Quinta-feira, 06.10.11

Meanwhile in Albion

Confesso que nunca fui grande adepto de Boris Jonhson. No entanto, enquanto o líder do partido se entretêm com propostas extremamente duvidosas pelo menos o actual mayor de Londres parece não ter pedido a noção da tradição conservadora ou esquecido as promessas feitas enquanto estavam na oposição.

 

"The London mayor said it was “not a bad idea” to give the British people a direct say on Europe. He told a fringe meeting at the Conservative conference that voters deserved a chance to express their views on the issue.

 

He said: “The British people haven’t had a say on Europe since 1975. There hasn’t been a vote. It seems to me to be that if a reasonable question could be framed and put to the people of this country, I think it is not a bad idea.”

 

One option for the referendum would be an “in-out referendum”, he said"

 

publicado por Miguel Noronha às 08:52 | partilhar
Quinta-feira, 29.09.11

O miserável estado da UE

Começo por referir que não sou um admirador incondicional do eurodeputado inglês Nigel Farage. Admiro a perseverança e frontalidade no combate aos euro-entusiastas para quem a mínima discordância é merecedora de um auto-de-fé. Mas em muitos casos Farage (e o UKIP) apenas pretende substituir o socialismo proteccionista europeu pelo socialismo proteccionista britânico como se pode confirmar no Q&A final.  Ainda assim, tenho pena que não existam equivalentes a nível nacional. (já seria demais pedir um Daniel Hannan). Podem ver no vídeo infra a brilhante réplica de Farage ao discurso do "estado da união" de Durão Barroso que dificilmente voltará a ter o meu voto. 

 

 

 

" what you want to do is to say, right, we have a European Union and what we're going to have to do now is to have more of it. So as an architect - and you're one of the key architects of the current failure - what we're going to do, even though everything to date has been wrong - we're going to do more of the same.

Now I thought that was a definition of madness. I can't believe that is a rational response to any situation in which you find yourself. And far from it being a 'State of the Union' I would argue that the Union is in a state."

 

publicado por Miguel Noronha às 08:57 | partilhar
Segunda-feira, 26.09.11

Novas da crise europeia

1.Os mais recentes planos para salvar o euro e os bancos que irresponsavelmente se encheram de dívida dos países periféricos (e que serão afectados pela sua previsível reestruturação) indicam a necessidade de um reforço de 2 biliões de euros no FEEF. O FMI não quantifica mas diz que necessitará de "biliões".  A serem pagos (principalmente) pelos contribuintes alemães. Palpita-me que irão encontrar algumas dificuldades em "vender" este plano.

 

2. Provavelmente já não se recordam mas quando a crise começou e ainda se confinava aos EUA, por toda a Europa se falava na prova definitiva da superioridade do respectivo "modelo social" sobre o "capitalismo selvagem" que supostamente teria causado a "crise americana". Hoje em dia, já poucos subrecrevão  esta tese. Fala-se inclusivamente de um possível (mas pouco provável) "bailout" da Europa pelos BRIC's.

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publicado por Miguel Noronha às 09:44 | partilhar
Terça-feira, 20.09.11

Erro capital

 

Gideon Rachman no Financial Times

 

"In most European Union countries, including Germany, the euro was introduced without securing the direct assent of voters. It was assumed that voters would learn to love their new currency, when they saw that it led to a more prosperous and powerful Europe. But now that the single currency is instead associated with pain, austerity and debt, the limits to European solidarity are clear."

 

Existirão outras (e válidas) razões para temer pela estabilidade do euro mas os obscuros processos de decisão e a falta de legitimidade democrática da  "construção europeia" tornam tudo mais difícil. Os políticos dos estados-membros gostam de assumir como a vanguarda do europeia mais cedo ou mais terão verão a "luz". Num exemplo recente, veja-se a forma vergonhosa como foi conduzido o processo de ratificação da constituição europeia. Os eurocépticos são vulgarmente equiparados a lunáticos e afastados da discussão pública. O problema é que recorrentemente se verifica que as suas objecção tinham fundamento.

