem) a América (adivinharam).
Parece que há "36, 5 milhões de pobres" no reino de Bush.
O número impressiona.
Deve ser por isso que tantos cubanos vão para lá com risco da própria vida.
Por solidariedade.
publicado por Pedro Picoito às 00:56 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Hamlet no Arrastão

Agora a sério: vale a pena ler este desabafo nas entrelinhas.
O caso de Silves incomodou mesmo o Bloco porque lhe tirou a sua melhor arma - a gestão da imagem. Uma imagem de progressiva moderação com a qual Louçã y sus muchachos contam para servir de muleta à maioria socialista, agora ou em 2009, eventualmente entrando para o Governo. Para isso, não podem assustar o centrão que vota PS nem atrair a ira da opinião pública. Exactamente o contrário do que aconteceu. O deslize de Miguel Portas e a proximidade dos eufémios com o Bloco, evidenciada por Pacheco Pereira e Paulo Gorjão, estragaram tudo.
Daí a nervoseira do Daniel, que foi o principal rosto da estratégia moderada no referendo do aborto, com os bons resultados frentistas que se conhecem.
Mas agora, sempre que alguém do Bloco proclamar a superioridade moral da causa, as pessoas vão olhar para o pregador e não para a homilia.
É Frei Miguel ou Frei Daniel?
São os que "partem tudo" ou os fracturantes?
Os da utopia ou os da burguesia?
O Bloco está em crise de identidade.
To be or not to be, Dani?
publicado por Pedro Picoito às 00:46 | comentar | partilhar

Os Loucos Anos 80 (23)

Talvez a mais famosa série da década. Tinha tudo: dinheiro (muito), sexo (algum), um vilão (JR), Victoria Principal (sim, é a de azul) e as partilhas dos Ewing.
Televisão educativa, portanto.
Tão educativa que o meu Pai me mandava sempre para a cama quando o inconfundível genérico rasgava os céus. Eu argumentava com o meu interesse pela economia petrolífera do Texas, nem sonhando que aquela terra daria Presidentes.
Teria sido um bom argumento, mas o Dr. Picoito, que sabia mais do mundo do eu alguma vez hei-de saber, achava que a Victoria não era para a minha idade e o Texas muito menos.
Hoje dou-lhe razão, claro.
A minha mulher é muito mais gira e o Texas é o que se sabe.
publicado por Pedro Picoito às 00:26 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 30.08.07

Balanço Trágico


As questões ancestrais de Epicuro permanecem ainda por responder:

Será que [Deus] quer evitar o mal, mas não consegue? Então, é incapaz. Será que é capaz, mas não quer? Então, é malévolo. Será que é capaz e quer? De onde surge então o mal?"


David Hume, Dialogues Concerning Natural Religion, pt. 10
publicado por Joana Alarcão às 11:18 | comentar | ver comentários (14) | partilhar
Quarta-feira, 29.08.07

As críticas de um e as críticas da outra

Pacheco Pereira não tem razão: Dalila Rodrigues fez bem em acompanhar a visita de Marques Mendes ao Museu Nacional de Arte Antiga. A (ainda) directora não podia deixar de receber o líder da oposição, com mais ou menos jornalistas. O contrário é que seria falta de sentido de Estado. O Museu é de todos, não é do Governo e muito menos do PS.
Houve aproveitamento político da parte de ambos?
Claro que sim. Mas a demissão de Dalila Rodrigues é um caso político porque ela foi demitida depois de pôr em causa uma política do Ministério da Cultura. Isto é apenas a continuação da política por outros meios.
publicado por Pedro Picoito às 17:33 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

"We come for the King`s justice, we come with swords"*

Thomas Beckett foi chanceler de Inglaterra entre 1155 e 1162. No exercício do cargo, mostrou-se sempre de uma fidelidade inquebrantável a Henrique II, mesmo contra o próprio clero de que fazia parte. Quando vagou o arcebispado de Cantuária, o mais alto posto na hierarquia eclesiástica do reino, o soberano propôs a nomeação de Beckett, esperando que o antigo chanceler dominasse por ele o resto do episcopado. Era um tempo de acesas disputas políticas em torno da independência da Igreja, que a coroa queria submeter. Beckett resistiu, dizendo ao rei que, se fosse bispo, teria que obedecer a Roma, mas Henrique II não acreditou. E assim o novo primaz foi nomeado e passou a ser o maior adversário do homem que antes servira. Reza a lenda que o Plantageneta terá gritado um dia, furioso com o seu erro de casting: "Mas não haverá ninguém que me livre deste padre turbulento?" Quatro dos cortesãos mais próximos interpretaram este desabafo como uma ordem indirecta e mataram o arcebispo em plena catedral, no dia 29 de Dezembro de 1170 (um dia depois da Festa dos Santos Inocentes, como toda a Cristandade notou). Foi um escândalo internacional. A violência contra pessoas, lugares ou objectos consagrados era um gravíssimo sacrilégio: o Papa ameaçou o rei de excomunhão, Henrique II fez penitência pública e os assassinos caíram em desgraça.
Não sei porquê, lembrei-me desta história medieval ao saber que entre os detidos pelo homicídio de Anna Politkovskaia, a jornalista russa morta junto de casa no ano passado, estão, segundo o Público de ontem, "um antigo e um actual agente da polícia e um outro dos Serviços de Segurança Federal, agência de espionagem interna sucedânea do KGB".
* T.S. Eliot, Murder in the Cathedral, II, v. 203.
publicado por Pedro Picoito às 14:30 | comentar | partilhar

