Back to basics

Até há cerca de 12000 anos atrás (ou seja, 10000 AC), as pessoas eram nómadas, movendo-se de local em local em busca dos recursos de que necessitavam, e obtendo-os da natureza.

Deu-se então a revolução agrícola. A agricultura, ao envolver o plantar, esperar as colheitas e colher, passou a fixar as pessoas num determinado local. Tornaram-se sedentárias. Ainda assim, a agricultura inicialmente era apenas de subsistência, as pessoas produziam apenas o suficiente para si próprias e não sobrava grande coisa.

Com a evolução tecnológica, porém, um agricultor passou a produzir não só para si, como ainda sobravam excessos. A existência de excessos que não podia consumir, levou-o a trocá-los por excessos de outros produtores. Nasceu o comércio e a especialização, e como nem todos necessitavam de ser agricultores, muitas pessoas puderam dedicar-se a outras actividades.

O comércio era inicialmente por troca directa, mas rapidamente se desenvolveu outra grande invenção - a moeda. A moeda veio permitir trocar os bens por algo aceite por todos, fungibilizando as várias produções. A moeda é assim uma simples forma de tornar todas as produções equivalentes entre si.

Esta foi a génese do comércio, produzir aquilo que os outros necessitam e desejam de forma a obter dos outros aquilo de que necessitamos e desejamos. Esta é a base que torna possível toda a sociedade incrivelmente especializada que observamos hoje. Esta é também a razão pela qual a vida em cidades fortemente concentradas é sequer possível.

É a esta cultura base que temos que voltar, ao compreender que produzir aquilo que os outros necessitam ou desejam é essencial para obter deles aquilo que necessitamos e desejamos. É este aspecto que deveria ser reintroduzido nas escolas, no funcionamento do aparelho do Estado, em tudo o que fazemos. A nossa sociedade tem que ser novamente redireccionada de tal forma a que para se atingir uma grande riqueza, seja necessário cumprir a função central do comércio - produzir e vender aos outros aquilo de que eles necessitam e desejam.
publicado por Joana Alarcão às 15:18 | comentar | partilhar