Instituições pouco fotogénicas (II)


António Costa Pinto fez uma leitura inteligente do bloqueio à eleição do Provedor: quem sai a ganhar é o Presidente da República. É um daqueles casos em que se ganha só porque os outros perderam: os portugueses estão insatisfeitos com o Parlamento, e a questão do Provedor da Justiça é talvez o caso recente mais evidente da dependência nos partidos para o funcionar das instituições. Os portugueses não estão insatisfeitos com o Parlamento apenas por causa desta questão, mas antes associam ao Parlamento muitos dos problemas que têm sido a face do país. E isso diz-nos três coisas:

- os portugueses já se aperceberam que as instituições políticas em Portugal estão partidarizadas, e que a fonte dos nossos problemas institucionais está comummente na Assembleia da República. Daí que o desagrado perante as instituições se reflicta sobre o Parlamento. Ao contrário do que devia acontecer, as instituições em Portugal não estão imunes às vontades dos partidos, o que significa que uma vez eleitos, os partidos agem sem constrangimentos reais. Por cá, as instituições são contra-maioritárias apenas formalmente, e não efectivamente.

- os portugueses sentem-se hoje pior representados no Parlamento do que sentiam. O longo período em que o PSD não convenceu como alternativa de governo, a tendência do PS para se afastar da esquerda e se colar ao centro, o vai-não-vai de Manuel Alegre, e finalmente as discussões à volta de um Bloco Central serão certamente factores explicativos, mas não estarão sozinhos.

- cada vez mais se impõe uma reforma do sistema partidário.
publicado por Alexandre Homem Cristo às 23:45 | comentar | partilhar