Hannah Arendt, pequena homenagem antes de 4 de Dezembro

Hannah Arendt, a grande, a imensa filósofa (o corrector de texto não reconhece esta palavra, e ela própria não se reconhecia, e com boas razões para o fazer, nessa categoria profissional), morreu em 4 de Dezembro de 1975. Dentro de dias estaremos a celebrá-la, em mais uma data aniversária.

O que acho absolutamente espantoso neste pequeno vídeo, em que Susan Neiman fala de Hannah Arendt e de um tópico fundamental, talvez o tópico fundamental do seu - de Hannah Arendt - pensamento - o problema do mal -, é o ele conseguir fazê-lo de um modo tão claro e conciso.

Mas há mais, e é importante dizê-lo, até mesmo porque, com frequência, isso não foi notado pelo exército de estudiosos da obra da filósofa.

E nesse mais quero sublinhar o horizonte teológico - judaico - do pensamento de Arendt, horizonte relativamente ao qual o seu pensar manteve uma permanente ligação em tensão, sem nunca dele descolar verdadeiramente.

Que o mundo seja um lugar bom para os homens viverem (é assim que Deus avalia a sua criação), e não o exílio heideggeriano da inautenticidade, eis o que a radica nesse horizonte e converte o problema do mal no desafio supremo da actividade pensante. Tudo é extremamente complexo no seu pensamento. Mas creio não me enganar, se disser, com Susan Neiman, que todo o esforço da filósofa foi o de tentar compreender como é que pode surgir, florescer, o mal, até atingir a figura inaudita da Shoah, sem que a bondade ontológica do mundo seja susceptível de impugnação, e sem que a realidade do mal seja simplesmente rasurada (superada), com recurso aos números de prestidigitação da dialéctica hegeliana (ou qualquer outra).

Mas ouçamos, por um minuto, Susan Neiman.


publicado por Jorge Costa às 23:58 | comentar | partilhar