Sábado, 28.02.09

Algumas ideias sobre a economia portuguesa

Este mês chegaram-me às mãos dois documentos muito interessantes sobre a economia portuguesa:, que deviam fazer corar os senhores que estão em Espinho a discutir assuntos inúteis: o Gabinete de Estudos do PSD escreveu sobre os Desafios para Portugal em 2009, e um Professor da minha Escola apresentou um documento sobre “Os Anos Recentes: Crise Conjuntural ou Crise Estrutural?”
As conclusões são claras: independentemente da crise que agora atravessamos, Portugal esteve bem e está mal.
A economia portuguesa cresceu muito e bem durante muitos anos, porque o país estava muito atrasado, a economia mundial ajudou e as prioridades políticas foram bem decididas. Era a altura de investir numa economia de mão-de-obra intensiva, de grandes investimentos na construção de infraestruturas, etc.
Ora bem, este modelo esgotou-se há já vários anos. O país já não está tão atrasado, as pessoas já têm maior nível de conhecimentos (não sei se se pode dizer que têm melhor educação), e existe oferta de mão-de-obra muito mais barata no mercado mundial. Além disso, o peso do Estado na Economia cresceu desmesuradamente, a sociedade tornou-se mais desigual e o país está endividadíssimo.
A estes problemas acresce o da crise actual, que torna mais difícil implementar as medidas que são imprescindíveis: diminuição do peso do Estado na economia, diminuição da dívida do Estado, das empresas e das pessoas, e aumento da produtividade.
As soluções para estes problemas são simples de enunciar, e difíceis de pôr em prática. Segundo o GE do PSD, é preciso reformar o Estado, para que não comande a economia, e que esteja ao serviço das iniciativas da sociedade civil; promover a inovação, a criação e desenvolvimento de novas empresas (nos sectores que ajudem a economia a crescer saudavelmente, que consigam exportar); apoiar um sistema de educação exigente, e com uma boa oferta de formação profissional; e promover a eficiência na utilização dos recursos.
Se estas ideias se puserem em prática, é possível esperar que o país melhore, que a economia esteja em melhores condições para voltar a crescer no final da crise, e que, a médio prazo, o fosso entre ricos e pobres que tem aumentado, diminua.
publicado por Joana Alarcão às 18:40 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Montesquieu e os riscos dos nossos tempos


Hoje abre-se a porta à correcção de "todos os males". É, por isso, pertinente este conselho retirado de Montesquieu.

«Muitas vezes um legislador que quer corrigir um mal apenas toma em consideração essa correcção; os seus olhos estão abertos para esse objecto, e fechados para os inconvenientes. Assim que o mal é corrigido, só se vê a dureza do legislador; mas o vício que essa dureza produziu permanece no Estado; os espíritos são corrompidos; acostumaram-se ao despotismo.»
publicado por Miguel Morgado às 18:06 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O Outro Sócrates

O discurso de António Costa foi de uma pobreza gritante. A começar pelo facto de, também ele, qual José Sócrates, ter vocação de Calimero. Só que a causa do seu infortúnio é mais prosaica que a de Sócrates. Chama-se Bloco de Esquerda e faz as suas travessuras na Câmara Municipal de Lisboa.
publicado por Fernando Martins às 17:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Inconspicuidade

Visto o congresso do PS pela televisão – mas quem estiver lá sabe, é claro, melhor – não parece que, contrariamente ao outro, Alegre seja conspícuo pela ausência. A ausência de uma ausência não garante, aparentemente, a presença.
publicado por Paulo Tunhas às 16:45 | comentar | partilhar

Não há novidades

O congresso socialista está a decorrer conforme se esperava. Um hino em honra de Sócrates. O PS hoje é um partido sem novidades, que assenta mais na força da imagem do propriamente na força da mudança. Aquele que é o partido de poder há vários anos, quer-nos fazer acreditar que o país vai mudar se os mantivermos no poder. Nada mais surreal.

O debate de ideias por aqui não existe, e todos os oradores se têm desfeito em elogios ao líder. João Proença já cá esteve a manifestar solidariedade política e pessoal a Sócrates e até Edmundo Pedro veio cá desmentir-se, ao garantir quer “nunca ter sentido que José Sócrates tivesse medo ou metesse medo a alguém”. Os conclaves unanimistas são assim: a crítica não tem lugar.

publicado por Nuno Gouveia às 13:31 | comentar | partilhar

Se calhar...

