Sexta-feira, 30.04.10

Chegou hoje no correio


Eu, que tenho a mesma compulsão da Joana quanto às séries e filmes de adaptações de livros da Jane Austen e até de derivados (para introduzir aqui vocabulário da nossa actualidade financeira) de Jane Austen como Miss Austen Remembers ou Becoming Jane, recebi hoje de manhã a adaptação da BBC de 2009 de Emma. Depois de a ver vos direi o que me pareceu esta sucessora da insípida adaptação com a Kate Beckinsale e do bem conseguido filme com a Gwineth Paltrow (ainda que o Jeremy Northam deixe a desejar na sua execução das danças Regência). Entretanto entretenham-se com esta crítica assassina de Nick Cohen para a Standpoint.
publicado por Maria João Marques às 23:15 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

E não adianta nada dizer que é melhor que nada

Pouco. E a razão por que é quase nada é esta. Chega de conversa mole. A mais recente e consistente análise do que por aqui se passa. O relatório deve ser lido na integra. Aqui. Obrigado a quem mo mandou.
publicado por Jorge Costa às 19:09 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

A Política e as Tretas

A avaliar pelas "tendências", e tolerando grandes simplificações, e contendo o olhar à Europa do Sul, pode dizer-se que, se desta trapalhada toda - Grécia, Portugal, Euro, etc. - for a opinião veiculada à "esquerda" que acabe por triunfar, teremos muito mais centralização do poder na União Europeia daqui por 10 anos. Não seria surpreendente. A conversa da solidariedade, da necessidade de reforçar o "espírito europeu", blá, blá, blá, significa aumentar numa proporção de 20 vezes o orçamento da União Europeia, estabelecer um imposto europeu a doer, e subtrair radicalmente a autonomia orçamental aos Estados-Membros (por exemplo, forçar todos os Estados ao estrito equilíbrio orçamental). Convém ponderar as consequências concretas daquilo que se diz. E, a seguir, assumi-las. Já chega de tretas.
publicado por Miguel Morgado às 16:10 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Vibrações (é tudo copy paste, e podem cotejar pelo link em baixo)


Excertos:

O projecto Europeu padece de essência – solidariedade e união.

Onde pára Joseph Stiglitz?

Enquanto a desgraça da Grécia faz corar o Olimpo e o FMI começa a desenhar mais um brilhante plano de auxílio, a UE deixa-se a nu: não é unida, não partilha qualquer esboço de interesse comum, é um mercado livre de valor reforçado e uma união monetária que dá jeito.

A estabilidade monetária, o sangue do sistema económico alemão, está hemofílica, e esbarra na irresponsabilidade francesa.

Ou nos unimos e somos Europa, ou desligamos a tomada do sonho mítico da regulação.

Marta Rebelo, hoje, no Económico.
publicado por Jorge Costa às 14:41 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

O que será?

No Público de hoje:

Tanto erro de política orçamental ultrapassa a incompetência óbvia e legitima outras suspeitas.

Luís Campos e Cunha

Não sei mesmo a que se refere Campos e Cunha. De uma coisa estou certo: se eu governasse e quisesse fazer rebentar rapidamente a bomba-relógio em que a nossa situação financeira se converteu, teria feito o que o Governo fez ontem. Para uma crise política já não apostava assim. Era necessário presumir muita incúria na oposição. Como a coisa tem a ver com obras, já não digo nada. Não percebo muito de obras. Não sou engenheiro.
publicado por Jorge Costa às 13:44 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

De Grauwe no Público

Sempre admirei a obra de Paul De Grauwe. Julgo até, se a memória não me engana, que foi lendo o seu manual sobre Uniões Monetárias que tive o primeiro contacto sério com os temas da teoria das zonas monetárias óptimas, dos seus críticos e das uniões monetárias em geral. Mas esta entrevista é absurda. Presumo que o "europeísmo" confesso de De Grauwe lhe tenha turvado o pensamento. Tudo nessa entrevista se confunde, nada se esclarece e muito de essencial fica por dizer. Não chego a perceber se o "racismo" que ele sugere também se reflecte nos julgamentos sobre a Grécia, o que nos levaria a concluir que, no fundo, nada de anómalo se passa nas terras da velha Hélade. Como diria o poeta-treinador, tudo "perfeitamente normal".
publicado por Miguel Morgado às 13:31 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

José Vitorino Pina Martins (1920-2010)


