Incompetência ou simplesmente má-fé?


Ao princípio, a crise não ia afectar Portugal. Passados uns meses, iria afectar menos do que aos outros países. Depois que iríamos ser o primeiro país a sair da crise. O discurso de José Sócrates foi mudando, mas o objectivo era sempre o mesmo: criar uma aparência de sucesso, mascarado de optimismo, para ganhar as eleições legislativas de 2009 contra aquela senhora que insistia em falar em verdade e dizia que não havia dinheiro. Sim, aquela que alguns diziam que não sabia falar nem sorrir, lembram-se? Tudo isto com o apoio da comunicação social amiga (DN, JN, TSF, Lusa, RTP, RTPN, entre outros), sempre disposta a suportar o socratismo e a sua propaganda. Recordo que, em Julho de 2008, quando a crise já tinha rebentado em força, por todo o lado, e vários países tomavam medidas de auteridade, em Portugal se aumentavam os funcionários públicos em 3,5%. E se aprovava um orçamento de ficção, mais tarde rectificado várias vezes para tapar os buracos, que desde o princípio todos conheciam. E avançou-se, por teimosia e irresponsabilidade, com grandes obras públicas, como o TGV ou as novas concessões rodoviárias, que vamos andar a pagar durante décadas. Mas era preciso ganhar as eleições e para isso a verdade não servia. Era preciso mentir. E mentir. E voltar a mentir. Entretanto o mundo mudou em poucas semanas. Mudou antes do PEC1. Voltou a mudar antes do PEC2. E mudou outra vez ontem, para justificar um novo aumento de impostos e medidas tão duras, quanto tardias e desesperadas. Medidas que deveriam ter sido tomadas logo no início da crise, antes das legislativas de 2009. Por tudo isto, a dúvida para mim está esclarecida: este Governo não é apenas incompetente, é mentiroso e actuou de má-fé desde o princípio.
publicado por Paulo Marcelo às 09:44 | comentar | partilhar