Bagão, homem de esquerda

Bagão entoando a Internacional

Era inevitável. Mais tarde ou mais cedo haviam de descobrir. Bagão Félix, o pai do monstruoso Código de Trabalho, lembram-se?, é, afinal, um esquerdista encapotado. É claro que uma descoberta destas não está ao alcance de qualquer um. Só os espíritos mais penetrantes são capazes da proeza.

A prova material da coisa, por assim dizer, é esta entrevista de Bagão ao Correio da Manhã. Na entrevista, o ex-ministro comenta as propostas para a revisão do Código de Trabalho avançadas no Relatório do Livro Branco das Relações Laborais. Para as classificar, usa expressões dignas de um Carvalho da Silva, como ‘dádiva ao patronato’, por exemplo. É de facto chocante.

Noutro passo (sobre os tempos de trabalho), chega mesmo a dizer barbaridades mais próprias de um enodoado sindicalista metalúrgico: ‘Tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas. Reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar?’ Esta descarada referência ao tempo de almoço mostra bem, para quem ainda não tivesse percebido, todo o atavismo marxista de Bagão. Para não falar da alusão à família, por si só sintoma de um pensamento retrógrado típico da Esquerda. Mais um pouco e o homem ainda se punha a falar da protecção às trabalhadoras grávidas ou mães!

É natural que o social-democratizado Daniel Oliveira tenha citado Bagão, o compagnon Bagão, no seu blog. A citação traíu a verdadeira natureza ideológica da personagem.


Mas talvez as dúvidas de Bagão tenham origem noutras filiações. Filiações incompreensíveis para certas pessoas... Bagão é católico, coitado. E com essa gente nunca se sabe. Têm umas exigências incompreensíveis.
publicado por Carlos Botelho às 22:16 | partilhar