O nível moral de Saramago e o seu entendimento do que é escrever

25 de Março de 2002. Saramago encontra-se em Ramallah com Yasser Arafat, como membro de uma delegação do International Parliament of Writers (IPW). Diz à imprensa: «Devemos fazer soar o alarme para dizer ao mundo que o que se está a passar na Palestina é um crime, e está nas nossas mãos pará-lo. Podemos compará-lo a Auschwitz.»

Quando o jornal israelita Ha'aretz lhe pediu que elaborasse sobre a comparação que acabava de fazer, a respeito das câmaras de gás disse Saramago: «Até agora não existem.» E explicou-se: como escritor era sua função fazer comparações emocionais para chocar as pessoas e fazê-las compreender.

A. B. Yehoshua, um escritor israelita (não traduzido entre entre nós, no que devemos ser únicos na Europa, uma vez que ele é tão aclamado com Amos Oz), com posições políticas situadas bem à esquerda, comentou: as declarações de Saramago são «um ultraje sem precedentes. Não se pode levar o que disse à conta da cegueira, porque a cegueira dele é intencional.»

publicado por Jorge Costa às 14:15 | partilhar