Domingo, 12.08.12

Licenciaturas a mais, candidatos a menos

Hoje, no Público, são noticiados os primeiros números sobre as candidaturas ao Ensino Superior. Tudo indica que se mantenha a tendência dos anos anteriores, ou seja, uma redução do número de candidatos. Candidataram-se 45.383 alunos, menos 1295 do que na 1.ª fase do ano passado. É ainda cedo para ser possível analisar detalhadamente esta evolução mas o jornal aponta a redução do números de alunos que concluíram o 12º o que por si será resultado da maior dificuldade dos exames. Mas esta notícia destaca uma outra realidade, essa sim, que impressiona: a diferença (desde há vários anos) entre o número de vagas disponíveis e o número total de candidatos. Ou seja, temos mais vagas que candidatos. Só em 2011 ficaram por preencher 7.884 vagas. Este ano existem 52.298 lugares disponíveis no Ensino Superior e na 1ª fase candidataram-se os já supracitados 45.383. O nr. aumentará com as 2ª e 3ª fases mas ficará sempre aquém do total das vagas. Impressiona ainda que a redução de 7% no número de candidatos em 2011 tivesse sido acompanhada, apenas, com uma redução de 2,2% no nr. de vagas para este ano. Oferta e procura estão manifestamente desajustadas! Não se trata aqui propriamente do habitual discurso dos mercados. Trata-se, tão simplesmente, de realidades que não encaixam. Enquanto isto acontecer as consequências são óbvias e voltarei aos comentários quando estiverem disponíveis os números finais

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Sexta-feira, 10.08.12

Seara, Lisboa e o PSD

Fernando Seara escreveu, no Povo Livre, um artigo sobre a Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso (LCPA). É um texto muito claro quanto à situação financeira das autarquias e cheio de recados para os autarcas nomeadamente para aqueles que “apenas se começaram a preocupar com a matéria depois da publicação do Decreto-Lei”. Lança vários alertas e vai até mais longe ao afirmar que a situação atual poderá levar “alguns a refletirem duas vezes antes de assumirem ou novos desígnios ou novas responsabilidades”. Subscrevo por inteiro a posição do Presidente da Câmara Municipal de Sintra. A LCPA define regras muito apertadas para o assumir de compromissos financeiros por parte das entidades públicas e, conforme salienta Fernando Seara, “algo teria de ser feito para travar o aumento do défice nas contas públicas”. A Lei, não sendo perfeita, era necessária e é resultado de “anos de sobre orçamentação e de sobre-endividamento num conjunto de autarquias”. Isto dito, o artigo tem também duas mensagens políticas: 1) a distinção (como que um separar de águas) entre os autarcas que cumprem (como Fernando Seara) dos que não cumprem; 2) quem quiser ser candidato autárquico em 2013 terá de cumprir a Lei. Ora a legislação é um duro desafio e especialmente para quem se quer candidatar às tais Câmaras sobre-endividadas. A Câmara Municipal de Lisboa é (ou era até muito recentemente) uma destas e por isso a leitura do referido artigo deixa no ar uma questão: Fernando Seara é, ou não, candidato a Lisboa? Estará a pensar duas (ou mais) vezes antes de avançar? Será que a recente ajuda financeira do Governo à CML veio dificultar a decisão? A Distrital e a Concelhia de Lisboa, bem como outros destacados dirigentes do PSD, já manifestaram o seu apoio a esta candidatura e por isso falta agora a resposta do potencial candidato. Muito estimulante politicamente o confronto entre Costa e Seara. Mas será ou seria?

