Domingo, 21.01.07

Ressentimento com sabedoria

"If I left Arsenal tomorrow having won the League but the club £200 million in debt, I wouldn't feel very proud."

"The difference is, I want to win the championship and make the club £50m, then I've done the right job."

"I have been educated to understand that when you have ten pounds you don't spend eleven and I've respected that all my life in both football and my private life."
Arsène Wenger, treinador do Arsenal, em entrevista ao The Sun, referindo-se ao eternamente nosso José Mourinho.
publicado por Miguel Morgado às 18:19 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

O Homem e a Massa

Segundo o Blog Herald, existem cerca de 100 milhões de blogs em todo o mundo. Há qualquer coisa de esmagador nesta ordem de grandeza, algo que reduz tudo à insignificância.
publicado por Miguel Morgado às 13:44 | comentar | partilhar
Sábado, 20.01.07

Arrependimentos e Promessas

Com o anúncio da iminente transferência de mais alguns milhões de euros provindos de Bruxelas, o País respeitável reconheceu duas "grandes certezas" ou dois "consensos importantes". Em primeiro lugar, os últimos vinte anos narraram a penosa história do "desperdício" de muitos milhões, os quais, se tivessem conhecido bom destino, poderiam ter impedido a desgraça económica contemporânea; com a lição aprendida, não se cometerá o mesmo erro duas vezes. Em segundo lugar, a impreparação dos portugueses constitui o grande defeito da Nação; logo, a "formação" é agora a "tarefa" (ou o "desígnio", ou o "desafio") nacional.

Não discuto a vacuidade das proposições. Limito-me a constatar a esperança (com "responsabilidade", evidentemente) com que a Pátria acolheu esta segunda (e, atenção, a "última", porque a Leste também há quem precise, etc., etc.) oportunidade. Depois do acto colectivo de contrição, vieram as promessas de emenda. Claro que a descoberta necessária já foi feita pela inteligência portuguesa: há que aproveitar estes novos apoios europeus para investir "a sério" na formação. Pacientemente, esperaremos pelo momento em que a inteligência lusitana perceba a contradição que esta descoberta luminosa encerra. Como alternativa, temos sempre a possibilidade de escrever o mesmo post daqui por vinte anos.
publicado por Miguel Morgado às 20:25 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 19.01.07

Publicidade institucional

No próximo dia 23, Terça-feira, o Blogue do Não lança um livro com os posts mais relevantes das suas primeiras dez semanas da vida, com apresentação de Maria do Rosário Carneiro e Francisco Sarsfield Cabral. É no Hotel Tivoli (Avenida da Liberdade, Lisboa), às 18h30, e inclui o contributo de alguns dos fumadores do Cachimbo.
Os lucros das vendas revertem para a associação Ajuda de Mãe (mas se houver algum milionário anónimo que queira financiar-nos, as propostas mais altas serão devidamente ponderadas.)
publicado por Pedro Picoito às 21:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O crepúsculo dos justos

Foi aqui mesmo ao lado, no Panthéon, ao final da tarde de ontem. Sob uma enorme ventania, os mais de 2700 Justes de France –homens e mulheres que tiveram a coragem de ajudar a sobreviver numerosos judeus perseguidos pelo regime de Vichy e pela Alemanha nazi– foram consagrados como heróis da nação francesa, ao lado de Alexandre Dumas, entre outros. Sob o som de harmonias corais de Francis Poulenc, a cerimónia foi realizada por Agnès Varda e transmitida pelos principais canais franceses.

Em Portugal, a pátria republicana, laica e socialista que não tardou em reconhecer o fado como símbolo político, atribuindo aos restos mortais de Amália Rodrigues um lugar no Panteão Nacional, ainda não concedeu a mesma distinção a Aristides de Sousa Mendes.

