Sexta-feira, 31.12.10

O progresso na entrada de 2011

Ainda me lembro do costume, nos bairros "populares", dos típicos cidadãos irem batendo tachos, tampas e panelas. Agora, ouvem-se tiros. Até rajadas. Muito bem.
publicado por Carlos Botelho às 23:57 | comentar | partilhar

Acabar com 2010

O grande personagem do ano 2010, de que nos vamos despedir dentro de umas horas, foi o bode. Bode expiatório. Não estou a brincar. Foi mesmo. Umas vezes chamou-se-lhe Alemanha, outras Europa, com mais frequência mercados, mas era sempre um algures, nebuloso, um ersatz do velho sistema, uma espécie de xix exterior capaz de aglutinar magicamente a origem dos problemas internos, uma operação meticulosamente calculada para evitar o confronto com a verdade. Não pretendo com isto negar a evidência: a Europa é uma coisa moribunda e naturalmente incapaz de fazer face aos problemas que criou; a Alemanha defende-se, e tem força para o fazer, embora valha a pena referir que Merkel, no conjunto europeu, é, europeiamente falando, o que resta de bom-senso, até mesmo porque não pode evitar, pelo interesse próprio e poder que tem, o recurso forçoso a um módico de contacto com a realidade; e os mercados são os mercados, com a sua lógica própria, a sua natural incapacidade de cálculo a longo prazo, a sua reacção tardia e, por tardia, percebida como excessiva, ao passivo de imprudências que acumularam, dentro de um sistema, é verdade, um sistema, sabemos agora, construído para que elas se pudessem acumular maciçamente, sem alarme, durante tempo de mais: o euro. Até gente que não é totalmente obtusa, como a deputada europeia Ana Gomes (não digo o mesmo do candidato presidencial Manuel Alegre, coitado), respira no ambiente zombie do Bode Expiatório, como ilustra este pequeno post excitado, onde, vejam bem, pede que alguém lembre à Srª Merkel que é responsável por que converjamos com a Alemanha, em troca da bondade de não lhe lembrarmos que está unificada à nossa «conta» (sic). Por isso, quando hoje tocarem as 12 badalas, o melhor que (nos) posso desejar é que deitemos com elas, pela janela fora, o bode. E segunda-feira regressemos à realidade. Por pior que seja, e é muito má, pior não pode haver do que este estado onírico em que vive Ana Gome e, reconheçamos, a generalidade do país.
publicado por Jorge Costa às 17:49 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Discutir África não é fácil

Os problemas são tantos e tão complexos que fico sempre com amargo de boca ao falar do continente esquecido. O Luís Naves tem razão em algumas das coisas que escreve neste post. Eu prefiro centrar-me no futuro, não esquecendo obviamente as razões históricas do atraso africano. No entanto, e como o Luís refere, os últimos anos do período colonial até foram benéficos para África em alguns aspectos, e poderiam ter sido encarados como o inicio de uma nova era para o continente. Angola, por exemplo, e apesar da guerra, viu o seu PIB crescer à média de 7 por cento entre 1960 e 1974. Já sabemos que a seguir às independências, a situação económica voltou a andar para trás, desperdiçando-se o que até então tinha sido feito.