Francis Bacon dizia que quando queria ficar deprimido bastava-lhe ir a um museu e ver um quadro de Rothko. Para mim é mais fácil: basta-me ir à sala e ligar a televisão. Isto para dizer que ouvi o discurso de Sócrates em Espinho. Aquela coisa da “campanha negra” (incriminados: o Público – particularmente José Manuel Fernandes - e a TVI – nomeadamente Manuela Moura Guedes) começa a soar propriamente obscena. Até porque, sem má-fé nenhuma, o sentimento com que se fica é que a verdadeira visada (o que se quer pressionar) é a investigação em curso. Retórica, só? Se calhar…
publicado por Paulo Tunhas às 13:31 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 27.02.09

Conclave socialista

Este fim de semana vou estar colaborar na emissão especial que o 31 da Armada está a realizar directamente do congresso socialista. Pelo meio deixarei aqui as minhas impressões sobre o magnífico espectáculo de propaganda que está a ser organizado pelo PS em Espinho.
publicado por Nuno Gouveia às 21:51 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Twitter

A partir de agora já podem seguir o Cachimbo de Magritte no Twitter. Aqui.
publicado por Nuno Gouveia às 14:03 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

"Paris vale bem uma missa"

Há 415 anos, o grande Henrique de Navarra era coroado rei de França.

François Gérard, Entrada de Henrique IV em Paris (1817)


Rubens, A Apoteose de Henrique IV e a Proclamação da Regência de Maria de Médicis (1621-1625)
publicado por Miguel Morgado às 13:09 | comentar | partilhar

Baltazar Garzón e a democracia espanhola


O venturoso juiz Garzón não abranda na sua luta pela democracia em Espanha. Agora, prossegue robusto no seu combate contra a corrupção do Partido Popular, perdão, da classe política. Contudo, vendo as coisas com um bocadinho de atenção, lá se acaba por perceber que o combate à corrupção é uma coisa; Garzón é outra bem diferente. Na sua senda pela purificação da democracia espanhola, Garzón não compreende que ele próprio é parte do problema.
.
«En un país serio sería impensable que un juez con precedentes políticos vinculados al actual partido del Gobierno pudiera llevar un caso contra el principal partido de la oposición. Pero en España no sólo es posible, sino que se lo considera normal. Y hasta se llega a presentar como independiente a quien estuvo en Quintos de Mora conspirando con Bono, fue número dos en la candidatura del PSOE por Madrid, hizo campaña electoral junto a Ramón Jáuregui, formó parte del Grupo Parlamentario Socialista, fue compañero de escaño de Zapatero, fue secretario de Estado con Felipe González y, en los mítines en los que participó, llegó a decir que haría todo lo que estuviera en sus manos para evitar que ganara la derecha. En efecto, hizo bastante. Encabezó una manifestación contra Aznar y abrió el «caso lino» en plena campaña electoral, emprendiéndola contra el PP e implicando a sus dirigentes en fraudes no demostrados. La sentencia fue absolutoria, pero Garzón condicionó en gran medida el desarrollo de la campaña europea de 2003. Más o menos como ahora. Nuestro magistrado estrella sabe desde el primer día que en su investigación hay aforados. Pero pese a ello, no se inhibe. ¿Por qué no lo hizo al principio? Porque entonces no hubiéramos tenido el actual escándalo mediático de cacerías y filtraciones. Y nuestro juez socialista no hubiera brillado en las pantallas como le gusta.»
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P.S. Uma notinha de contextualização: nos próximos dias haverá eleições na Galiza e no País Basco.
publicado por Miguel Morgado às 09:33 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quinta-feira, 26.02.09

O elogio do Bom Ladrão

Quando a novela Bispo-Williamson-negações-do-Holocausto-Bento-XVI-excomunhão parece estar a terminar, apetece-me oferecer a minha colherada. Não para explicar novamente porque razão Bento XVI nunca poderia fazer depender uma excomunhão de uma ou várias afirmações muito infelizes de cariz anti-semita ou anti-americano. O Pedro Picoito já explicou e quem não percebeu, lamenta-se, mas o melhor é tentar suplementos alimentares, ou a inclusão de ácidos gordos na alimentação (parece que o salmão é bom) que beneficiem as celulazinhas cinzentas, ou a hipnose para tentar descobrir a origem do problema; pela argumentação lógica mais nada há a fazer. De qualquer forma eu desejo bom sucesso.

