Segunda-feira, 28.01.08

Escrito nas estrelas

Faits-divers e mais faits-divers. Soundbytes e mais soundbytes. É fácil resumir o rumo do PSD nos últimos quatro meses. Um PSD sem rumo, sem capacidade para marcar a agenda e sem crédito político. Só os crentes acreditarão que este PSD poderá vir a ser uma alternativa ao PS em 2009. O problema nem está na falta de propostas. Luís Filipe Menezes poderia ter -- mas não tem... -- as melhores propostas do mundo para apresentar aos portugueses que julgo que não faria grande diferença. Pura e simplesmente, falta-lhe o principal ingrediente na fórmula de sucesso de um político: a confiança do eleitorado. António Cunha Vaz poderia colocar «dois ou três activos» em cada lar português que isso não faria qualquer diferença.
publicado por Joana Alarcão às 08:05 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sexta-feira, 25.01.08

Faça Você Mesmo

Um eventual Governo de Luís Filipe Menezes teria um organograma que seria fantástico. Depois da brilhante proposta de um possível ministro do Turismo e da Presidência, como nota Francisco José Viegas, agora seguiu-se a sugestão de um ministro da Administração Interna e da Justiça.
Permitindo-me meter a minha colherada nesta prova de tiro aos pratos -- Francisco José Viegas só por modéstia seguramente é que não deu também uns tirinhos --, não queria deixar de sugerir um ministro da Agricultura e das Finanças, ou um ministro da Saúde e da Cultura. As hipóteses, como está bom de ver, são inúmeras e os leitores poderão também testar a sua imaginação.
Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.
publicado por Joana Alarcão às 22:21 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quantos são? Quantos são?

«Os interesses instalados no centralismo do poder, dentro e fora do PSD, não intimidam», frisou Luís Filipe Menezes.
publicado por Joana Alarcão às 01:12 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

E a ACIME/ACIDI não faz nada?

«Não deixamos de dizer o que pensamos. Não dizemos as coisas por meias palavras, utilizamos terminologias fortes nos momentos indicados. Podem procurar deturpar o que dizemos, mas os portugueses sabem que o PSD é permanentemente perseguido, marginalizado», referiu Luís Filipe Menezes.
publicado por Joana Alarcão às 01:02 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 23.01.08

As críticas mais vis

É dramático quando o líder do maior partido da oposição sente a necessidade de publicamente se justificar sobre as suas mudanças de opinião. Muito elucidativo, de facto. Faltava, porém, a cereja no topo do bolo: Luís Filipe Menezes esclarece que não se importa de arrostar com as críticas mais vis, desde que continue convicto que está no caminho certo.
O actual líder do PSD demonstra ser um digno herdeiro da estratégia de vitimização em vigor num passado não muito distante. Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.
publicado por Joana Alarcão às 23:33 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Entendimento de Colaboração Institucional

Em Outubro de 2007, Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes chegaram a um entendimento de colaboração institucional -- whatever that means... -- quanto à estratégia a seguir pelo PSD. Um acordo sobre questões menores, bem entendido. Sobre as questões maiores -- como seja comunicação! -- não há espaço para entendimentos de colaboração institucional.
A bicefalia, como não poderia deixar de ser, confirma-se. Pedro Santana Lopes, claro está, tem mais do que fazer do que desempenhar um papel secundário.
publicado por Joana Alarcão às 19:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 22.01.08

A nomeação dos órgãos de entidades reguladoras

«Julgo que faz todo o sentido, por exemplo, que novos organismos que entretanto passaram a existir na vida pública, como as entidades reguladoras, possam depender do Presidente da República e sair da lógica governamentalizada em que neste momento estão», explicou o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes (21.1.2008).
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Faz todo o sentido, claro. Nesta matéria Menezes segue a linha do PSD desde Dezembro de 2006, altura em que -- como aqui fiz referência -- Luís Pais Antunes anunciou que os sociais-democratas iriam apresentar, no início de 2007, um projecto para alterar as regras de nomeação da direcção dos órgãos de entidades reguladoras e para reforçar o «escrutínio democrático». A escolha passaria a ser feita pelo Presidente da República, por proposta do Governo, depois da audição dos indigitados pela Assembleia da República (ver aqui).
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Ontem, como hoje, estou de acordo.
publicado por Joana Alarcão às 22:58 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Segunda-feira, 21.01.08

O declínio irreversível do Socratismo?

