Quarta-feira, 15.06.11

Os supostos defensores do "interesse nacional" (3)

João Miranda

 

"A estratégia da Aldeia Gaulesa, que visava proteger os centros de decisão nacionais, através de barreiras à liberalização da economia e à entrada de investidores estrangeiros, teve um lindo resultado: o governo português deixou de ser um centro de decisão nacional. Quem manda é a troika. Quanto às empresas que tão laboriosamente andaram a proteger, ou foram vendidas a estrangeiros, ou estão em vias de ser vendidas ou estão tão endividadas que ninguém as quer."

publicado por Miguel Noronha às 09:06 | partilhar
Terça-feira, 14.06.11

Os supostos defensores do "interesse nacional" (2)

No seguimento do post de ontem, João Cândido da Silva escreve a propósito da incapacidade do BES participar na privatização da TAP e da perda de influência dos accionistas portugueses do BCP:

Excessivamente endividado e com a economia estagnada ao ponto de lançar a questão de se saber se não será inevitável negociar, a prazo, uma reestruturação da dívida, Portugal alienou a capacidade de manter em mãos portuguesas aquilo que manifestos e opiniões dispersas foram argumentado que seria prejudicial deixar fugir para as mãos de investidores estrangeiros. Nas discussões sobre o tema e nos respeitáveis motivos alegados para proteger algumas "jóias da coroa" falhou um detalhe essencial.

Só uma economia competitiva, em crescimento e dotada de uma situação financeira saudável pode sonhar em ter o músculo suficiente para conseguir preservar a sua independência e, de caminho, garantir a capacidade de investimento suficiente, baseada em poupança interna, para segurar o que quer que se considerem "centros de decisão nacionais". Em Portugal, não faltaram manifestações de preocupação sobre o tema mas fracassou aquilo que era bem mais decisivo do que panfletos que não disfarçavam as suas tendências proteccionistas

publicado por Miguel Noronha às 14:15 | partilhar
Segunda-feira, 13.06.11

Os supostos defensores do "interesse nacional"

Maria Teixeira Alves

 

"[A] perda [da soberania nacional] não esperou pelo fim das golden shares, bastou-lhe o elevado rácio de divida pública sobre o PIB... a nossa soberania morreu quando passámos a dever ao estrangeiro mais do que aquilo que produzimos. Nós corremos o sério risco de não conseguir pagar o que devemos, logo a nossa soberania foi posta no prego."

 

 

A isto, acrescento que a elite nacional (política e económica) têm-se mostrado, na generalidade, um má gestora dos recursos nacionais. Reclamar para que, por via administrativa, lhes seja garantida a gestão de recursos que por incompetência desbarataram não faz o mínimo sentido. Qualquer que seja a perspectiva de análise.

publicado por Miguel Noronha às 12:20 | partilhar
Terça-feira, 07.06.11

Anjos e demónios

Vital Moreira decreta aqui a superioridade moral do político em exclusividade (ie aquele que nunca fez mais nada na vida) sobre o "político em part-time" (ie aqueles com actividade profissional extra-política). Os segundos estarão infectados pelo perigoso "interesse próprio" algo que (presumo por razões genéticas) os segundos estarão imunes só os movendo a defesa do "bem comum".

 

Longe de mim querer reduzir a gravidade da utilização dos meios políticos para fins privados. Porém, não consta que apenas caiam em tentação políticos em part-time. E convém recordar inúmeros casos de (antigos) políticos profissionais que transitam alegremente para para empresas com que anteriormente tinham negociado enquanto representantes do estado. Deve ser para infectar o sector privado com o vírus do "interesse público" e do "bem comum", presumo.

 

Para terminar, numa nota lateral não percebo porque razão os socialistas acham que a promiscuidade entre governantes e empresas diminui com o aumento do poder discricionário do estado.

publicado por Miguel Noronha às 09:33 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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