Mas olhemos para o futuro. Aquilo que o Luís Naves chama neo-colonialismo é precisamente aquilo que pode ajudar África: o aumento das trocas comerciais com os países desenvolvidos. Quem poderá comprar os recursos e os bens africanos senão os países ricos? É evidente que uma empresa quando vai comprar os produtos africanos tenta obter o melhor preço. São essas as regras do mercado e não há volta dar. O que é preciso é que o comércio livre aumente, que as nossas barreiras alfandegárias diminuam e que os apoios aos agricultores europeus e americanos desapareçam. Aqui talvez resida um dos vértices do problema africano: a excessiva protecção comercial que existe nos países desenvolvidos. Ao contrário do que defendem as correntes altermundistas, África precisa de comprar e vender produtos aos ocidentais. Mas se falamos na justiça destas trocas, aqui entra decisivamente o poder das instituições africanas. Sem estabilidade das instituições, os africanos estão condenados a verem os seus recursos favorecer uma camada restrita da população. E a corrupção a alastrar-se. Centro-me apenas no caso Angolano. Nos últimos anos Portugal viu um enorme fluxo de empresários deslocarem-se para o país. Conheço alguns que o fizeram. E o que se deparam quando lá chegam? Elevado grau de corrupção onde o pagamento de luvas é necessário para conseguir “fazer coisas”. Desde o simples polícia de rua até ao burocrata da Administração estatal. E imagino como funcionará a outros níveis mais elevados. De quem será a culpa? Do corrupto ou corruptor? Talvez dos dois, mas se Angola fosse um país mais “limpo” e “credível”, certamente quem sairia a ganhar era o povo angolano. Repito, há bons exemplos e são nesses que reside a esperança africana. Bem sei que é difícil que vinguem, e que retrocessos podem acontecer, como o exemplo que o Luís dá com a Costa do Marfim. Mas se não tentarmos promover estes bons exemplos o que resta? Nada.

A responsabilidade dos povos africanos e das suas próprias lideranças é para mim o ponto central desta questão. Continuando a olhar para trás, vitimizando-se e responsabilizando terceiros não adianta. Não resolve. Se as elites são inexistentes, e que o são na maioria dos casos, promova-se a Educação. Por exemplo, em Portugal todas as universidades têm grupos de estudantes dos PALOPs. Na Universidade do Minho recordo-me bem desta comunidade bastante numerosa. Com a educação dos povos africanos e a constituição de elites, será certamente mais fácil criar infra-estruturas democráticas que possam combater a corrupção, a desigualdade e a miséria. Fácil não é, nem digo que vá acontecer. Mas por algum lado se deve começar.

publicado por Nuno Gouveia às 16:40 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

O Relatório dos Testes Intermédios de 2010


Se o primeiro-ministro Sócrates (e a tropa que o acolita) não tivesse feito um aproveitamento demagógico/aldrabado do último relatório PISA (enfim, o homem não consegue escapar à sua identidade), não haveria lugar a fazer comparações, agora, entre esse e o dos Testes Intermédios (3º Ciclo e Secundário) de 2010. A comparação é desajustada, porque os dois relatórios tratam, em grande medida, de objectos diversos? É verdade, num sentido. Mas acontece que a inevitável comparação não é feita sobre aspectos neutralmente "técnicos" - é feita sobre um objecto já inquinado por Sócrates: como não podia deixar de ser tratando-se da personagem em causa, o Relatório PISA foi transformado num objecto de propaganda política - e da mais rasteira e grosseira que se possa conceber.

Esta maravilha (pode ser consultada aqui - passeiem pela Conclusão...) é ainda o resultado (mesmo que parcialmente) de anos de práticas criminosas - com origem não nas escolas, mas em orientações e opções políticas vindas de cima. Há já muito tempo que, "curiosamente", para além de os de Língua Portuguesa ou História, os professores de Biologia, de Matemática, de Física, de Química se vêm queixando das tremendas dificuldades experimentadas pelos alunos na interpretação de perguntas e problemas dos Exames do 12ºAno (!).
Durante anos (e essa tendência agravou-se nos últimos dois governos), procurou-se mais mascarar o "insucesso", do que combatê-lo de frente, resolvê-lo. Sempre através de mil e um artifícios mais ou menos burocráticos, respaldados na mais miserável propaganda demagógica, foi-se perseguindo, com uma rapidez artificial, desligada da natural dificuldade da coisa, um "sucesso" não correspondido na realidade. Com uma leviandade criminosa, foi-se substituindo um "sucesso" lento, esforçado, efectivo, por um arremedo de "sucesso" - mais rápido, vistoso, cosmético, simpático. Esta conversa já cansa, não é? Talvez, mas é indespedível: faz-se a respeito duma realidade que não muda e até se tem agravado.
Perante esta miséria, tem-se ensaiado um discurso para o público (por parte de antigos responsáveis, por exemplo) assente numa argumentação enviesada: na verdade, temos agora "jovens" dotados de outros "saberes" e "competências" que não aqueles que "nós" reputamos como importantes, etc, havendo, por isso, nestas matérias, um erro de focagem, etc. Esta litania faz sempre por esquecer que os "saberes" e as "competências" não são substituíveis e/ou equivalentes: acontece que há uns mais estruturantes do que outros. E a falta desses não se preenche com truques e pensos-rápidos.
Tem-se esquecido que a dificuldade e o constrangimento fertilizam as aprendizagens, não as impossibilitam.
publicado por Carlos Botelho às 15:57 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Melhores golos de 2010

