Quinta-feira, 31.05.12

Política e jornalismo. Jornalismo e política

Há quem diga que devemos continuar a comprar jornais impressos – uma espécie de contribuição para o bem da democracia portuguesa. Compreendo. Mas é cada vez mais difícil. Habituado a comprar e a ler o PÚBLICO, li há pouco um artigo de opinião, na rubrica Debate, assinado por um tal Domingos Lopes (p. 47). Diz mais ou menos isto: Passos Coelho é um liberal protegido pelo Estado. Passos Coelho, ao contrário de Nelson Mandela e do Zé do Telhado, é um herói valentão que ataca os fracos e venera os fortes, que bate nos desprotegidos para lhes meter medo, adormecer-lhes a consciência, e subtrair-lhes a força anímica. Em suma: Passos Coelho, que nada tem de corajoso, é um cobarde da pior espécie – daqueles que não se limita a fugir do perigo, mas antes a espezinhar os que já estão por terra. E como Passos Coelho tem um carácter vil, os seus ministros – com Miguel Relvas à cabeça – mau carácter necessariamente têm. Dado que Passos Coelho conduziu os portugueses a uma pobreza e miséria sem precedentes, para quando a revolta dos oprimidos? Se as palavras de Domingos Lopes não merecem atenção especial, já merece atenção saber-se o que motiva o PÚBLICO a publicar um artigo com uma ironia infantil, a um mesmo tempo ofensivo e moralista, sem um único argumento ou qualquer espécie de razoabilidade que motive o debate e justifique o nome da rubrica em que se insere. O jornalismo de referência em Portugal, de que o PÚBLICO foi um digno representante, está muito próximo de ser hoje uma merda: onde procuramos investigação e reportagem, encontramos o resultado de trocas de informação entre dois poderes que se alimentam mutuamente; onde procuramos informação objectiva e factual, encontramos opinião ideológica dissimulada por entre palavras escolhidas; onde procuramos opinião fundamentada, encontramos o Domingos Lopes. Políticos e jornalistas. Jornalistas e políticos. O regime está doente e não há medicina que nos cure.

publicado por Nuno Lobo às 21:42 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Democracia Liberal - A Política, o Justo e o Bem

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Terminei recentemente de ler “Democracia Liberal - A Política, o Justo e o Bem”, interessante conjunto de ensaios de Pedro Rosa Ferro. Recomendo. São apenas 147 páginas, portanto, para ciência política, diria que é um livro ligeiro, mas rico de conteúdo e muito bem escrito.

 

João Carlos Espada desfaz-se em elogios no prefácio, como é normal em prefácios; chega a dizer que o autor é um gentleman: penso que é o elogio máximo no seu léxico… Mas, finda a leitura tenho de concordar com as suas observações: gostei da "erudição que nunca se torna pesada nem pretensiosa", e é verdade que o livro, sendo um conjunto de ensaios, "tem uma coerência interna que não escapará ao leitor".

 

Tem ainda dois equilíbrios bem conseguidos que gostaria de referir: por um lado, é feliz no modo como trata temas de actualidade política recuando na história das ideias e das nações, sem se perder; e, por outro, sabe conduzir o discurso de forma equidistante, imparcial, dialogante, para no final chegar a tomar posição, sem se ficar por diplomacias ideológicas. É o tipo de livro que pode ser lido com proveito mesmo por quem não concorda.

 

Deixo aqui apenas uma citação do livro, tirada de um divertido ensaio intitulado "Importa-se que fume? Liberdade, Razão e Tabaco". O autor confessa-se assim: "sou fumador, hábito de que não tenho especial orgulho ou vergonha. Não reclamo o 'direito de fumar'. Peço apenas a liberdade de o fazer (…). Palavras medidas, conceitos claros, serenidade. Pedro Ferro pode puxar do cigarro que nós ficamos, com gosto, à conversa com ele.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 14:42 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

CDS

 

É comum ouvir-se que o CDS é um partido Democrata-Cristão aberto a correntes conservadoras e liberais. Não será tanto assim mas quem quiser debater o tema é muito bem vindo. O moderador é o Samuel de Paiva Pires.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 14:39 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Para os nostálgicos de S. Martinho do Porto







publicado por Pedro Picoito às 14:30 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Ou de como o "caso secretas" se tornou o "caso Relvas" (II)

Passos Coelho fez bem em escolher o tema das secretas para o debate parlamentar de ontem, sobretudo com este PS, mas a sua defesa de Relvas  foi política e moralmente errada.