Queria apenas revelar-vos a minha satisfação por fazer parte de uma Igreja onde tontinhos (para ser caridosa) como o Bispo Williamson são acolhidos. Uma Igreja que é composta de tremendos pecadores e, ainda assim, que consegue fazer tanto bem em todo o mundo. Uma Igreja de pessoas que encaram como normal errarem e pecarem, até quando se esforçam por não errar e pecar, e que conseguem todavia terem a humildade de assumirem esse erro e esse pecado e não verem a imagem que têm de si próprias e do mundo estilhaçar-se. Não de pessoas que por errarem e pecarem, não tendo a capacidade de auto-crítica ou de auto-aceitação dos seus inúmeros defeitos que produzem uma ainda mais inumerável quantidade de actos errados, racionalizam os seus erros e pecados, justificam-nos como podem, convencem-se de que afinal são justos e, quantas vezes, começam a atacar a Igreja porque a Igreja tem o despautério de defender uma conduta a que não conseguem ser fiéis. A culpa passa dos pecadores para a Igreja, a cultura judaico-cristã, a tradição ocidental católica ou outro derivado. Em suma, gosto de pertencer a uma Igreja que sente culpa sem se escravizar com a culpa. A uma Igreja que não é composta por puros justiceiros, que nunca erram (porque quando erram, os valores que consideram determinado acto um erro é que estão trocados) e que do alto da sua postura moral não se cansam de catalogar os outros (mal) e apontar à vil "ICAR" todos os podres que conseguem vislumbrar (às vezes inventar). Esta característica da Igreja - que lhe é intrínseca, porque Jesus Cristo veio para salvar os pecadores - de saber conviver com o pecado e até nele ver uma oportunidade para o bem é absolutamente essencial num mundo de pessoas que cada vez mais não conseguem aceitar a sua parte venenosa (digamos assim) sem se convencerem de que o veneno afinal até é bom. (Enfim, um pecado como qualquer outro, que tem o perdão de Deus à espreita).

Eu prefiro sempre estar no meio daqueles que erram. Fujo dos que se consideram imaculados e gostam de despejar moralidades sobre outros. E faço muito bem, porque os piores males sempre vieram dos que se consideravam puros e sem necessidade de salvação - acredito eu que, na sua ilusão sobre si próprios, não tendo nunca noção da enormidade do erro e do sofrimento causado.
publicado por Maria João Marques às 23:50 | comentar | ver comentários (19) | partilhar

A "retirada" do Iraque

Barack Obama prometeu retirar do Iraque nos primeiros dezasseis meses do seu mandato. Mas esse compromisso vem do tempo em que os Estados Unidos pareciam estar atolados no Iraque. Depois disso tudo se modificou no terreno, mas Obama nunca desfez a promessa, e mesmo depois de tomar posse, manteve a intenção.

Esta semana Obama disse que pretendia retirar do Iraque em 2010, um ano antes do plano assinado entre a Administração Bush e o Iraque, mas deixando para trás 50 mil soldados como força de estabilização do país. Ora, isto não é uma retirada, mas sim a manutenção do plano Bush, que previa uma diminuição gradual de militares até o final de 2011, mas antevendo já uma possível renegociação para a extensão da presença americana após essa data. Eu apoio esta medida de Obama, que não compromete o sucesso alcançado no Iraque por David Petraeus. Mas não lhe fica bem chamar retirada: será mais uma diminuição do contingente militar.

Os liberais anti-guerra democratas não estão muito satisfeitos com este anúncio. Harry Reid, o tal que chegou a dizer que a guerra estava perdida, é um deles. Ele devia mesmo querer que os Estados Unidos perdessem no Iraque, mas agora é obrigado a apoiar os esforços do Presidente Obama. E a engolir um valente sapo, diria eu.
publicado por Nuno Gouveia às 23:39 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

É cá uma diferença

Diz Filipe Paiva Cardoso no ABC do PPM:
«Mário Lino não está a gastar dinheiro público nas inaugurações, apenas a exigir às concessionárias que gastem 500 mil euros numa inauguração onde é o próprio Governo que escolhe os fornecedores.»

