Domingo, 26.11.06

Sentimos que estamos velhos quando...

... o nosso anjinho de quatro anos começa a dizer "bué".
publicado por Pedro Picoito às 11:43 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Mas estavam à espera de quê?

Francamente, não percebo a irritação de tanta gente com a entrevista de Cavaco à SIC. Também me arrepiou aquele "nós" para se referir ao Governo, mas estavam à espera de quê? Por incrível que pareça, ele está apenas a fazer no poder o que disse que ia fazer em campanha. Acusaram-no de planear um golpe de Estado constitucional, e negou sempre. Acusaram-no de querer levar o PSD ao colo, e negou sempre. De resto, só quem não o conhecesse (ou estivesse cego pelo amor a Soares, caso do próprio) poderia acreditar em tais dislates. Cavaco não vai mexer uma palha contra Sócrates no primeiro mandato, a não ser em situação - altamente improvável, aliás - de crise parlamentar ou governativa. O segundo mandato será outra história, mas para já o Presidente da República está apenas a preparar a sua reeleição em apoteose. Enfrentar um partido com maioria absoluta é a última coisa que lhe interessa. Se o PSD quer oposição ao Governo, que a faça. Foi para isso que votei em Marques Mendes. Não foi para isso que votei em Cavaco.
publicado por Pedro Picoito às 01:44 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Liberdade e Obediência



“A grande questão que em todas as épocas perturbou a humanidade, e que arrastou consigo a maioria dos males que arruinaram cidades, despovoaram países e perturbaram a paz do mundo, não consistiu em saber se existe poder no mundo, nem qual a sua origem, mas quem deve detê-lo.” -- John Locke, Dois Tratados do Governo Civil

Dentre todas as questões levantadas pelos homens ao longo de séculos, Locke escolhia esta como a mais decisiva, pelo menos do ponto de vista político. Quem deve mandar? Embora a citação aqui reproduzida não o explicite, Locke teve de lidar com a outra “grande questão” correlativa à determinação do direito de governar, a saber, a que diz mais directamente respeito aos destinatários do poder político: porquê obedecer? Qual a origem do dever de obediência? Não basta dizer que se obedece ao poder coercivo do Estado enquanto agente político mais forte, pois nem sempre somos motivados a obedecer pela mera ameaça da punição. E o esforço de qualquer teoria política abrangente é sempre acompanhado pela pergunta “como pode a obediência ser legitimada?” Ou, por outras palavras, em que condições a obediência é um dever?
Hoje, há razões muito plausíveis para supor que a primeira “grande questão” foi definitivamente resolvida. A importância do papel que Locke desempenhou na história da formação deste nosso consenso é inegável.
Mas a resposta à segunda “grande questão” não é tão evidente. O governo constitucional e representativo vive, ou tem de viver, com esta relativa indefinição. Os homens preparados para a cidadania da liberdade são aqueles que ajuízam prudentemente as ocasiões em que a obediência política já não é mais um dever. Não há governo liberal sem a concessão de um direito (mais ou menos residual) à revolução ou, como se diria mais tarde, à desobediência civil. Considerando tal consequência, Locke insistia que é preciso que as autoridades políticas governem bem; contudo, não se esquecia que é igualmente necessário que os cidadãos sejam racionais e responsáveis.
publicado por Miguel Morgado às 00:24 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Sexta-feira, 24.11.06

É feio, não é bonito...

... as acusações que trocam hoje nas páginas do Público António Mega Ferreira, presidente do CCB, e René Martin, ex-director artístico da ex-Festa da Música.
Tinha que acabar assim?
Nenhum deles podia ter dito ao jornal as duas palavrinhas mágicas "não comento"?
publicado por Pedro Picoito às 23:51 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Vinicius

Vi o filme do Vinicius uma noite, entre amigos, com vinho e queijos a acompanhar. Boa música, melhor fotografia, no ritmo certo, como as palavras do poeta vagabundo. Uma imersão na moderna cultura brasileira, doce, melancólica e decadente, alegremente decadente. Um retrato de uma vida intensa, vagabunda, nem sempre feliz, do grande poeta e músico Vinicius de Moraes. Um belo filme que nos deixa tocados pela beleza. E o que resta?

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio (...)
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil. (…)
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje. (…)
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes, "Poesia completa e prosa: "Poesias coligidas"
publicado por Paulo Marcelo às 16:43 | comentar | partilhar

The writing on the wall

Alexander Litvinenko, ex-agente do FSB (o “sucessor institucional” do KGB) e opositor do actual regime russo, morreu durante a noite, depois de prolongada agonia. Teve o mesmo fim que a jornalista Anna Politkovskaya, abatida a tiro no elevador do seu prédio em Moscovo, há algumas semanas. O governo russo nega qualquer responsabilidade na morte do ex-agente (que outra coisa fazer: admitir abertamente a sua eliminação, em solo britânico?). O cristão e ministro libanês Pierre Gemayel, presumivelmente assassinado pelo Hezbollah, foi ontem a enterrar, no Líbano. São apenas os nomes mais recentes a juntar a uma longa e crescente lista de vítimas, como Paul Klebnikov, editor da versão russa da revista Forbes, ou o ex-primeiro ministro libanês, Rafik Hariri.