3 dos melhores golos de 2010 (surripiados a goal.com):






E vejam este video extraordinário com as melhores defesas de 2010 (incorporação proibida).
publicado por Miguel Morgado às 15:45 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Geografia da perseguição - o Cristianismo sob ataque

Clique em cima para ampliar e ver melhor.

Retirado daqui. Ler e meditar.

Primeira nota: o Figaro, dos poucos jornais europeus que frequento mais ou menos diariamente, é o único que vai levando a sério a situação. Com reportagens periódicas sobre o assunto, perante a indiferença mais ou menos generalizada.

Segunda nota: aqui há uma justa indignação. Não me parece que a divisão clássica Dar al-Islam/Dar al-Harb seja alheia à situação, antes pelo contrário: é essa tradição, actualizada hoje, que confere consistência ideológica (mítica) ao Islão Político e à reislamização radicalizada (é mesmo, parece-me, a pedra angular do movimento; não é preciso grande argúcia para o perceber; basta uma rápida passagem de olhos pelos teóricos do movimento), mas, em todo o caso, folgo em saudar Rui Herbon, pela atenção. Há mais do que gritinhos e a inefável fedayn Palmira do ateísmo obsessivo para ler no Jugular.
publicado por Jorge Costa às 12:08 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

A orquestra continua a tocar enquanto o navio se afunda



Estonia Joins Euro as Currency Expands Into Former Soviet Union
publicado por Miguel Noronha às 09:58 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 30.12.10

Cachimbos de lá

Depois de Aron, direito ao contraditório (grafitti, s.d.).
publicado por Pedro Picoito às 23:18 | comentar | partilhar

Inaceitável

João, nunca respondo a posts com este teor, nem quando me são endereçados, nem quando atingem amigos pessoais, como é o caso. Mas vou abrir uma excepção. Porque eu e tu nos conhecemos e porque sempre falámos com franqueza.
O que tu aqui escreves é lamentável e inaceitável. Uma coisa é a crítica, que inclui a possibilidade da crítica radical; outra coisa bem diferente é a pura e simples violência verbal. Não é uma diferença de grau, como se costuma dizer, mas de espécie. A fronteira da civilidade passa por aqui.
E digo-te isto sem qualquer reserva mental: no meio disto tudo, o único atingido acabas por ser tu. Se quiseres converter o teu blog num megafone de insultos, é contigo. Mas então não te admires por não te levarem a sério.
publicado por Miguel Morgado às 18:17 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Hoje e amanhã

são dias de Bicos de Bunsen. Não tendo o glamour dos Cachimbos de Ouro, não deixam de ter a respeitabilidade da provecta idade de dois ou três anos.
publicado por Maria João Marques às 18:00 | comentar | partilhar