«Começou o declínio -- espero que irreversível -- do socratismo», vaticina Luís Rocha no Blasfémias (20.1.2008). A não ser que Luís Rocha esteja a ver algo que me escapa, ou a ter em linha de conta algo que não estou a imaginar, custa-me a acreditar que estejamos no princípio do fim do Socratismo. Afinal, as escolhas do eleitorado são relativas e o meu problema é o seguinte: alguém está a ver parte significativa dos ex-eleitores de José Sócrates, em especial os chamados swing voters, ir a correr colocar a cruz no boletim de voto no rectângulo correspondente ao PSD de Luís Filipe Menezes?
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Sobre o paralelismo, caro Luís Rocha: a queda brusca e profunda na popularidade de António Guterres começa em Janeiro/Fevereiro de 2000. O desastre da ponte de Entre-os-Rios só ocorre em Março de 2001 (ver slide 5). Começa, precisamente, quando o PSD arruma a casa com os XXII e XXIII congressos, respectivamente em Abril/Maio de 1999 e Fevereiro de 2000 -- os dois congressos de eleição e reeleição de José Manuel Durão Barroso.
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Enquanto o PSD não arrumar a casa -- por arrumar a casa entenda-se correr com Luís Filipe Menezes, ganhar alguma credibilidade com uma nova liderança -- diria que existe um entrave profundo ao declínio irreversível do Socratismo.
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Aliás, especulativamente diria ainda que, tal como no caso do Guterrismo, o declínio irreversível do Santanismo (e antes do Cavaquismo) também só ocorreu depois de a oposição arrumar a casa.
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A existência de descontentamento popular não é condição suficiente para a mudança. É preciso alguém que a consiga capitalizar e não me parece que Menezes esteja à altura do desafio.
publicado por Joana Alarcão às 16:02 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Domingo, 20.01.08

Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.


«Ou a bipolaridade política de Menezes o remete agora a outro (excessivo) silêncio ou muito irá mexer no PSD antes da formação das próximas listas para deputados.»
«Desfolhar o malmequer», por Nuno Brederode Santos (DN, 20.1.2008).
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«Em Setembro, Luís Filipe Menezes ganhou a presidência do PSD. Já é hoje mais do que evidente que subiu muito acima do seu lugar na vida e que o PSD, se ainda lhe resta algum vestígio de realismo e sensatez, precisa urgentemente de o devolver a Gaia.»
«Pensem a sério», por Vasco Pulido Valente (Público, 20.1.2008: 48).
publicado por Joana Alarcão às 15:12 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

A próxima pirueta

Um massacre -- perdão, uma entrevista (18.1.2008) -- para mais tarde recordar...

O que Menezes disse esta semana:
«O PSD apresentará já este ano uma proposta credível de descida de impostos, IRS e IVA» (18.1.2008 [36:30]).

O que disse Menezes no último ano:
«Pedir uma descida dos impostos sem exigir essas medidas de acompanhamento [de apoio ao crescimento económico sem originar novo desequilíbrio das finanças públicas] é pouco consistente. É uma coisa que se pode esperar de um Francisco Louçã, mas não é próprio de um partido de poder como o PSD» (21.3.2007).
«[Reduzir de imediato o IVA e o IRC seria] populista e pouco responsável» (19.9.2007).
«Neste momento, não existem condições para baixar impostos» (26.9.2007).
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Mas eis que agora -- «este ano» -- o PSD apresentará uma proposta credível de descida de impostos. Porventura, na conferência nacional do PSD, agendada para o final de Fevereiro?
O festival continua...
publicado por Joana Alarcão às 02:55 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quinta-feira, 17.01.08

Apelo à equidade que me agrada


Luís Filipe Menezes adora ouvir os comentários de Marcelo Rebelo de Sousa! A hipocrisia não tem limites.
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Fiquei sensibilizado com a preocupação demonstrada pela equidade. Distracção minha, seguramente, mas só ouvi referências ao PSD e ao PS. O princípio da equidade, pelos vistos, não se aplica aos restantes partidos com assento parlamentar.
publicado por Joana Alarcão às 00:10 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 16.01.08

Foi você que pediu um filme de terror?


Apesar de ser mais do que previsível, não deixa de ser uma surpresa a forma como esta liderança do PSD não é levada a sério ao fim de tão pouco tempo. Independentemente das suas limitações, com Luís Marques Mendes já se discutia política. De forma gradual, nem sempre bem conseguida é certo, a anterior direcção social-democrata conseguira erguer algumas bandeiras alternativas e, igualmente importante, conseguira reconquistar alguma credibilidade. É certo que muito ainda estava por fazer e Marques Mendes nem sempre mostrou a coragem necessária para ir mais fundo.
O pouco, mas importante, que se conseguira alcançar, foi para o lixo num abrir e fechar de olhos. O PSD é agora um deserto total. O partido não tem nem líderes nem políticas alternativas para apresentar ao eleitorado. O PSD não tem nada, rigorosamente nada para mostrar. Mas mesmo que tivesse duvido que o conseguisse transmitir eficazmente, no meio de tanto faits-divers, tanta contradição, tanto disparate.
Conhecemos este filme. Sabemos como ele termina.
publicado por Joana Alarcão às 23:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

The show goes on...


