Quinta-feira, 31.12.09

Um voto para 2010

Não sei se haverá réplicas metálicas da Torre de Belém. Manuseáveis. Se as houver, só espero que nenhum exaltado se lembre de aplicar uma no primeiro-ministro de Portugal (é assim que os reverentes gostam de se lhe referir). Se tal coisa funesta acontecer, lá teremos de aturar uma insuportável guinchadeira urbi et orbi que só aproveitará a quem nós sabemos.
publicado por Carlos Botelho às 23:59 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Veritas adaequatio intellectus ad rem est. AD REM.

Realmente, é adequado.
publicado por Carlos Botelho às 20:49 | comentar | partilhar

Venha o diabo e escolha

A FENPROF reagiu à proposta do Ministério da Educação e fez uma lista de 30 correcções. Uma delas, a correspondente ao ponto nº3, propõe que se elimine a prova de ingresso para os que pretendam integrar o sistema educativo enquanto docentes. Ora, a FENPROF terá de explicar como é que, por um lado, se diz a favor de um modelo de avaliação exigente mas justo, e por outro propõe que não se avaliem candidatos a docentes. É que se o modelo de avaliação proposto pelo Ministério da Educação é mau, o modelo pretendido pela FENPROF parece ser pior, pois recusa até o próprio conceito de avaliação.
Após muitos meses de incapacidade em negociar, tanto de um lado como do outro, uma conclusão que se pode retirar deste ano negro para a Educação é que, aconteça o que acontecer, ficaremos sempre pior do que estávamos.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 17:19 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Bom ano


O súbito holofote sobre os credores de governos em apuros está a pôr em evidência um há muito esperado acerto de contas com os investidores que apostaram antes em países agora sob pressão.

E eu com isso?

(...) Investidores como a Balestra Capital Ltd., Hayman Capital Partners LP, North Asset Management LLP e a Pivot Capital Management Ltd. [Hedge funds] têm estado a antecipar esse tipo de estoiros a um ano ou mais, apostando que alguns países vão emergir da crise financeira em bem pior estado do que outros.

So what?

(...) Os investidores estão concentrados nos países que consideram os membros fracos da zona euro: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, um grupo a que deram o nome injurioso de «Piigs».

Wall Street Journal, 10 de Dezembro

Que se lixe.

Dia a dia crescem os temores de que a Grécia ou outro país fraco possa entrar em quebra de pagamento das suas obrigações sobre a dívida soberana, forçando os países ricos da Europa a acorrer em seu auxílio ou, alternativamente, assumir o risco de um ou mais dos seus membros mais vulneráveis abandonar a zona euro, de 16 nações.

E eu com isso?

(...) Os refractários nas margens da União - Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha (os chamados Piigs) - vão ter de fazer duras escolhas para lidar com o que parecem ser economias estagnadas, elevado desemprego e fossos orçamentais.

New York Times, 30 de Dezembro (ontem)

Que se lixe.

P.S.: Não há ninguém que explique aos idiotas dos bloguistas oficiais da situação que não há nenhuma comparação possível entre a credilidade e a vulnerabilidade financeira dos grandes da zona euro e arraia dos Piigs? Alguém lá de dentro, enfim, é capaz de haver quem possa... Quero crer.

Este ano não posto mais. Boa noite.
publicado por Jorge Costa às 14:50 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

coisas


passos coelho é de enlouquecer.

publicado por Jorge Costa às 12:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Discos da década (7)

We Are Scientists - With Love and Squalor (2006)

publicado por Nuno Gouveia às 12:17 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Viver nas Ruínas

Ontem, na TVI24, como o Fernando já assinalou, participei num debate em que sugeri que no final de 2009 estamos a assistir ao princípio da ruína do "regime". Referia-me sobretudo à delapidação quase completa da autoridade (por contraposição a poder) das instituições políticas e sociais que até hoje asseguraram a ordem e um mínimo de civilização entre nós, à desagregação da sociedade portuguesa, e à notória insustentabilidade da estrutura financeira e económica do País. Se, diante destes problemas, o regime os converte em becos sem saída, isto é, sem soluções, então parece-me que isso significa a ruína do regime.
Os meus colegas de debate manifestaram desconforto com a minha sugestão. Repudiaram o "pessimismo" e relativizaram a gravidade da situação portuguesa. O seu argumento mais poderoso foi o de que não se vislumbra qualquer regime alternativo no horizonte nacional. O que é indubitavelmente verdade, graças à "Europa" e a outras coisas menos dignificantes. A minha resposta foi a seguinte: não é preciso haver uma alternativa de regime para este ruir. As pessoas por vezes vivem nas ruínas. Neste caso, queria dizer que os Portugueses podem estar condenados a viver nas ruínas. E como vivem as pessoas nas ruínas? Desconfortavelmente, em sofrimento, pobres, sem futuro.
publicado por Miguel Morgado às 12:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Gostava


Dizem que tem futuro. Acredito. Dizem que não está na corrida. Dito por ele, acredito. Mas está à espera de quê? Se dependesse de mim, empurrava-o. Para a corrida. E, no que pudesse, ajudava-o a ganhar.

