Sábado, 30.04.11

Não nos desviemos disto

Sócrates não será a causa de todos os nossos males presentes. Em boa medida a nossa desgraça tem raízes mais antigas. Mas enquanto vai tocando o seu samba de uma nota só em loop (PEC IV, PEC IV, PEC IV), uma das questões fundamentais que devíamos debater à exaustão é esta: sem a grande mentira com que ganhou as eleições de 2009 e com a travagem financeira a fundo a começar muito antes, não seríamos agora poupados a grande parte da privação, dor e humilhação que se abateu sobre Portugal ?
publicado por Duarte Lino às 23:48 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Uma voz


A voz comovida que se ouve aqui é a voz de um homem sério. Não há naquela comoção nada de encenado, não há um teleponto com a indicação "garganta apertada agora" - Sócrates poderia muito bem fazê-lo, com a qualidade a que os nossos pobres comentadores chamam "profissionalismo", mas que, na verdade, não é mais do que falta de vergonha. Esta gravação devia ser ouvida muitas vezes nas próxima semanas. Aquele homem que se comoveu tem tido acesso (ainda que incompleto, cirurgicamente incompleto, como saberemos daqui por pouco tempo) à floresta emaranhada das "contas do Estado" e ele vê e sabe muito bem a situação em que o nosso primeiro-ministro deixou o país. O homem emociona-se com isso que sabe. Esta gravação, por mostrar o choque genuíno de um homem conhecedor perante a "obra" de Sócrates, vale muitas "frases assassinas", muitos videos em família e muitos cenários portáteis. Aquela voz autêntica de Catroga é um dos melhores contributos para o conhecimento público de José Sócrates.
publicado por Carlos Botelho às 22:09 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Totus Tuus. Sempre nosso.

(...)
Ao longo do seu pontificado, o Papa João Paulo II deu um contributo determinante para o aprofundamento dos princípios da Doutrina Social da Igreja, não hesitando em assumir uma postura igualmente crítica às práticas colectivistas do comunismo do Leste e às tendências recentes da globalização e do capitalismo desenfreado.
Segundo João Paulo II, à Igreja não compete “apresentar soluções técnicas para as graves e urgentes questões sociais”, nem a sua doutrina social se pode “apresentar como uma ‘terceira via’ entre o capitalismo liberal e o colectivismo marxista”, apesar dos seus postulados se terem assumido como um dos fundamentos éticos da corrente da Economia Personalista.
Nas suas intervenções, João Paulo II clamou “pela supressão do abismo que separa ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada vez mais pobres”, pela “garantia dos direitos humanos dos povos todos” e pelo “combate aos dramas da exclusão”, assumindo a sua confiança na “bondade do ser humano” e propondo a “globalização da solidariedade” como forma de consagrar o “direito ao desenvolvimento” a todas as nações.
Mais do que centrar-se na abordagem estritamente redistributiva, a leitura que o Papa fez dos fenómenos económicos levaram-no a realçar o espírito empreendedor, o virtuosismo do indivíduo, desde que em respeito pelos princípios éticos e colocando o seu labor e capacidades ao serviço do bem comum.
(...)

publicado por Ricardo Rio às 21:48 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Contos da loucura normal

Ele é pássaros na Arábia, tubarões no Egipto, a Al Jazeera no Qatar (ver o último parágrafo da notícia) e, em geral, os motins pelo mundo árabe fora. Uma verdadeira concepção monista do universo, a genuína patafísica.
publicado por Jorge Costa às 21:23 | comentar | partilhar

Responsabilizações


A sugestão é muito bem vinda e a sua concretização poderá ser um primeiro passo. No entanto, entendo que as responsabilizações deveriam ser alargados em relação aos temas e em relação aos responsáveis.

As contas públicas têm merecido uma atenção excessiva, que tem ofuscado outros temas, como a divergência com a UE e o desequilíbrio externo. Um governo que não reconhece a necessidade nem toma medidas para reverter a divergência com a UE, não deve também ser responsabilizado por isso?

O anterior governador do Banco de Portugal andou uma década a dizer que um desequilíbrio externo numa união monetária não tinha importância nenhuma, assim desincentivando os governos de actuarem no sentido de suster o crescimento explosivo da nossa dívida externa. Não deveria agora ser responsabilizado pelas gravíssimas dificuldades de financiamento da nossa banca e economia?