As motivações políticas por detrás destas mortes “inexplicáveis” e assassinatos são perceptíveis. Os endereços dos remetentes estão perfeitamente identificados: Moscovo, Teerão e Damasco (a ordem não é arbitrária). Mas a mensagem parece ainda não ser suficientemente clara para a generalidade do Ocidente, esse espaço político meta-geográfico que une em duplo arco a Europa ao continente americano e à Oceânia de língua inglesa.

Os adversários e inimigos do Ocidente são (também) outras culturas, não redutíveis e até talvez incompatíveis com uma base civilizacional de aspiração universal. As linguagens políticas são outras e o discurso político ocidental é traduzido para essas linguagens. Por isso, convinha que governantes e comentadores políticos percebessem, quanto antes, esta “tradução” elementar: cada vez que mencionam a necessidade de “realismo”, Putin, Ahmadinejad, Assad & Co. traduzem para “fraqueza e falta de coragem”.

Os alinhamentos geopolíticos estão a mudar rapidamente e aproximamo-nos de um ponto extremamente perigoso em termos de segurança internacional. Podemos persistir na negação das evidências. Podemos continuar a assumir um geocentrismo político ocidental que já não existe. Podemos insistir em mencionar a “diversidade cultural” como elemento estético, ignorando o imperativo político de conhecer adversários e inimigos. Mas acabaremos por ser confrontados com uma realidade, no mínimo, extremamente desagradável.

A incompetência política do governo israelita e a pressão de facções políticas europeias impediram a obtenção de uma vitória decisiva sobre os terroristas do Hezbollah. Militarmente debilitados mas politicamente vencedores e “escudados” pela força de interposição internacional, aceleram a reconstrução das infra-estruturas danificadas e recomeçaram o processo de eliminação selectiva dos principais adversários políticos à revolução islâmica em curso no Líbano. Como resultado, será difícil evitar um novo confronto militar com Israel.

O governo iraquiano, uma manta de retalhos instável e duvidosa, impede as forças militares americanas de eliminarem os principais responsáveis pela insurreição, o que há muito deveriam ter feito (esse sim, um verdadeiro erro de palmatória em qualquer estratégia realista de pacificação do Iraque). Os Democratas americanos mencionam a necessidade de “recolocação” das forças militares. As milícias shiitas Madhi e demais bandos de assassinos que espalham a morte pelo Iraque ouvem e traduzem para “retirada e impunidade”. Os resultados são evidentes.

Tony Blair sugere tomar chá com os Persas, para conversar sobre o Médio Oriente e a vida em geral. A teocracia iraniana ouve, traduz para “fraqueza”, acelera o programa de armamento nuclear e redobra os esforços de controlo estratégico da Al Qaeda — a principal rede de jihadismo que ainda não controla. O resultado é imprevisível e demasiadamente perigoso para ser tolerado. Eis algumas observações e advertências (destaques meus):
A diplomacy that excludes adversaries is clearly a contradiction in terms. But the argument on behalf of negotiating too often focuses on the opening of talks rather than their substance. The argument has become widespread that Iran (and Syria) should be drawn into a negotiating process, hopefully to bring about a change of their attitudes, as happened, for example, in the opening to China a generation ago. (…) But if, at the end of such a diplomacy, stands an Iranian nuclear capability and a political vacuum being filled by Iran, the impact on order in the Middle East will be catastrophic.

(…)

The self-confident Iranian leaders may facilitate a local American retreat in Iraq, but only for the purpose of turning it into a long-term rout. The argument that Iran has an interest in negotiating over Iraq to avoid chaos along its borders is valid only as long as the United States retains a capacity to help control the chaos.