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Terça-feira, 07.08.12

Não há guito

Há dias, numa loja de bairro, o empregado, um tipo bem disposto e muito pragmático, perguntava-me o seguinte: “Sabe qual é o problema?” Fiquei sem resposta mas de imediato o Sr. Alberto se adiantou: “Não há guito!” Quase que dei uma gargalhada mas, de regresso a casa, fui pensando neste comentário e, em boa das verdades, o Sr. Alberto sintetizou numa pequena frase o problema que todos enfrentamos – não há dinheiro. Como temos uma língua muito rica e porque não gostamos muito de ser radicais, evitamos a palavra dinheiro; temos até uma certa vergonha em dizer que não o temos e por isso recorremos a expressões mais populares e com humor. Sempre fica melhor dizer “não há guito” do que “não tenho dinheiro”. Também ao nível da linguagem técnica e mais ainda da política se foge ao problema da falta de dinheiro. O que se houve falar é de recursos financeiros necessários, de ajuda financeira, de ajustamento, de alteração dos padrões de consumo, de viver de acordo com o rendimento disponível, etc. Mas em boa das verdades o que não há é guito. Isto a propósito desta notícia em que ficamos a saber que os cinco maiores Bancos concederam, no 1º semestre, menos 10 mil milhões de euros em créditos (4.000 M€ para empresas, 3.500 M€ para as famílias e 2.400 M€ para habitação). Por outro lado também o Banco de Portugal divulgou que há cinco meses consecutivos que decrescem os novos depósitos e, por fim, são já cerca de 700.000 famílias com dificuldade em pagar os empréstimos à banca.

As notícias e outros indicadores multiplicam-se diariamente quer na comunicação social quer nas situações concretas que cada um conhece à sua volta. Estamos cada vez mais a poupar nos nossos quotidianos, comemos cada vez menos fora de casa, levamos cada vez mais a lancheira para o local de trabalho, circulamos cada vez menos de automóvel, fazemos férias cada vez mais em casa, reduzimos cada vez mais as nossas compras aos bens essenciais, etc. O mesmo também acontece com as empresas com cada vez mais dificuldade em cumprir com as obrigações financeiras e, pelos mesmo motivo do financiamento, várias grandes empresas emitiram, recentemente, obrigações que já andarão por 1,3 mil milhões de Euros. Não vale a pena disfarçar – não há guito! Todos sabemos porque temos falta do dinheiro (eliminação de vencimentos na Função Pública, desemprego a aumentar todos os meses, jovens sem solução para o 1º emprego, aumento de vários custos, etc.). Não tenho solução para este problema e, pelos vistos, ao nível da Banca, dos Governos e das entidades internacionais (sejam governos sejam financeiras) também andam às voltas em busca de respostas. Como produzir mais para conseguir mais guito é o desafio. Enquanto isto, apenas constato que vamos (todos) ter de viver com menos guito.

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Domingo, 05.08.12

28 – As Oficinas

Ainda o eléctrico mal arrancou dos Prazeres temos pela frente a estátua de S.João Bosco e o Colégio dos Salesianos. Este foi conhecido, desde a sua inauguração em 1906, como Oficinas de S.José. É talvez a primeira escola não estatal de ensino técnico e profissional. O nome vem de uma escola oficinal criada em 1890 na Rua das praças à Lapa. Em 1896 chegaram os Salesianos á escola que a quiseram desenvolver e por isso adquiriram os terrenos junto ao Cemitério. Em 1910 os Salesianos são expulsos (a República extinguiu todas as Ordens Religiosas) e em seu lugar surgiu um Hospital Militar e depois o Quartel dos Sapadores dos Caminhos de Ferro. Em 1920 o edifício é devolvido, num estado lastimoso, à Sociedade Salesiana. Antes e depois, as Oficinas de S. José destinavam-se à formação profissional de rapazes pobres e abandonados. Dispunham de vários cursos de artes e ofícios, para além da instrução primária e secundária. Em 1974 a escola sofre nova ocupação com o desmantelamento das suas oficinas e equipamentos. Mais tarde o edifício é novamente devolvido aos seus proprietários que então o transformaram no Colégio que hoje conhecemos. Curioso mesmo nesta história é o confronto ideológico sobre o ensino e em concreto o profissional. As forças ditas progressistas nunca viram com bons olhos a presença da Igreja na formação das crianças e jovens e sempre que puderam expulsaram ou limitaram as obras religiosas nesta sua missão. A presença dos Salesianos sempre foi um exemplo de serviço aos mais necessitados mas foram literalmente corridos e em substituição das suas obras surgiu o nada. Ainda a propósito dos Salesianos refira-se que esta designação se relaciona com o nome oficial desta congregação – Sociedade de São francisco de Sales. O seu fundador, S. João Bosco (cuja estátua se encontra, desde 1988, em frente à paragem do 28), dedicou toda a sua vida à educação dos mais pobres e por isso seja esta a vocação primeira dos Salesianos.

