Israel é um problema que a Europa tem consigo (corrigido)

Mark Lilla

De que forma é que o ambiente espiritual pós-nacional - tendo por epítome Jürgen Habermas no domínio do pensamento «político» -, vivido na Europa, determina a sua compreensão de Israel? Ou inversamente: de que modo a compreensão europeia mediana difusa do problema de Israel e do Médio Oriente revela no ambiente espiritual da Europa a marca da ansiedade de uma existência que se quer pós-política? Deixei já aqui sugerida a leitura de Pierre Manent como contributo fundamental para uma reflexão nessa linha. O texto de Mark Lilla, The End of Politics, anterior (2003) ao de Manent, partilha um ponto de vista singularmente análogo. A despolitização da Europa, no caso de Lilla, a miragem da unificação do mundo, no caso de Manent, são as figuras em torno das quais cada um destes pensadores constrói a sua narrativa. São variações de um mesmo tema. O problema da «Europa», sem mais. Certamente que a sua repolitização está na agenda. Razão por que pensar politicamente, embora tenha caído em desuso, se tornou inevitável.
publicado por Jorge Costa às 17:08 | comentar | partilhar