Terça-feira, 19.12.06

Falta de vigor


A Lactogal, um potentado ibérico da indústria dos lactícinios, decidiu fazer uma campanha do seu produto estrela, o leite Vigor.
A empresa, que se considera socialmente responsável, espalhou por Lisboa uns outdoors onde orgulhosamente afirma "Leite Vigor: dura mais que alguns casamentos", pretendendo demonstrar que o produto se aguenta uma semana no frigorífico sem se estragar.
Ao contrário do Miguel Sousa Tavares, que a propósito do anúncio da TV Cabo "Tchau pai vou bazar", se indignou e exigiu a tomada de posição de algum "organismo público", eu defendo uma tomada de posição individual. Por exemplo enviando um email para info@lactogal.pt .
Em todo caso, o que leva uma empresa desta importância a embarcar em tal estupidez? Deslumbramento perante as meninas da agência publicitária que fizeram o anúncio? Tentação do humor fácil para seduzir novos "targets"? Combate ao ruído do Natal com uma frase "bombástica"?
O mais extraordinário é que, na cabeça de qualquer um de nós "consumidores", o leite está intimamente associado a momentos passados em família: no pequeno-almoço, no lanche, antes de nos deitarmos etc. Ora como uma família, na esmagadora maioria dos casos, nasce do casamento...
Por isso, esta é uma campanha no mínimo contraproducente e que uma vez mais ofende, sem nenhuma necessidade, milhões de pessoas.

Nota: as imagens deste post foram tiradas do site da Lactogal (!)
publicado por Francisco Van Zeller às 21:41 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Há que reconhecer

O PS deu o dito por não dito e fez bem.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 20:13 | comentar | partilhar

Contra a TLEBS, marchar, marchar


A nova Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário está ferida de morte, mas mais vale assinar a certidão de óbito. E já que estamos a falar de surrealismo, o quadro aqui do lado é do nosso amigo René Magritte (Les valeurs personnelles, 1952).
publicado por Paulo Marcelo às 14:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Descredibilizar o sistema político

À Assembleia de República cabe uma função fiscalizadora sobre a actuação do Governo. Ou, pelo menos, devia caber. No entanto, a Assembleia da República rege-se pela vontade da maioria parlamentar.

Ou seja, a eficácia fiscalizadora da Assembleia está seriamente comprometida, porque a maioria parlamentar não fiscaliza antes se subjuga diante do Governo. E o epísódio do Senhor ERSE é apenas mais um triste e grave exemplo da descredibilização da Assembleia e do papel dos Deputados.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 12:34 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Segunda-feira, 18.12.06

Perda de confiança

Nuno Melo é um bom parlamentar.
Não é extraordinário. Não há nada que diga, pense ou escreva que seja muito profundo, inaudito ou imprescindível. Mas mesmo assim é razoavelmente bom. Não há muitos jovens parlamentares que tenham a sua qualidade, nem no PSD nem no PS. E, por isso, era bom para o CDS ter um parlamentar assim.
Dito isto, era previsível que Nuno Melo, além de líder parlamentar, tivesse um futuro promissor e viesse a ser considerado um político de peso, com influência e o respeito, não só dos apoiantes do CDS, mas como acontece com tantos grandes políticos, do eleitorado em geral.
Sucede que tal como jogar bem não é suficiente para se ser um grande jogador, também não basta ser bom parlamentar para se ser um grande político. Um jogador que trata bem a bola e constrói jogo - mesmo sem ser genial - e não tem fair-play, simula faltas e agride o público e os árbitros, nunca será considerado um grande jogador.
Ora, Nuno Melo é um exemplo de quem não tem tido fair-play e está a desrespeitar o seu eleitorado até ao limite do admissível.
O eleitorado de direita gosta de clareza, sentido institucional, integridade e respeito pela autoridade.
Nuno Melo com a sua actuação premeditada contra Ribeiro e Castro pode conseguir fragilizar a actual Direcção do CDS, mas está-se a revelar aquilo que não lhe conhecíamos. E é nestas alturas que os políticos se revelam: grandes ou menores. E para muitas pessoas com quem tenho falado Nuno Melo está-se a revelar um político baixo, desleal e acima de tudo sem credibilidade.
O mesmo se passa com Telmo Correia, Mota Soares e Alberto Carlos Monteiro, dirão.
Mas no caso de Nuno Melo é pena: porque se perde a possibilidade de nascer um grande político que pudesse contribuir para um CDS maior.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 11:59 | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Na própria baliza