Foi politicamente errada porque o nome do Ministro-Adjunto monopolizou o debate, como era de prever: não se ouviu, da parte do Governo, uma ideia ou proposta sobre os serviços de inteligência portugueses, supostamente o tema principal, porque o Primeiro-Ministro gastou o tempo a justificar o injustificável. Sabendo ao que ia, Passos Coelho escolheu o tema do debate com o único objectivo de branquear o comportamento de Relvas. Ao contrário dos que insistem em desvalorizar o caso, Passos está preocupado. Não admira: quanto mais o seu número 2 se afundar em suspeitas, mais o Governo perde a nossa confiança. 

A defesa de Relvas foi também moralmente errada porque tornou Passos Coelho cúmplice de uma relação demasiado elástica com a verdade. Quando diz que não demite ministros por receberem sms, Passos está a tentar enganar-nos. E eu não gosto de ser enganado, muito menos por quem me cobra impostos. O que torna insustentável a defesa de Relvas não são os SMS que recebeu: é que ele tenha mentido ao Parlamento sobre os seus contactos com Silva Carvalho e que seja acusado pela Directora, pelo Conselho de Redacção e por uma editora do Público de ter feito ameaças mafiosas para impedir notícias sobre esses contactos.

No fundo, é simples. Relvas mentiu ao Parlamento e, de acordo coma doutrina do Primeiro-Ministro (quem mente sai), só lhe resta a demissão. O resto é spin. E fraquinho.  

publicado por Pedro Picoito às 13:52 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Convite

 

publicado por Pedro Picoito às 13:49 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

Depois de um breve percurso a solo, o Filipe Nunes Vicente volta à bloga no Corta-Fitas. Uma grande contratação. 

publicado por Pedro Picoito às 13:43 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Desemprego

 

O desemprego espalha-se como um cancro que já afecta 14,9% da população activa. A situação é tão grave que não pode ser vista como um simples dano colateral de um processo de consolidação orçamental. É verdade que o problema vem detrás e que não haverá criação sustentada de emprego enquanto não tivermos finanças públicas equilibradas. Mas há outras causas. Com a rigidez do vínculo laboral, as empresas tendem a olhar para os novos trabalhadores como encargos (quase) definitivos, o que inibe novas contratações. Isto ajuda a explicar que a taxa de oferta de emprego em Portugal seja das mais baixas da Europa. O actual modelo está esgotado. Além de não fomentar o emprego, a nossa lei reduziu a mobilidade profissional (segundo o INE, 2,4 milhões têm o mesmo emprego há mais de 10 anos e 1,2 milhões há 20 anos) e conduziu a uma desigualdade imensa entre os que estão no "sistema" e os que não conseguem entrar, oscilando entre desemprego e precariedade. São os jovens que mais sofrem com esta dualidade. Há toda uma geração "entalada", sem oportunidades, por causa de uma lei laboral hipócrita, apoiada por sindicatos que defendem os ‘insiders'. Basta olhar as estatísticas para perceber o enviesamento geracional do mercado do trabalho: um em cada três jovens não tem trabalho (36,1% até aos 25 anos). Por quanto tempo será possível manter esta situação? Qual o limite suportável mesmo por gente "branda" como se diz ser a nossa?

 

Não tenho soluções milagrosas, nem defendo a desregulação do mercado laboral. Mas sei que o sistema tem de conseguir enquadrar as novas realidades, como o trabalho partilhado ou a tempo parcial, cada vez mais comuns noutros países. Apesar das recentes alterações legais positivas, manteve-se um modelo único de relação laboral. A lei deve permitir para os trabalhadores mais qualificados (onde a desigualdade é um mito ultrapassado) e jovens, um novo tipo de contrato associado a objectivos. Não se trata de permitir o despedimento sem "justa causa", mas sim de prever causas razoáveis, com verificação objectiva, se necessário com recurso à mediação laboral. Não percebo porque não se avançou ainda com esta ideia. Em vez de facilitar os despedimentos - um caminho com frutos apenas a longo prazo - a prioridade deve estar na criação de emprego. Este novo modelo, além de incentivar o mérito e a mobilidade, poderia inaugurar uma nova "cultura de contratação" nas empresas, criando oportunidades para os jovens desempregados.