 

 

 Mas as oficinas não se confinam à Obra Salesiana. O que hoje conhecemos desta zona de Campo de Ourique (e até ao polo fabril de Alcântara) teve uma significativa ocupação industrial ao longo do Sec. XIX e até meados do Sec. XX. Até por esta razão as Oficinas de São José estavam devidamente enquadradas. Destaca-se a Empresa Cerâmica de Lisboa que foi edificada no local onde posteriormente foi construída a Igreja de Santo Condestável. As chaminés fabris faziam parte da paisagem desta zona de Lisboa e ainda hoje se pode ver este exemplar que resistiu ao passar dos tempos.

 

 

 

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Sexta-feira, 03.08.12

Estamos envelhecidos

Retomo o tema da demografia que aqui o Pedro Rodrigues tinha abordado. Hoje, no Diario Economico, a Socióloga Maria João Valente Rosa dá uma entrevista a propósito do Livro "Portugal e os Números". Vale a pena ler quer pela seriedade da informação disponibilizada quer pelos alertas que, uma vez mais, são dados para a evolução da nossa demografia. "Tornámo-nos um dos países mais envelhecidos do mundo, resultado de uma intensa diminuição da fecundidade dos casais, do aumento da esperança média de vida e de uma emigração particularmente intensa, em especial nas idades activas mais jovens, também elas mais férteisTornámo-nos um dos países mais envelhecidos do mundo, resultado de uma intensa diminuição da fecundidade dos casais, do aumento da esperança média de vida e de uma emigração particularmente intensa, em especial nas idades activas mais jovens, também elas mais férteis".

As estatística são uma ferramenta essencial para quem quer estudar e para quem decidide. Sem esta ferramenta apenas resta especular e dar "bitaites". Por isso nunca é demais felicitar o trabalho da Pordata, especialmente num País em que os governantes têm, desde há anos, muita dificuldade em produzir e actualizar informação. A educação é disso, infelizmente, um exemplo como também aqui já referi e voltarei.

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Sexta-feira, 27.07.12

Ainda sobre os professores

Uma das dificuldades (talvez até a maior) quando se debate a política de educação é a informação base sobre os números. Pretende-se saber qual o custo (recordam-se do debate sobre o apoio do estado ao ensino particular e cooperativo?) por aluno no básico ou secundário e são várias as estimativas disponíveis mas o número em concreto ninguém sabe ao certo. O mesmo com a evolução do nr. de professores do quadro e dos contratados. Mesmo a informação sobre o nr. de alunos matriculados difere consoante as fontes. De acordo com uma publicação recente (que já sofreu uma retificação), do Ministério da Educação, a evolução do número de professores nos últimos 4 anos é a seguinte:

 

2007/08

2008/09

2009/10

2010/11

Total

142.018

142.834

143.109

139.837

Quadro

118.419

111.356

107.717

103.861

Contratados

23.599

31.478

35.392

35.976

 

 

 

 

 

 

 

Variação

Total

 

0,6%

0,2%

-2,3%

Quadro

 

-6,0%

-3,3%

-3,6%

Contratados

 

33,4%

12,4%

1,7%

 

 

Ou seja, o nr. de professores aumentou entre 2007/08 e 2009/10. Em 2010/11 regista-se a primeira redução do nr. total de professores.  Mas o nr. de professores contratados aumentou sempre e o inverso aconteceu com os professores do quadro (que se aposentaram nos últimos anos). Não existem dados disponíveis sobre o ano lectivo que agora findou mas não é de esperar uma alteração na tendência acima evidenciada. Percebe-se a preocupação dos professores mas já não se entende muito bem o cenário de catástrofe anunciada pois os mesmos números mostram que a recente redução (apenas no ano letivo de 2010/11) do nr. de professores se deu não pela via do despedimento mas sim pelo “balanço” entre saídas para a reforma e entradas de contratados. Saliente-se que com o Governo PS os concursos para substituição de professores do quadro (que se realizavam anualmente) passaram a ser de quatro em quatro anos. Os números são o que são e até por isso seria desejável que o Ministério divulgasse qual a projecção para o próximo ano letivo. Assim se pouparia muita polémica.

publicado por Vasco Mina às 00:32 | comentar | ver comentários (14) | partilhar
Sexta-feira, 20.07.12

