Brutal e instrutivo

Sempre tive a maior repugnância em debruçar-me sobre as fontes directas da cultura nazi. Sobre os escritos dos seus mentores, a arte dos seus artistas. Nunca li, por exemplo, Mein Kampf, embora tenha lido, dispersas por tantas obras, seguramente centenas de citações. O problema é que a cultura nazi não é um dado do passado, uma realidade transcendida. É inspiradora. Os meus inimigos são por ela abundantemente informados, iluminados. Sendo uma coisa de actualidade, decidi-me (tinha de ser um dia, estava escrito nos astros) a meter mãos à obra. É duro, mas compensa. Este livro é um guia clássico

George L. Moses

Vou dando os meus passos nesta floresta negra. Uma primeira observação. Hitler, como é óbvio, compreendeu as massas. Isso é da ordem da evidência empírica. Até, pelo menos, 1940, teve a Alemanha a seus pés. Ignoro se leu Sorel ou Gustave Le Bon (em breve saberei). Mas foi capaz de escrever isto, que revela um profundíssimo avanço reflexivo na matéria, e - julgo - explica à perfeição uma regra de ouro do jogo da sua progenitura ideológica.

No ataque implacável ao inimigo, as massas vêem, sempre, uma prova do seu próprio direito, e percebem a renúncia à sua destruição como uma incerteza a respeito do seu próprio direito, se não mesmo um sinal de que estão erradas.

É brutal. Mas instrutivo.
publicado por Jorge Costa às 17:37 | comentar | partilhar