As palavras e o medo delas

Esta tarde, Pedro Passos Coelho, na conferência de imprensa, disse: 'Não tenho medo das palavras. Não sou de direita nem sou de esquerda.'
Dizer-se que não se é de esquerda nem de direita é não ter medo das palavras?
Não tem medo das palavras "não sou de... nem de...", mas já tem medo da palavra "esquerda" e da palavra "direita"?...
E o que é que quer dizer não ser nem de esquerda nem de direita?
E uma pessoa (um político) que o afirma é o quê?
Pode dizer-se que há problemas naquela distinção, que nalguns campos não é fácil separar as águas, que se recusa isto, mas já se aceita aquilo, etc.
Mas dizer assim com aquela... inteireza simples que não se é nem uma coisa nem outra, soa demasiado rápido, demasiado fácil. Cómodo - para quem o diz e para quem ouve.
Daquele modo, não parece haver ali um pensamento por detrás, uma honesta perplexidade. Parece mais um mero expediente, um recurso de conveniência.
publicado por Carlos Botelho às 20:32 | comentar | partilhar