Mas regressemos a França: importa não subestimar o significado do acto de ontem. A França não é “só” o país onde a ocupação e o colaboracionismo determinaram a deportação de dezenas de milhares de judeus. A responsabilidade francesa é bem maior do que isso: a deportação e o massacre dos judeus franceses durante a ocupação foi conseguido com relativa facilidade porque o anti-semitismo do ocupado em nada ficava atrás do anti-semitismo do ocupante. Aliás, o estereótipo nacional-socialista do judeu como elemento desagregador da sociedade deve muito ao anti-semitismo francês, em especial a Édouard Drumont (sem o execrável La France Juive, de 1886, não teria sido possível o “Affaire Dreyfus”). A catarse do anti-semitismo é uma das linhas essenciais para se compreender a evolução do pensamento e prática política francesa no pós-guerra, mesmo nas suas evoluções perversas pós-1968. Ontem ao final da tarde, sob a nave central do Panthéon essa catarse deveria ter sido concluída: era essa a verdadeira dimensão simbólica do acto. Mas para além da oportunidade, há o oportunismo e o oportunista. O discurso de Jacques Chirac concluiu-se com esta frase espantosa:
A un moment où montent l'individualisme et la tentation des antagonismes, ce que nous devons voir, dans le miroir que nous tend le visage de chaque être humain, ce n'est pas sa différence, mais ce qu'il y a d'universel en lui.
Mencionar o “individualismo” em tom depreciativo no momento em que se evocam as vítimas dos mais tenebrosos colectivismos do séc. XX exige um enorme despudor. Mas escapa à capacidade de compreensão humana que o presidente francês una o “individualismo” à “tentação dos antagonismos”, na mesma frase –por conjunção formal e lógica. Não fosse o Panthéon estar cheio de Justos e certamente uma alma menos perfeita (como a minha) não resistiria a levantar a voz para recordar ao presidente da França que não foi a “tentação dos antagonismos” que condenou à morte milhões de inocentes por toda a Europa. O retrocesso à barbárie só foi possível pelo silêncio cúmplice de muitos “carrascos disponíveis”, na Alemanha e em boa parte do continente europeu, todos politicamente expurgados do Mal pelo exorcismo de Hitler. Chirac sabe que o impulso assassino beneficiou da tentação colectiva de apaziguamento, não do "individualismo e os antagonismos”. Chirac devia saber que ali se homenageava a coragem dos que se opuseram às consequências desumanizantes da associação entre teses raciais e um irracionalismo decadentista. Individualmente e sem receio das consequências. Chirac devia conhecer o contributo nada pequeno que algum revisionismo pós-moderno da história tem dado para conferir um carácter difuso aos massacres raciais de 1939-45: as ideias mais perigosas tendem a nascer em locais respeitáveis –como a Sorbonne, por exemplo, mesmo aqui ao lado do Panthéon. Sobre as responsabilidades intelectuais no recrudescimento do anti-semitismo, nem uma palavra.

Ontem, o vento soprava lá fora em golpes violentos. Talvez desse corpo à indignação dos que dentro do Panthéon tinham de ouvir Chirac e permanecer em silêncio. Ou talvez anunciasse tempestades.
publicado por Joana Alarcão às 17:31 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Da série " O Picoito não tem o monopólio da poesia"

Men seldom make passes
At girls who wear glasses

E é então ao abrigo deste preciosíssimo "seldom", que alguns mortais se conseguem manter dentro da verdadeira doutrina doroteana.

publicado por Manuel Pinheiro às 13:41 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quinta-feira, 18.01.07

