Educação sexual?













[Fotografia de um dos kits vendidos nas escolas portuguesas pela APF]


No dia 9 de Junho escrevi e editei uma notícia no i sobre a introdução da Educação Sexual como matéria obrigatória nas escolas portuguesas. Fui, como aliás esperava, alvo da intolerância histérica da habitual brigada dos costumes que por aí anda nos blogues e nos jornais. Com a entrada em vigor da regulamentação da Lei 60/2009, a Educação Sexual passou a ser obrigatória nas escolas, através das disciplinas curriculares e não-curriculares, de um "modo transversal" - uma expressão sintomática. Tendo em conta que a maioria dos professores receberam formação da famosa Associação para o Planeamento da Família (APF), com os seus kits modernos e os seus pénis de esferovite a serem distribuídos massivamente, a Educação Sexual será leccionada de um modo no mínimo discutível.

Em boa hora, o Correio da Manhã voltou ao tema - e as ondas de choque sentiram-se com maior intensidade. Hoje, por exemplo, Francisco José Viegas escreve o óbvio: o Ministério da Educação e a APF querem tratar as crianças - os meus e os vossos filhos - "como se fossem propriedade de um Estado moderninho e fracturante". É a liberdade que está em causa: não tenho qualquer objecção a que os pais que assim o entenderem permitam que os seus filhos participem no plano de Educação Sexual. O que me repugna é que queiram também obrigar as minhas filhas a serem "educadas" de acordo com as normas politicamente correctas do Estado e da APF.

Como escreve FJV, "outro dia, um papagaio profissional" dizia "que ninguém tem o direito de recusar a educação sexual. Não faltava mais nada." Mas já faltou mais.
publicado por Paulo Pinto Mascarenhas às 15:52 | comentar | partilhar