 

[Diário Económico]

publicado por Paulo Marcelo às 08:19 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

O futuro é fabricado na Alemanha

Quanto ao benefício que a Alemanha pensa tirar desta “terceira revolução industrial”, o melhor mesmo é ver a publicidade alemã.

 

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publicado por Victor Tavares Morais às 07:31 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quarta-feira, 30.05.12

Quem decide a Economia

Os fenómenos colectivos só podem ser explicados racionalmente remetendo para fontes de racionalidade e de liberdade. Estas fontes são as pessoas, os indivíduos. É o que estes pensam e decidem que forma as «decisões», com aspas, da sociedade, da Economia, dos povos.

Ora quando passamos para a narrativa económica e política, temos maneiras de simplificar a complexidade envolvida, centrando-nos nalguns actores principais. Assim, descrevemos as «acções» dos países pelas decisões dos seus governantes ou dos seus maiores empresários. E focamo-nos naquela selecção e ângulo dos eventos que nos é reportada pelos media. O resto tende a ficar esquecido. Se não se pode descrever com unidade e racionalidade, como falar sobre isso?

Por isso é que ultimamente nos tem baralhado tanto as conversas a relevância dos «mercados», que nos estragam o esquema, por terem a desfaçatez de não nomearem representantes, e não comparecerem às mesas de negociações nas cimeiras europeias. É giro ver alguns a personificarem desesperadamente «os mercados» só para lhes conseguirem atribuir alguma culpinha pelos males da Economia.

Custa-nos aceitar quando ninguém decide, porque são demasiados, e desalinhados, os que decidem. Mas a verdade é essa, o efeito da Sra. Merkel no euro é real, mas está longe de ser total ou definitivo. O efeito do nosso governo na Economia portuguesa é crucial, mas muitíssimo limitado.


Constato que mesmo as pessoas que sabem perfeitamente isto, que devia ser o «bê-á-bá» das ciências sociais, às vezes no meio da conversa resvalam e começam a tratar a parte do problema que é governável e discutível como sendo a totalidade do problema...

 

Se alguma coisa nos mostra a actual crise é isto: são estreitos os limites do poder dos políticos, para sonharem e fabricarem as instituições e as nações, à margem dos dados da vida. Aliás, milhões de vidas.

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 18:35 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

O regresso aos clássicos

No parlamento, Passos Coelho acaba de apelar a que não se "tome a nuvem por Juno". Também já Seguro, no seu fulgor amarelado, referiu uma "nebulosa". Não custa imaginar, a esta hora, vários deputados, numa inteligência aflita, inquirindo junto dos companheiros: 'Juno? Juno? Quem é esse gajo? Também foi escutado? É do PS?...'

publicado por Carlos Botelho às 15:31 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Já existe e é alemão

Ao que dá conta o jornal i a Comissão Europeia prepara-se para apresentar um plano industrial europeu em Setembro. Suspeito que o plano já existe, é alemão e chama-se: Energiewende.

 

 

As bases de tal revolução, explicadas por Rifkin, são as mesmas que a Comissão encara como eixos centrais do futuro plano industrial: investimento numa rede europeia de energia e aposta nas energias limpas, na renovação da construção civil (tornando cada vez mais os edifícios em pequenos produtores de energia solar ou eólica) e no desenvolvimento dos carros eléctricos, eixos divididos entre grandes e pequenas empresas.

A Comissão não encara a publicação de um plano como uma imposição sobre as políticas nacionais – nem como dirigismo económico. Antonio Tajani, vice--presidente da Comissão Europeia, fala em diálogo com os governos nacionais. Rifkin, por seu turno, afirmou que a Alemanha já está a liderar este novo movimento."

 

A propósito, os alemães já sabem onde gastar algum dinheiro: “Germany needs EUR 20 bn investment in power grid”.

 

Agora, com sorte, é adaptar e transpor para a realidade de cada país; e esperar para saber a quem os analistas políticos vão atribuir a vitória pela realização deste original "plano Marshall" europeu.

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publicado por Victor Tavares Morais às 13:30 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Bernhoft

Antigamente os one-man band eram artistas de circo ou de feira, cuja arte consistia no equilibrismo de tocar em simultâneo uma carrada de instrumentos. Qualquer cotovelo dava para mais uma pandeireta, e qualquer tornozelo servia funções múltiplas.

