Provincianismo anti-planetário

Estão a ver? O senhor primeiro-ministro (que é o primeiro-ministro de Portugal, não esqueçam) acaba de discursar no parlamento. Esteve o homem ali, coitado, a sublinhar o alcance, "a importância planetária" [Alberto Martins] dos últimos avanços europeus e lá veio o líder do PSD referir aquela coisa "provinciana" [Alberto Martins, once again] do referendo. Aposto que o Jerónimo de Sousa e o Louçã também tocarão, provincianamente, no assunto.

Que chatos! Será que não percebem o ingente esforço planetário do senhor primeiro-ministro? Porque estão naquela "algazarra referendária" [tocante expressão de Manuel Maria Carrilho, por antonomásia, o Filósofo] ? Porque não se portam bem, como o sr. dr. Paulo Portas, que acaba de falar sem dizer nadinha de relevante?

Pois, neste instante, o homem, coitado (o senhor primeiro-ministro) já está a responder. E levemente irritado. Agastado, mesmo. Pudera. Tem que aturar aqueles provincianos. Nem todos são capazes do cosmopolitismo de Portas e Carrilho.

Ah, mas o primeiro-ministro de Portugal quer discutir a questão da ratificação do Tratado. Ele até quer explicar o óbvio a Marques Mendes. Marques Mendes é burro, portanto. Como o serão também Louçã e Jerónimo.

Lá vem ele com "o sentido de Estado"... Em matérias europeias, "apela a um consenso". Claro, senhor primeiro-ministro, trata-se de coisas sérias. Não é para andar aqui provincianamente a discutir e a debater tudo e mais alguma coisa. Vamos ser sérios.
publicado por Carlos Botelho às 16:03 | partilhar