Não tinha reparado nesta. Na verdade, é humanamente impossível conseguir acompanhar o ritmo. Com Luís Filipe Menezes prevalece o saber popular: cada tiro, cada melro.
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Mais esta, por exemplo. Uma vez mais a lógica da distribuição de lugares. Isto, claro, já para não falar do estilo rasteiro, muito rasteirinho.
publicado por Joana Alarcão às 19:52 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Terça-feira, 15.01.08

Juizinho, or else, meus meninos...


«É preciso ter juízo», alertou Luís Filipe Menezes (Sol online, 15.1.2008).
publicado por Joana Alarcão às 22:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Conhece o agendamento protestativo?

Agendamento protestativo? Protestativo? Não confundir, claro, com o agendamento potestativo...

publicado por Joana Alarcão às 19:27 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

As consequências do seu próprio veneno


«O mais extraordinário é que o líder do partido tenha entrado nisto. É isto que o eleitorado quer do PSD, esta imagem acossada, nervosa e intranquila, é isto que nos dá respeito e credibilidade?», interrogou Miguel Macedo, o antigo secretário-geral de Luís Marques Mendes na sua intervenção na reunião à porta fechada do grupo parlamentar do PSD (Sol online, 15.1.2008).
Luís Marques Mendes, em tempos, queixou-se publicamente da «guerrilha interna sistemática, permanente e organizada» de que era alvo constante (18.7.2008). Luís Filipe Menezes, agora, provou o seu próprio veneno e pelos vistos não gostou. Optou por valorizar as movimentações da sua oposição interna, manifestamente um erro.
Alguém dizia que «são mais dois meses e calam-se. A partir de Maio ou Junho ninguém vai querer fazer contestações e a partir de Outubro já não vão pensar nem falar noutra coisa que não sejam as listas do partido» (Sol, 12.1.2008: 12). É capaz de estar muito enganado. Não é com os lugares de deputados que Menezes conseguirá calar muitos dos seus opositores. Nem será com lugares de deputados que a esmagadora maioria dos militantes do PSD se preocupa. Lamento informar, mas a contestação interna veio para ficar. O PSD será isto até 2009.
publicado por Joana Alarcão às 12:21 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 14.01.08

Que tal mais uma dose de gás hilariante?


Fonte: Expresso/SIC/Rádio Renascença/Eurosondagem (11.1.2008).
O leitor está a ver os dez pontos percentuais que separam o PS do PSD? Mais concretamente, os 10,8% que os separam?
Já viu? Muito bem. O leitor está sentado? Sabia que, segundo Luís Filipe Menezes, os mais recentes estudos de opinião -- prepare-se que é agora... -- colocam o PSD «a lutar taco-a-taco com o PS»?
Sim, leu bem: PSD e PS lutam taco-a-taco...
publicado por Joana Alarcão às 02:15 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Domingo, 13.01.08

Respeitinho, se faz favor...


«Nesta altura, não há lugar para brincadeiras e tem havido demasiada brincadeira por parte de pessoas que, no meu entender, não representam ninguém», frisou Luís Filipe Menezes (Lusa via RTP online, 13.1.2008).
Se não fosse o problema da legitimidade e consequente autoridade para exigir disciplina, Menezes até poderia ser levado a sério...
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Entretanto os eventuais entendimentos com o CDS-PS foram alvo de um downgrade...
publicado por Joana Alarcão às 21:33 | comentar | partilhar

A culpa é do fotógrafo

Luís Filipe Menezes considera que os primeiros 100 dias de liderança foram «muito difíceis» (JN, 13.1.2008). O motivo?
Muito simples: devido a um primeiro-ministro que «se deixou fotografar ao lado dos mais importantes líderes europeus»...
publicado por Joana Alarcão às 12:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

É só fumaça...


Estranho. Uma leve brisa e Luís Filipe Menezes (LFM) revela um incómodo surpreendente. Ele que fez a vida negra a Luís Marques Mendes...
Mais. Repare-se na intervenção profundamente intolerante de Marco António Costa (MAC): «É indispensável que todas essas vozes, que parasitam permanentemente os sucessos do PSD e desta liderança, se definam e se assumam. Se não se assumirem, ou se calam até 2009 e concordam com a estratégia do partido, ou revelam cobardia política» (JN, 13.1.2008).
Se não viesse de quem vem, isto até era muito grave. Assim, só dá vontade de rir. Não me ocorre um exemplo pior: a dupla LFM/MAC exige lealdade e disciplina partidária?
publicado por Joana Alarcão às 01:59 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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