There are only two incentives for Iran to negotiate: the emergence of a regional structure that makes imperialist policies unattractive, or the concern that, if matters are pushed too far, America might yet strike.
O título não podia ser mais claro: os Persas desprezam a fraqueza. O autor? Henry Kissinger, que, como se sabe, é um perigoso “idealista”. The writing is on the wall, escrito com o “sangue dos outros”. Por enquanto.
publicado por Joana Alarcão às 11:21 | comentar | ver comentários (21) | partilhar
Quinta-feira, 23.11.06

Não é a resposta ao Hugo (mas podia ser)


O que é que distingue o Cristianismo de uma ONG bem intencionada, no melhor dos casos, ou de uma internacional da repressão, no pior?
A consciência do pecado e do perdão. A certeza de que o Homem cai e de que Deus o reergue (ou redime, para usar o termo teológico exacto).
O resto são flores. Belas flores, sem dúvida, mas flores.
publicado por Pedro Picoito às 23:48 | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Da série "Os Outros"

As "pérolas santanistas" desenterradas pelo Paulo Pinto Mascarenhas no sempre estimável blogue da Atlântico.
publicado por Pedro Picoito às 23:41 | comentar | partilhar

Vintage

«His wits were sharp, his perceptions acute, his arguments strong, his reasoning powers clear, coherent and terrifyingly quick. You tangled with him at your peril. And you left not necessarily convinced, but well aware of the weak points in your own argument.

Gen. William Westmoreland, testifying before President Nixon's Commission on an All-Volunteer [Military] Force, denounced the idea of phasing out the draft and putting only volunteers in uniform, saying that he did not want to command "an army of mercenaries."

Friedman, a member of the 15-person commission, interrupted him. "General," Friedman asked, "would you rather command an army of slaves?"

Westmoreland got angry: "I don't like to hear our patriotic draftees referred to as slaves."

And Friedman got rolling: "I don't like to hear our patriotic volunteers referred to as mercenaries." And he did not stop: " If they are mercenaries, then I, sir, am a mercenary professor, and you, sir, are a mercenary general. We are served by mercenary physicians, we use a mercenary lawyer, and we get our meat from a mercenary butcher."

As George Shultz liked to say: "Everybody loves to argue with Milton, particularly when he isn't there." »

No texto A man who hated government, por Brad DeLong
publicado por Manuel Pinheiro às 21:24 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Passado Imaginário

No Futuro Presente , António Marques Bessa argumenta, entre outras coisas, que:

1. " Friedman (...) voltou a reabilitar a linha de Bhöm-Bawerk"

2. "chegando quase a aproximar-se da economia sem números de Ludwig von Mises"

3. "Com (...) Nobel da Economia ao austríaco Friedrich A. Hayek, premiava-se um chefe de fila da escola de Viena, e indicava-se que o caminho era a desintervenção, a liberdade do mercado e a desregulamentação"

4. "Logo em 1975 é o próprio Friedman a conquistar o Nobel"

5. "O trabalho de Friedman foi continuado e acompanhado por Henry Hazlit, Jacques Rueff, Luís M. Hacker, Ropke, e mais uns quantos teóricos influentes."

6. "A própria escola de Chicago da "escolha pública" não pode ser desligada das suas concepções quanto ao papel da Administração na economia e a função do dinheiro na vida económica, da inflação e da poupança"

Acontece que:

1. Friedman não é de modo algum um continuador da linha de Böhm-Bawerk. O economista austríaco foi reconhecidamente pioneiro e inovador no estudo de algumas áreas, mas o debate que se seguiu acabou por afastar a maioria das suas hipóteses. Esse debate foi levado a cabo por diversos economistas, mas os mais famosos serão Irving Fisher e Frank Knight, com quem Friedman terá certamente mais afinidades.

2. Friedman não se aproximou da "economia sem número" de von Mises. É difícil encontrar, em termos económicos, pessoas metodologicamente mais opostas. O primeiro era um empirista dos quatro costados, ao contrário de Mises, cuja metodologia se baseava em apriorismos não refutáveis pela observação da realidade. Não obstante as afinidades políticas, Friedman foi um crítico desta metodologia, de muitas das suas conclusões económicas e do estilo intolerante a que objectivamente conduziam.

3. e 4. O prémio "Nobel" da Economia não é um prémio político, mas técnico. Hayek partilhou nesse ano (1974) o prémio com Gunnar Myrdal, um adversário ideológico da esquerda sueca. Afinal como é? É verdade que Friedman ganhou o prémio depois de Hayek, em 1976, mas não vejo bem qual é o ponto que Marques Bessa quer fazer com isso, até porque, mesmo nesse campeonato, o correspondente júnior do "Nobel" nos EUA, a John Bates Clark Medal, tinha sido já atribuída a Friedman em 1951.

5. Não é uma boa escolha, de todo. Os mais relevantes companheiros e/ou "continuadores" do trabalho económico de Friedman são pessoas como George Stigler, Anna Schwartz, Edmund Phelps ou Allan Meltzer.

