Feliz Natal em Pecado

Tem sido assim desde sempre, e este que me bate à porta já está planeado para ser igual. Assim de cabeça mergulho em três pecados capitais: gula, luxúria e preguiça. Três em sete não é maioria, mas sendo capitais talvez o argumento não colha. No dia do juízo em que não acredito talvez possa argumentar que em tempos escrevi num blogue com muitos cristãos. Como se diz na gíria anglosaxónica: that's got to count for something. Ou talvez não.

Somos uma desgraça de criação, nesta viagem não embarco sozinho e o quotidiano está recheado de muitos mais. Não houvesse mercado e não haveria produto, mas ao menos poder-se-ia disfarçar. Ele serve para nos erguer, escreveu aqui o Picoito em tempos. Não sou um entendido, mas se a doutrina é a que consta por aí, consta também que trabalho não lhe vai faltar.

Nunca comprei a famosa "ideia de Deus", mas sempre olhei com curiosidade a delicada escolha do menu por muitas das suas "criações". Pensei que os ensinamentos fossem eternos, mas, genuinamente, para bem e para mal, alguns são mais eternos do que outros. Talvez não fosse má ideia encarecer um pouco a "absolvição". Digo eu, de fora, e como parte não especialmente interessada. Eu e os meus tratamos bem mim e dos que nos estão próximos. Também não tratamos mal os outros, mas sei que, em Janeiro, quando voltar ao serviço cívico após a profissão, vamos ser bem menos do que aqueles que fizeram fila para comprar bonecos daquele que os irá, diz o Picoito, erguer.

No metro, que uso regularmente durante o ano, são as pessoas mais pobres que dão sistematicamente esmola. Elas sabem porquê.

Feliz Natal.
publicado por Manuel Pinheiro às 15:03 | comentar | partilhar