Juro que não tenho nada contra o dr. Luís Filipe Menezes. Ele é que me persegue, e não é só por eu ser sulista, elitista e liberal. Anteontem, estava a ver o telejornal para tentar perceber um pouco melhor este vasto mundo, quando o dr. Menezes me entra em casa a falar (adivinhem...) do dr. Marques Mendes (adivinharam). Ou, na sua peculiar visão das coisas, do PSD: que há manifestações de professores, e o Governo aumenta a electricidade, e isto das SCUTs, e o PSD nada diz. Para terminar com uma metáfora supostamente tão assassina como o seu sorriso irónico - "e todos sabemos que uma equipa que não marca, sofre".
O que o dr. Menezes, esse génio da estratégia, parece ignorar é que uma equipa não marca se o Nuno Gomes tiver trinta oportunidades, mas outra marca se o Drogba tiver três, ou duas, ou uma (e eu sei que é cruel recordá-lo). Por outras palavras, quando um Governo tem maioria absoluta e está para durar, a oposição não deve ir a todas, mas não pode falhar as decisivas.
Por exemplo.
Estamos a mês e meio do referendo sobre o aborto, um tema que divide o país e em que o PS se está a empenhar, nem sempre da forma mais feliz. O dr. Marques Mendes não vinculou o PSD a uma posição oficial, e acho que fez bem, mas declarou publicamente que votará "não", e acho que fez ainda melhor. Se o "não" ganhar, será uma sempre uma derrota do Governo, que se comprometeu na campanha, mas se o "sim" vencer não será uma derrota do PSD, pois Marques Mendes envolveu-se apenas a título pessoal.
Alguém sabe o que diz o dr. Menezes na questão mais quente da actualidade política nacional?
Não?
Pois.
publicado por Pedro Picoito às 02:02 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Da série "Cachimbos de Lá"

Joan Miró, Cavalo, cachimbo e flor vermelha (1920)
publicado por Pedro Picoito às 00:05 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 17.12.06

O Regresso do Cadáver

Aparentemente, as notícias da morte do projecto constitucional europeu foram muito exageradas. Pela mão de alemães, franceses, escandinavos, portugueses e outros povos amigos da paz e do progresso, o projecto constitucional – com outra designação e com outro rosto – regressará do seu coma prolongado no próximo ano, ou, na pior das hipóteses, em 2008.
Não sou dos que dizem que nunca haverá uma constituição federal na Europa. Os “negacionistas” passam um mau bocado quando tentam comprovar que no espaço europeu as dificuldades “históricas” e “culturais” são maiores do que noutros lugares onde se ensaiou com “êxito” a fórmula federalista. E pode bem acontecer que este seja um daqueles cadáveres que respiram, falam e agem mais do que muito ser vivo que por aí se arrasta.
Não consta, porém, que tenha sido superada a contradição que o dito projecto constitucional encerra. O tempo passou, mas a “Constituição europeia” ainda é demasiado federal para o que tem (e quer preservar) de nacional, e ainda é excessivamente nacional para as suas necessidades federais.
Claro que este pequeno detalhe nunca atrapalharia a copiosa retórica europeia. E, convenhamos, um momento de “profunda reflexão” sobre a situação europeia até dá um certo jeito para não ter de retomar as negociações de adesão com a Turquia.
publicado por Miguel Morgado às 23:11 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Revisionismos

Leiam com um bocadinho de atenção, se fazem favor, a colorida notícia do Expresso sobre passagem de Nuno Rogeiro pelo encontro negacionista de Teerão, aí em baixo lincada pelo camarada Botelho. Ao que parece, Rogeiro terá sido convidado pelo Governo do Irão a deslocar-se ao país numa "fact finding mission" (whatever that porra is) e, já que lá estava, terá sido também convidado a falar no tal encontro que reunia especialistas de todo o mundo com uma característica comum - todos negam ou relativizam o Holocausto. Prestes a iniciar a sua conferência, que seria contrária ao tom geral do encontro, Rogeiro ter-se-á dado conta da presença do chefe do Ku Klux Klan na sala, o que o indispôs ao ponto de decidir não discursar.
Acreditando que tudo se passou assim, a gente pasma ao ler estas coisas.
Qual é o tipo de relação que Nuno Rogeiro mantém com o Governo iraniano, relação suficientemente próxima para que ele se declare "amigo" do Irão e o dito Governo o convide a falar num acto público de pura propaganda?
Alguém sempre tão bem informado não sabia da fauna que iria encontrar num evento organizado expressamente para provar que o Holocausto foi "um mito"?
A que credibilidade ganha pelo Irão nos últimos tempos e perdida com este encontro estará ele a referir-se? À corrida do Estado persa ao armamento nuclear? Ao seu apoio ao Hezbollah? À constante ingerência no Líbano? Ou à conhecida vontade do seu Primeiro-Ministro de "riscar Israel do mapa"?
Quer-me cá parecer que não foi só a credibilidade do Irão que ficou mal em toda esta história...
publicado por Pedro Picoito às 11:10 | comentar | partilhar
Sábado, 16.12.06

