Cavaco, afinal, falou (2)

“Confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da casa civil do Presidente, ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas”.
Esta frase do Presidente tem um problema. O cidadão é membro da Casa Civil do Presidente (cargo institucional) e desconfia das atitudes de outras pessoas (ligadas ao Governo). Ou seja, quando alguém que tem um cargo institucional desconfia de alguém que está ligado ao Governo, não se trata de um cidadão a ter um mera suspeita. Não sei se é crime, mas é muito irresponsável.

Sobre o caso em si, Cavaco Silva não explicou quase nada, e limitou-se a tentar limpar a sua imagem e a apontar armas aos socialistas. Defende-se afirmando que esta é uma interpretação pessoal, o que, tratando-se de um Presidente da República, é algo que não existe. Exigia-se que Cavaco encerrasse o assunto e/ou o esclarecesse categoricamente. Não fez, verdadeiramente, nenhuma das duas coisas e é ambíguo quanto ao papel de Fernando Lima. Nas acusações que faz, muito sérias, apodrece de vez as relações institucionais com o Governo. Depois de se ouvir das varandas do Altis, no domingo, "Cavaco para a rua", o Presidente responde na mesma moeda.

Entretanto, naquilo que importa mesmo, provavelmente já não se avançará muito. Pelo menos até às eleições Presidenciais.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 21:47 | comentar | partilhar