Da série "Cachimbos de lá"


Court Jones, Exaggerated Features (2006)

publicado por Pedro Picoito às 14:25 | comentar | partilhar

A Sociedade Fechada e os seus Inimigos

Chego à recepção.
Fico a saber que, a propósito de um ensaio de John Gray, em que o eminente pluralista nega que sociedades “fechadas” como o Irão, Rússia, etc. sejam “ditaduras”, o Henrique pergunta se “uma sociedade fechada pode não ser uma ditadura”.

Há discussões que dificilmente podem arrancar sem um esforço inicial de estabilização semântica. Por razões óbvias, aqui não é o lugar indicado para esses trabalhos. E, diga-se, nem sempre se pode confiar em Gray para colaborar na tarefa. Mas, ignorando os exemplos concretos, tenho de reconhecer (o dia haveria eventualmente de chegar) que Gray tem razão. Pensando melhor, tem razão em parte.

O que parece ser evidente para todos é que a democracia que aqui no Ocidente se preza, a representativa, constitucional e liberal, só é compatível com uma sociedade aberta (no sentido de Popper/Gray). Por uma razão simples: este regime democrático contemporâneo tem por objectivo não ter objectivo, ou se se quiser, tem por objectivo proteger as liberdades e direitos dos homens, sem objectivos colectivos ulteriores. Não é um governo telocrático. Só encaixa numa sociedade aberta porque esta também não se quer fechar na consecução de um objectivo, nem de um modelo.

Mas desde há já algum tempo que Gray pretende proclamar o pluralismo irredutível do mundo humano. A proclamação tem consequências. Uma delas é a de que nem todas as sociedades têm de ser abertas; e outra é que ninguém tem a obrigação de libertar as criaturas que nelas vivem. É bem possível que a ideia de que todo o ser humano tem uma inclinação irresistível para gozar da autonomia liberal, e que quando tal não acontece certamente há repressão ilegítima, seja um preconceito muito nosso. As sociedades fechadas têm de ser “aceites” pelo Ocidente, dizem os pluralistas. Porquê? Porque nem todas são “ditaduras”. O problema de Gray é querer afirmar o pluralismo contra os perigosos monistas recorrendo a um vocabulário que é fruto de uma forma particular (e recente) de monismo.

A partir do século XX, em particular depois de 1945, o discurso público moralizou estas duas expressões – “sociedade fechada” e “ditadura” – contrariando directamente a sua história. Ao atribuir-lhes um significado novo, fê-lo para classificar as sociedades e os regimes políticos de acordo com um princípio simplificador e monista, o de que nada é real senão a democracia liberal, tudo o resto não passando de aberrações mais ou menos ofensivas e que clamam por correcção.
Gray rendeu-se docilmente a uma terminologia que não lhe convém. E, no entanto, o nosso pluralista, saltando de equívoco em equívoco, talvez tenha chegado a uma conclusão prática razoável.
publicado por Miguel Morgado às 00:53 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Terça-feira, 28.08.07