Os dirigentes do Banco de Portugal não deveriam também ser responsabilizados pela forma excepcionalmente laxista como trataram o caso do BPN, quando as primeiras denúncias datam de 2001 (artigo na Exame) e 2003 (reservas dos auditores da Deloitte)?

publicado por Pedro Braz Teixeira às 17:36 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Expectativas

Subscrevo e repito estas palavras. Acrescento apenas o seguinte: qualquer resultado que não conduza pelo menos a uma maioria absoluta PSD+CDS será um fracasso político, sem paliativos imagináveis.
publicado por Miguel Morgado às 09:48 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Combate de Blogs, logo à noite às 0:20, na TVI24



Estarei eu, o Filipe Caetano e o Nuno Ramos de Almeida à conversa com o Álvaro Santos Pereira.
publicado por Miguel Morgado às 07:10 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 29.04.11

Agora escolham

A avaliação dos juízes portugueses pelo Conselho Superior de Magistratura em 2010 (notem, dos juízes portugueses, não dos membros da Berliner Philharmoniker, nem sequer da Banda da GNR) teve os seguintes resultados:


Este gráfico obrigou-me a rever a representação que fazia da justiça portuguesa. Muda tudo descobrir que 96,9% dos juízes portugueses brilham nas suas funções, merecendo as classificações de Bom, Bom com Distinção, ou Muito Bom; que uns inexpressivos 3% cumprem os seus deveres satisfatoriamente (mas sem particular mérito) e que há apenas 0,1% de ovelhas negras (todas a pastar em Aveiro, suponho).

Então e a abundantemente comentada, noticiada e experimentada putrescência do sistema judicial ?

Ponderadas as alternativas, vejo três hipóteses:

a) Não há um problema na justiça. Há sim uma falácia criada pelo Arquitecto Saraiva com a biógrafa Cabrita e propagandeada pelo Sol. Para revestirem de maior consistência o sonho mau que nos alimentam, têm-se focado exclusivamente na acção dos 0,1% ranhosos.


b) Infelizmente é tudo verdade e a nossa justiça é uma nódoa feia e gordurenta. Simplesmente, a culpa não é dos juízes mas — como diria o Dr. Sampaio com entusiasmo e ternura — de todos nós.

c) Infelizmente é tudo verdade e a nossa justiça é uma nódoa feia e gordurenta, não somos todos culpados (nem o Dr. Sampaio, neste particular) e a avaliação dos juízes é uma anedota corporativa.

Qual escolhem ?
publicado por Duarte Lino às 20:32 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Boas crónicas

Duas excelentes crónicas no Público: a de Vasco Pulido Valente e a de Eduardo Cintra Torres. Quem quiser lê-las, passe no Portugal dos Pequeninos. Estão lá transcritas.
publicado por Miguel Morgado às 17:43 | comentar | partilhar

Nada de novo debaixo do Sol

Mahamud Abbas, não podendo vencê-los, correndo o risco de perder-se na luta contra eles, rendeu-se-lhes - ao Hamas, claro. Entre a paz que diz querer, o que implica a abertura de um processo negocial, que vem evitando com todas as fibras da sua alma e todas as manobras dilatórias possíveis, e os outrora seus inimigos jurados, com os quais nenhum processo negocial é possível - para estes, a erradicação de Israel é o alfa e o ómega na sua razão de ser, como afirmam e reafirmam todos os dias, agindo em consequência -, optou por estes. Optou, julga, pela sua sobrevivência. De facto, adiou apenas o seu fim político, ao preço de o tornar mais certo do que nunca. A concretizar-se a parceria, todas as áreas de cooperação entre Israel e a Autoridade Palestiniana, na economia como na segurança, serão forçosamente suspensas. As medidas de segurança que Israel aplica sobre a Faixa de Gaza acabrão por se estender à Margem Ocidental. O Irão, pelo seu entreposto Hamas, estará mais próximo, na fronteira oriental de Israel. As dificuldades relacionadas com o perigo e o decréscimo de segurança aumentarão para Israel. Mas a Fatah, em perda continuada desde há muito, não sobreviverá. Com o acordo anunciado, há apenas um ganhador possível: o Hamas e o islamismo. A comédia de muito má qualidade com que Abbas se pretendia fazer passar como possível interlocutor num processo de paz chegou ao fim. O último episódio de recuo num processo de paz foi há uma década atrás, em Camp David e Taba. Arafat sabia que se assinasse a paz com Israel perdia a «Palestina». Em 2000 e 2001, a verdade da vontade da liderança palestiniana de avançar para uma solução de dois Estados revelou-se no fim do processo. Desta vez, imediatamente antes de ser, aparentemente, inevitável começá-lo. E, uma vez mais, terão o exclusivo da palavra, do lado árabe, a propaganda e o terrorismo. Leitura vivamente recomendada.
publicado por Jorge Costa às 16:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Da série T-shirts políticas

