Sócrates vai à China

Estive há semanas, a convite da Jason Associates, num seminário sobre como «escalar a Grande Muralha da China». A proposta era simples e consistia basicamente em percorrer técnicas de negociação, que, desde a saudação inicial até ao processo de conclusão de um negócio, demonstram que ali está uma cultura diferente, um mundo novo que é preciso conhecer e respeitar, antes de entrar.
Uma das tónicas que me impressionou foi o modo como no processo de negociação se encara o tempo. O tempo remete para o amadurecimento. Não se decide à pressa, não se negoceia constrangido, nem sob pressão. Por isso, a negociação vence-se pela paciência. E quem for impaciente é vencido à partida, porque o tempo é o grande aliado do negociador.
Sócrates parte para esta viagem vencido. O seu tempo não é ditado pela agenda da viagem. É ditado pela agenda portuguesa: para marcar o passo à viagem à India do Presidente; para estar fora no dia em que começa a campanha do referendo. Mesmo que não tenha interlocutores ao seu nível lá. Mesmo que a importância dos temas que o levam à China, pudesse justificar uma alteração de calendário. Sócrates está preso do seu tempo. E, na China, essa atitude compromete irremediavelmente o sucesso. Portugal é quem perde.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 12:14 | partilhar