Vigarices: o caso BPN

Aos poucos vai-se sabendo a verdadeira dimensão da vigarice que imperava no BPN e à sua volta. A dúvida que fica é a seguinte: mas então aquela gente, que não deixava de ter alguma notoriedade ou "visibilidade pública", pensou que o regabofe poderia durar para sempre?; não anteciparam que algumas práticas eram simplesmente demasiado grosseiras (recordo-me, por exemplo, de não haver actas das reuniões da administração) para não serem, um dia, consideradas suspeitas? Não sei qual será a resposta para estas perguntas, mas desconfio que um certo sentimento de superioridade possa ser responsável por esta tremenda imprudência.
Quando falo em "sentimento de superioridade", refiro-me à convicção de que num quintal que dominamos tudo se pode fazer. Como dizem as claques de futebol nos seus momentos de euforia, "esta m.... é toda nossa!". O vigarista que se demora a conceber maneiras de apagar os vestígios da sua vigarice tem pelo menos algum respeito pelos outros, não só por quem fiscaliza, mas também por quem deve ser respeitado: o Legislador, os accionistas, os clientes, os cidadãos de um Estado onde impera a igualdade perante a lei. Respeita os outros na medida em que tem alguma consideração pela sua inteligência, e age com algum sentido do pudor (o dele e o dos outros). No caso BPN nem isso houve.
publicado por Miguel Morgado às 15:27 | partilhar