Morreu anteontem José Vitorino Pina Martins, investigador, professor universitário e durante anos presidente da Academia das Ciências de Lisboa. Bibliófilo compulsivo, dedicou a vida ao estudo da circulação, recepção e impressão de livros em Portugal nos séculos XV e XVI.
Com uma tese de doutoramento sobre a recepção do erasmismo e dezenas de artigos sobre a literatura quinhentista, foi um dos nossos grandes historiadores da cultura, em especial do fenómeno, entre nós tão mal estudado, do Humanismo. Talvez por isso, o obituário do Público, confundindo o amador com a coisa amada, o tenha descrito como "humanista", palavra que nos ensinou a usar mais rigorosamente.
Entre vanguardismos sociológicos e generalidades impressionistas, a sua obra foi a síntese possível da cultura portuguesa no Renascimento, um capítulo de história em grande parte por escrever. Espero que a sua magnífica biblioteca privada, uma das melhores do país graças a edições princeps dos Lusíadas e da Utopia de Thomas More, entre outras preciosidades, tenha um destino digno do homem que, ao longo de uma vida inteira, a reuniu com amor e sabedoria.
publicado por Pedro Picoito às 13:12 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quem é que disse que vou pagar as quotas?

Tinha pensado gastar o dinheiro em gravatas lisas e obras do Lenine. Nada de preconceitos ideológicos. Mas também acho interessantíssima a reiterada preocupação do Pedro Correia com o que eu devia fazer.
publicado por Pedro Picoito às 13:05 | comentar | partilhar

Tem de ser assim?


A paciência tem limites. O Governo é um manicómio. Não sendo psiquiatra, não tenho, por isso, nenhuma maneira de imaginar a cura para a tara que nos assolou. Vasco Pulido Valente, de resto, considera hoje, e bem, que «não há nenhuma maneira de resolver nenhum problema de Portugal, financeiro ou outro, com este Governo e o pessoal que ele atraiu ou contratou.» Não sendo constitucionalista, também não sei como se lida com a demência instalada no Ministério. Vítor Bento, normalmente muito lúcido mas pouco dado a erupções de indignação – faz bem – considera que o Governo está possuído por uma concepção de «economia vudu». O mais recente discurso do Senhor Presidente da República também me pareceu estranho. O gravíssimo e inadiável problema do salário de António Mexia ainda percebi – está em campanha eleitoral e pretende conquistar a ala esquerda do PS (enfim...). Já a longa dissertação sobre os benefícios do mar me pareceu um pouco da twilight zone. É forçoso que um regime caminhe para o fim em estado de delírio?
publicado por Jorge Costa às 13:00 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Chagall

Marc Chagall, "Guerra aos Palácios" (1918-1919)
publicado por Miguel Morgado às 12:15 | comentar | partilhar

Dissonâncias

Li o título, “Trabalhar menos é o melhor caminho para viver melhor” e gostei. Quem não gosta? Fui ler o referido estudo e ainda gostei mais. E porque não? Que interessam a realidade, as tendências demográficas e de padrões de conjugalidade do nosso país? O nosso envelhecimento, o crescimento do índice de dependência e previsível diminuição da população activa? Nada. Que interessa a nossa produtividade per capita estar sistematicamente a crescer abaixo do PIB? Menos ainda. Porque, como já aqui o tinha afirmado, Portugal entrou, pela diligente mão de Sócrates, num estado de torpor surrealista. A profunda e patente dissonância cognitiva entre o ministro das obras públicas e o ministro das finanças da última semana apenas comprovam o desgoverno a que estamos sujeitos.
publicado por Eugénia Gamboa às 11:38 | comentar | partilhar

O facilitismo do Ministério da Educação


A decisão de acabar com as provas de recuperação é boa. Mas isto, dito assim, não quer dizer nada. Note-se que estas provas nasceram de uma medida do anterior Governo de Sócrates, cujo objectivo era evitar a retenção dos alunos. Ou seja, as provas de recuperação foram, na verdade, a forma encontrada para mascarar e legitimar aquela que era a intenção última do Governo: não chumbar alunos. Hoje, perante o manifesto fracasso das provas de recuperação, para além do desnecessário e vão encargo que constituíram para os professores, o Ministério deixa cair a máscara, mas não altera o rumo: não se pode chumbar por faltas.

É evidente que Portugal não é pioneiro neste modelo facilitista. A social promotion - é assim que se chama a coisa - ganhou, nos últimos 20 anos, adeptos um pouco por todo o lado, principalmente à esquerda. Contudo, mais recentemente (nos últimos 10 anos), tem sido consecutivamente posta em causa, sobretudo nos Estados com os mais elevados níveis de educação. Na Florida, por exemplo, provou-se que os alunos que não ficaram retidos devido à social promotion tiveram depois maus resultados escolares, alguns abandonando mesmo a escola. Também nos EUA, em Chicago, se constatou que a social promotion era ineficaz, mas ainda que a alternativa óbvia - a retenção dos alunos - o era igualmente, com a única diferença de tornar mais elevado o custo da educação por aluno (se bem se lembram, este foi um dos argumentos usados pela ex-ministra) .