6. Não existe a "escola de Chicago da escolha pública". Existem hipóteses subjacentes do desenvolvimento da Teoria da Escolha Pública que são mainstream economics, e como tal têm o dedo de Chicago, mas daí até conferir-lhe assim a paternidade vai uma longa distância. É verdade que James Buchanan e Gordon Tullock foram estudantes em Chicago, e o seu trabalho é prova da qualidade e diversidade dessa universidade, mas é na Virginia onde o centro de investigação está situado, e é para lá que devem ir a maioria dos créditos. E a relação desta com o pensamento de Friedman acerca da "função do dinheiro na vida económica, da inflação e da poupança" é, no mínimo, duvidosa.
publicado por Manuel Pinheiro às 14:10 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Mochos e ratos

Ao pequeno-almoço há notícias televisivas e um jornal, hábito retomado naturalmente, mesmo após ausências prolongadas. Na televisão aparece um helicóptero a sobrevoar filas compactas de automóveis, ao jeito espectacular das perseguições policiais nos EUA. O jornalista a bordo grita qualquer coisa sobre o “estado” do IC não sei quantos. A excitação do relator contrasta com a imobilidade indiferente dos figurantes acidentais. O “estado” do IC é a interminável fila dos desterrados para os subúrbios cosmopolitas — o “terceiro estado” do regime corporativo e socialista português. Tento o jornal. No caderno de Economia do Diário de Notícias, há uma peça sobre a legislação complementar à nova lei do arrendamento:
As comissões arbitrais municipais (CAM) - organismos responsáveis pelo apuramento do coeficiente de conservação dos fogos e pela arbitragem entre inquilinos e senhorios - vão sair muito caras aos municípios, que terão de pagar centenas de euros por cada reunião. É que, de acordo com a legislação publicada, a participação dos representantes das associações de senhorios, de inquilinos, das ordens de Engenheiros, de Arquitectos e de Advogados é remunerada, cabendo este encargo às próprias câmaras.
Se tivesse que escolher um candidato provável para a legislação que maiores danos causou a Portugal não teria dúvidas: a sucessão de disposições legislativas que desde os tempos de Salazar condicionam as rendas de casa. Ao longo de décadas, o condicionamento das rendas limitou as transacções no mercado de aluguer de habitação de forma arbitrária e politicamente oportunista. O valor capitalizado das perdas puras de excedente económico daí resultantes é certamente elevadíssimo (seria interessante conhecer estimativas empíricas para Portugal, se as houver). O desincentivo dinâmico à criação de nova habitação para arrendar é a principal explicação para a “terciarização” do centro das cidades e para o simultâneo crescimento brutal dos subúrbios.

Os efeitos redistributivos da arbitrariedade legal não foram menos devastadores. Aqueles que tinham as suas poupanças aplicadas em imóveis para arrendamento viram os seus rendimentos presentes e futuros congelados, e só quem tenha um profundo desconhecimento da sociedade portuguesa é que poderá supor que se tratavam principalmente de “ricos”. Em contrapartida, aos arrendatários de imóveis urbanos saiu a “sorte grande” por via legislativa: a perda de rendimento dos proprietários correspondeu a um aumento do rendimento (imputável) aos inquilinos. Os proprietários deixaram de o ser, para todos os efeitos relevantes, os inquilinos “adquiriram direitos” que os tornaram mais proprietários do que os verdadeiros e ainda receberam um generosíssimo subsídio político. Volta e meia cai mais um prédio, no fim de uma longa ruína, para ilustração das consequências.

A legislação também ajudou outros grupos sociais de nítidos pobrezinhos, designadamente empreiteiros de construção civil, consórcios imobiliários e entidades bancárias. Periodicamente — de quatro em quatro anos — os beneficiados agradecem e retribuem aos generosos benfeitores políticos. A este respeito, o estudo dos financiadores político-partidários pode revelar-se muito instrutivo.

E aqui estamos. Eu sentado, o “terceiro estado” da Nação parado na estrada para a capital do socialismo, de onde foi expulso pelo condicionamento legal, o helicóptero lá em cima e o jornal cá em baixo, a anunciar o mais recente abuso legislativo para compor este crime de lesa-pátria: umas comissões jeitosinhas, encarregues de determinar se os imóveis necessitam ou não de obras.

Há comissões por todo o lado: mochos vigilantes, que nos poupam ao fardo da responsabilidade; que estudam as leis retorcidas e se aliviam de recomendações que por má sorte as retorcem ainda mais. Depois lá estão eles, os mochos na longa noite legislativa, por feliz coincidência os únicos capazes de se orientarem na selva das leis e de nos salvarem de um triste fim.

Entre os mochos encarregues de determinar os “coeficientes de conservação” estão “representantes” das Ordens dos Arquitectos e Engenheiros. É o equilíbrio do regime socialista e corporativo. O legislador, sempre generoso com o dinheiro dos outros, entendeu remunerar “condignamente” os elementos envolvidos. Em resultado, para os maiores municípios (com mais de 100 000 habitantes), cada reunião vai custar à volta de 700 euros. Sem garantias de deliberação, evidentemente. Para (ainda maior) sossego do povo, a legislação que cria estas comissões atribui-lhes carácter “opcional”. É pois uma sugestão do legislador amigo, que se não for seguida transfere o poder decisório para a autarquia. Ou seja: desde as “comissões” até ao burocrata camarário, todos são considerados competentes para decidir sobre a propriedade privada — excepto, obviamente, o proprietário.

