O candidato da unidade

Na entrevista de ontem na RTP1, Rui Rio valorizou a unidade -- entendida enquanto sinónimo de pacificação interna -- que deverá ser restabelecida a seguir às eleições. Depreende-se das suas palavras -- corrijo, eu depreendo das suas palavras -- que uma das razões que o levaram a não se candidatar foi ter plena consciência que, caso vencesse, Menezistas e Santanistas não lhe dariam tréguas durante um minuto até 2009. Em suma, Rio sentia que seria incapaz de assegurar a unidade. Estou totalmente de acordo com o seu diagnóstico nesta matéria.
Porém, discordo de Rio quando afirma que Manuela Ferreira Leite é a pessoa indicada para «mudar em unidade». É seguramente mais indicada do que Rio, no actual contexto. Isto dito -- admito que possa estar enganado --, parece-me que Pedro Passos Coelho é mais indicado do que Ferreira Leite. Explico-me. Se se olhar para as declarações de apoio que começam a surgir, rapidamente se percebe que, com uma ou outra excepção -- Pedro Santana Lopes não capta apoios entre Barrosistas e Mendistas. De igual modo, Ferreira Leite não consegue obter apoios entre Menezistas e Santanistas. Contrariamente a Santana Lopes e Ferreira Leite, Passos Coelho recolhe votos em todos os quadrantes, exceptuando para já os Santanistas.
Mais. Vamos admitir que Santana Lopes ganha as eleições. Alguém acredita que a contestação terminaria? Admitamos igualmente que é Ferreira Leite quem ganha. Também acredita que a contestação terminaria? Não, pois não?
Uma vez mais, parece-me que Passos Coelho é o candidato que melhor se ajusta às necessidades do PSD.
publicado por Joana Alarcão às 02:16 | partilhar