KO ao terceiro assalto

Nos comentários a este post, ainda sobre a encenação do ciclo de Wagner por Vick no S. Carlos, diz o Luís:
"De que modo é que a música de Wagner chegou até nós senão pelas indicações que deixou escritas nas suas partituras, em escrita musical e em alemão? Respeitar a música de Wagner é respeitar essas indicações. É aí que se encontra o limite. Se Wagner aprovaria este Ouro do Reno e esta Valquíria? Talvez não, porque o palco não seria suficientemente grande para os dois egos. Aliás, acho que Vick teria convencido Pinamonti a despedir Wagner se este contestasse alguma indicação sua. Quanto à encenação: acho redutora e simplista a perspectiva marxista que Vick adopta para encenar o Ouro do Reno, cheia de estereótipos anti-americanos, logo anti-capitalistas: os escravos representados como yupies cocainómanos; os deuses representados como praticantes dos principais desportos americanos – basebol, basquetebol – deuses estes que enganam os pobres trabalhadores da construção civil; os mísseis apontados a Valhalla… Não há pachorra. Na globalidade das encenações das duas óperas subjaz a perspectiva da esquerda sobre a religião, qualquer religião: é obsoleta, vai extinguir-se. Com raciocínios tão grosseiros como se podem encenar obras tão complexas?"
Parece-me que a questão está arrumada: sei reconhecer uma derrota quando fico KO. O Vick que se defenda...

publicado por Pedro Picoito às 21:20 | partilhar