Domingo, 03.06.12

A guerra das cleantech

 

A Alemanha só aceitará um qualquer plano industrial europeu, plano para o crescimento e emprego ou outro nome que lhe queiram dar, se as suas exportações beneficiarem directamente. Acredito que só o fará com as devidas garantias.

O primeiro obstáculo ao sucesso do plano é no próprio espaço europeu, nem todos os países estão em idênticas condições para beneficiarem de um plano como aquele que se desenha no horizonte. O grau de competitividade da indústria alemã está a milhas das demais indústrias europeias, para ganhar a batalha pela venda de equipamentos ligados às indústrias das energias renováveis e do ambiente (as cleantech). Aos concorrentes europeus ganha na inovação tecnológica, nos custos controlados de mão-de-obra, na produtividade – o suficiente para garantir na Europa a “fatia de leão”. Portanto, no campeonato europeu do crescimento das exportações, fruto do potencial plano industrial, a Alemanha seria novamente um vencedor antecipado - sem surpresas.

Dir-me-ão: e os outros, os não europeus, os chineses? Vão deixar de aproveitar uma oportunidade destas, no maior mercado do mundo?

Os chineses vão tentar, mas aqui há que contar com a “má experiência” acumulada e a capacidade de antecipação alemã. Os recentes desenvolvimentos mundiais do mercado de células fotovoltaícas deixam antever o futuro. A poderosa empresa alemã SolarWorld tem liderado com sucesso uma campanha anti-dumping nos EUA, que já conduziu em Março passado a que fossem criadas taxas aduaneiras de 4,7% às importações de equipamento com origem na China. Mas a mais recente vitória é retumbante, à taxa aduaneira soma-se agora a menos módica tarifa anti-dumping, aprovada em Maio pelo Departamento Americano do Comércio, no valor de 31%. Estas medidas fizeram desesperar os chineses, e já conduziram Pequim a apresentar uma queixa formal na OMC.

Apesar de tudo, esta questão é actualmente um “problema menor” da China. Um problema maior é que a germânica SolarWorld já informou os mercados que vai iniciar uma acção semelhante na Europa, ainda este ano. E aqui, o problema pode ser bem mais grave - não nos esqueçamos que apenas 10% da produção chinesa de equipamentos fotovoltaicos vai para os EUA, a fatia dourada é a Europa, com 80%.

Isto para explicar que os alemães, em face da experiência acumulada nos EUA e também na Alemanha (até agora a China tem sido a maior beneficiária dos incentivos do Governo alemão à energia solar), poderão não estar dispostos a financiar um qualquer plano industrial à escala europeia, para benefício de países concorrentes, nomeadamente os asiáticos. Diga-se que esta estratégia contém riscos, para a própria Alemanha, – a demais indústria alemã tem beneficiado, e muito, dos planos de incentivo à economia dos governos chinês e norte-americano. Para os mais optimistas que pensam que é, tão só, desenhar um plano de crescimento e financiá-lo, desenganem-se, dificilmente avançará sem estarem salvaguardas as devidas garantias. Podemos ter uma guerra comercial, envolvendo as cleantech, antes mesmo de ser lançado um qualquer plano industrial europeu. E todos sabemos como as guerras comerciais podem acabar mal.

publicado por Victor Tavares Morais às 11:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sexta-feira, 17.06.11

O moderno despotismo iluminado

maradona a propósito da política subsidiação da energias renováveis pelo governo socialista

 

 

"Não percebo como é que não se compreende uma coisa, que é simples como as ventas de mediocre do António José Seguro: quando, centralizadamente, se subsidia a produção de um bem, está-se a retirar informação e diversidade ao sistema, e assim a limitar a sua capacidade de adaptação às circunstâncias que por definição são irreconhecíveis antecipadamente ao homem, e a substitui-la pelas possibilidades de um único cérebro (que, relembro, no caso é o do Eng. José Sócrates).(...)

 

O raciocínio é infantil de tão lógico: perante a incerteza, poupança há-de ser sempre contabilizada como poupança, qualquer que seja o futuro tecnológico que se considere; pelo contrário, se, por vississitudes que nem o engenheiro José Sócrates consegue antecipar (é possível, é possivel que ele não veja todo o futuro), o carvão ficar mais 50 anos ao preço da chuva, o vento for desbaratado por um avanço na transformação do fotões em energia témica, ou vice versa, ou o nuclear tiver uma solução para os seus problemas, ou...., ou....., ou...., os investimentos que tiverem sido canalizdos para os cavalos perdedores terá sido, rigorosamente, dinheiro deitado ao lixo."

 

 

 

publicado por Miguel Noronha às 07:12 | partilhar
Terça-feira, 17.05.11

Acerca da "aposta" socialista nas energias renováveis

O maradona responde aqui ao post de Tiago Julião no Jugular

 

O argumento principal deste Professor Doutor é que a análise do PSD será excessivamente centrada no custo euro/MW, falhando na fatídica "complexificação" (a mania viral que este pessoal de esquerda tem de que é bué complexo dá-me cabo dos brônquios) de todo o problema económico que decorre do desenvolvimento por estímulo Estatal de uma indústria de energias renováveis. Terão sido "30 mil empregos", um VAB de não sei quanto, 1000 aerogeradores em todo o país, e mais as universidades que aproveitam "a boleia" (linda expressão), as competências, etc etc etc.

 

Mas o que o Professor Doutor cirurgicamente se reprime de tentar convencer os demais é se a listagem que faz dos beneficios que o investimento público nas energias renováveis produziu no país não poderiam também ter sido obtidos se, sei lá, esse mesmo investimento tivesse sido direccionado para a produção de cereais, o fabrico de telemóveis e LCDs, ou a realização de filmes de acção com o Jackie Chang no principal papel. Em todos os casos se criariam empregos, se acrescentaria valor ao consumo, se substituiriam as importações por produção nacional, etc, etc, etc.(...)

 

Quando o PSD diz que o euro/MW é mais caro nas fontes de energia renováveis não está a ser simplista. Está a apontar uma realidade que o Professor Doutor Tiago Julião Neves misticamente se reserva ao direito de ignorar, elaborando uma (ia dizer demagoga, mas depois lembrei-me do que tinha escrito ali em cima) lista de beneficios que ou não lhe são únicos ou estão alojados num tempo que não é ainda o nosso.

 

Acresce que há, nesta posição de cautela, também uma "política de futuro": a de que, para países mais pobres e mais atrasados, existe vantagem em não participar de forma substancial nas tecnologias de ponta, e só chegar a elas quando o seu estado de maturação já não representa um encargo que desvie recursos de coisas mais básicas, as quais, estando ausentes, até podem no limite estancar os visionários ímpetos que os governos tentam artificialmente impôr à sociedades que são os seus brinquedos.

publicado por Miguel Noronha às 10:13 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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