Não se importa de explicar o que quer da Europa, já que não quer ajuda? Ou prefere que a coisa fique assim, reduzida a zero?

Olhando para o que tem sido a experiência da Grécia e da Irlanda, não me parece que os mercados financeiros estejam convencidos de que o recurso à ajuda europeia resolva os problemas nacionais e sejam de facto um grande contributo para a estabilização do euro, diz a cabeça em cima.

Pois não (é uma cabeça, este ministro). A ajuda é isso mesmo: ajuda; garantia de liquidez durante o ajustamento. O problema percebido pelos mercados é outro. É o da solvência, ou seja, da capacidade, ou não, de interromper a trajectória de endividamento e, assim, restabelecer a capacidade própria de satisfazer compromissos futuros. Presumo que o ministro não esteja à espera que a Europa o ajude nisso. No caso da Grécia, avoluma-se a ideia de que a reestruturação da dívida é inevitável. Como será connosco. Além de liquidez, que mais quer o ministro? Juros mais baixos do que os do mercado? Quão mais baixos? Porque não diz o ministro das Finanças e o primeiro-ministro o que deveria a "Europa" fazer? Esgotada a cassette surrealista do FMI, arriscamo-nos a ter de enjoar, no mês de Março, com declarações totalmente destituídas de sentido, como as que hoje Sócrates e Teixeira dos Santos ensaiaram, deslocando o ónus dos nossos problemas para uma "Europa" não menos fantasmagórica do que o FMI, sem que nenhum jornalista tenha a curiosidade, sempre que o ministro e o primeiro-ministro da nossa praga acenam com ela, de lhes perguntar: o quê, concretamente? Não é por sabermos que nenhum deles terá o que quer que seja a dizer de positivo sobre o assunto que a pergunta deve ser evitada. Pelo menos, ao desmontar a "ameaça", ajudaria a libertar a atmosfera do ambiente zombie em que o bando que nos governa insiste em manter-nos.
publicado por Jorge Costa às 16:58 | partilhar