Vitória(?) dos burocratas sobre a língua

A coisa alastra para a Escola. É natural. Prossegue e aprofunda a perversora degradação que se vem, paulatinamente, instalando.

Adjetivo - ativo - ato - atuação - espetáculo - espetador - aspeto - detetar - redação - correto - fatura - olfato - colecionar - conjetura - caráter - fação - conceção - perceção - sução - ...

Aquelas são palavras mutiladas. (Há sempre, para defender estas coisas, argumentos que, na verdade, não passam de míseros pretextos.)
Também há um valor estético na grafia, na ortografia. É pena que pessoas, incapazes de reconhecerem esse valor, ou indiferentes a ele, pura e simplesmente cortem a possibilidade dos outros virem a apreciá-lo, a saboreá-lo. A castração estética começa desde logo na e pela Escola, insidiosamente, no meio invisível da própria língua.
Que alternativa, senão ir resistindo à coisa? Recusar a mutilação. Com todas as letras.
publicado por Carlos Botelho às 15:21 | partilhar