O homem branco é mau

Há várias teorias sobre o atraso estrutural de África: uns responsabilizam sobretudo as suas elites e outros defendem que a culpa é do colonialismo e do imperialismo ocidental. As correntes neomarxistas, sempre ávidas por explicar o mal dos povos pelo capitalismo, culpam o homem branco, que colonizou os povos africanos durante séculos, como o eterno mau da fita. Meus amigos: o colonialismo é um facto histórico e não temos como lhe dar a volta. Mas a verdade é que os europeus não colonizaram apenas África; estiveram também na Ásia, e na América e na Oceânia. Com efeitos positivos e negativos para todos os territórios que foram administrados pelos europeus. África terá sofrido em maior grau, e apenas na segunda metade do século passado se libertou do poder europeu. Mas continuar a responsabilizar os europeus e os brancos pelo atraso estrutural africano é errado, e significa acima de tudo, um relativismo histórico na avaliação das suas próprias responsabilidades.



Luís Naves, neste post, atribui-me um simplismo que admito: a democracia e a liberdade são uma das soluções para os problemas africanos. Não são de resolução fácil e até reconheço imensas dificuldades para atingir este objectivo. Muito terá que ser feito para chegar até lá e a até admito que ajuda ocidental não tem sido a melhor. Mas os (poucos) bons exemplos que existem demonstram que é possível. É verdade que as elites corruptas não chegam para explicar a miséria africana. De acordo. Mas como culpabilizar a ordem económica mundial, se foi precisamente esta que tirou milhões da fome nas últimas décadas em todo o mundo? O que poderá ajudar África é precisamente o aumento das trocas comerciais com os países desenvolvidos, e neste aspecto, são as nossas protecções, como a PAC, que prejudicam o desenvolvimento continente. A resposta é mais comercio livre. Mas para melhorar as condições de vida dos povos africanos, é fundamental que estes se reorganizem e credibilizem as suas instituições de poder.



“As democracias africanas não têm raízes e não são estáveis”. Uma frase certeira. Mas o que isso quer dizer? Que o povo africano deve estar condenado a viver sob o jugo de ditadores e elites corruptas que roubam os seus recursos para proveito próprio? Observemos a Angola, que agora é adulada por algumas elites portuguesas. Não será, em primeiro lugar, responsabilidade dos seus governantes o atraso que o país atravessa, apesar das suas imensas riquezas? Será que continuarão a culpabilizar Portugal pela sua presença no passado, esquecendo-se das suas próprias responsabilidades na governação? E o que dizer do Zimbabwe? Um dos países que foi literalmente destruído nos últimos anos. Será que também vamos responsabilizar os ocidentais pelos erros de Mugabe? Eu não acredito nesta teoria que defende que, por nunca terem vivido em democracia, não a merecem ou não a possam viver. <



Nas relações internacionais não há ilusões: é verdade que as viagens de Bush a África tiveram também interesses económicos por trás: foi por isso que o Presidente visitou a Nigéria, o maior produtor de petróleo do continente. Mas não deixou de colocar ênfase nos bons exemplos africanos, como os países que citei no post anterior. E devem ser estes que devem servir de farol para os restantes países da África subsariana. É isso que defendo e que o Luís parece discordar. Está tudo mal e não há solução á vista não me parece ser a melhor resposta.
publicado por Nuno Gouveia às 14:53 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Bordalo Pinheiro

publicado por Tiago Mendes às 13:33 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O que aí vem

A ler. Extractos:

Janeiro: It could prove to be one of the most difficult starts to a year for a long while. (...) Portugal will be the focus (...).
publicado por Jorge Costa às 13:30 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sair do euro (4) Fim do euro

São quatro as razões pelas quais não acredito no futuro do euro. Em primeiro lugar porque tem uma arquitectura muito incompleta, em que avulta a ausência de um orçamento federal, problema para o qual não existe a mais leve vontade política de resolução.

A segunda razão prende-se com as diferenças de mentalidade (ou de preferências) dentro da Europa, que são um obstáculo à unidade. Porque é que os países actualmente em dificuldade não são uma amostra aleatória da zona do euro, mas sim praticamente os mesmíssimos que tinham idênticos problemas graves de desequilíbrios nas suas contas públicas e externas no século XIX? Alguém pode acreditar que se trata de uma mera coincidência, da qual nada se pode inferir?