A suspensão do euro

Suspender o euro temporariamente? Ou seja, voltar ao escudo durante uma temporada e, depois, regressar ao euro? Pode parecer uma solução do além mas para uma certa esquerda e especialmente para Ferro Rodrigues parece ser um caminho possível. Ao ler a entrevista de hoje no "i", fica-se com a certeza acrescida de que da esquerda não temos nem alternativas credíveis nem tão tão pouco um simples exercício de humildade em reconhecer os erros do passado.

publicado por Vasco Mina às 07:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 17.07.12

Ensinamentos de África

O tempo passa e olhando para trás, são já longos anos sobre a minha experiência missionária. Em Outubro de 1988 cheguei , com mais outros três Leigos Para o Desenvolvimento, a São Tomé e Príncipe. Lá se encontravam outros dois que tinham partido pouco tempo antes. Sabíamos que se iniciava uma nova etapa das nossas vidas e tínhamos a noção de que iríamos conhecer uma realidade bem diferente.

Parti com muita vontade de dar, de me dar aos outros. Regressei com a sensação que tinha recebido bem mais do que tinha dado. Temos por certo que são os ricos que devem dar aos pobres e isso  é verdade no que diz respeito aos suportes materiais  básicos da sobrevivência. Quanto à atitude perante o que se quer mas não se tem (nem nunca teve) serão os mais pobres que têm muito para dar; sãos os tais bens (em linguagem financeira, os intangíveis) que não se quantificam mas que são verdadeiras doações de vida.Recordo-me de um acontecimento que muito me marcou e que ainda hoje me deixa “às voltas”. Certo dia ocorreu um incêndio num edifício habitacional na cidade de S.Tomé.  Cerca de 40 pessoas ficaram desalojas e despojadas de tudo (que era seguramente pouco). Formou-se uma espécie de gabinete de crise envolvendo a Caritas, a Diocese de São Tomé e os Leigos Para o Desenvolvimento. Cada uma destas entidades contribuiria com o que dispunha (uns tinham géneros alimentares, outros tinham roupa …)  Plano elaborado e ao fim de poucas horas deslocou-se uma pequena equipa ao local do incêndio para dar início às ajudas. Para espanto de todos, os desalojados tinham abandonado o local e tinham sido acolhidos pelas famílias! Ninguém ficou na rua!... A mesma situação num país rico levaria muitos dias a resolver e com muitos “diretos” nas televisões. Que grande lição de acolhimento! Outra grande aprendizagem é viver bem com o que se tem. A felicidade não passa por se ter mais mas sim pela aceitação do que se tem. A vivência com os santomenses foi muito enriquecedora nesta dimensão. Recordo-me das conversas que tive com os que viviam na Roça onde fomos alojados e o registo que ficou é de gente que vivia em paz.

Vivemos hoje num país que empobrece todos os dias. Somos todos confrontados com a necessidade de alterar os nossos consumos e mesmo de abdicar de muito do que dispúnhamos. Alguns estão mesmo perante o flagelo do desemprego e são muitas as famílias em sérias dificuldades.

Tal como no incêndio em São Tomé, são várias as entidades que estão envolvidas na ajuda a quem mais precisa. Mas temos de aprender com os santomenses: acolher os que ficam sem nada e a saber bem viver com o que se tem!

Texto publicado na agencia Ecclesia

publicado por Vasco Mina às 07:38 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 15.07.12

Um Filho Vale Um

 

Esta semana foi lançado o Manifesto “1 Filho Vale1” ao qual aderi: “Quando se olha para o rendimento é justo não esquecer quantas pessoas esse rendimento alimenta e veste. Será que esse rendimento sustenta 2 pessoas? Ou sustentará 3 (pai + mãe + 1 filho), ou 4 (pai+ mãe + 2 filhos), ou 5 (pai + mãe + 3 filhos) ou muitas mais? Justo seria que o rendimento da família fosse avaliado em função do número de pessoas que sustenta. Ou seja, que fosse dividido pelo número de elementos da família! Isso sim, seria justo.”