Bom ano para todos.
publicado por Jorge Costa às 11:12 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cheap Trick: "I Want You To Want Me"

publicado por Fernando Martins às 00:15 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 30.12.09

Notáveis da Década

Nobel da Literatura - 2001
V. S. Naipaul
Os livros de Naipaul revelam histórias invisíveis, esquecidas, ocultadas pelos efeitos do curso da história.

Nobel da Paz -2002
Jimmy Carter
Nunca se reformou, sempre reconsiderou a sua posição face a novos condicionalismos históricos, sempre com o intuito de evitar conflitos internacionais e promover a democracia e direitos humanos.

Nobel da Literatura - 2003
Maxwell Coetzee
Céptico, escritor matemático, prosa sem artifícios, corajosa, que não evitou polémica ao revelar a violência pos-apartheid no livro «Desgraça».

Nobel da Paz - 2004
Wangari Maathai
Maathai nasceu no Quénia onde se notabilizou na defesa do ambiente com acções tão simples como plantar árvores. Professora universitária e defensora dos mais elementares direitos humanos esteve presa diversas vezes e planta árvores desde 1976.

Nobel da Paz - 2006
Muhammad Yunus
Provou que o acesso ao crédito pode transformar muitas vidas. Antes mesmo de avançar com programas de formação, transporte, registos, papéis, uma pequena quantia de dinheiro pode fazer a diferença. O micro-crédito permitiu a criação de pequenos de negócios em todo o mundo.

Nobel da Literatura - 2006
Orhan Pamuk
A busca da alma dos seus lugares conduziu ao encontro de novos símbolos, cruzamento de culturas e descrição dos contrastes entre Oriente e Ocidente.

Nobel da Economia – 2008
Paul Krugman
Quais os efeitos práticos da globalização e das economias de escala ? Krugman procurou uma resposta.

Nobel da Economia – 2009
Elinor Ostrom
Professora dedicada ao estudo da interacção entre pessoas e recursos naturais. Primeira mulher a receber o Prémio Nobel da Economia.
publicado por Joana Alarcão às 23:43 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O Longo Bocejo.

Num debate na TVI 24, que passava há uns minutos nas televisões de assinantes da ZON, vislumbrei o camarada Miguel Morgado, com semblante preocupado, a anunciar uma quase inevitável queda do regime político em que vivemos desde, mais ou menos, 1976. Por mim só posso dizer que ainda é cedo para pré-anunciar o fim do regime. Seja como for, e caso o Miguel tenha razão, devo confessar que nunca pensei que viver, como cidadão anónimo, a desagregação de um regime político pudesse ser uma experiência tão entediante. Aliás, é esta realidade cada vez mais entediante que me faz ter cada vez menos vontade de escrever sobre política. Por isso, e em resumo, posso anunciar que a queda anunciada do regime não passa, para já, de um longo bocejo.
publicado por Fernando Martins às 22:54 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O homem da nossa década


Dele podia restar para a história apenas uma nota de pé de página. Pequenina. Mas não. Ele foi o rosto do Portugal com meio milhão de desempregados (para já), do país estagnado com um crescimento tendencial apontado para o zero, do défice «acima dos 8%» (dados provisórios), da dívida dos 80 ou mais não-sei-quantos-por-cento (lá mais para o Inverno logo se vê, para já não se sabe), da corrupção desenfreada na terra do salve-se-quem-puder, do descrédito galopante das magistraturas, da permanente ingerência e controlo da informação, do beco sem saída da educação, do chico-espertismo da licenciatura ao domingo no poder, da mentira ongoing, do abandono da cultura se não servir para fazer vistaço, da postura irascível a fazer de convicção. E, claro, mais alarmante do que tudo, da reconfirmação no poder com isto tudo sabido ou intuído. Ele foi o rosto do medo nacional, da fuga à verdade, da falência da alternância, da desistência. Do impasse. Ao contrário do que sugerem os seus dedinhos, não são coisas pequeninas, não.
publicado por Jorge Costa às 19:50 | comentar | ver comentários (21) | partilhar

A Década em Presépio


publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:29 | comentar | partilhar

Como será a próxima década?