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publicado por Miguel Noronha às 09:43 | partilhar
Quinta-feira, 08.09.11

Federalismo europeu

Com intuito de garantir a estabilidade da união económica e monetária e evitar novas crises de endividamento na zona euro o governo holandês apresentou um pacote de propostas. Estas incluem a progressiva perda da autonomia orçamental a ser aplicada aos países que infrinjam as regras do pacto de estabilidade. No limite o um estado-membro pode ficar a ser gerido por um comissário e perder o direito de voto e obrigado a reembolsar os fundos comunitários.

 

Embora reconheça a necessidade de gerir as finanças nacionais de forma saudável não me agrada a ideia de perdermos a soberania e passarmos a ser geridos por eurocratas. Mas presumo que os advogam que o "aprofundamento" da integração europeia acolham esta proposta de braços abertos.

publicado por Miguel Noronha às 09:19 | partilhar
Terça-feira, 06.09.11

Solidariedade europeia

 
Onde isto chegou! Um goveno socialista a avisar sus hermanos europeus que devem implementar quanto antes medidas de austeridade orçamental. Federalismo? Eurobonds? Pois.
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publicado por Miguel Noronha às 16:02editado por Paulo Marcelo às 17:20 | partilhar
Quarta-feira, 10.08.11

Sobre a "falta de liderança europeia"

 

Começo a ficar cansado com o recorrente discurso da "falta de liderança europeia". Sugerem a necessidade do aparecimento de déspotas iluminados que imponham  uma qualquer solução sem se preocuparem em demasia com  os maçadores entraves democráticos em cada estado-membro A fé nos lideres iluminados costuma dar mau resultado e basta olhar para o legado que dos últimos "iluminados" líderes europeus. Um proto-estado burocratico que procura regulamentar tudo e todos e uma união económica disfuncional e falida.  A última coisa que precisamos é de líderes que nos obriguem a uma união política sobre a qual não existe o mínimo consenso. Como explica Otmar Issing, a insistência neste caminho levará seguramente à implosão da UE.

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publicado por Miguel Noronha às 11:12 | partilhar

O nó do problema

 

Este artigo de Bruno Faria Lopes explica de forma clara o mecanismo de intervenção do BCE nos mercados de dívida pública e os problemas que ele coloca. E que serão enormemente potenciados com o alargamento das intervenções aos títulos espanhóis. e italianos. Aborda ainda sucintamente as limitações do FEEF para acompanhar o alargamento da crise.

 

 

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publicado por Miguel Noronha às 10:56 | partilhar
Terça-feira, 09.08.11

Aviso à navegação

 

Otmar Issing avisa que os "bailouts" e as eurobonds para além de premiarem a irresponsabilidade podem causar o fim da UE. "Slithering to the wrong kind of union" no Financial Times

 

[T]he fact that a member country can be assured that its membership of the euro – even in the case of permanent violations of the rules – will be saved at any price causes moral hazard and creates an obvious potential for blackmail.

 

The decisions taken at the last European crisis summit on July 21 greatly extended the powers of the European Financial Stability Facility and brought new help for Greece. This increase European involvement in domestic policymaking. But this is not a move in the direction of a true political union. It is a dangerous step, and one which will end up dividing Europe.

 

 

 

 

publicado por Miguel Noronha às 12:00 | partilhar
Segunda-feira, 08.08.11

O regresso do "efeito Trichet"

Na passada Sexta-Feira o presidente do BCE anunciou que vai acelarar o processo de destruição do Euro. O previsível "efeito Trichet" é bem visível na cotação do ouro que continua a bater máximos.

 

 

publicado por Miguel Noronha às 12:25 | partilhar
Quarta-feira, 03.08.11

Parece mentira

Há duas semanas andavamos eufóricos a festejar o fim da crise. Finalmente tinham sido "tomadas as decisões que se impunham".

