Espaço?

Nunca percebi muito bem em que é que se traduz concretamente esta formulação recorrente do léxico político aqui da pátria e que o Gonçalo recupera alí em baixo. Espaço. Há espaço para um novo partido político à direita? Há espaço para lançarmos um novo filme em 2009, já há tantos. Há espaço para uma nova marca de cafés? Há espaço para uma nova marca de telemóveis, ou para mais um novo telemóvel de uma marca que já existe? Há espaço para mais um produto automóvel?

Se há necessidades que não estão satisfeitas ou que podem sê-lo de melhor forma parece-me óbvio que há sempre espaço (favor não complicar com, por exemplo, oligopólios naturais). A questão é então o que é que esse suposto partido consegue oferecer de melhor e/ou distintivo. E, pelo que se lê na imprensa, com o cartão de apresentação ainda em draft mas a avançar rapidamente com a ideia de que o grupo será formado por "católicos" com ligações aos movimentos "anti-aborto", parece-me bastante óbvio que a resposta é um rotundo não face a um objectivo de representatividade razoável. Não pelo facto de serem "católicos", deus nos livre, mas pelo facto de numa mensagem política se apresentarem simplesmente como tal. Religião como mensagem política? Não obrigado, se é isso já sei quem são e ao que vêm. Todo um programa, no qual, já agora, não voto.
publicado por Manuel Pinheiro às 13:03 | comentar | partilhar