Em terceiro lugar, houve um acompanhamento muito deficiente das economias na fase que antecedeu a adesão, bem como posteriormente. Neste aspecto basta referir que Portugal apresentou um brutal défice externo (quase 9% do PIB) já em 2000 e desde então este tem-se mantido praticamente intacto. É estranhíssimo que um desequilíbrio tão elevado e tão persistente nunca tenha merecido severas recomendações para o corrigir.

Mesmo no caso das contas públicas, onde havia metas numéricas, houve uma extraordinária complacência quer para com a desonestidade da Grécia em relação aos seus números, quer com medidas de óbvia desorçamentação, como foi o caso das SCUTs em Portugal.

Estes problemas passados são extraordinariamente importantes para o futuro, pela quarta razão porque não acredito no futuro do euro: porque o sistema de alerta é intrinsecamente instável, como já expliquei aqui: com moeda própria a variável que sinaliza os problemas ajuda a resolvê-los; numa união monetária a variável que sinaliza os problemas agrava esses mesmos problemas.

Se o sistema do euro não tivesse acumulado desequilíbrios tão significativos (muito para lá dos que derivam da chamada Grande Recessão, iniciada em 2008) talvez pudesse sobreviver. Assim, a única dúvida que resta é saber até que ponto este fim vai ser amigável ou conflituoso, ou seja, até que ponto vai destruir muito do projecto de paz na Europa.

Há quem defenda que a união política ainda poderia ser a salvação do euro e da UE mas, para além da fortíssima resistência política a esse passo, é necessário desfazer a doce ilusão de que mais integração conduz a mais paz. Há já uma década que isso não é verdade e que o projecto europeu tem criado crescentes resistências e conflitos.

Uma união política, ao obrigar mais países a engolir políticas da maioria, mas indesejáveis para eles, poderia bem ser o golpe de misericórdia da UE.

PS. Para comodidade dos leitores, passo a acrescentar as ligações desta série:





publicado por Pedro Braz Teixeira às 13:07 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Leitura obrigatória


Um retrato da política em Portugal.
publicado por Pedro Pestana Bastos às 12:54 | comentar | partilhar

2010: Odisseia neste espaço


Senhoras e senhores passageiros, mantenham por favor os cintos apertados, a nossa viagem por 2010 vai entrar em contagem decrescente, prevendo-se a aterragem no ano novo dentro de aproximadamente um dia.

Uma viagem para fazer aqui enquanto 2010 não mergulha na espuma dos dias que correm.

A todos, Feliz Ano Novo!
publicado por Ricardo Rio às 01:25 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Para @s apaixonad@s desencontrad@s nesta quadra natalícia.

publicado por Fernando Martins às 00:47 | comentar | partilhar

Portishead - Glory Box


Pronto. Não se fala mais do assunto. Amanhã é outro dia. Daqui a um mês já ninguém se lembra. E assim é melhor para todos. Até para Defensor de Moura, coitado, que não teve um ano de campanha, apoiado, a sério, pelo PS. E para o rato Mickey. E tudo. Fiquem com a música, que é muito boa, digo eu.
publicado por Jorge Costa às 00:38 | comentar | partilhar

