Quinta-feira, 31.01.08

E agora os secretários de Estado...

Segundo a TV Net, Fernando Rocha Andrade e António Castro Guerra vão sair do Governo. Aparentemente, não serão os únicos.
publicado por Joana Alarcão às 01:20 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 30.01.08

Quero dizer aos portugueses

«Quero dizer aos portugueses que entendo a mensagem que quiseram dar-nos (...). Quero dizer aos portugueses que recebi e entendi perfeitamente o sinal que nos transmitiram», disse José Manuel Durão Barroso a 13 Junho de 2004. Quinze dias depois anunciou a sua demissão para assumir o cargo de presidente da Comissão Europeia.
Três anos e meio depois, um novo primeiro-ministro, José Sócrates, também compreendeu a mensagem dos portugueses. Acontece que não há nenhum cargo internacional disponível neste momento.
P.S. -- Francisco Mendes da Silva, tal como todos nós, também não percebe muito bem o que é que o primeiro-ministro compreendeu. João Gonçalves prevê mais problemas de compreensão...
publicado por Joana Alarcão às 23:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Críticas de Alegre e receio de Sócrates: uma leitura complementar

O post de Pedro Correia a que me refiro é este. Sobre Manuel Alegre, escrevi alguns posts que talvez se justifique a sua repescagem: aqui (1.2006), aqui (2.2006), aqui e aqui (10.2006), aqui e aqui (7.2007).

publicado por Joana Alarcão às 18:30 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

A felicidade tem destas coisas e os GPS às vezes não ajudam...

A 20 de Dezembro, durante o almoço de Natal com os seus ministros, o primeiro-ministro confidenciou que estava «muito feliz com a equipa» que tinha e que esperava contar «com todos» no início do próximo ano (ver aqui ou aqui).
Moral da história?
A felicidade, como todos sabemos, é um sentimento volátil.
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A prenda maldita
Na altura José Sócrates ofereceu a cada um dos ministros equipamentos de navegação GPS. Resta saber se era suposto utilizar os aparelhos antes ou depois da saída do Governo. Em qualquer dos casos, se eu fosse Ana Jorge ou José António Pinto Ribeiro, até tremia se visse o primeiro-ministro a aproximar-se com um GPS. Quanto aos restantes ministros, a precaução manda que aprendam rapidamente a trabalhar com eles. Quem não souber manter o rumo...
publicado por Joana Alarcão às 12:37 | comentar | partilhar

A remodelação que ainda vai no adro, segundo Alegre

Se a remodelação do ministro da Saúde, António Correia de Campos, pretendia apaziguar os críticos da ala esquerda do PS, José Sócrates desiluda-se de imediato. A reacção de Manuel Alegre não poderia ter sido mais clara: «preferia que [em vez da ministra da Cultura] tivesse sido [remodelada] a ministra da Educação». Ou seja, a remodelação, nos termos em que foi feita, não resolveu nada e arrisca-se a agravar ainda mais a situação do Governo.
publicado por Joana Alarcão às 00:53 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 29.01.08

Rumo tremido

Confirma-se que, afinal, a festa da democracia incomoda. Algo me diz que nos próximos tempos voltaremos a ouvir falar em manter o rumo.
publicado por Joana Alarcão às 20:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A remodelaçãozinha

Uma tarefa incompleta, sem controlo do tempo político e sem recurso a figuras de primeiro plano do PS. Uma remodelaçãozinha nitidamente de fuga em frente e ao sabor das circunstâncias.
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[Adenda]
Manuel Alegre espera que «não haja apenas uma mudança de rosto, mas uma mudança de políticas para salvaguardar, reforçar e preservar o Serviço Nacional de Saúde».
Pois. Pessoalmente espero que haja apenas uma mudança de rosto e uma manutenção de políticas precisamente para salvaguardar, reforçar e preservar o SNS. Espero que só haja mudança na forma de implementação das políticas.
Não sei que garantias dá a nova ministra da Saúde neste capítulo. Ana Jorge foi apoiante de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e não é filiada no PS. Veremos se o lado positivo do trabalho desenvolvido por António Correia de Campos será preservado, ou se a escolha de Ana Jorge representa uma cedência à ala esquerda do PS. Na sua primeira declaração pública a nova ministra afirmou que «acredit[a] na reforma em curso e no Serviço Nacional de Saúde». Nos próximos meses veremos, em concreto, o que isso quer dizer.
publicado por Joana Alarcão às 16:28 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Domingo, 27.01.08