É necessário compreender que esta salada governamental de decretos, comissões e pareceres continuará a destruir riqueza, na tentativa de manter o controlo político sobre a sociedade e de transferir a maior parcela possível do excedente económico para os grupos de privilegiados do regime. Periodicamente, a oligarquia dirigente manifesta a sua “surpresa e preocupação” com os resultados em termos de bem estar do exercício legislativo de destruição e saque. A minha versão da “lei de bronze” das oligarquias é simples: os eleitores têm os governantes que merecem. Se os portugueses continuarem a aceitar a vida na comunidade política com a passividade do fatalismo providencial, nada mudará. E onde há abundância de ratos, haverá sempre mochos “interessados”.
publicado por Joana Alarcão às 08:31 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quarta-feira, 22.11.06

Só para Cristãos

O Cachimbo, “ocasionalmente, trata também de coisas sérias.” Então, vamos lá.
No nosso contexto moral e político, a linguagem dos direitos tornou-se o veículo discursivo de eleição para o “diálogo” entre posições morais antagónicas. O cristão tem o dever de tomar parte em certas guerras e combates, militando ao lado dos argumentos em favor do direito à vida. Contudo, há qualquer coisa na actual linguagem dos direitos (não me interessa aqui saber se a questão está nas suas raízes filosóficas ou no uso que se dá a esta linguagem na contemporaneidade) de muito pouco cristão. Falo do carácter eminentemente conflituoso em que se estruturam inúmeras vezes as disputas entre direitos e, em particular, a defesa do direito à vida e a defesa do direito à livre escolha. Duas posições absolutas confrontam-se. Uma vence a outra perde. Nestes moldes, atendento à hierarquia valorativa do cristão, não há lugar para dúvidas. Onde surge o problema?

“ ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te? E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizeste’. (Mt. 25, 37-40)

A dificuldade nesta questão é que os 'mais pequeninos' podem ser o embrião e a mulher pobre, a destituída, a indigente, a rebaixada, a aflita. O problema é que o cristão é chamado a dar resposta a ambos os ‘pequeninos’, e a batalha pelos direitos coloca-os em posições antagónicas na arena do debate público. Dir-me-ão que o confronto não é este, mas o do direito à vida do embrião contra a liberdade de escolha da mulher, sem mais. Certo. Mas a luta do cristão em torno da questão do aborto não acaba neste sem mais. Começa na resposta devida àquelas mulheres que, pelo contrário, sentem que não têm outra escolha, que o seu leque de opções é limitado. A luta pelo direito à vida não deve minar as condições de acesso a essas pessoas.

No fragor, na exaltação da guerra e do combate pelos direitos, o cristão não se pode esquecer que a resposta cristã deve centrar-se na responsabilidade da comunidade cristã pelo cuidado com “os mais pequeninos”. Alguns cristãos, que dedicam a vida a ampliar a liberdade de escolha de certas mulheres, sabem-no melhor do que aqueles que se pelam por uma boa disputa abstracta em torno de noções jurídicas, sem mais. Seja lá qual for o resultado do referendo, a luta cristã pela conjugação entre a liberdade e a vida está sempre a começar.
publicado por Joana Alarcão às 10:18 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

We`ll always have Paris

A vitória de Segoléne Royal nas primárias do PSF terá dois efeitos que merecem atenção.
Primeiro, obriga os socialistas franceses a virar ao centro, se querem mostrar unidade na corrida ao Eliseu. Tendo em conta o autismo ideológico dos seus dirigentes nos últimos anos e o seu proclamado desprezo pela terceira via, o eventual contorcionismo será digno de se ver. Estarão barões como Jospin ou Lang para aí virados? Farão campanha? Ou a ascensão de Madame Royal (hummm... isto soa pessimamente...) trará consigo o fim da geração que liderou la gauche desde Mitterrand?
A segunda pista a seguir é o contra-ataque da direita, seja qual for o candidato a opor a Segoléne (provavelmente Sarkozy). Irá inflectir um pouco mais para a linha lateral ou irá meter para dentro, por exemplo em temas quentes como a imigração e o multiculturalismo? O problema da direita gaulesa pós-Chirac assemelha-se, curiosamente, ao da esquerda pós-Blair do outro lado da Mancha: não pode parecer igual a quem está no poder porque assim não ganha votos novos, mas também não pode pode parecer demasiado diferente ou então perde os antigos.
Não se julgue que isto se passa lá longe. O desenrolar dos acontecimento terá consequências entre nós. Se eu fosse conservador ou liberal num certo país algures entre a Espanha e o Atlântico, olharia mais para Paris nos próximos tempos.
publicado por Pedro Picoito às 04:25 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Com uma costela a menos

Rapazes, não sei se já repararam, mas temos uma senhora entre nós.
Comecem a dobrar a língua e lavem as mãos antes de ir para a mesa.
E o tipo que deixou as meias na sala que vá lá buscá-las fachafavor.
publicado por Pedro Picoito às 03:24 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 21.11.06

Sabia que o Maneco, como o amigo Lula da Silva o trata, vive em Bragança?