Desde 2007 que o Saldo Natural da população portuguesa é 0 ou negativo. Tão ou ainda mais impressionantes são os índice de envelhecimento e o índice sintético de fecundidade. Somos uma população que decresce, que envelhece e que tem cada vez menos filhos. As consequências são a vários níveis: demográfico, económico, sustentabilidade do Estado Social, etc. Tudo isto é evidente desde há vários anos mas parece não ser óbvio para o Estado que continua a assobiar para o lado e que maltrata quem se esforça por dar mais vida ao País

 

 

publicado por Vasco Mina às 08:50 | comentar | ver comentários (8) | partilhar
Sábado, 14.07.12

28 – Cemitério dos Prazeres

Alguns cemitérios de Lisboa têm nomes algo paradoxais: Ajuda, Benfica e Prazeres. Este, que se situa em frente de uma das paragens terminais do 28, recebeu o nome de uma Quinta que aí existia antes da sua construção em 1833. Neste ano, os lisboetas sofreram uma forte epidemia de cólera, que causou um número muito elevado de mortos e por esta razão se construíram dois cemitérios públicos: Prazeres e Alto de São João. São os dois primeiros cemitérios públicos e surgem no contexto da política liberal que era contra os enterros nos espaços religiosos. Tanto assim era que em 1835, por legislação de Rodrigo da Fonseca, foram interditados os enterros em Igrejas e demais edifícios religiosos e se obrigou à construção de cemitérios públicos.  Dava-se assim início à laicização da morte com a separação da dimensão espiritual. A revolta da Maria da Fonte está muito ligada a esta questão.

Volto à Quinta dos Prazeres que foi vendida (julgo que pela família Palmela pois tinham propriedades nesta zona de Lisboa) ao Estado num tempo muito agitado da vida política do país em que muitos foram os negócios de compra e venda e a lembrar tempos atuais (obviamente com outros contornos e contextos). Se público foi (e continua a ser) o cemitério, a instalação de imponentes jazigos privados foi uma realidade que se verificou desde sempre. Desde logo por aqueles que ocupavam ou controlavam o poder (na sua grande maioria liberais e de obediência maçónica que sempre e também na morte gostam de manifestar o seu poder). Alguns são obras de arte referenciadas e não por acaso, o Cemitério dos Prazeres integra qualquer guia turístico (nacional ou internacional) da cidade de Lisboa.

 

 

 

As fotos acima são dos jazigos da família Carvalho Monteiro (o Monteiro dos Milhões e da Quinta da Regaleira) e dos Duques de Palmela (um verdadeiro mausoléu). A simbologia maçónica é bem evidente em muitos jazigos e com especial evidência nestes dois.

Atualmente, são sete os cemitérios municipais. Cemitérios privados: Cemitério dos Ingleses (de 1717 e junto ao jardim da Estrela) e Cemitério dos Alemães (de 1822 e com entrada na Rua do Patrocínio). O 28 passa pertos destes dois.

Para além destas questões, o cemitério é, talvez, o único espaço físico que nos aproxima da morte e a sua visita faz parte das nossas tradições. Também da minha pois o meu avô materno aqui se encontra sepultado. Na perspetiva cristã, que é a minha, o cemitério, em si mesmo, não tem qualquer significado. Mas do ponto de vista simbólico, aí nos encontramos perante a dimensão mais incontornável da nossa vida – a morte. Num tempo em que afastámos a morte das nossas vidas, o cemitério ainda permanece. Até quando? (em breve eliminaremos o feriado de 1 de Novembro que a tradição levou e ainda leva muitos a este local)

publicado por Vasco Mina às 09:20 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 09.07.12

Lisboa vista do 28 amarelo

 

 

O elétrico 28 faz parte do património da cidade de Lisboa. Seja por serviço de transporte da população que dele necessita, seja por atravessar a Lisboa mais antiga, seja por se ter tornado uma referência turística da nossa cidade. Nasci e cresci em Campo de Ourique e esta carreira como que simboliza a ligação da “minha terra” ao centro da cidade. Fazer o percurso deste elétrico é um enriquecimento sobre a história da cidade de Lisboa; não apenas a de tempos remotos mas também a mais recente pois à medida que fazemos este percurso vamos conhecendo muitos desafios e problemas que hoje se colocam. Em jeito de homenagem ao 28, vou tentar, ao longo dos próximos post sobre este tema específico, mostrar o seu percurso com os meus comentários e impressões. Vou recorrer ao trabalho de vários olisipógrafos e, muito especialmente, ao de José Augusto França que tem um obra publicada pela editora Livros Horizonte com o título “28 crónica de um percurso”. Mas não esquecerei as “Peregrinações” de Norberto Araújo que são um excelente estímulo às viagens na minha cidade. A viagem vai iniciar-se nos Prazeres…

publicado por Vasco Mina às 00:10editado por Paulo Marcelo em 11/07/2012 às 12:20 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sábado, 07.07.12