Será o «acontecimento» da próxima década (se não formos todos pelos ares)? Para já a China já conquistou o confortável estatuto de poder dar-se ao luxo de ser uma das super-potências mundiais da violação dos direitos humanos (em matéria de execuções ultrapassa o Irão e tem a inquestionável liderança), sem incorrer em qualquer problema externo. Aos grandes, o respeitinho recomenda-se. Se é assim, quando o seu PIB se aproxima dos 40% do dos EUA, como será aos 50? E 60? E... depois? Não faz ondas ideológicas, mas joga com elas com sabedoria. O Irão é possível por várias razões, uma delas é o gráfico acima.

Note-se: o que o gráfico nos diz é que em 2010 a China se torna na segunda maior economia do mundo.

Acrescento: não vale a pena estoirar os miolos com alarmes fáceis. Estava bem vivinho e atento quando o Japão, aquela queda a pique, estava do outro lado da montanha, em plena cavalgada. Não é nada certo, segundo o própio The Economist, onde surripiei este gráfico, que com uma economia fortemente viciada em investimento e exportações - vale a pena acrescenter: com uma moeda desvalorizada que cobre o défice de produtividade -, a China não estoire também. Convém, porém, não substimar o tigre. De papel é que não é.
publicado por Jorge Costa às 14:26 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Discos da década (6)

Men Eater - Hellstone (2007)
[grupo português]


publicado por Alexandre Homem Cristo às 13:27 | comentar | partilhar

Acuidade do ponto de vista esquerdo

Sublinhados meus:

publicado por Carlos Botelho às 13:26 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

2010

(2:47)

- What is going to happen, Dave?

- Something wonderful.

publicado por Miguel Morgado às 13:08 | comentar | partilhar

A ALEGRIA DA UNIFORMIZAÇÃO

publicado por Carlos Botelho às 13:06 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

A Década na América

publicado por Miguel Morgado às 12:17 | comentar | partilhar

Orçamento: não há como dia atrás do outro, com uma noite pelo meio

«Sem surpresas e sem mensagem, o Presidente da República promulgou ontem a segunda alteração ao Orçamento de Estado para 2009, que prevê um aumento de quase cinco mil milhões de euros do limite de endividamento. A promulgação é vista com naturalidade pelos partidos da oposição.»

E em quanto vai ficar o défice deste ano? Não se sabe. A quanto vai montar o stock de dívida? Não se sabe. «O máximo que se sabe é que, como disse o ministro Teixeira dos Santos, o défice público deverá ser superior a 8 por cento em 2009», relata no Público de hoje o melhor jornalista português da área da macroeconomia e finanças públicas, Sérgio Anibal. Quanto superior? Não se sabe.

A coisa parece abstrusa mas não é. Com o Orçamento rectificativo, o Governo obtém - é esse o seu fim - uma autorização para se endividar, este ano, até ao limite de 15.012 milhões de euros, ou seja, cerca de 9,2% do Produto Interno Bruto. Mais coisa menos coisa, os tais mais cinco mil milhões do que estava previsto.

Mas as correcções ao orçamento aprovadas dizem respeito a) apenas ao sub-sector Estado, nada se sabendo do que se passa nos restantes sub-sectores do Sector Público Administrativo (SPA), a saber, institutos públicos, segurança social e autarquias, e b) reflectem apenas meros movimentos de caixa, nada dizendo sobre a evolução da despesa efectiva ocorrida no período, correspondento esta aos compromissos de pagamento, cumpridos ou não.

Resultado: a opacidade é total. E os deputados consentem, e o Presidente também. Um cheque em branco ao Governo. Gastem, que depois logo se vê a quanto monta efectivamente o desastre. Esconde o Governo a sua gestão financeira calamitosa de quem? Das agências de rating? Dos investidores, que vão entrar com a massa para aparar a derrapagem do Governo? Ignora o Governo que, ao contrário dos deputados, os investidores preocupam-se e sabem fazer contas (nesta situação meramente hipotéticas), ou têm quem as faça por eles, mesmo que o Governo esteja apostado em dificultá-las ao máximo, ocultando informação?

Presumo que a resposta do Governo seria: não há como um dia atrás do outro, com uma noite pelo meio.
publicado por Jorge Costa às 10:32 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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