Sexta-feira, 28.09.12

Cachimbo final

 

Há um tempo para tudo. Aqui no Cachimbo esse tempo durou sete anos. Chegou o nosso outono e, com ele, «o cansaço antecipado de todos os gestos, a desilusão antecipada de todos os sonhos», como dizia o desassossegado Pessoa. O Cachimbo começou como um grupo de amigos e acabou da mesma forma. Várias vezes não estivemos de acordo – ainda bem! –, mas remámos sempre contra o ar do tempo, com um registo próprio, explorando terrenos virgens na bloga nacional. Fez-se boa opinião por aqui: livre, vincada e sem rodeios. Salvámos a pátria várias vezes e, ocasionalmente, tratámos de coisas sérias. Falou-se de ciência, religião, literatura, música, mas também de futebol e rugby, fumando e entornando vinho pelo teclado. Agradecemos aos que leram as nossas cachimbadas. Somámos mais de quatro milhões de visitas, outros tantos comentários, polémicas a perder de vista. Lançámos novos autores, criámos uma linguagem e uma identidade próprias.

Mas o Cachimbo fuma-se devagar, os vícios curam-se, o tempo foge, a motivação escasseia. Entretanto alguns de nós escreveram livros, outros emigraram ou trocaram-nos por miúdos, parlamentos ou gabinetes. A verdade é que vários filhos e teses nasceram ao longo destes anos. Por aqui, continuamos a acreditar que Portugal é uma teimosia viável, que vamos sair disto, libertar-nos das dívidas que nos escravizam. E que a nossa geração tem uma especial responsabilidade na mudança. Sabemos que a realidade nem sempre é o que parece, mas as coisas são sempre o que são – um lugar-comum conservador que procuramos honrar. As outras razões de desencanto ficam entre nós, camaradas de fumo, esquecidas nas paredes do Grémio Literário. A cicuta bebe-se depressa e com estilo. É o que fazemos, apesar das saudades que já temos desta casa onde fomos felizes. Não é fácil fechar um blogue com tantos leitores fiéis. Lamentamos desiludir-vos, mas talvez um dia nos voltemos a encontrar, nesta ou noutras casas de fumo. Até um destes dias camaradas!

publicado por Cachimbo de Magritte às 11:05 | comentar | ver comentários (60) | partilhar
Domingo, 18.12.11

Combate de Blogs

 

O Cachimbo de Magritte foi nomeado pelo "Combate de Blogs", da TVI24, para melhor blog colectivo e melhor blog de direita do ano de 2011. Agradecemos ao júri e ao Filipe Caetano as nomeações. E como a vida é feita de votações e escolhas, aqui ficam os links directos para quem quiser votar nestas duas categorias:

Melhor blog colectivo

Melhor blog de direita

publicado por Cachimbo de Magritte às 18:48 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Os três estarolas

Em menos de oito dias, três grandes do PS ofereceram-nos três enormidades colossais que merecem referência por nos revelarem a total irresponsabilidade e a falta de preparação daquela gente.

 

Armado em conferencista, e filmado por um vídeo igualmente amador, Sócrates apregoou que pagar a dívida era ideia de criança, pois assim teria estudado, embora não saibamos muito bem onde nem em que fim-de-semana.

 

Depois veio António José Seguro, envergando os seus melhores óculos de conferencista, defender a aplicação de sanções aos países cumpridores. Leram bem: quer sanções para aqueles Estados membros da zona euro que tenham excedentes financeiros e não acorram a salvar os incumpridores. Notável. Notável como a plateia se não desmanchou à gargalhada.

 

Agora veio um Pedro Nuno Santos berrar para a rádio Paivense FM que se estava a marimbar [sic] para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal, que se estava a marimbar que nos chamassem de irresponsáveis [sic], pois nós tínhamos a bomba atómica [sic] que era dizer que não pagávamos, pelo que ou os alemães se punham finos ou nós não pagávamos [sic]. De acordo com o iluminado, isto deixaria os banqueiros alemães com as perninhas a tremer [sic]. Simplesmente fabuloso, merece ser ouvido.