E, por alguma estranha e mágica razão, os "preços" das concessões não reflectem esse custo de €500,000? O estado almoçaria de graça, portanto. Gasta apenas em asfalto, subitamente mais caro, mas não em propaganda. Que bonito.
publicado por Manuel Pinheiro às 21:02 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A Democracia na América (Latina)


Enquanto andámos por aqui muito entretidos a comentar o referendo de Chávez, o seu amigo e aliado político Evo Morales também não perdeu o comboio das iniciativas referendárias constitucionais. E lá fez aprovar uma nova constituição que é uma verdadeira beleza. É uma combinação de multiculturalismo em versão andina com o populismo que os brancos daquelas paragens sempre souberam cultivar, mas que os indígenas revoltados resolveram imitar com brio.

Criam-se regiões autónomas e direitos especiais para os indígenas, incluindo círculos eleitorais próprios. A forma de Estado passa a ser a plurinacional. Uma das implicações é colocar membros das várias nações no Tribunal Constitucional. Sim, os juizes do Tribunal Constitucional são eleitos directamente pelos cidadãos. Reconhecem-se constitucionalmente 36 línguas oficiais, apesar de, ao que parece, 3 delas já estarem extintas. Uma das nações reconhecidas, a Pakawara, conta a peculiar multidão de 10 pessoas. Consagra-se a "justiça comunitária", ou um sistema tradicional de resolução de conflitos que evidentemente varia consoante a nação, com o mesmo estatuto do sistema racional-legal de justiça. Já na economia vale tudo, menos o mercado e a livre-iniciativa.

Em suma, na melhor das hipóteses dentro de 10 anos haverá uma guerra civil.

(As coisas que a gente aprende com o El País.)
publicado por Miguel Morgado às 19:55 | comentar | partilhar

Os desempregados vão pagar a crise

E duplamente. Por um lado o número de pessoas no desemprego vai continuar a crescer, sendo os números de Janeiro um sinal do que está neste momento a acontecer e que vai muito para além dos encerramentos que aparecem na TV: estamos por exemplo a falar de grandes multinacionais de consumo que recebem e.mails com instruções claras de redução de força de trabalho em 25%. Por outro a rigidez (para baixo) do factor salarial e o crescimento que este teve recentemente sem qualquer suporte em produtividade vai demonstrar-se especialmente cruel. Devido às características da nossa economia, muitas das pessoas que estão neste momento a caminho do desemprego não mais voltarão a estar empregadas no sentido "clássico" do termo e que sempre conheceram, entrando no novo mundo dos contratos de curta duração e de grande rotatividade, nos quais se arrastarão penosamente até atingirem níveis mínimos de reforma.

Adicionalmente, para efeitos de alcance ou reconquista de quotas de mercado, e quando essa decisão for inevitável, a contratação de novos quadros para as empresas significará ir buscá-los a um preço tendencialmente inferior ao dos quadros actuais e ao custo que essa mesma posição teria há algum tempo atrás ainda que ocupada pela mesma pessoa. Isto irá acontecer não só por uma questão de oferta e procura (mais desemprego, mais pessoas disponíveis, menor o preço do trabalho), mas também, e porventura sobretudo, pela insustentabilidade competitiva do nosso nível salarial. E como este é rígido (para baixo), logo quem tem emprego não vai renegociar para baixo (boa parte da culpa aqui vai para os sindicatos e legislação laboral), é quem não tem emprego e vai negociar que terá de arcar com os custos acrescidos dos valores salariais não competitivos dos outros, diminuindo então o seu numa maior proporção.

É bem possível que Portugal sofra da doença dos custos de Baumol. Por exemplo, mesmo com dificuldades de medição de produtividade, alguém encontra justificação para os aumentos dos funcionários públicos neste momento? Seja como for, a crise vai bater forte na classe média e média baixa, e aqueles (muitos) que estão a caminhar para o desemprego irão sofrer como ninguém a dura face do enquadramento socialista e sindical no momento em que mais precisam de factos e menos de intenções.
publicado por Manuel Pinheiro às 14:25 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Escolas escolhem professores

No PÚBLICO de ontem: As 35 escolas e agrupamentos integradas no Programa dos Territórios Educativos de Intervenção prioritária (TEIP) vão já este ano poder começar a recrutar directamente os professores do quadro, revelou ao PÚBLICO o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos. O despacho que contempla esta medida já está assinado, acrescentou. O programa TEIP abrange estabelecimentos com elevado número de alunos em risco de exclusões social e escolar que estão, por isso, a ser alvo de "medidas excepcionais para combater a insegurança, a indisciplina, o insucesso e o abandono escolares". Entre este lote irá figurar agora também a possibilidade de contratarem directamente todos os seus docentes. O que constitui uma estreia no ensino básico em Portugal.