Something for the weekend

publicado por Manuel Pinheiro às 20:10 | comentar | partilhar

Da série "Posta Restante"


It is strange to find my self at odds with several fellow Tatcherites. but it seems to me obvious that david Cameron`s first year as Tory leader, which falls this week, has been a success. What his critics cannot get into their heads is that opposition is completely different from government. You can`t do: you must just be. So the first thing you have to be, particularly when people have long disliked your party, is nice. I read that focus groups say that Cameron has a "kind face". Seriousminded people scoff at such things, but if voters thought he had an unkind face, the Tories would get nowhere.
Charles Moore, "The Spectator`s notes", in The Spectator, 9/12/06
publicado por Pedro Picoito às 01:35 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Sexta-feira, 15.12.06

Private joke

E por falar nisso, não sei se repararam que a última Atlântico cita este post do Manel Pinheiro na coluna de "citações da internet portuguesa" (este mês dedicada ao Iraque).
É caso para dizer que quando Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé...
publicado por Pedro Picoito às 14:50 | comentar | partilhar

Daqui, um atlântico obrigado

No blogue da Atlântico, ao qual me ligam muitas razões, o Paulo Pinto Mascarenhas teve a exagerada amabilidade de considerar-nos um dos cinco melhores blogues colectivos de 2006. Apesar da simpatia do Paulo, o facto não deixa de ser surpreendente, tendo em conta a qualidade da concorrência e o nosso escasso tempo de vida. Costumo dar uma importância relativa a semelhantes distinções porque acredito que a excelência, na blogosfera e não só, depende pouco do voto. Mas, por vir de quem vem e de onde vem, abro uma excepção: em nome de todos os acendedores do Cachimbo, obrigado.
publicado por Pedro Picoito às 14:23 | comentar | partilhar

E no Pai Natal


"Acreditem no Ministério Público, na polícia e nos tribunais."

Maria José Morgado, Procuradora-Geral adjunta, in Público, 15/12/06
publicado por Pedro Picoito às 14:18 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Fumo

Da Justiça - e no espaço de apenas três dias -, chegam-nos sinais preocupantes.
O Ministro da Justiça falou, o Procurador Geral da República disse que agiria.
Mais. O Procurador agiu. O Ministro da República falou.
Tudo pode parecer natural e razoável. Afinal de contas é só uma opinião.
Mas deve um Ministro ter opinião sobre esta ou aquela decisão na condução da investigação? Não, não deve. Não deve achar bem, aquilo que não pode achar mal. O Ministro simplesmente não deve pronunciar-se sobre aquilo que não é da sua competência. E como não é analista político, um Ministro não tem competência para ter opiniões.
Com a independência da Procuradoria não se pode brincar. E todo o fumo, é brincar com o fogo.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 13:29 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

We Didn't Start The Fire

Em tempo de leitura na Casa Branca, George Bush terá sido visto a assobiar o refrão de uma música de Billy Joel, enquanto caminhava nos corredores com certo e determinado relatório debaixo do braço:

We didnt start the fire
It was always burning
Since the worlds been turning
We didnt start the fire
No we didnt light it
But we tried to fight it

publicado por Manuel Pinheiro às 12:51 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 14.12.06

Coitadinho...

...do Nuno Rogeiro...
publicado por Carlos Botelho às 21:29 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A caminho de Damasco

Então não é que o Daniel Oliveira, afinal, quer as tropas americanas no Iraque?
publicado por Pedro Picoito às 16:57 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Um Judeu errante. Errante.

publicado por Carlos Botelho às 14:50 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Make Poverty History

publicado por Manuel Pinheiro às 14:41 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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