O Aniversário da Morte de Foucault, o Irão, Richard Dawkins, e muito mais


Michel Foucault conseguiu ser um autor surpreendente. E não há dúvida de que o seu apoio entusiástico à Revolução Iraniana de 1979 (pelo menos na sua fase inicial) causou surpresa. As razões do apoio de Foucault à revolução que derrubou o Xá são várias e complexas. Mas, à primeira vista, vê-lo do lado do regresso à espiritualidade de tipo religioso contra a tendência secularizante do governo ditatorial anterior parece constituir um enigma inexplicável. Claro que o anti-Ocidentalismo de Foucault ajuda a explicar; claro que a crítica com intento subversivo das instituições caras ao europeu burguês e normalizado também ajuda a explicar. Mas a este propósito não resisto a deixar aqui uma troca de palavras entre Foucault e o seu editor Claude Mauriac, seu amigo, e que faz de intelectual laicista e republicano. Sobre a espinhosa questão da combinação de "espiritualidade e política", Mauriac avisa Foucault em 1978, "já vimos o que isso nos deu". Foucault respondeu: "E a política sem espiritualidade, meu caro Claude?"
Aonde é que a política sem espiritualidade nos trouxe?
publicado por Miguel Morgado às 08:35 | comentar | partilhar