Gulbenkian revisited

A sempre benemérita Fundação Gulbenkian repôs no bar do Museu os sete quadros encomendados para esse espaço entre 1967 e 1970, em restauro desde os anos 90. Trata-se, no fundo, de uma exposição, já que os quadros voltarão para o limbo do estaleiro no próximo 9 de Setembro.
Os autores, então na casa dos 30-40 anos, representavam "a renovação da arte portuguesa nos anos 50": Joaquim Rodrigo, Menez, Sá Nogueira, João Hogan (os quatro já falecidos), Fernando Lanhas, Júlio Pomar e Júlio Resende. A ideia explícita de Daciano Costa, o responsável pela decoração do bar, era recriar na Avenida de Berna o ambiente artístico que rodeara as tertúlias da Brasileira, no Chiado, no princípio do século. Uma ideia que nunca chegou a concretizar-se inteiramente, talvez devido à concorrência do Vavá, do Galeto ou da Mexicana, talvez porque o lugar se tenha revelado menos central do que parecia na altura.
Seja como for, ficaram-nos os quadros - e não é pouca coisa.
De todos, gosto em particular de dois: "Lisboa-Algeciras", de Joaquim Rodrigo, uma velha paixão pelo modo como sugere uma narrativa apenas com cores fortes e figuras quase abstractas, e o de João Hogan, "Sem título", um dos melhores e mais subavaliados paisagistas do burgo na segunda metade do século passado.
Infelizmente, não consegui arrancar ao google nenhuma das sete obras. Custos da clandestinidade. O que aí está em cima é outra paisagem do Hogan, mas de 1958 (também "Sem título").
Não se distraiam com as férias, meus amigos, e aproveitem a oportunidade, que vale bem a pena.
publicado por Pedro Picoito às 17:13 | partilhar