Nós e a Constituição (2)

Na caixa de comentários anterior, um leitor anónimo coloca a pergunta que muitos colocam: por que é que o PR não suscitou imediatamente a inconstitucionalidade do artigo assim que o viu? Por que é que houve "tanto teatro", pergunta o nosso honesto anónimo, que aparentemente gosta de coisas sérias, directas, sem "teatro"? Não estou dentro da cabeça do PR, por isso não posso responder com a certeza que o anónimo exige. Mas parece-me que as encenações e o "teatro" em política são muito importantes quando servem determinados propósitos. E que propósito foi servido pelas intervenções do PR que o nosso sóbrio anónimo identifica com "tanto teatro"? Eu diria que o PR considerou - e com razão - o assunto tão grave que quis marcar uma posição para memória futura. Cavaco Silva quis dizer algo como isto: "a minha oposição a este estatuto é política e de princípio, e não me vou esconder atrás do Tribunal Constitucional. Eu, o PR, quero ser o rosto da oposição a este atropelo da constituição. Mesmo que, no final do processo, seja forçado a promulgar o diploma".
publicado por Miguel Morgado às 12:26 | partilhar