Ainda os Jotas

O Pedro Picoito escreveu aqui um excelente post sobre os jotas. Vou tentar acrescentar alguns pontos e começo com uma declaração de interesses: pertenço, como já o referi, à geração dos  jotas que hoje ocupam o Poder e também fui jota enquanto andei pela Faculdade; depois não dei, durante muitos anos, continuidade à intervenção política e aderi a outros desafios. O mesmo aconteceu com quase todos da minha geração. Os anos finais da década de 80 foram tempos (que se prolongaram pela primeira metade dos anos 90) de grande crescimento económico e com muitas oportunidades profissionais. Também nesse tempo se iniciou o regresso à vida profissional das elites (na verdadeira dimensão desta palavra) que grandes contributos deram no período após 74. Por outras palavras, o campo ficou aberto para aqueles jotas que fizeram da política a razão das suas existências: por abandono das elites (tradição muito vincada em Portugal desde a partida da Família Real para o Brasil no início do Sec. XIX) e também por desinteresse das potenciais novas elites. Não pretendo desculpar qualquer dos ditos jotas mas convém ter presente a responsabilidade de todos neste historial.

O que aconteceu, sucessivamente, nos dois maiores partidos, foi a ocupação dos cargos públicos e também das direções partidárias. Começando a nível local, posteriormente distrital / regional e por fim no patamar nacional. Este é outro ponto a destacar: o crescimento em simultâneo no partido e no poder público. Tendo em atenção que ninguém os “travou”, tiveram tempo para montar aquilo a que hoje se designa uma rede de contatos e interesses; isto ganhou ainda mais peso na medida em que as poucas elites que permaneceram nos Partidos não tinham “pachorra” para o chamado aparelho. Tudo isto ocorreu durante alguns anos e de uma forma relativamente discreta; até ao dia em que os candidatos às lideranças nacionais dos partidos se deram conta que para aí chegarem tinham de recorrer aos “serviços” daqueles que dominavam as estruturas partidárias. Mesmo quando a escolha dos líderes passou a ser por via de eleições diretas? Sim porque quem passou a votar foram os “cacicados” (os outros, uma vez mais, estavam longe da política e, progressivamente, deixaram de ter paciência para se deslocarem às Secções). Assim se percebe a importância progressiva dos “sempre” e muito ativos (ex) jotas. Também assim se entende porque ficam “amarrados” os líderes do PS e do PSD e, muito especialmente, quando assumem cargos públicos. Pior ainda é a instalação desta postura nos partidos. Com a agravante de os atuais jotas (com idades entre os 18 e os 30) estarem a crescer em estruturas que de política apenas sabem discutir lugares. O resto está muito bem descrito pelo Pedro Picoito

publicado por Vasco Mina às 17:35 | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Uma questão de exemplo

Estamos a entrar num período muito duro das nossas vidas e da vida do País. Não me refiro apenas às consequências da recente decisão do TC. O desvio do défice, o desemprego e a falta de liquidez na economia são, já por si, um grave problema. Por estas e muitas outras razões temos de ter um Governo credível, interna e externamente. Mais do que nunca temos de ser governados por pessoas que sejam exemplo para todos. Os sacrifícios só serão aceites se a população perceber que os governantes dão o exemplo. Este não pode faltar! Eu continuo com confiança neste Governo e especialmente na solidez técnica e na credibilidade de pessoas como, a título de exemplo, Vitor Gaspar e Carlos Moedas. Mas não podem o Governo e o Primeiro-Ministro tolerar e conviver com casos que não são exemplo. Caso contrário, teremos um verdadeiro exemplo do que não deve ser feito.

publicado por Vasco Mina às 12:32 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Sexta-feira, 06.07.12

Consequências da decisão do TC

O Pedro Pestana Bastos fez, no post anterior, a crítica jurídica à decisão do TC. Acompanho a crítica e nada acrescento deste ponto de vista. Na perspectiva pragmática, o que o TC decidiu foi o seguinte: desta vez passa… Para o ano a medida será aplicada a todos como já o referiu o Primeiro Ministro. Infelizmente, não temos folga para fazer de outra forma. Se alguém pensar que existe outra solução será melhor que “tire o cavalo da chuva”…

publicado por Vasco Mina às 07:23 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quinta-feira, 05.07.12