Apesar de o assunto – eleições no Brasil – já ter passado aqui fica um registo que merece a pena ser partilhado. E, isto porque não é todos os dias que nos cruzamos com ideólogos, que defendem com unhas, dentes e neurónios convicções - sejam elas politicas, económicas ou sociais. Mas nas ruas de uma cidade qualquer –seja ela onde for ( central ou não) – encontramos seres crentes. Neste caso o encontro com o idiota ( homem de muitas ideias) deu-se em Lisboa nas vésperas da segunda volta das eleições brasileiras, que deram a vitória a Lula da Silva, um homem que perdeu um dedo a trabalhar segundo a sua história politica; e que “nos entre tantos” ganhou várias mãos e até alguns braços fora do País. Manoel de Andrade é um dos dois braços fortes de Lula no exterior ( o outro que compõe o corpo do Partido dos Trabalhadores fora do País está em Cuba) . Residente em Bragança este homem é um apaixonado, acima de tudo, pela ideologia petista e não se cansa de a defender....


Eleições no Brasil - O amigo de Lula vive em Bragança, 2006-11-02

in MENSAGEIRO DE BRAGANÇA
www.mdb.pt

Líder do Partido dos Trabalhadores em Portugal, Manoel Pereira deAndrade, o "Maneco" como o amigo Lula da Silva o trata, vive em Bragança há nove anos e afirma que esta é uma cidade central."Sinto-me integrado na Europa, estando em Bragança", diz.



"Eu sinto-me um cidadão do Mundo, estando em Bragança". É assim que Manoel Pereira de Andrade, líder em Portugal do Partido dosTrabalhadores (PT) e Professor no Instituto Politécnico de Bragança(IPB), se refere à cidade que o acolheu há nove anos.Para Andrade, Bragança é uma cidade central – tanto do ponto de vista profissional como do ponto de vista partidário. O líder do PT em Portugal, partido do recém reeleito presidente do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, afirma que é uma grande facilidade estar nesta cidade."Sinto-me confortável e com fácil acesso a Santiago de Compostela,Madrid, Barcelona", diz, tentando referir algumas das vantagens de viver nesta cidade transmontana. Andrade, líder de um partido que existe em terras lusitanas desde 1993 e que conta com cerca de 20delegações em diferentes pontos do globo (de Havana a Boston),acrescenta ainda que "estou integrado na Europa, estando em Bragança,e isto porque o partido tem uma série de actividades, por exemplo, em Espanha - na Galiza e na região de Madrid."Segundo Andrade, que vive em Portugal há 15 anos, a centralidade de vista logístico, da centralidade, eu diria que Bragança está mais próximo dos grandes centros europeus do que Lisboa e Porto. Além de estar ligada, agora, por uma via área que permite estar próximo decapitais como Paris".Para este militante do PT no exterior, a geografia é muito importante,sendo que a missão é angariar votos e divulgar as acções do governo. A valer pelos resultados das últimas eleições não existe margem para dúvidas. Lula da Silva venceu em Portugal com 52,95% dos votosválidos, contra 47,05% de Geraldo Alckmin do PSDB. Uma vitória em que"um dos principais vencedores da jornada democrática foi o povo brasileiro. Perdeu a desigualdade, perdeu a injustiça e ganhou a integração, a possibilidade de ter um desenvolvimento sustentável,justo e, sobretudo, um desenvolvimento que possa diminuir asassimetrias no Brasil", refere Andrade. De notar que só em Portugal estima-se que existam cerca de 200 mil brasileiros, sendo que apenas7619 têm credencial para votar. Uma situação que se repete no mundo:dos três milhões de brasileiros presentes no exterior, apenas 94 miltêm essa credencial.O PT surgiu oficialmente como partido político em 1980. Em 2002 elegeuo operário Lula da Silva Presidente do Brasil, com uma forte bandeirasocial, marcada pela inserção dos mais pobres, pelos movimentossociais (onde se inclui, por exemplo, o Movimento Sem Terra) edefendendo políticas socio-económicas como a Bolsa Família, a BolsaEscola e a Fome Zero, que já chega a mais de 11 milhões de famílias.Um leque de políticas que vai ao encontro do crescimento da classe média do quinto maior país do mundo (em termos de população e território) e que visa o desenvolvimento sustentável de um Brasil, que é hoje uma das estrelas emergentes da chamada globalização. Andrade, que é doutorado em Engenharia Agronómica pela UniversidadeTécnica de Lisboa – Instituto Superior de Agronomia, é actualmente docente no departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural daEscola Superior Agrária do IPB e afirma que a cidade, onde tem grandesamigos, tem "uma óptima qualidade de vida". Como factores menospositivos da cidade, onde Lula já esteve para ficar e por onde jápassaram "vários Ministros da República do Brasil", o Maneco, comoAndrade é tratado por Lula da Silva, diz, em tom de brincadeira, que"o frio e falta de cerveja bem gelada são o maior defeito".Este amigo de Lula desde 1978, que se refere ao Presidente como sendo"gente boa", é um defensor das políticas sociais petistas. Um homemque surpreende pelas suas convicções fortes, pelos seus ideaispolítico –partidários e pelas suas acções partidárias e profissionais,que o levam a andar pelos cantinhos da Europa onde existem Brasileirosem defesa de uma ideologia partidária. É caso para escrever: quemcorre por gosto, não cansa.
( por mafalda avelar para o Mensageiro de Bragança)
publicado por Joana Alarcão às 20:06 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Empreendedorismo 2.0