Serve-se fria e sem transgénicos

Pronto, pronto, confesso: este post deu-me um certo gozo...
Porque o Daniel Oliveira diz que a estupidez dos eufémios proporcionou uma vitória à direita?
Também. Mas sobretudo porque ele se queixa das malévolas tentativas de ligar o Bloco de Esquerda ao caso (só não percebo porque não se queixa de Miguel Portas, o primeiro a fazer a ligação). Trata-se, assevera, de "uma táctica antiga": colocar o adversário "fora da democracia" para "não debater com ele, mas com os nossos próprios fantasmas".
Eu, pobre ingénuo, não sei se é uma táctica antiga. O Daniel saberá melhor do que eu. Mas sei que é a táctica que o seu partido usou contra o Blogue do Não no mui recente referendo do aborto. Por causa de um link na barra lateral, um link que até blogues reconhecidamente de esquerda mantinham, a camarada Helena Pinto veio a público denunciar as nossas "ligações à extrema-direita". Sic - as nossas "ligações à extrema-direita".
Pois é, o Daniel bem avisa: de tanto verem o fascismo, às tantas ninguém acredita. Ou, então, a táctica servia para debater mais democraticamente o nosso conhecido entusiasmo pela caça ao preto no Bairro Alto.
Eu, que nem sequer conhecia o dito blogue, passei a conhecer melhor o Bloco.
O Daniel, claro, não teve nada a ver com o assunto. De modo que folgo muito em estar de acordo na condenação de semelhante aleivosia.
Só lamento que os bem-pensantes que escreviam com ele no Blogue do Sim não tenham revelado a mesma lucidez de "não escolher como aliados aqueles que nas motivações só podem ser adversários". Aprendam com quem sabe.
publicado por Pedro Picoito às 18:59 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Notícias boas e más

A boa notícia: o Rui Tavares voltou às páginas do Público.
A má notícia: as férias estão a acabar.
A outra boa notícia: o Rui continua a escrever crónicas excelentes.
A outra má notícia: e hoje tive que concordar inteiramente com ele.
publicado por Pedro Picoito às 13:56 | comentar | partilhar

Portugal a Caminho do Mundial de Rugby



No mesmo dia em que um português foi Campeão do Mundo do triplo salto, a RTP2 entrevistou Tomás Morais, treinador da selecção de rugby que está a preparar a ida ao já muito próximo Mundial. É outro feito histórico. Não só Portugal nunca participou num Mundial de rugby, como será a única selecção amadora presente. Tomás Morais, que foi o melhor centro da sua geração, é um líder. Compreensivelmente, a jornalista tentou várias vezes atribuir-lhe os louros pelo feito, louros que ele devolveu com diplomacia ao colectivo.
Na verdade, o mérito é repartido. Morais tem uma notável capacidade de planificação e sobretudo duas coisas que faltaram durante muitos anos à frente da equipa nacional: tempo e paciência. Não é fácil reunir trinta indivíduos que têm os seus empregos para fazer dois treinos por dia, ou para os jogos no estrangeiro, ou para um estágio de um mês como o que estão a fazer agora. Exige motivar os jogadores e negociar com os patrões. Não é nada fácil, mas permitiu-nos ter os contactos internacionais suficientes para chegar a uma muito invejável segunda linha do rugby europeu, logo atrás das potências do Seis Nações.
Mas os jogadores que vão a França também são verdadeiros heróis. Apesar de haver cinco profissionais na equipa (e todos a jogar lá fora: dois em França, um na Irlanda, um em Itália e um em Espanha, salvo erro), os outros têm as chatices de um emprego como qualquer um de nós, mesmo com estatuto de alta competição. Nos meses de treino mais intenso, levantam-se cedo para ir à musculação antes do trabalho, fazem um treino leve a meio do dia e voltam a treinar entre as 8 e as 10 de noite. Jantar, um beijo aos filhos e toca a dormir. Não têm vida própria. Nunca ninguém treinou como eles em Portugal.
Os resultados estão à vista. Se os jogos lá fora lhes deram maturidade competitiva, a revolução maior deu-se a nível físico. Os jogadores são hoje muito mais fortes, rápidos e resistentes do que eram no meu tempo, qualidades físicas indispensáveis para defrontarem a "blindagem" (dizia Jean Lacouture) dos melhores do mundo.
Mesmo assim não vai chegar. Nos jogos de preparação, perdemos com o Canadá e com o Japão (derrota amarga por dois pontos), mas temos ainda menos hipóteses contra as equipas do nosso grupo. A Nova Zelândia é uma espécie de Brasil do rugby: pode ser vencida, mas não por nós. Uma derrota por menos de quarenta pontos é uma vitória, por menos de trinta é um milagre e por menos de vinte é um jantar no Gambrinus para os leitores do Cachimbo. Quanto à Escócia e à Itália, esqueçam. Têm campeonatos altamente competitivos e muitos jogadores em França e em Inglaterra, as duas melhores ligas europeias. Sobra a Roménia. No tempo do Ceausescu, podiam bater-se de igual para igual com os grandes do Seis Nações. O seus jogadores, integrados no Exército ou na polícia, eram profissionais disfarçados. Entretanto, a democracia trouxe o fim dos amanhãs que cantam. Num dia perfeito, se os pobres romenos passarem fome, se não cometermos erros, se todos os deuses do Olimpo estiverem do nosso lado, talvez vençamos. Com muito sangue, muito suor e muitas lágrimas. E se comprarmos o árbitro.
Estou a ser demasiado pessimista? Já veremos. Encontramo-nos no Gambrinus.
publicado por Pedro Picoito às 13:26 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

O que faz correr Vital?