Este é um dado importante para podermos olhar correctamente para o caso português: entre duas estratégias conhecidamente ineficazes, o Ministério da Educação escolheu a mais barata e aquela que, convenientemente, melhor resultava nas estatísticas europeias. Isto significa duas coisas: (1) ao contrário do que se poderia pensar, a retenção dos alunos, só por si, não muda nada; (2) no momento da decisão política, a ineficácia destas duas estratégias era conhecida, e a escolha de uma por parte do ME, por oposição à busca de uma solução real, diz-nos tudo sobre a (falta de) vontade do Governo em melhorar a Educação em Portugal.

Que alternativa, então? É aqui que o caso da Florida se torna particularmente interessante. A ruptura com a estratégia da social promotion fez-se através de um acompanhamento próximo dos alunos, numa estratégia de prevenção. Assim, monitorizando o progresso dos alunos através de dados estatísticos, foram identificados os alunos 'em risco' e foram tomadas medidas para o acompanhamento destes, de modo a evitar a sua retenção (que voltou a existir). Os resultados foram de tal modo positivos que a Florida logo se tornou um modelo internacional de reformismo na área da Educação.

Isto leva-nos a reflectir sobre a viabilidade de uma tal estratégia para Portugal. Pessoalmente, vejo muitas razões, para além das políticas, para que estas não sejam viáveis num curto ou médio prazo. A principal, parece-me, é a inexistência de dados estatísticos de qualidade sobre os alunos, que nos digam o seu perfil socioeconómico, que escolas frequentou, que notas obteve, e se melhorou ou piorou. Isto é, dados longitudinais, que acompanhem cada aluno individualmente ao longo do tempo. Qualquer intenção de reformar o sistema de Educação em Portugal deve começar por aqui.

publicado por Alexandre Homem Cristo às 10:00 | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Boas notícias

Ponto prévio, há muito que deixei de acreditar no Pai Natal. E nas sondagens.
Mas, que las hay, las hay.
Por isso, como qualquer "político" que se preze, sempre vou prestando alguma atenção a estas informações.

Ora, os dados do último Barómetro da Marktest trazem três boas notícias.
A primeira é que os Portugueses parecem ter voltado a acordar da hibernação em que mergulham quando se entretêm com as vitórias do Benfica, os casos da Justiça e os powerpoints do Governo.
A segunda é que, contra as más línguas que procuravam desvalorizar Pedro Passos Coelho apontando-o como o novo Menezes do PSD, estes dados parecem confirmá-lo como o novo Durão Barroso: vai ser Primeiro-Ministro, só não sabe é quando.
Finalmente, contra o capital de queixa de TODAS as direcções do PSD, é sempre agradável ver a comunicação social com tanta vontade que o PSD chegue ao Governo.
É que, como se pode comprovar, esta é a primeira vez que o PSD passa para a frente das intenções de voto "desde a chegada de José Sócrates a líder do PS".

publicado por Ricardo Rio às 09:41 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Descoberto

