O Presidente da República

Presumo que, em tempos de maior tranquilidade, o PR já tivesse demitido Sócrates, ou pelo menos já teria chegado a um acordo com o PM para tratar da sua substituição e convocação de eleições antecipadas. O problema do PR é que os tempos que vivemos são tudo menos tranquilos. Com pacotes imensos de intervenção do Estado na economia, com o aumento exponencial do poder discricionário do Estado na economia e na sociedade, com orçamentos rectificativos que se sucedem, com negociações diárias com multinacionais, e numa situação de grande incerteza, será mais razoável deixar tudo nas mãos de um governo de gestão ou permitir que um governo politicamente debilitado prossiga as suas tarefas? A decisão é difícil, mas não parece haver dúvidas de que a crise económica é o factor que mais impede a demissão de Sócrates.
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Como previ há umas semanas num programa de rádio a propósito do episódio do estatuto dos Açores, Sócrates e os seus sequazes não poderiam cantar vitória durante muito tempo. Era óbvio para toda a gente que o ano de 2009 colocaria a faca e o queijo na mão de Cavaco. Só não era óbvio que o fizesse tão depressa, e que deixasse Sócrates completamente à mercê do PR.
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P.S. Uma coisa é o respeito pelo princípio da presunção da inocência; uma coisa é a reverência pela autoridade do magistério de um Primeiro-Ministro; uma coisa é o ódio a campanhas de difamação. Tudo isso é digno de respeito e próprio da conduta de um bom cidadão. Mas outra coisa bem diferente é Carlos Magno (ouvir aqui, em 30.1.2009).
publicado por Miguel Morgado às 11:39 | partilhar