Vital Moreira continua a escrever panegíricos governativos nas páginas do Público. Hoje elogia o novo regime de empréstimos universitários, com o mesmo entusiasmo com que nas útimas semanas tinha elogiado o novo estatuto dos jornalistas - apresentando o PS como o grande vencedor do veto presidencial - ou o regime jurídico das farmácias.

Alguns textos mais parecem preâmbulos legislativos do que textos de opinião. Hábitos antigos, por certo, de outros "centralismos democráticos".

Vital foi nomeado para presidir à comissão das comemorações do centenário da República. Que outros voos estão reservados para este fiel intelectual do regime?
publicado por Paulo Marcelo às 10:15 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 26.08.07

Os mortos certos

O Daniel Oliveira denuncia o interrogatório de um iraquiano, Manadel al-Jamadi, torturado até à morte pelas tropas americanas, em 2003, na famigerada prisão de Abu Ghraib.
Nada a acrescentar. A tortura é sempre condenável, venha de onde vier.
Mas é curioso que a fonte da notícia seja o Tempo das Cerejas, o blogue de Vítor Dias.
Não sabem quem é Vítor Dias?
Eu ajudo.
É membro do Comité Central do PCP, aquele partido amigo das grandes democracias de Cuba e da Coreia do Norte, onde de certeza não há tortura.
E é o funcionário que, nos idos de Agosto de 1991, leu o comunicado do seu partido a justificar o golpe de estado dos ultras do PC soviético, esses paladinos dos direitos humanos, contra Gorbachov.
O camarada Estaline bem dizia: um morto é uma tragédia, um milhão de mortos é uma estatística.
Sobretudo se forem os mortos certos.


publicado por Pedro Picoito às 14:26 | comentar | ver comentários (44) | partilhar

Da série "Posta Restante"

Muito bom, o artigo de Irwin Steltzer na última Spectator ("David Cameron should learn a lesson from Willy Loman") sobre a necessidade de Cameron apresentar uma real alternativa de políticas, e não apenas de imagem, a Gordon Brown.
Recomendo a leitura integral, mas deixo um excerto.

"In short, Cameron should forget about ousting Brown by sporting open-necked shirts, aind airing videos of himself doing the washing-up. He now has to become a policy-maker. That means recognising that policy-making cannot be outsourced. Multiple committees drafting grande schemes to carry Britain forward cannot substitute for the hard working of reading, analysing data, thinking how bits and pieces fit into the broad philosophy of reviving civil society, encouraging the family, doing the decent thing for the deserving poor and disadvantged."
publicado por Pedro Picoito às 14:20 | comentar | partilhar
Sábado, 25.08.07

Eduardo Prado Coelho (1944-2007)


Morreu Eduardo Prado Coelho.

Nos últimos trinta anos, ninguém como ele encarnou entre nós a figura do intelectual politicamente empenhado - e quase por definição "de esquerda".

Foi comunista em 75, esteve perto do Bloco e entrou para as listas do PS à Câmara de Lisboa com Carrilho.
Divulgador incansável de estruturalismos e pós-modernismos por cá, a sua intensa actividade académica era também parte, e não a menos importante, de um compromisso político.

Fica a memória de um homem que viveu de perto o seu tempo. Talvez demasiado perto.
publicado por Pedro Picoito às 23:46 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Da série "Mas porque é que isto não me surpreende?"

"Pelo menos dois dos activistas identificados pela GNR, dia 17, na sequência da invasão de um campo de milho transgénico, estão referenciados peal polícia como responsáveis pelos distúrbios ocorridos no dia 25 de abril, em Lisboa. (...) A presença dos mesmos jovens em diferentes acções de rua reforça a tese de que existe uma ligação e uma organização comuns. Há mesmo diversos activistas fichados nesta investigação, onde se incluem os distúrbios, em Abril, junto à antiga sede da PIDE, no Chiado, ou o lançamento de cocktails molotov, em 2006, no Instituto Cervantes em Lisboa. Nesse ano, na invasão de uma loja da Zara e nas manifestações em frente às embaixadas de Espanha e de Israel, foi detectada a presença de alguns destes jovens."

Hugo Franco, no Expresso de hoje, p. 2.
publicado por Pedro Picoito às 23:36 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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