publicado por Paulo Marcelo às 16:16 | comentar | partilhar

A avaliação da suspensão da avaliação

TC considera inconstitucional a suspensão da avaliação dos professores.
publicado por Paulo Marcelo às 14:21 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Ir ao circo com o PS

Não há em Portugal profissionais da propaganda comparáveis com os que trabalham para o Partido Socialista. José Sócrates e os seus assessores podem vangloriar-se de uma fabulosa invenção. A patente é do PS: depois do info-entretenimento, chegou o tempo do político-divertimento.

Hoje no CM
publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 11:24 | comentar | partilhar

O Porta-voz

Num momento em que há tanta confusão na cabeça dos portugueses em torno da política e da comunicação política, recomenda-se um momento de serenidade lendo esta entrevista de Navarro Valls, o porta-voz do Papa João Paulo II, ao jornal ABC.

Su eficacia comunicativa [a de João Paulo II] se basaba más en lo que decía, que no en como lo decía. Diría que la verdad de lo que decía se veía también en el modo expresivo como lo decía.

publicado por Miguel Morgado às 11:06 | comentar | partilhar

No Jornal de Negócios...

... «[Miguel] Relvas diz que "ainda há uma parte do eleitorado que quer ser enganada"»

Não é verdade! Uma parte do eleitorado quer ser enganado pelo PS e outra parte do eleitorado quer ser enganado pelos restantes partidos. É a falência do regime político, do sistema político e de Portugal enquanto comunidade social e moral. Mas pode ser que um dia regenere.
publicado por Fernando Martins às 10:50 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Publicidade Institucional


O lançamento do livro "Portugal na Hora da Verdade", do Álvaro Santos Pereira, é já no dia 3 de Maio, às 18h00 no Restaurante do piso 7 do El Corte Inglés de Lisboa.
publicado por Miguel Morgado às 09:55 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Uma nota rosa

Aproveite o breve interregno da propaganda socialista e siga a boda em directo. Não é um Mundial de futebol mas tem o mesmo efeito, com as vantagens acrescidas de ser bastante mais breve e colorido.
publicado por Eugénia Gamboa às 09:49 | comentar | partilhar

Poetas da minha terra cantam logo pela manhã

(Enviado pelo Fernando Ferreira)

A culpa é do pólen dos pinheiros,
dos juízes, padres e mineiros,
dos turistas que vagueiam nas ruas,
das strippers que nunca se põem nuas,
da encefalopatia espongiforme bovina,
do Júlio de Matos, do João e da Catarina.
A culpa é dos frangos que têm H1N1
e dos pobres que já não têm nenhum.
A culpa é das putas que não pagam impostos,
que deviam ser pagos também pelos mortos.
A culpa é dos reformados e desempregados,
cambada de malandros feios, excomungados.
A culpa é dos que tem uma vida sã
e da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio que já não joga a bola
e daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da Casa Pia,
que mentem sempre de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
e dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
e de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS e do PCP
e dos que não querem o TGV.
A culpa até pode ser do urso que hiberna,
mas não será nunca do nosso PS e de quem governa!
publicado por Miguel Morgado às 09:37 | comentar | partilhar

Remover o senhor sócrates começa a tornar-se uma questão de saude mental

Quando se lê (com incredulidade) que o funesto josé-bancarrota-sócrates afirma, perante um país falido e de mão estendida ao exterior, que as obras do TGV entre o Poceirão e o Caia (que mesmo que custassem cinco tostões seriam caras, já que um TGV até ao Poceirão não serve para nada nem para ninguém) são para manter, das duas uma: ou o funesto primeiro-ministro está doentiamente alienado da realidade ou estou eu - acompanhada de 63% dos portugueses que consideram que a bancarrota é resultado dos governos socráticos.
publicado por Maria João Marques às 08:05 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Grande Finale (125)


Papillon, Franklin J. Schaffner, 1973

publicado por Carlos Botelho às 00:00 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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