Até há muito pouco tempo, arriscar e fazer uma empresa em Portugal era uma aventura. Bem me lembro das reacções quando em 2000, ainda a estudar, decidimos eu e uns amigos "montar" a Netsonda. O meu pai e os meus professores mandaram-me acabar o curso, enquanto os meus coleguinhas perguntavam-me como ia ganhar dinheiro (numa alusão directa ao facto de quase todos estarem prestes a serem empregados de luxo numa consultora ou num banco). Depois, a loucura burocrática para contituir a empresa. Ui ui. O registo do nome, a marca, o "cartão", a escritura. Logo a seguir as reuniões com os potenciais clientes: a dificuldade em chegar às pessoas certas, o tempo que demoram a tomar decisões, a arrogância e aversão- em vez do apoio - à novidade...puro masoquismo.
Agora, finalmente, o tema "empreendedorismo", palavra recentemente portuguesa e cujo mérito da sua introdução no nosso léxico vai para a ANJE, está na agenda do país, para que não tenhamos todos que trabalhar para os outros. E não está só na agenda do Governo. Também câmaras municipais e "sociedade civil" (universidades, empresas e particulares) se têm empenhado nesta causa.
Compreendendo que se trata de um tema transversal, cada um tem feito o seu papel. O Estado aligeirou a burocracia, com a sua "Empresa na Hora" que funciona mesmo. Os bancos têm facilitado o financiamento para novos negócios com linhas próprias e com patrocínio de concursos de novas ideias (BES: concurso de Inovação, BPI: Prémio Start). As universidades alteram aos poucos os seus programas e introduzem cadeiras obrigatórias sobre a criação de novos negócios nos cursos e mestrados (nos MBAs então nem se fala). As câmaras estão a criar parques para facilitar a instalação de empresas e, consequentemente, de empregos (Covilhã: ParkUrbis, Cascais: DNA Cascais). E, last but not least, pessoas que no passado tiveram sucesso nas suas próprias empresas estão agora a organizar-se como Business Angels ou criando fundos de capital de risco (podia citar nomes mas não me apetece).
Como costume, acordámos tarde e a más horas para o assunto, e, também como costume, estamos a queimar rapidamente etapas.
O que falta então para que todo este movimento ganhe consistência e seja um factor de ruptura no nosso país (o tal Empreendedorismo 2.0)? três coisas, todas elas lixadas de resolver.
A primeira é que a coisa que a malta mais gosta é ver o gajo do lado a espatifar-se. A cultura indígena não premeia o risco e o fracasso ainda tem um peso decisivo.
A segunda é que aqui no rectângulo presta-se um serviço ou entrega-se um produto e recebe-se o dinheiro 3 a 6 meses depois. Resultado: empresas que estão a nascer abrem falência pouco tempo depois porque não têm tesouraria que aguente esta alarvidade.
A terceira, para mim a mais importante, é que os negócios nascem sem escala. Em Portugal qualquer mercado é pequeno, por muito boa que seja a inovação. Nascemos micro, ficamos pequenos e não somos competitivos, desde logo com os espanhóis. Estes concebem um negócio nas mesmas circunstâncias que nós, mas depois arrancam num mercado 5 ou 10 vezes maior. O mais grave é que os nossos entrepreneurs insistem em fazer business plans onde só consta o mercado nacional. Porque não sabem ir "lá para fora", o que é legítimo, mas cada vez mais inaceitável. Voltarei a este tema, para mui modestamente fazer algumas propostas.
publicado por Francisco Van Zeller às 15:58 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 20.11.06

Colombo nos Jerónimos

Amigos meus, historiadores, mandam-me emails e telefonam-me. Estão muito indignados. Parece que apareceram por aí mais uns livros a ressuscitar as tolices do “Colombo português”, que há guerras na Wikipédia por causa disto, e até que – seguramente um exagero em que me recuso a acreditar – em Cuba, no Alentejo, se ergueu uma estátua ao descobridor (sim: como filho da terra!). Queixam-se de que ainda se estavam a recompor das patetices de Gavin Menzies e do 1421: o ano em que a China descobriu o mundo, e têm agora que se haver outra vez com o Colombo alentejano...