One size fits all

«A participação de Portugal em missões de paz é determinada pela avaliação dos interesses e das prioridades nacionais, no quadro de uma nova doutrina de intervenção que deixou de ser motivada, exclusivamente, por factores históricos ou de proximidade geográfica e passou a pautar-se por critérios de segurança regional e internacional. É neste contexto que, enquanto Estado membro da União Europeia e da Aliança Atlântica, Portugal assume as suas responsabilidades como um produtor de segurança internacional.»
«Portugal no Chade: um dever humanitário», Nuno Severiano Teixeira (Público, 25.1.2008: 45).
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Digamos que sim, sem mais demoras, para simplificar a questão. Agora expliquem-me uma coisa, se conseguirem. À luz deste template, genérico, por que motivo vamos para o Chade ao mesmo tempo que reduzimos consideravelmente a nossa participação no Afeganistão? Qual foi a avaliação que foi feita dos interesses e prioridades nacionais que ditou o downgrade da nossa presença no Afeganistão? A dimensão do contingente é irrelevante, desde que permita afirmar que assumimos as nossas responsabilidades? Estaremos mesmo a assumir as nossas responsabilidades enviando para o Chade um C-130 e pouco mais?
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Não será seguramente através do PSD que teremos respostas para estas e para outras perguntas. Afinal, como frisou António Martins da Cruz, os sociais-democratas «não tem divergências» com o Governo em matéria de política externa. Há ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros com muita sorte.
publicado por Joana Alarcão às 16:38 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 24.01.08

Qual é a razão para tanto pânico?

Não percebo a agitação que por aí vai tendo como pano de fundo um eventual atentado terrorista em Portugal. Alguém acha que um país em que os serviços de informações não podem legalmente fazer escutas está em perigo?
Toda a gente sabe que por cá não haverá seguramente atentados terroristas antes de 2009, altura em que faremos a próxima revisão ordinária da Constituição. Até lá, por decisão própria, somos uma espécie de santuário. Os terroristas não nos fariam a desfeita de perpetrar atentados sem ter em conta as nossas conveniências de calendário.
publicado por Joana Alarcão às 01:32 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Terça-feira, 22.01.08

A nomeação dos órgãos de entidades reguladoras

«Julgo que faz todo o sentido, por exemplo, que novos organismos que entretanto passaram a existir na vida pública, como as entidades reguladoras, possam depender do Presidente da República e sair da lógica governamentalizada em que neste momento estão», explicou o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes (21.1.2008).
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Faz todo o sentido, claro. Nesta matéria Menezes segue a linha do PSD desde Dezembro de 2006, altura em que -- como aqui fiz referência -- Luís Pais Antunes anunciou que os sociais-democratas iriam apresentar, no início de 2007, um projecto para alterar as regras de nomeação da direcção dos órgãos de entidades reguladoras e para reforçar o «escrutínio democrático». A escolha passaria a ser feita pelo Presidente da República, por proposta do Governo, depois da audição dos indigitados pela Assembleia da República (ver aqui).
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Ontem, como hoje, estou de acordo.
publicado por Joana Alarcão às 22:58 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Segunda-feira, 21.01.08

Agora é que é...

O Governo prevê que novo mapa judiciário arranque em Setembro de 2008. Uma previsão a juntar a muitas outras num cronograma que há muito que deixou de fazer sentido.
publicado por Joana Alarcão às 23:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O declínio irreversível do Socratismo?

