E a vida sexual de Leibniz?

Depois deste passo de gigante, não podemos deixar de pensar noutros casos suspeitos.

Leibniz nunca casou. E não há indícios de ter tido relacionamento com mulheres. Pois. E o seu grande rival, o Newton? Há quem diga que morreu virgem. Também não punha as mãos no fogo por esse. Aquela luta violenta de dez anos entre os dois sob o pretexto do cálculo infinitesimal, cá para mim, esconde uma irreprimível atracção.

E Descartes? Teve uma filha. De uma criada. Será que tinha furor erótico por criadas? E dedicou o seu Tratado das Paixões da Alma a Isabel da Boémia. Das Paixões, percebem? E escreviam-se muito. Discutiam a relação entre a alma e os movimentos do corpo. Hum... E aquelas sessões com Cristina da Suécia?... Por outro lado, Descartes trocou correspondência importante com o padre Mersenne. Com tratamento epistolar bastante afectuoso. Bissexual?...

E que dizer de Kant? Nunca casou. Tinha um criado. Não uma criada. Cá está. E lembrem-se que Kant assevera que foi Hume [esse gay!] quem o acordou do dogmatische Schlummer. Pois. Está-se mesmo a ver que este Schlummer [sono, torpor] dogmático de que Hume o despertou é a heterossexualidade.
E os ataques selvagens de Schopenhauer a Hegel? Não serão sintoma do princípio da raposa e das uvas?

A relação entre Marx e Engels é também muito suspeita e merece ser estudada por quem sabe. Não celibatários, mas amigos íntimos. Escreveram conjuntamente o Manifesto do Partido Comunista. Conjuntamente, note-se. E há quem garanta que chegavam a elogiar-se mutuamente. Depois da morte de Marx, Engels dedicou-se a traduzir escritos inéditos do amigo e a trabalhar no restante d’ O Capital. Tudo isto é muito, muito estranho.
E, principalmente, muito, muito importante.
publicado por Carlos Botelho às 23:51 | comentar | partilhar