Marinho Pinto - populismo reaccionário

Ainda há pouco tempo, pudemos ver o Bastonário da Ordem dos Advogados fazendo aquela fita confrangedora em directo no Telejornal TVI da Manuela Moura Guedes. Pelo conteúdo da gritaria, todos percebemos muito bem que ele não se referia apenas a si como "vítima" daquele noticiário: o alcance era mais vasto...
Há dois dias elogiou e apregoou a abstenção. Ora, nem é preciso pôr aqui as duas letrinhas que designam o Partido que, nestes tempos que correm, mais tem a beneficiar de abstenções e brancuras...
Há horas atrás, sob o pretexto duma acção movida pela Ordem contra o Estado, pelos atrasos deste nos pagamento aos advogados que prestam apoio judiciário, Marinho Pinto saíu-se com esta maravilha: 'Os advogados são pessoas responsáveis e sérias, não vão utilizar esse tipo de arma [a greve] para obter o ressarcimento dos seus créditos. Isso pertence a outro tipo de profissionais - esses é que fazem greves e não olham aos interesses dos cidadãos.'
Que tal?...
Ficamos a saber que médicos, enfermeiros, guardas, operários, professores, funcionários, etc, é tudo gente pouco séria e irresponsável que tem o desplante de, volta e meia, fazer greves (ou outros exercícios desprezíveis como manifestações que atrapalham o trânsito), vá-se lá saber porquê, contrariando, pressupõe-se, o governo, que tem sempre razão (e de que governo se trata, neste nosso contexto socialmente tão animado?) e decerto com o único intuito doloso de prejudicar "os cidadãos". A greve como aleijão moral.
Sócrates escolheu mal o seu cabeça-de-lista.
publicado por Carlos Botelho às 01:25 | partilhar