Passa-se algo errado comigo. Desde que li os comentários do Paulo Santos e o post do Nuno Lobo em resposta ao meu. Mas que é isto? Que sensação esquisita aqui. Olho-me no espelho.
Cá está. Está a surgir-me um bigode à Mário Nogueira.
Diabos, o Paulo Santos apanhou-me: o que pretendo com aquele meu post é apenas aumentar a quantidade de mão-de-obra educativa nas escolas. Por que outra razão havia eu de escrever o que escrevi? O corporativismo, sempre o corporativismo.
Eu bem julgava enganar toda a gente fazendo crer que o meu pobre texto dizia apenas umas coisas medianamente sensatas. Mas não - o meu incorrigível corporativismo cegou-me.
Já fui apanhado - nem vale a pena acrescentar mais nada ao que já disse. Para minha indelével vergonha, o meu propósito obscuramente sindicalizante foi trazido à luz.
Não fora assim, e ainda poderia dizer que a analogia feita pelo Paulo entre a dimensão das turmas do ensino privado e a das do público é espúria, que são realidades tão diversas que impossibilitam uma analogia nesses termos - mas não vale a pena, já não engano ninguém.
Mal recomeçava a recuperar a respiração, quando o Nuno Lobo me atira com uma evidence que me deixou smashed. Mas onde raio é que fui buscar a ideia peregrina de que dar uma aula [ainda se pode dizer assim?] a uma turma de 30 pessoas será qualitativamente diferente de o fazer a uma de 15? E que há que pensar ainda em outras variáveis, como as idades, contextos socio-económicos, disciplina em questão, expectativas dos alunos, etc, onde? Tudo pretextos que o meu corporativismo encontrou para defender a proliferação de professores no ensino.
O Luís Lavoura, sempre inteligente, também alcançou uma das minhas teses inconfessáveis: defender turmas "demasiado pequenas". Claro, para mim, a turma ideal deverá ser constituída por um aluno. Com dois professores, propõe o meu bigode.
Se a manifestação pilosa que se me revelou sob o nariz me levasse a ser descarado, até responderia ao Paulo que ele está equivocado ao considerar como "aberração" a redução de horário lectivo com a idade dos docentes e lhe perguntaria se considera que um professor de trinta anos trabalha com 80, 100 ou 120 alunos nas mesmas condições que um de cinquenta e se a qualidade das aulas não se ressentirá desse factor despiciendo. Argumenta o Paulo que essa é uma prerrogativa que "outras profissões não têm". A isso, a minha falta de vergonha corporativa só poderia responder que é natural - precisamente porque se trata de outras profissões.


(A Escola -ou aquilo que ainda passa por Escola - está perdida. Está cercada de todos os lados. Todos. Já ninguém a entende. Aqueles que a deviam defender e melhorar, ajudam a enterrá-la. Mesmo que com boa intenção (como é aqui o caso). O terreno onde se faz o discurso que ainda tenta defendê-la está minado.
Está cercada pela barbárie. Barbárie que se instalou em muitos professores antes de alastrar pelos alunos. A monomania da "avaliação dos professores" assente nas classificações dos alunos é também um sintoma e uma forma de barbárie. Quem defende uma coisa dessas está a milhas do que é ensinar e aprender: a luta tão difícil da emancipação, um combate tão custoso, tão violento. É um combate, não é uma mera transmissão. E um combate é sempre entre dois. A tremenda dificuldade da conversão.)
publicado por Carlos Botelho às 02:59 | comentar | ver comentários (25) | partilhar

O dilema Grego

Para um país devedor, a principal penalização por incumprir é a perda de acesso a crédito adicional. Para a Grécia ser salva, é-lhe imposto que diminua o seu déficit orçamental para menos de 3% do PIB.

Quando o déficit orçamental se aproxima de 0, um Estado deixa de necessitar de crédito adicional, embora necessite de refinanciar o crédito já existente.

É aqui que se coloca um grande dilema à Grécia, e a qualquer outro grande devedor. Se um país nesta situação é obrigado a eliminar o seu déficit orçamental, então sofre a principal penalização que um incumpridor sofreria, mas não obtém um corte no seu serviço de dívida ou no montante que deve.

O que é que isto significa? Que racionalmente, para um país a quem é imposto reduzir brutalmente o seu ritmo de endividamento adicional, pode fazer mais sentido simplesmente incumprir.
publicado por Joana Alarcão às 02:35 | comentar | partilhar

David Cameron mais perto da vitória

Os últimos dois dias não podiam ter corrido melhor a David Cameron. O que significa que Gordon Brown tem mesmo os dias contados à frente do governo britânico. Mesmo equacionando um hipotético governo Lib-Lab, pode-se afirmar que Brown não terá condições para permanecer em Downing Street depois das eleições. Mas vamos por partes.

Gordon Brown envolveu-se numa trapalhada que ganhou proporções gigantescas nesta campanha eleitoral, e que foi amplamente explorada pelos media britânicos. Hoje todos os jornais deram eco dessa gafe que ficou conhecida como Bigotgate. Diga-se que foi um momento de descuido do Primeiro-ministro, falando quando não sabia que estava a ser gravado. Mas em política estes momentos normalmente são acompanhados por uma punição severa nos media. E com potenciais consequências no eleitorado. O episódio até terá sido agravado com a resposta de Brown. Depois de ter sido apanhado num momento de hipocrisia, fez ainda pior, e passados apenas 40 minutos assumiu-se como um “pecador penitente” e foi pedir desculpa à senhora. A um acto de hipocrisia respondeu com outro. Não lhe fica bem.