 

Para além de se evidenciar que a bomba atómica não pode estar na mão de tolos irresponsáveis, todo este conjunto de disparates obriga a algumas reflexões. Os disparates têm de semelhante provirem de dirigentes socialistas, dirigentes daquele partido que nos colocou à beirinha da bancarrota e negociou como quis há meia dúzia de meses os empréstimos de que falamos. Têm ainda de coincidente a benevolência da comunicação social, tantas vezes tão crítica quando lhe interessa como silente quando lhe convém: é extraordinário que não haja manifestações de gozo relativamente a estas afirmações, que mais parecem saídas de um personagem do Herman, dos Gatos ou do saudoso Raul Solnado.

 

A irreflexão, irresponsabilidade e inconsciência desta gente, aliada à evidente falta de preparação, só nos pode levar a concluir que eles não podem ser levados a sério. Ou então, se querem ser levados a sério, teremos de concluir que são incompetentes. Claro que, acaso não queiram ser catalogados de incompetentes, terão de ser catalogados como intelectualmente desonestos. Em qualquer dos casos, nenhum fica bem na fotografia e todos parecem estar a gozar com o esforço actual dos portugueses.

 

Na disto me surpreende, vindo desta gente, e até Zorrinho considerou as afirmações adequadas aos personagens e aos locais, mas não posso esquecer as fabulosas atenuantes invocadas pelos próprios: Pedro Santos defendeu-se dizendo que falava num jantar partidário no interior do país, estilo bacalhau basta, e Sócrates alegou não ter consciência de que estivesse a ser filmado. Pois: o Nersão também não tinha.

 

A gente desta não se deve dar a mão.

 

Vasco Lobo Xavier

publicado por Cachimbo de Magritte às 16:44 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Quinta-feira, 15.12.11

Resposta de Gabriel Mithá Ribeiro

Caro Pedro Picoito,
Estou na essência de acordo com o que escreve, isto é, a orientação geral da política educativa para o básico e secundário parece-me a melhor das últimas décadas (até que enfim algo que se pareça com uma verdadeira reforma), embora possam ser melhorados aspectos pontuais, mas não se pode fazer tudo ao mesmo tempo. Quanto ao fim do desdobramento das turmas em algumas disciplinas é uma das ideias mais acertadas. Por várias razões. Concentro-me em algumas: é em parte a razão de nunca se ter resolvido estruturalmente o problema do excesso de número de alunos por turma, isto é, por causa deste tipo de «excepção»; não é racional a gestão de um sistema onde um docente trabalha com 13-15 alunos e outro da mesma turma com 25-27 a pretexto de certas actividades específicas (experimente leccionar história ou geografia com as duas opções e perceberá o que quero dizer); há professores que há décadas carregam o fardo do excesso de alunos e outros aliviados, isto é, numa mesma escola (e às vezes no mesmo grupo disciplinar) podem existir dois docentes com horários completos em que um tem 50 alunos e outro 200 e recebendo salários proporcionalmente equivalentes, pois nem sequer percebo por que é que o rácio do número de alunos por professor não é um critério de gestão do trabalho docente (experimente ter duas rondas de testes escritos, ou profusamente escritos, por período e logo perceberá a diferença entre 50 e 200, para além de outros trabalhos escritos); o rácio do número de alunos por docente é distorcido por este tipo de situações como o desdobramento das turmas; é a própria coesão da ideia de turma e do conselho de turma que é posta em causa e tenho na memória a sobranceria com que alguns docentes olham para as queixas dos outros (de trabalho, de indisciplina, etc.), sendo alguns desses a «elite» que beneficia dessa «discriminação positiva»; não creio ainda que até hoje os resultados das aprendizagens alguma tenham justificado tais desdobramentos. Só espero que a medida sirva para uma diminuição a prazo do número máximo de alunos por turma e não para o contrário. O meio-termo seria o ideal, isto é, por hipótese, todos os docentes trabalharem com um máximo de 20 alunos por turma (é bem mais grave ter 25/27 numa aula «normal» do que subir de 13/15 para 18/20 numa aula «laboratorial»). Por outro lado, creio que a reforma poderia ter cortado um pouco mais ou, pelo menos, espero que isso seja feito à medida que se revejam os programas. Reporto-me ao caso concreto da disciplina de história do 10º ao 12º anos. Seis horas por semana é um exagero. Tantas horas por semana deixam de ser produtivas. Alunos e docentes fartam-se uns dos outros e da disciplina. Esta opção cria uma série de vícios que só um estado riquíssimo pode irresponsavelmente suportar (entra-se mais tarde; sai-se um pouco mais cedo; vêm-se mais filmes; os alunos habituam-se a estudar e a preparar tudo na aula, pois há tempo de sobra; usa-se e abusa-se de revisões; a gestão de comportamentos é bem mais difícil; etc.). Não há como parar esses vícios. O bom senso diz-me que para uma disciplina como história no secundário para que o docente imprima um ritmo de ensino razoável, sem quebras no acto de ensinar, quatro horas semanais são suficientes. Todos nós estudamos mais ou menos por essa bitola na faculdade e a extensão dos programas nunca foi obstáculo. Claro que no secundário é urgente rever os programas, mas é também claro que nós temos um problema de fundo de preguiça pedagógica «cientificamente» doutrinada que passamos aos alunos como se não soubéssemos que quem, por exemplo, lê/aprende mais depressa aprende melhor e mais. Com todos os cuidados que uma medida dessas implica, a verdade é que a escola deixou de pressionar no sentido mais útil e promove uma certa «levitação» em torno do conhecimento e não aprendizagens propriamente ditas. Portanto, se são óbivas as horas a menos no 3º ciclo para certas disciplinas, não são menos óbvios os excessos do secundário. Se tanto dinheiro mal gasto servisse bons propósitos, mas nem isso. Espero que estes sinais do ministro Nuno Crato sejam sinais de uma racionalidade que se vá consolidando sobre a orientação apologética, mas pesadíssima para o país, dos «cientistas da educação». Enfim.

