O homem branco é mau

Há várias teorias sobre o atraso estrutural de África: uns responsabilizam sobretudo as suas elites e outros defendem que a culpa é do colonialismo e do imperialismo ocidental. As correntes neomarxistas, sempre ávidas por explicar o mal dos povos pelo capitalismo, culpam o homem branco, que colonizou os povos africanos durante séculos, como o eterno mau da fita. Meus amigos: o colonialismo é um facto histórico e não temos como lhe dar a volta. Mas a verdade é que os europeus não colonizaram apenas África; estiveram também na Ásia, e na América e na Oceânia. Com efeitos positivos e negativos para todos os territórios que foram administrados pelos europeus. África terá sofrido em maior grau, e apenas na segunda metade do século passado se libertou do poder europeu. Mas continuar a responsabilizar os europeus e os brancos pelo atraso estrutural africano é errado, e significa acima de tudo, um relativismo histórico na avaliação das suas próprias responsabilidades.



Luís Naves, neste post, atribui-me um simplismo que admito: a democracia e a liberdade são uma das soluções para os problemas africanos. Não são de resolução fácil e até reconheço imensas dificuldades para atingir este objectivo. Muito terá que ser feito para chegar até lá e a até admito que ajuda ocidental não tem sido a melhor. Mas os (poucos) bons exemplos que existem demonstram que é possível. É verdade que as elites corruptas não chegam para explicar a miséria africana. De acordo. Mas como culpabilizar a ordem económica mundial, se foi precisamente esta que tirou milhões da fome nas últimas décadas em todo o mundo? O que poderá ajudar África é precisamente o aumento das trocas comerciais com os países desenvolvidos, e neste aspecto, são as nossas protecções, como a PAC, que prejudicam o desenvolvimento continente. A resposta é mais comercio livre. Mas para melhorar as condições de vida dos povos africanos, é fundamental que estes se reorganizem e credibilizem as suas instituições de poder.



“As democracias africanas não têm raízes e não são estáveis”. Uma frase certeira. Mas o que isso quer dizer? Que o povo africano deve estar condenado a viver sob o jugo de ditadores e elites corruptas que roubam os seus recursos para proveito próprio? Observemos a Angola, que agora é adulada por algumas elites portuguesas. Não será, em primeiro lugar, responsabilidade dos seus governantes o atraso que o país atravessa, apesar das suas imensas riquezas? Será que continuarão a culpabilizar Portugal pela sua presença no passado, esquecendo-se das suas próprias responsabilidades na governação? E o que dizer do Zimbabwe? Um dos países que foi literalmente destruído nos últimos anos. Será que também vamos responsabilizar os ocidentais pelos erros de Mugabe? Eu não acredito nesta teoria que defende que, por nunca terem vivido em democracia, não a merecem ou não a possam viver. <



Nas relações internacionais não há ilusões: é verdade que as viagens de Bush a África tiveram também interesses económicos por trás: foi por isso que o Presidente visitou a Nigéria, o maior produtor de petróleo do continente. Mas não deixou de colocar ênfase nos bons exemplos africanos, como os países que citei no post anterior. E devem ser estes que devem servir de farol para os restantes países da África subsariana. É isso que defendo e que o Luís parece discordar. Está tudo mal e não há solução á vista não me parece ser a melhor resposta.
publicado por Nuno Gouveia às 14:53 | partilhar