A Morte de Deus

“… Que fizemos nós, quando soltámos a corrente que ligava esta terra ao seu sol? Para onde se dirige ela agora? Para onde vamos nós? Para longe de todos os sóis? Não estaremos a precipitar-nos para todo o sempre? E a precipitar-nos para trás, para os lados, para a frente, para todos os lados? Será que ainda existe um em cima de um em baixo? Não andaremos errantes através de um nada infinito? Não estaremos a sentir o sopro do espaço vazio? Não estará agora a fazer mais frio? Não estará a ser noite para todo o sempre, e cada vez mais noite? Não teremos de acender lanternas em pleno dia? Será que ainda não estamos a ouvir o ruído que fazem os coveiros a enterrar Deus? Ainda não nos terá chegado o cheiro da decomposição divina? Porque até os Deuses se decompõem! Deus está morto!” (Nietzsche, A Gaia Ciência, §125)

Sim, digam-me…

Por que é que a pausa da SuperLiga é tão longa neste tempo de Natal? Onde estão os golos do Nuno Gomes? Os longos cruzamentos do Nani? As exibições de Lucho? Estaremos condenados a sobreviver com os deuses de fora, com os golos de Drogba e do Cristiano Ronaldo? Para onde vamos nós sem os comentários do Paulo Bento? Onde está Fernando Santos, esse homem tão bom? Como é possível viver com 16 clubes? Façam mais uma competição. Transmitam os jogos da Liga de Honra, da IIª Liga e da IIIª. Neste tempo em que se celebra um nascimento, não deixem morrer a nossa Vida. Recuso-me a viver num mundo sem Deus!
publicado por Joana Alarcão às 11:24 | comentar | partilhar