A arte de fazer rir


“Fazer rir é muito complicado. Há pessoas que nascem com essa arte (de fazer rir), outras aprendem a técnica. Em ambos os casos não é fácil”, disse o actor João Carlos Garcia, director artístico do Chapitô, em declarações ao Cachimbo, hoje, dia Mundial do Riso.
Citando uma célebre frase, que sintetiza alguma da importância dada ao riso (“O riso leva à compreensão”), João fala de como “é bonito ver o público sair de um espectáculo de sorriso na cara”.
Desmistificando a confusão que paira entre “fazer rir” e “ser palhaço” este actor, que actualmente faz comédia, afirma que “ser palhaço é das coisas mais difíceis do mundo”. E, isto porque é necessário ter a dimensão do mundo. “ São os nossos defeitos todos vistos à lupa. É um esboço do ser humano em que cada risco é, de facto, muito sobressaído.” João, que pesquisou as “técnicas de palhaço” durante seis anos e que confessa “que nunca consegui ser palhaço”, explica que “ao fazer a personagem de palhaço o actor está a expor todos os nossos defeitos” e que “o palhaço é o espelho da nossa sociedade”.
Neste dia Mundial do Riso nunca é demais lembrar aqueles que tudo fazem para nos fazer rir. Mesmo sabendo que é difícil fazê-lo (“O drama é mais actual que o riso; as razões que nos levam a rir mudam muito depressa”).
publicado por Joana Alarcão às 18:43 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O blog da Prospect



A revista de pensamento político britânica Prospect criou um blog. Se estiver ao nível da revista a coisa promete. E vai por certo para as ligações do Cachimbo.
publicado por Paulo Marcelo às 18:37 | comentar | partilhar

Quem é Sócrates? (parte III)

Em dois anos de Governo, são pouco frequentes os temas de esquerda. Mesmo na questão do aborto, artificialmente colocada na agenda, o discurso é conformista, longe da utopia socialista de uma sociedade mais justa para todos.
Sócrates não critica o capitalismo ou a globalização, pelo contrário, sofre até de um certo deslumbramento pelos empresários (fenómeno “Pina Moura”). Que longe estão as nacionalizações ou a defesa do sector público, tão caras à esquerda tradicional. Privatizar está na ordem do dia, mesmo em empresas estratégicas como a TAP, GALP, REN, ou a PT (apoio tácito à estratégia de Belmiro). A única excepção é a colecção Berardo, mas por outras razões.
Apesar do “igualitarismo” ser caro à esquerda, o sistema fiscal português permanece na mesma. O Governo parece mais empenhado em cobrar impostos do que em redistribuir a riqueza. Veja-se o emblemático sigilo bancário, ainda intocado, apesar da promessa eleitoral de o reformar em seis meses.
Na política externa, Sócrates tem-se afastado do anti-americanismo, a mais recente das bandeiras. É interessante nunca lhe termos ouvido, enquanto Primeiro-Ministro, uma crítica a George Bush ou à guerra do Iraque.
publicado por Paulo Marcelo às 10:12 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Quarta-feira, 17.01.07

O tempo dos rapsodos

Aprovado em Conselho de Ministros: um professor único que, no 2º ciclo do Ensino Básico (5º e 6º Anos de Escolaridade) deverá leccionar várias "áreas" ou disciplinas. Um só docente ensinará Português, História e Geografia de Portugal, Matemática, Estudo do Meio (Ciências da Natureza), Expressões. Lindo.
Uma nova casta de docentes: o professor generalista [sic]. Qualquer coisa como um "professor enciclopédico", dividido por vários tomos e com muitas, muitas entradas que decerto abarcarão regiões surpreendentemente remotas do Saber. Já se adivinham as chusmas de Aristóteles e Leibnizes jorrando dos "politécnicos", "escolas superiores de educação" e "faculdades". Pois.
Salta aos olhos que esta coisa só pode levar a uma superficialização do ensino. Um professor "generalista" será, desgraçadamente, uma espécie de rapsodo. Imagina-se que alguma vez um docente destes estará igualmente (e suficientemente) à vontade em todas as matérias que vai leccionar (sendo elas tão díspares)? Será um professor de tudo (ou de muita coisa), o que redundará num professor de nada (ou de quase nada).
(Como não podia deixar de ser, os "responsáveis" arremessaram logo com uns provincianos argumentos de autoridade, remetendo para "a europa" ou "os outros países".)
Não são "os meninos" (expressão habitual de Maria de Lurdes Rodrigues) do 2º ciclo merecedores de docentes especificamente preparados?... Por terem onze, doze anos, são menos exigentes "cientificamente" e podemos nós, assim, darmo-nos ao luxo de degradar o seu ensino?...
publicado por Carlos Botelho às 01:27 | comentar | partilhar
Terça-feira, 16.01.07