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publicado por Miguel Noronha às 12:25 | partilhar
Quarta-feira, 27.07.11

Pois, parece que não

Schaüble Says SummitDidn't End Debt Crisis

 

Que o digam espanhóis e italianos. Tudo consequência do chumbo do PEC e se ter "tirado o dedo enfiado no buraco do dique" dirão alguns.

 

ADENDA: S&P prepara-se para cortar ‘rating' grego para ‘default'

publicado por Miguel Noronha às 10:27 | partilhar
Sexta-feira, 22.07.11

Três notas sobre o acordo

Ainda não tive tempo para digerir todos os pormenores do acordo mas gostava de deixar já algumas notas:

 

1. Continuam-se a inventar rebuscados estratagemaspara evitar para evitar fazer a necessária e inevitável reestruturação da dívida dos PIIGS. No entanto o resultado final é cada vez mais parecido com uma reestruturação. A Fitch concorda e promete tratá-la como tal.

 

2. Sendo o programa de recompra voluntário acho muito pouco provável que venha  ter sucesso. Quem o fizer terá de admitir perdas nos títulos de dívida grega. Numa altura em que as instituições financeira tentam a custo melhorar os seus rácios de capital não estou a ver que que um programa destes tenha grande adererência. Convém ter em atenção este e outros argumentos que são detalhadamente explicados aqui e aqui.

 

3. Escreve-se neste artigo que "Se esta "acção decisiva" [o acordo] tivesse sido tomada há um ano, Portugal estaria seguramente sob um programa severo de austeridade, talvez não muito diferente do actual, mas poderia continuar a viver do mercado a taxas comportáveis.". Gostava muito que os que aplaudiram este artigo me explicassem de que forma este acordo afectaria o nosso acesso aos mercados. E convém também recordar que há um ano as medidas de austeridade propostas eram risíveis e a sua implementação falhou desastrosamente. Enfim...

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publicado por Miguel Noronha às 15:26 | partilhar
Quarta-feira, 20.07.11

The million euros question

Para evitar a propagação da crise e a implosão do euro fala-se na absoluta necessidade de implementar a união fiscal (que na prática irá transformar os países do Sul em protectorados com pouca ou nenhuma autonomia orçamental e política) e emitir as afamadas "eurobonds". Fala-se na solidariedade europeia (pois...) e na necessidade de preservar a UE mas como escreve Ambrose Evans-Pritchard a questão decisiva irá ser esta: "does Germany really want to pay the costs of monetary union any longer?".

 

Mesmo existindo vontade entre os políticos é capaz de ser uma ideia difícil de vender aos eleitores (e contribuintes) alemães.

 

 

publicado por Miguel Noronha às 11:35 | partilhar
Quarta-feira, 13.07.11

O que podemos nós concluir dos acontecimentos recentes?

 

a) O projecto europeu de união económica falhou. Ou se avança para a indesejada união política (depois não se admirem do ressurgimento do nacionalismo e xenofobia) ou então será melhor assumir-mos um downgrade do projecto europeu. Isto se ainda quiserem salvar qualquer coisita da UE.

 

b) O intimas relações entre o sistema financeiro e o estado em que os segundo compram a dívida ao segundo que por sua vez avaliza os empréstimos e a garante a sobrevivência dos segundos está a revelar-se (surpresa!) desastrosa. Criou-se um perigoso mecanismo de transmissão das crises das finanças públicas para as privadas (e vice-versa) que garante a amplificação das crises e a socialização dos prejuízos;

 

c) A tentativa de contenção de estragos na UE falhou. E não vale a pena continuarmos a fingir que os países têm condições para redimir toda a dívida acumulada;

 

d) O estímulo orçamental apenas agravou a crise das finanças públicas e adiou a necessária redução da despesa pública;

 

e) O "modelo social europeu" só é sustentável em países com riqueza suficiente para esbanjar em projectos improdutivos. E mesmo assim implica uma erosão da riqueza acumulada e a menores taxas de crescimento. Em suma, provoca um empobrecimento progressivo que a prazo também não será sustentável.