Parece-me ser uma excelente medida. É fundamental que as escolas possam escolher os professores de acordo com as suas necessidades particulares e dos seus alunos. E não só esta ou aquela escola mas todas as escolas.
publicado por Nuno Lobo às 12:00 | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Que proposta mais ordinária

Aqui há uns anos num daqueles verões do Algarve, eu e o meu primo Eduardo (aquele gajo do 31) encontrámos numa tasca ao pé da nossa casa uma máquina de jogar futebol, das que se punham moedas e dava para jogar a dois. Ambos estoirámos uma fortuna a jogar naquela porcaria, até o Eduardo descobrir um erro na máquina que lhe permitia meter golos impossíveis de defender. Ora num belo dia, o meu primo lembrou-se de convidar um amigo para jogar contra ele e logo nos primeiros segundos meteu um dos tais golos. Resposta imediata do amigo "pá, que golo mais ordinário".
Decorei para sempre esta expressão, e uso-a para ocasiões especiais. Por exemplo, para o que a Europa está a tentar fazer com a Alemanha - obrigá-la a emitir títulos de dívida pública em conjunto com os seus "parceiros" europeus: uma proposta verdadeiramente ordinária.
Nos últimos 20 anos vários países da zona euro embarcaram numa orgia consumista - sobretudo os PIGS mas não só - permitindo o endividamento alucinante das famílias, das empresas e do Estado. Enquanto isso, os alemães, com a consistência que os caracteriza, ficaram ainda mais competitivos no espaço euro, mantiveram grandes excedentes na balança de pagamentos com o exterior e a habitual disciplina das finanças públicas. E agora que rebentou a crise, obviamente que conseguem crédito a taxas de juro mais baixas que o resto da malta da zona euro. Moral da história: aqui e ali, vários iluminados propõem a emissão de "títulos de dívida pública europeia", o que em termos práticos significa encostarmo-nos à Alemanha, pagarmos menos pelas nossas javardices e obrigá-los a eles, que não se meteram em carnavais, a pagar mais.
Uma ideia brilhante, uma espécie de conto da cigarra e da formiga com o fim ao contrário e acima de tudo uma verdadeira ordinarice. Os alemães, que pagaram ziliões pela construção europeia e pela re-unificação, engoliram Maastricht e largaram o Marco, estão cheios de vontade de embarcar em mais esta "iniciativa de solidariedade europeia".
publicado por Francisco Van Zeller às 01:00 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

0-5! e até Sábado

A eliminação nos oitavos era previsível mas não havia necessidade de sermos nós a passar a bola para eles marcarem golos. Abel, Caneira e Romagnoli foram apostas perdidas. Espera-se o regresso de Vukcevic, Grimi, e Daniel Carriço no jogo contra o Porto (gostava de ver o Pereirinha a jogar de início no lugar de defesa direito).
publicado por Nuno Lobo às 00:50 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

"A Degola dos Inocentes"

Na passada época, Eduardo Barroso, num programa sobre futebol na Antena 1, disse que no jogo entre Belenenses e Bayern de Munique, a disputar-se na última pré-eliminatória da taça UEFA, se iria assistir a "uma degola de inocentes" (escuso de nomear os degolados). Como se não bastasse, fez esta afirmação com aquele tom sobranceiro que caracteriza pessoas pouco sensatas. Desde então, e não sei se por acaso, o Sporting do sr. dr. Eduardo Barroso já sofreu várias goleadas às “mãos” (ou aos “pés”) de clubes como o Manchester United, o Barcelona ou o Real de Madrid, desempenhado sistematicamente o papel de “inocente” (in)útil do futebol português. Hoje, por acaso, o mesmo Sporting encaixou cinco golos marcados pela equipa bávara que iria humilhar em 2007, sem apelo nem agravo, uns pobres jogadores vestidos com camisola azul e emblema cruz de Cristo ao peito. Já o Belenenses, os da cruz de Cristo ao peito, e por mero acaso, sofreu apenas três golos marcados pelo Bayern de Munique no conjunto da eliminatória.

Moral da história: vale ou não vale a pena, no futebol, essa “escola da vida!”, cultivar a ponderação e a humildade?
publicado por Fernando Martins às 00:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 25.02.09

Um post assim

... é um pouco homofóbico, não é?
publicado por Pedro Picoito às 18:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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