Eu não sei que conselho dar. Três ou quatro conversas que tive com fãs do Código da Vinci chegaram para me revelar o género desta tribo. Mesmo depois de descontados os cristofóbicos e os completamente desmiolados, o que ficava não se recomenda. E, como depressa aprendi, o esforço de tentar explicar é completamente escusado: gente que mal consegue ler sem mexer os lábios não está interessada nas subtilezas do filioque. Eu acho que a ficção literária tem todo o espaço de manobra para inventar, e não pretendo que os historiadores profissionais regressem ao nobre, mas mais que dúbio, “wie es eigentlich gewesen” de Leopold von Ranke; mas se não há o cuidado de, apesar de todas as dificuldades, se tentar compreender o que se passou, e de se separar factos de conjecturas, e estas de ilusões, não tarda muito estaremos a inaugurar estátuas ao Colombo português em frente aos Jerónimos.

publicado por Joana Alarcão às 18:32 | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Aqueles de que nunca se ouve falar

Onde estão os putos de Sderot?...
publicado por Carlos Botelho às 02:46 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Preparar a retirada da Casa Branca

A Spectator do semana passada trazia uma entrevista a John Hulsman, um jovem intelectual em ascensão no Partido Republicano. "The quintessencial modern American conservative", nas palavras de Allister Heath, este académico ganhou notoriedade por ter escrito um livro em que criticava abertamente a guerra do Iraque, não pela sua condução (como tantos têm feito), mas pela própria filosofia que lhe serviu de justificação. Hulsman é duríssimo para com os neocons e a política externa de Bush. "They have gone wrong by offering us humanitarianism on steroids, as though you can impose democracy at the barrel of a gun and people will like it. As though one size fits all for the world - culture and history don`t matter at all. The traditions of conservatism go back to Edmund Burke, not to this utopian fantasy that you can make the world a Kantian paradise sometime in the near future, that you can add water and get George Washington everywhere."
A entrevista, que vale a pena ler na íntegra, mostra que há quem já esteja a preparar o pós-Bush no Partido Republicano. E que a discussão sobre a guerra será, como diz Hulsman, "the key battle in the primaries".
O que Hulsman não diz, mas supõe-se facilmente, são as vastas consequências de uma vitória do novo realismo. O Irão poderá dormir descansado em cima da bomba atómica porque nenhum Presidente americano terá a coragem de arriscar um outro Iraque nos próximos vinte anos. A tese do "fim da história" de Fukuyama, com a crença optimista no triunfo universal da democracia, ficará enterrada sob os escombros de Bagdad. Alguém há-de perguntar mesmo, um dia, se é possível exportar a democracia para países onde a sociedade civil não existe. Ou onde o Estado só existe à sombra de uma teocracia, como no Irão, de uma dinastia tirânica, como na Arábia Saudita, ou de um nacionalismo musculado, como na Turquia.
Estaremos melhor então? Não sei. A Spectator que entreviste Hulsman.
publicado por Pedro Picoito às 00:48 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 19.11.06

Fazem Vexas o obséquio de autorizar a procissão a sair do adro?

Ontem, a crónica de António Costa Pinto no DN e o artigo de Eduardo Maia da Costa no Público revelavam um pouco do nervoso miudinho que, à esquerda, começa a surgir em relação à trindade Igreja, aborto e referendo. Para já não falar na patusca exigência da patusca Associação República e Laicidade, uma espécie de café de bairro onde velhinhos maçons gritam de vez em quando "morte aos padres!" enquanto jogam à bisca, de que a primeira não se pronuncie sobre o segundo no dia do terceiro.
Bem pode o Cardeal-Patriarca alegar que o aborto não é uma questão religiosa, mas de consciência. Bem pode a Conferência Episcopal apelar aos leigos para que sejam eles a entrar na campanha.
Nada feito.
Para algumas pessoas, a única atitude aceitável dos católicos, além de darem a outra face e uns bailes de paróquia, é o silêncio.
Alguém devia explicar-lhes que os tempos do Dr. Afonso Costa já lão vão. E não deixaram saudades.
publicado por Pedro Picoito às 23:29 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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