 

Agora com as pedaleiras de loops, o norueguês Jarle Bernhoft faz tudo sozinho, mas não ao mesmo tempo. Vai construindo a música por partes, liga partes, desliga, troca de guitarra, tira a palheta do bolso de trás das calças, e faz harmonias de voz consigo próprio. O batuque é feito nas costas da guitarra ou com a voz, em beat-box. Toca piano, guitarra, canta normal e em falsete. É ele mesmo o baixo e os pratos da bateria. A imagem de marca são os óculos Ray-ban Wayfarer com lentes claras – ouvi dizer que estão na moda.

 

O que é extraordinário é que o homem é mesmo muito bom músico – consegue ser funky e bluesy na guitarra, nos ritmos, tem uma voz de soul excelente e um falsete seguríssimo e nada afectado. Escreve boas músicas. Tudo com alma.

 

Várias almas, às voltas, em repetição.

 

 


Quem gostar, sugiro que siga por aqui: C'mon Talk; esta fantástica versão do hit dos eighties dos Tears for Fears, Shout, e esta Streetlights (excelente aquela entrada do… cavaquinho).

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 13:17 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos de lá


André Lhote, O pintor e o seu modelo, 1920.
publicado por Pedro Picoito às 11:15 | comentar | partilhar

Fim do euro (38) Dilemas morais

A primeira vez que escrevi sobre uma possível desagregação do euro foi em Abril de 2010, em que analisava as consequências de uma possível separação do euro em dois, um para os países fortes e outro para os países fracos, onde se incluía Portugal.

 

Com a escalada da crise do euro, houve um momento decisivo, em que me apercebi da instabilidade intrínseca desta moeda (Novembro 2010): com moeda própria a variável que sinaliza os problemas (taxa de câmbio) ajuda a resolvê-los; numa união monetária a variável que sinaliza os problemas (taxa de juro da dívida pública) agrava esses mesmos problemas. Isto levou-me à convicção de que o euro tinha os seus dias contados.

 

A partir daí, vivi o dilema moral de escrever sobre o “fim do euro”. Por um lado, não queria gerar nenhum movimento de pânico mas, por outro lado, sentia a necessidade de avisar o maior número de pessoas para esta eventualidade. Os portugueses precisam de se preparar para isto, não só psicologicamente, mas também através de acções concretas. Foi com essa intenção que escrevi aqui o texto “Fim do euro, recomendações práticas”, que sei que circula pela internet.

 

A forma como tenho lidado com este dilema moral é escrever de forma ponderada, alertando para os riscos e recomendando respostas serenas. Um dos problemas potenciais é que o pânico pudesse gerar uma fuga generalizada de depósitos dos bancos em Portugal.

 

Felizmente que desde Dezembro de 2011 os bancos da zona do euro têm acesso a grande liquidez por parte do Banco Central Europeu (BCE), por prazos muito mais latos do que o habitual e com exigências muito mais suaves de garantias para aceder a estes fundos.

 

Em muitos países tem-se assistido a uma fuga de depósitos, em particular na Grécia, por razões – obviamente – alheias aos meus escritos. Por singular coincidência, Portugal tem sido uma excepção, tendo havido mesmo um substancial aumento dos depósitos bancários. Poderei ler essa reacção como uma de duas razões: ou os meus textos têm sido completamente desvalorizados, ou têm levado a respostas muito serenas, o que sempre desejei desde o primeiro momento.

 

As famílias e empresas também enfrentam um dilema moral: deverão colocar todo o seu dinheiro a salvo e, com isso, talvez provocar uma catástrofe; ou deverão esperar pacientemente que, apesar de tudo, a catástrofe aconteça? Sugiro uma solução de compromisso: vão transferindo progressivamente o vosso dinheiro para moedas estrangeiras, para bancos de fora da zona do euro. Ao fazerem-no lentamente, dificilmente estarão a desencadear a catástrofe que temem. Se as coisas se precipitarem, logo poderão decidir em consciência o que vos faz mais sentido.