Argumento um bocadinho mais original que os do costume

Em 1954, a Joanne e o Abdulfattah eram putos da faculdade quando ela engravidou. Como os tempos eram outros, esperou os 9 meses e depois deu o bébé para adopção. Tanto ela como Abdulfattah pediram apenas aos novos pais que quando o bébé crescesse fosse para a faculdade.
O bébé cresceu, inventou computadores na garagem, fez um colosso chamado Apple, fez outro colosso chamado Pixar (entre outros Toy Story e Finding Nemo), re-inventou a nossa relação com a música (iPod) e agora quer também re-inventar o telemóvel (com o iPhone, aqui). Ao contrário da vontade dos pais biológicos, o jovem não acabou o curso.
Seria esta história possível em 1973 (altura em que o aborto foi liberalizado na América)? Não. Nessa altura o que a Joanne e o Abdulfattah fariam era passar por uma clínica privada e resolver a questão. Rapidamente, porque a chatice de esperar nove meses, mais ter que dizer aos pais, mais a humilhação social...enfim, para quê tudo isso sem em meia-hora se pode voltar à normalidade?
O que seria do mundo sem Steve Jobs? Quandos Jobs perdeu a América e o mundo com os milhões de abortos que se fizeram nos últimos trinta anos?
publicado por Francisco Van Zeller às 22:28 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Parabéns a você

Senhores, serve este para lembrar que o Carlos Botelho faz anos hoje.
Pode ser que, com a vergonha de se ver assim nomeado, ele até passe a escrever mais.
publicado por Pedro Picoito às 18:23 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Admirável Mundo Novo


Diz Miguel Vale de Almeida que a aceitação do aborto é o verdadeiro teste para aferir se alguém está ou não pela igualdade de género, assim como a atitude perante o casamento gay é o verdadeiro teste da homofobia.


Tocqueville tinha razão: há igualdades que são uma ameaça tão grande à liberdade de pensamento como o velho despotismo.
publicado por Pedro Picoito às 17:23 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

The Creationists

Recebi há dias a nova, “expanded edition”, do The Creationists, de Ronald L. Numbers (Harvard UP, 2006), que é geralmente considerado o melhor estudo actual sobre o movimento anti-evolucionista, pelo menos do ponto de vista da História da Ciência. O livro cresceu bastante em relação à edição original (1992) e tem dois capítulos novos, dedicados ao “Intelligent Design (ID)” e ao surpreendente crescimento mundial do apoio às teorias criacionistas.

O que Numbers tem a dizer acerca do ID merece um comentário mais longo, que fica para uma próxima ocasião, e que agora só posso resumir. Qualquer observador sereno – seja adversário ou proponente, crítico ou defensor – reconhece que as discussões em torno do ID obrigam a uma sofisticação e um apuramento conceptual muito mais cuidado do que é costume nestes assuntos. Dizer que o ID é apenas “criacionismo disfarçado” é não perceber exactamente o que está em jogo e, por conseguinte, é não perceber a enorme atracção que o movimento tem gerado em pessoas que nunca se identificariam com teses criacionistas. Parece-me que Numbers não foi totalmente feliz na descrição que apresentou.

Muito mais interessante é o que ele diz sobre o enorme crescimento do criacionismo a nível mundial, no capítulo a que chamou “Creationism Goes Global”. Para começar, o que mais surpreende neste fenómeno é que ninguém foi capaz de o prever. Até 1980 o criacionismo era considerado (e era de facto) uma bizarria de algumas denominações protestantes americanas. Fora da América a sua expressão era incipiente e não havia qualquer razão para supor que isso se modificasse. Tudo é muito diferente hoje em dia. Embora ainda grandemente dependente dos seus apoios no Estados Unidos, o movimento criacionista tem agora uma enorme expansão mundial, com números impressionantes. Há importantes focos de crescimento no Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Na Europa, há importantes centros de criacionismo no Reino Unido e na Alemanha, mas a dianteira parece estar tomada pela Holanda, que é afectuosamente designada por alguns por “Kansas da Europa”. Nos países de Leste a coisa também cresce a ritmo acelerado. Em geral, na Europa, o criacionismo tem tido maiores dificuldades de penetração nos países de tradição católica, mas isso está a mudar. Na América Latina, como Numbers mostra, a penetração do criacionismo era quase nula até à explosão dos cultos evangélicos, na década de 90, e hoje em dia vai de vento em popa, sobretudo no Brasil. Na Ásia há já uma presença muito forte de criacionistas em vários países, sobretudo na Coreia. E, finalmente, o que parece ser o desenvolvimento mais promissor, a entrada do criacionismo no mundo islâmico, via Turquia.