publicado por Cachimbo de Magritte às 14:42 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Sexta-feira, 17.06.11

Último Descubra as Diferenças

 

Hoje, às 18 horas, pode ouvir na Rádio Europa o último Descubra as Diferenças de André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa com a presença de dois cachimbos: Alexandre Homem Cristo e Paulo Pinto Mascarenhas. Manuel Falcão e Nuno Amaral Jerónimo são os outros dois convidados. Mais pormenores ali.

publicado por Cachimbo de Magritte às 15:24 | comentar | partilhar
Segunda-feira, 13.06.11

À venda nas livrarias...

 

 ...e aqui.

publicado por Cachimbo de Magritte às 23:20 | comentar | partilhar
Domingo, 29.05.11

Combate de Blogs nº 50

 

O programa contou com a presença de um convidado especial, o Edson Athaide. Pode ver o programa aqui.

publicado por Cachimbo de Magritte às 18:11 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 24.05.11

Paulo Tunhas sobre "Do Espírito das Leis" na revista Sábado

 

Clique na imagem e volte a clicar no Sapo para poder ler.

publicado por Cachimbo de Magritte às 01:30 | comentar | partilhar
Terça-feira, 17.05.11

Numa livraria perto de si

publicado por Cachimbo de Magritte às 17:51 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cachimbos de lá

Georges de La Tour, Jovem acendendo cachimbo, 1646.

publicado por Cachimbo de Magritte às 15:10 | comentar | partilhar
Domingo, 15.05.11

Combate de Blogs - TVI24

Quem perdeu o programa de ontem com o Miguel Morgado, a Filipa Martins e o Nuno Ramos de Almeida, pode vê-lo aqui.

publicado por Cachimbo de Magritte às 12:36 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 12.05.11

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O Cachimbo de Magrrite no Facebook

publicado por Cachimbo de Magritte às 17:06 | partilhar
Terça-feira, 10.05.11

Almedina do Saldanha, dia 11, às 19h

O Pedro Mexia, o Miguel Morgado e o João Tiago Proença vão conversar sobre o tema do "Bom Governo", a propósito do volume que o Miguel publicou recentemente do "Espírito das Leis", de Montesquieu.

A não perder.

publicado por Cachimbo de Magritte às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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