«Começou o declínio -- espero que irreversível -- do socratismo», vaticina Luís Rocha no Blasfémias (20.1.2008). A não ser que Luís Rocha esteja a ver algo que me escapa, ou a ter em linha de conta algo que não estou a imaginar, custa-me a acreditar que estejamos no princípio do fim do Socratismo. Afinal, as escolhas do eleitorado são relativas e o meu problema é o seguinte: alguém está a ver parte significativa dos ex-eleitores de José Sócrates, em especial os chamados swing voters, ir a correr colocar a cruz no boletim de voto no rectângulo correspondente ao PSD de Luís Filipe Menezes?
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Sobre o paralelismo, caro Luís Rocha: a queda brusca e profunda na popularidade de António Guterres começa em Janeiro/Fevereiro de 2000. O desastre da ponte de Entre-os-Rios só ocorre em Março de 2001 (ver slide 5). Começa, precisamente, quando o PSD arruma a casa com os XXII e XXIII congressos, respectivamente em Abril/Maio de 1999 e Fevereiro de 2000 -- os dois congressos de eleição e reeleição de José Manuel Durão Barroso.
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Enquanto o PSD não arrumar a casa -- por arrumar a casa entenda-se correr com Luís Filipe Menezes, ganhar alguma credibilidade com uma nova liderança -- diria que existe um entrave profundo ao declínio irreversível do Socratismo.
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Aliás, especulativamente diria ainda que, tal como no caso do Guterrismo, o declínio irreversível do Santanismo (e antes do Cavaquismo) também só ocorreu depois de a oposição arrumar a casa.
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A existência de descontentamento popular não é condição suficiente para a mudança. É preciso alguém que a consiga capitalizar e não me parece que Menezes esteja à altura do desafio.
publicado por Joana Alarcão às 16:02 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Colecção «Opções Jamé» (II)


«O Governo aprovou um decreto [ponto 3] que permite a transferência a custo zero para as câmaras municipais dos terrenos desafectados às administrações portuárias - reivindicação que tem sido sobretudo feita pela autarquia de Lisboa.
Na apresentação do diploma, no final do Conselho de Ministros, Mário Lino sublinhou que o decreto tem "mecanismos" que "não darão qualquer abertura" para actividades de especulação imobiliária após a concretização da transferência da jurisdição dos terrenos das administrações portuárias para as autarquias (17.1.2008)».
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Mário Lino não levará a mal, seguramente, que possamos ter algumas dúvidas sobre as suas certezas. Deixando de lado, por um momento, a questão da especulação imobiliária, o decreto tem mecanismos que não darão qualquer abertura para actividades de construção não especulativa?
O que tem a dizer Lino sobre estes (I e II) alertas?
publicado por Joana Alarcão às 16:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 20.01.08

Colecção «Opções Jamé»


«Questionado ainda sobre o destino a dar ao aeroporto da Portela quando abrir o novo em Alcochete, Mário Lino disse apenas que não é viável manter dois aeroportos internacionais a funcionar em Lisboa, mas não quis adiantar se havia planos para que o actual aeroporto fique com tráfego nacional ou de "low-cost" por exemplo, dizendo que até 2017 ainda havia tempo para pensar nisso (Jornal de Negócios online, 14.1.2008)».
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«Num almoço promovido pela Câmara de Comércio Luso-Britânica, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, admitiu pela primeira vez o não encerramento do Aeroporto da Portela após a entrada em funcionamento de uma nova infra-estrutura em Alcochete. "A CML é que vai decidir", limitou-se a dizer o ministro. Mário Lino afirmou que "não é sustentável ter dois aeroportos internacionais em Lisboa", mas demonstrou abertura para a manutenção da Portela para voos nacionais (Supl. Economia/Expresso, 19.1.2008: 4)».
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Isto, bem conversadinho, ainda acaba com a Portela e Alcochete a receber voos internacionais.
publicado por Joana Alarcão às 16:18 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Quinta-feira, 17.01.08

Mário Lino diz que está decidido...