Inaceitável

Presidente da ERC dixit: “A expressão de que tinha havido uma pressão inaceitável não está no final da deliberação e o erro é meu. Eu estava absolutamente convencido de que a expressão estava lá.” Inaceitável mesmo é este filme da ERC. Para quando o “The End”?

publicado por Vasco Mina às 07:37 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Terça-feira, 26.06.12

Ainda o Crato e os professores

A fazer fé no Público de hoje o número de professores do quadro reduziu em 23.000 nos últimos 3 anos. No mesmo período aumentou em 19.000 o nr. de professores contratados. Tudo isto em resultado de reformas por limite de idade e saídas antecipadas. Garantir, como fez o Ministro Crato, aos professores do quadro que não serão despedidos é como que garantir o óbvio. Aqui discordo do Carlos Botelho pois não me parece que o Ministro tenha comprado a paz laboral. Trata-se, sim, de um aproveitamento político de uma realidade que vem de trás conforme revelam os números. Nem tem de mexer no processo de renovação do nr. de professores do quadro pois a Ministra Lurdes Rodrigues já o tinha  feito. Ou seja a precarização laboral dos professores (que os números mostram com toda a evidência) é obra socialista a que os actuais governantes (que têm o post-it de neoliberais) estão dar continuidade.

publicado por Vasco Mina às 07:58 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sábado, 23.06.12

Vergonha de Lisboa

A Estação de Metro do Aeroporto é uma das vergonhas de Lisboa. Em primeiro lugar porque não existe; somos a única capital da Europa com Aeroporto em plena cidade e, talvez, a única sem qualquer ligação entre este e o metro ou o comboio. Este aeroporto existe desde 1942 e o Metro desde 1959. Ou seja, um atraso de mais de 50 anos nas ligações. Ninguém fica bem na fotografia e quando se fala em planeamento urbanístico e de transportes o Metro do Aeroporto torna-se, pela negativa, num verdadeiro case-study. Em segundo lugar porque os atrasos sucedem-se no tempo. Agora mais um. Parece que faltava um lanço de escadas rolantes. Esta obra teve início há cerca de 5 anos mas parece que só recentemente deram por esta falta. Verdadeira vergonha cinquentenária.

publicado por Vasco Mina às 16:32 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quarta-feira, 20.06.12

Sabem mesmo o que a troika faz?

"O que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho". Será melhor devolver o dinheiro que já nos emprestou. Sem juros pois nós não alimentamos usurários. Depois bastará pedir emprestado e de borla. É fácil, é barato e dá milhões.

publicado por Vasco Mina às 23:57 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

ERC para quê?

Vamos ter mais notícias sobre um caso. De acordo com o Expresso. Agora sobre um relatório que, de acordo com o Presidente da ERC, ainda não existe. Mas do qual já se sabe a conclusão. Fica-se sem se saber. Resta a pergunta: ERC para quê?

publicado por Vasco Mina às 07:45 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Domingo, 17.06.12

Os gregos, a soberania, a cruzinha e o dinheiro

O Carlos Botelho, o Pedro Gonçalves Rodrigues e o Pedro Braz Teixeira abordaram, com muita clareza, as questões que se colocam na Grécia. Apenas acrescento que tudo isto acontece em liberdade, um bem que este povo nem sempre conheceu e que se arrisca a perder. Por serem livres são também responsáveis pela soberania do seu país. Mesmo que esta passe pela tal cruz que irão colocar no boletim de voto. Seria bom que se entendessem após os resultados eleitorais. Mesmo que tal não aconteça será sempre da responsabilidade dos gregos o que vier a acontecer. Seja o cidadão comum seja o político, todos os gregos têm, hoje, o mesmo desafio: encontrar uma solução governativa. Sem esta, nada os poderá salvar. Da mesma forma que são responsáveis pelas consequências resultantes da corrida ao levantamento do dinheiro são igualmente responsáveis pelas escolhas políticas.

publicado por Vasco Mina às 12:03editado por Paulo Marcelo às 12:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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