Este lamentável incidente, que poderia acontecer a muitos outros políticos, aumenta a imagem negativa que Gordon Brown já detém na sociedade britânica. Se estivesse em alta, provavelmente esta gafe não teria graves consequências. No entanto, surge num contexto muito difícil para o Labour, que tem vindo a realizar uma campanha desastrada, estando neste momento em terceiro lugar em quase todas as sondagens. Apenas não se pode descartar o Labour do próximo governo, pois o sistema eleitoral pode permitir que, apesar de ficar em terceiro, obtenha o maior número de deputados, podendo com isso realizar uma coligação com os Lib-Dems. Mas estes já fizeram saber que numa hipotética coligação nem pensar incluir Gordon Brown nela. Não sei quem ganhará mais com este episódio, se os Liberais ou os Conservadores. Mas o debate desta noite terá ajudado mais estes últimos.

O debate correu muito bem a David Cameron. As sondagens conhecidas dão a vitória a Cameron, seguido de Nick Clegg e o do lanterna vermelha nos três debates, Gordon Brown. Num debate onde a economia e a imigração foram temas quentes, o líder dos conservadores foi considerado o mais convincente pelo eleitorado que assistiu ao debate. As posições mais restritivas dos Tories perante os imigrantes ilegais, juntamente com as posições contra o Euro e as críticas aos 13 anos do Labour, levaram-no à vitória.

Resta saber se nesta última semana de campanha David Cameron conseguirá subir para perto dos 40 por cento que necessita para vencer com maioria. As sondagens antes desta noite davam-lhe entre 33 e 36 por cento, e se assistirmos a uma “surge” nos próximos dias, poderá sonhar em governar com maioria nos próximos cinco anos. Se, pelo contrário, permanecer à frente mas longe da maioria, Cameron poderá começar a equacionar um meio de obter uma coligação com os Lib-Dems.

PS: Aconselho a visita ao Election Seat Calculator da BBC

publicado por Nuno Gouveia às 01:01 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 29.04.10

Manual de bom comportamento

Reza assim, meus pequeninos, o manual de bom comportamento:

"Enquanto o PSD de Passos Coelho trava um ameno diálogo com Sócrates, dispondo-se a encontrar soluções de convergência com o Governo para reduzir o gigantesco défice português, o PSD de Manuela Ferreira Leite continua a conduzir um inquérito parlamentar destinado a demonstrar que o chefe do Governo é um indivíduo que mente, não tem carácter nem merece confiança. Uma situação de pura esquizofrenia política, bem reveladora das duas faces que os sociais-democratas persistem em exibir aos portugueses."

São sempre úteis para os simples estas fábulas com moralidade na barriga: de um lado, os amenos e dialogantes que, responsavelmente (bons partidos para as meninas casadoiras e honestas), porfiam por reduzir o gigante; do outro, os valdevinos semeados pela bruxa má, que insistem na sua missão desmoralizadora da patriazinha e querem arruinar a obra dos industriosos anõezinhos do sr. engenheiro.

Entretanto, ali ao lado, depois de puxar de novo o lustro aos seus botões "socráticos", o contínuo, vigilante dos caceteiros, bate palmas entusiasmado de serviço.
publicado por Carlos Botelho às 23:43 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Manicómio


«O Governo é uma pessoa de bem e quer honrar todos os compromissos internos e internacionais», disse o ministro Mendonça.

Assim:

- Reafirma o compromisso do TGV Lisboa-Madrid;
- Planeia lançar o concurso para o novo aeroporto internacional ainda este Verão, para que este venha a ter condições de operar em 2017;
- Avança com a terceira travessia do Tejo, mista, ferro e rodoviária;
- Vai reavaliar as auto-estradas do centro.

Já o ministro das Finanças assegura que, «se for necessárias mais medidas, tomaremos.» (Só copiei a frase.) «Estamos num caminho que nos conforta», disse também.

Esperem pela Moody's ou pelo próximo artiguinho de jornal.

publicado por Jorge Costa às 23:25 | comentar | partilhar

A fuga

Isto é pura teimosia "ideológica". Ao arrepio da realidade - ou melhor, recalcando a própria realidade, finge-se que ela não está lá e faz-se uma fuga em frente para a ilusão. É o resultado de um "pensamento": este.
Vamos todos pagar por isto. Mas o que é isso para a incapacidade do primeiro-ministro em lidar com, em reconhecer a realidade? O que é isso para a pulsão propagandística, para a vertigem da mentira de Sócrates? Desta forma, consegue projectar uma mentira para o futuro. Mesmo quando a realidade vem confirmar as perspectivas mais avisadas, Sócrates, fugindo daquela como o diabo da cruz, persiste no delírio. E arrasta-nos consigo.
publicado por Carlos Botelho às 23:13 | comentar | partilhar

30 anos (menos uns dias)

publicado por Miguel Morgado às 22:47 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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