Religião, felicidade e infelicidade

Realizou-se nos dias 9 e 10 de Outubro passado, no Seminário da Boa Nova, Valadares, um Colóquio internacional, subordinado ao tema "Religião e (In)felicidade", com 220 participantes, e conferencistas vindos das Neurociências, da Sociologia, da Filosofia, da Teologia.
Aquele "in" de (In)felicidade indicava, à partida, o reconhecimento de que as religiões foram e são simultaneamente causa de felicidade e infelicidade.
Pela sua própria definição, a religião está referida à salvação: felicidade, sentido último, o sentido de todos os sentidos...
Grandes filósofos, como Kant, Hegel, Bloch, Habermas, reconheceram que foi pelo cristianismo que soubemos da dignidade da pessoa humana. Em tempos terríveis de miséria material e humana, foi a religião que ajudou homens e mulheres a erguerem-se um pouco acima da animalidade e do quotidiano embrutecedor.
Quando não havia médicos nem analgésicos, foi a oração e a cruz de Cristo que deram sentido e algum alívio a todo aquele mundo de horror. E as pessoas sabiam que tinham uma missão na vida, e Deus acolhia-as na morte. Não é calculável o que as religiões fizeram e fazem pela cultura, pelo combate pela justiça e dignidade, no exercício da compaixão e do amor. Quem não reconhece o que a Igreja faz na presente crise pelos mais pobres?
Mas a corrupção do óptimo é péssima, e lá está a perversão da religião/religiões e as suas patologias. Como não pensar no terrorismo, na guerra e na tentativa de legitimar a violência com a religião?
Há três impulsos com que o Homem tem de aprender a viver: o ter, prazer, o poder. Saber viver com eles - nisso consiste a arte de viver.
O mais difícil é o poder, porque ele é o maior afrodisíaco. Por isso, de modo geral, Deus é pensado como omnipotência. Significativamente, na revelação cristã, Deus não se apresenta imediatamente como omnipotente, mas como Força infinita de criação e de amor. O Evangelho diz: "Sabeis que, nas nações, os poderosos mandam e dominam; entre vós, não será assim: quem quiser ser o primeiro deve ser o último." "Eu não vim para ser servido, mas para servir", disse Jesus.
Assim, quando a Igreja se identificou como instituição de poder, começou o afastamento do Evangelho. Até Constantino e Teodósio, os pagãos diziam, referindo-se aos cristãos: "Vede como eles se amam." Depois, surgiu o poder sacro, à maneira do poder imperial, e tudo se modificou. Não é possível a uma pessoa que conheça minimamente o Evangelho e a História deixar de fazer perguntas como esta: como é que o Evangelho de- sembocou num Papa chefe de Estado, com uma Cúria imperial, e bispos a viver em palácios?
Quando se toma o poder sacro em nome de Deus, os perigos são imensos e terríveis. Até surge a tentação de "administrar" Deus. Então, quem não está com os "administradores" de Deus é herético e condenado. Lá está o perigo do fanatismo: somos a única religião verdadeira e todas as outras devem ser combatidas. Lá está o impedimento da liberdade de pensar e a censura. O pior é a imagem de um deus mesquinho, cruel, violento, causa de ateísmo e de infelicidade.
Esses "administradores" da religião e do próprio Deus arrogam-se também o direito de administrar a moral e são eles então quem determina o que é bem e mal, o que se deve fazer e não fazer. E lá está o controlo do prazer pelo poder, porque o prazer subverte o poder. Lá está então uma sexualidade envenenada, a proibição dos contraceptivos, o celibato eclesiástico obrigatório e a sua grandeza e miséria. Lá está a pedofilia dos clérigos, ocultada para tentar preservar a instituição-poder.
E ainda: quem detém o poder deverá, no quadro desta lógica, ter também mais teres e privilégios.
A questão da religião é mesmo a religião (o conjunto de atitudes e organizações na relação com Deus): o que a religião fez e faz de Deus e como usou e usa o seu nome na sua relação com os humanos e destes com Deus. Para a felicidade, é preciso voltar ao Evangelho.
publicado por Tiago Mendes às 00:36 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Máximas da mercearia

Paulo, ou dessa máxima ou desta: um cliente que reclama é um consultor gratuito. Mesmo quando o cliente não tem razão (as manhas não são exclusivas das empresas) é importante entender as razões que o levaram a reclamar e tentar renovar a confiança.
publicado por Maria João Marques às 00:26 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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