 

Não devem pensar que estão a salvar a vossa pele, colocando em risco o país. Por um lado, as vossas decisões individuais dificilmente poderão ser decisivas mas, sobretudo, o dinheiro dos portugueses que estiver no exterior quando o euro acabar serão divisas preciosas para o país recuperar o crescimento com o novo escudo.

 

Feliz ou infelizmente, neste momento o tempo escasseia. Isto levanta duas questões. Por um lado, sobra cada vez menos tempo para tomar decisões que protejam os portugueses do fim do euro. Por outro lado, como há muito pouco tempo, não há margem para que as decisões das famílias e empresas portuguesas possam criar um quadro grave.

 

Finalizo anunciando que estou a completar um livro, com o título provisório “Fim do euro em Portugal”, que deverá estar disponível no final de Junho, onde estes temas são naturalmente desenvolvidos. Só temo que Grécia saia do euro antes disso, limitando os benefícios que poderão decorrer da sua leitura.

 

[Publicado no jornal “i”]

publicado por Pedro Braz Teixeira às 08:51 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

A Idade de Ouro

Isto é, aquele tempo saudoso em que, virtuosamente, ainda não se vivia acima das suas possibilidades:

 

 

 

(Excerto de Brutti, sporchi e cattivi [Feios, porcos e maus], de Ettore Scola, vencedor do Prémio de Realização do Festival de Cannes de 1976.)

publicado por Carlos Botelho às 01:25 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Terça-feira, 29.05.12

Ou uma coisa ou outra

Interessante, a capa e o editorial do The Economist esta semana sobre a opção que a Europa enfrenta: ou se sai da crise desmantelando o Euro, ou se avança para uma maior integração. O que tem piada é a revista manifestar-se a favor da via da integração relutantemente. Normalmente não o defenderiam mas, como as coisas estão, a alternativa de desfazer a moeda única parece-lhes a mais devastadora.

Propõem duas medidas (assim como quem conversa com a Sra. Merkel): uma de integração financeira (grandes bancos), e integração fiscal (uma das formas já propostas há uns tempos de mutualização das dívidas soberanas). Ambas definidas como minimalistas: o mínimo que conseguem imaginar de perda de soberania e independência para conseguir os efeitos pretendidos e indispensáveis.

O projecto europeu constrói-se de muitas maneiras. Agora estamos na fase da construção por via da «fuga para a frente».
publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 22:06 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

SMS

Pedro, demite Relvas ja. Amanha vais Parlamento e escusas de passar vergonhas.
Demite tb pessoal todo secretas. Deixa so senhoras limpeza, q usam avental mas nao sao maconaria.
Se Teresa Morais era "chata" Conselho Fiscalizacao, tv seja pessoa certa para dirigir servico. Depois falamos Gigi.
publicado por Pedro Picoito às 14:51 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Clipping

"Miguel Relvas acaba de descobrir o que é ser julgado, não apenas segundo os princípios mais óbvios da ética política, mas segundo a bitola do Governo anterior. É talvez isso que devia incomodar mais Passos Coelho: saber que o seu Governo está a ser avaliado como se fosse a continuação do anterior. Não foi ele que nos prometeu uma mudança? Onde está?"
Pedro Lomba, no Público de hoje.

"Quando o poder reside na detenção e gestão do segredo e na sua eventual comunicação, já não estamos em "democracia", estamos naquilo que, à falta de melhor, se pode designar por "bufocracia". Um regime em que, no circuito dos poderosos oficiais ou fácticos, ninguém é livre: todos podem condicionar todos e todos podem acusar todos. É o "bufo" potencial ou actual - mas não o povo - quem mais ordena. É o espectáculo do segredo."
Paulo Rangel, no Público de hoje.
publicado por Pedro Picoito às 14:24 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Diário de um cínico

A tensão voltou ao Cairo. Foi incendiada a sede de de Ahmed Shafik, o antigo Primeiro-Ministro de Mubarak que agora concorre às presidenciais, e houve confrontos na Praça Tahrir entre os seus apoiantes e contestatários da sua candidatura. As informações são pouco esclarecedoras, mas vale a pena seguir o caso atentamente para ver qual o rumo do Egipto nos próximos tempos.
Entretanto, a França e a Alemanha, depois do massacre de Houla, expulsaram os embaixadores da Síria em Paris e Berlim. A Europa está finalmente a acordar para as atrocidades do regime de Assad.
publicado por Pedro Picoito às 14:13 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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