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publicado por Miguel Noronha às 09:28 | partilhar
Segunda-feira, 11.07.11

Estou entusiasmadissimo

A recente crise italiana está a provocar um estranho entusiasmoentre os adeptos do federalismo europeu. Sendo certo que uma das solução é tornar o Club Med em meros protectorados, não é expectável que um eventual programa de ajuda à Itália seja melhor recebido pelos contribuintes dos países do Norte que os programas anteriores. Será sempre a somar e os volumes muitíssimo superiores. Só entre Agosto e Setembro o valor da dívida que a Itália terá de renovar (roll over) será muito próximo do totaldo pacote de ajuda a Portugal. Imagino que alemães, finlandeses, et al andem entusiasmadíssimos que este aumento da integração europeia.

publicado por Miguel Noronha às 12:40 | partilhar
Sábado, 09.07.11

Exactamente

João Miranda

 

"As decisões que se vão tomando na União Europeia fazem temer o pior. A decisão de ignorar os ratings porque eles agora já não dão jeito, de criar ratings de conveniência, de relaxar a regulação quando ela já não convém e de criar regulação ad hoc para mascarar problemas vai trazer muitas complicações no futuro. Por exemplo, se o BCE pode ignorar os ratings porque é que os fundos de pensões não o podem fazer? Se a União Europeia vai criar e impor administrativamente uma agência de rating porque isso lhe dá jeito, porque é que os estados membros não o podem também fazer? Se o BCE aceita lixo como se fosse ouro, que implicações é que isso tem para o BCE?"

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publicado por Miguel Noronha às 11:22 | partilhar
Sexta-feira, 08.07.11

Constato

Nos últimos dias vieram à superfície muitos e inusitados especialistas em notação financeira. Algumas até são divertidas. Menos divertido é estarema dar uma mãozinha a mais um dispendioso e inútil projecto comunitário. A (quase) unanimidade, que vai de extremo a extremo do espectro político, devia-nos fazer pensar duas vezes. Ou três.

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publicado por Miguel Noronha às 11:56 | partilhar
Quarta-feira, 06.07.11

As terríveis agências de notações e os coitados dos reguladores

Continuando o assunto deste post.

 

Agora que estamos a meio de mais uma sessão de ódio contra as agências de notação financeira esteartigo do WSJ vem dizer algumas verdades inconvenientes. 

 

1. O mercado do rating não é totalmente desregulado. As agências são licenciadas pela UE;

2. O predomínio das "big three" (Moody's, S&P e Fitch) foi reforçado devida à preferência dos reguladores. Se pretendem acabar com este oligopólio podiam deixar o mercado funcionar concorrencialmente. Pois. Mas acho que não é bem essa a intenção dos reguladores;

3. Depois de terem culpado o laxismo das agências questão do "sub-prime" (o que é verdade embora) os reguladores pretendem agora que as agências sejam mais laxistas na classificação da Grécia (e restantes países periféricos). Parece que gostam de ser deixar enganar

4. A tentativa de condicionar o trabalho das agências ou de criar uma risível "agência europeia" não funcionará, com grande probabilidade. Se o mercado achar que as notações não são fiáveis poderá virar-se cada vez mais para os Credit Default Swaps. Não era bem isto que pretendiam, pois não?

 

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publicado por Miguel Noronha às 12:52 | partilhar
Terça-feira, 05.07.11

Engana-me que eu gosto

 

 

Vamos lá ver se percebi a ideia. Os bancos aceitam que a Grécia entre em incumprimento se as agências de notação fingirem que esta continua a pagar a tempo e horas. As agências de notação só param de fingir que a Grécia tem capacidade para redimir a sua dívida no minuto em que esta deixar de a pagar aos bancos.

publicado por Miguel Noronha às 09:27 | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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