«As SCUT está decidido, eu não costumo decidir e depois dizer que não decidi. Está decidido», diz com toda a segurança Mário Lino, sem se aperceber de imediato da ratoeira em que se colocara (14.1.2008). Como seria de esperar, a risota foi geral. Vale a pena ouvir...
publicado por Joana Alarcão às 15:33 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Terça-feira, 15.01.08

Autópsia indesejada


«Não estamos este ano no défice abaixo ou igual dos 3%, ao contrário do que o Governo tem reclamado. Já assim foi em 2003 e 2004. A diferença é no método. Os resultados em 2006 e 2007 derivaram do aumento de impostos, ao passo que em 2003 e 2004 foram obtidos por via das receitas não correntes ou extraordinárias», afirmou Bagão Félix (Sol online 14.1.2008).
Pronto. Não saímos disto. Deste permanente dissecar do passado recente que, com a excepção dos envolvidos, a nós pouco ou nada nos interessa. Assunto arrumado, capisce?
O regresso dos protagonistas do ciclo político anterior tem este resultado. Esta obsessão com a versão que ficará para a história. Pedro Santana Lopes, Paulo Portas, António Bagão Félix, entre outros, ainda não perceberam que o eleitorado já encerrou esse capítulo e que, pura e simplesmente, não o deseja revisitar?
publicado por Joana Alarcão às 02:18 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Sábado, 12.01.08

Cinco meses depois

Cinco meses depois, não seria altura para a comunicação social fazer o ponto da situação da operação Verde Eufémia em Silves? Cinco meses depois, muito concretamente, qual foi o apoio prestado pelo Ministério da Agricultura ao agricultor? Cinco meses depois, o agricultor já recebeu algum tipo de compensação? Cinco meses depois, o que é que aconteceu aos participantes na destruição do milho transgénico? Em suma, cinco meses depois, como é que se encontra todo este processo?
publicado por Joana Alarcão às 01:23 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Nota positiva, pois claro...

O Estado deitou para o lixo uns quantos milhões de euros na sequência, única e exclusivamente, da teimosia do Governo. José Sócrates demorou quase três anos a aceitar aquilo que era óbvio desde o início. O processo à volta do novo aeroporto de Lisboa não poderia ter sido conduzido de pior forma. Mesmo assim, apesar de ser um autêntico caso de estudo sobre a forma como não deve ser conduzido um processo de investimento público desta dimensão, o editor executivo do Diário Económico, Miguel Costa Nunes, consegue encontrar um ângulo para elogiar José Sócrates:
«A decisão do Governo pela construção do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete tem o perfil de uma boa decisão. Pela forma como Sócrates a sustentou no estudo do LNEC, mas também pelo modo como se colocou ao lado do seu ministro Mário Lino, mesmo que isso ainda lhe venha a custar dissabores. (...)»
Há coisas fantásticas, não há?
Só nos resta pedir desculpa a José Sócrates se, nos últimos três anos, ainda que de forma involuntária, lhe causámos algum transtorno. Quanto ao tempo e dinheiro que foi para o lixo, o que é que isso interessa?
Porreiro, pá...
publicado por Joana Alarcão às 00:26 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Sexta-feira, 11.01.08

Jamais...

publicado por Joana Alarcão às 00:41 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 10.01.08

Todas as condições

José Sócrates afirmou hoje que Mário Lino tem «todas as condições» para continuar no Governo. No Governo, note-se. O primeiro-ministro não disse que o seu ministro tinha todas as condições para continuar no Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
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José Sócrates parece estar a limpar a agenda, de forma metódica. Primeiro a questão do referendo. Agora a localização do aeroporto. Os dois tópicos mais bicudos no espaço de uma semana. No final virá a remodelação?
A ordem não seria despicienda.
publicado por Joana Alarcão às 23:03 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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