Qual a explicação para este espantoso crescimento? Ronald Numbers não arrisca muito, mas sugere algumas causas, e evidentemente uma delas tem que ver com a globalização do mundo de hoje. Todavia, no caso do mundo Ocidental, tudo leva a crer que este crescimento explosivo seja sobretudo uma reacção, uma resposta aos movimentos organizados de promoção do ateísmo baseados na ciência. Como é do conhecimento geral, pelos anos 80 um conjunto de cientistas e popularizadores iniciou uma ofensiva cultural com o objectivo de divulgar a ideia de que a ciência é incompatível com a religião e que caberia aos cientistas e à “cultura científica” combater todas as crenças. A tese, como se vê, é velhíssima. O que é novo é o nível de agressividade usado pelos seus modernos promotores. Ler Richard Dawkins (que chega a sugerir que os filhos devem ser retirados aos pais para evitar que recebam educação religiosa), ou Daniel Dennet (que recomenda, entre outras doçuras, que as pessoas com concepções acerca do mundo natural diferentes das dele sejam enjauladas como animais selvagens) não é propriamente uma experiência intelectual. Mas é uma experiência de raiva e parece evidente (agora) que alguma coisa iria provocar.

O que provocou não foi exactamente o que os promotores destas investidas previam ou desejavam. Muito pelo contrário. Os livros de popularizadores como Dawkins pareceram confirmar aquilo que só uns poucos e isolados criacionistas diziam: que a ciência moderna tem o propósito real de hostilizar e tentar eliminar toda a crença religiosa e que o mundo dos crentes tem de se defender. Subitamente, os criacionistas revelavam-se proféticos... e tinham planos para o combate.

A comunidade científica, que assistiu algo incomodada ao saque da sua credibilidade feito por Dawkins e co., vê agora com espanto e desespero o resultado desses absurdos empreendimentos, e percebe que terá de reagir. Nenhum cientista de prestígio já queria andar na companhia de Dawkins ou Dennet, mas agora ainda menos porque atrás deles parece vir sempre um "young-earther".
publicado por Joana Alarcão às 16:23 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cartão de boas vindas

O Luís M. Jorge mudou-se para A Vida Breve (oxalá que não).
Com a escrita elegante de sempre, um belíssimo template e a garantia de que vou discordar de todos os posts, que mais poderia eu pedir-lhe?
publicado por Pedro Picoito às 15:18 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Publicidade Institucional

O nosso cachimbador Bruno C. Maçães dará, nos próximos dias 19, 20, 26 e 27, um seminário no IEP da Universidade Católica intitulado "What is Globalization?". Mais informações aqui.

O último artigo do Bruno no Diário Económico pode ser lido aqui. E aqui o do Paulo Marcelo. Há também um texto do Pedro Picoito no Expresso aqui.

Todo um programa, portanto.
publicado por Manuel Pinheiro às 10:43 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 15.01.07

Quem é Sócrates? (parte II)

Tudo o que disse sobre o percurso do Primeiro-Ministro tem reflexos no seu discurso político. Quando Sócrates fala, mais do que ideias encontramos “chavões”, como choque tecnológico ou paixão pela ciência. Veja-se esta frase, dita no Porto aos socialistas europeus: “a estratégia de Lisboa deve inspirar o novo reformismo europeu”. Está lá o chavão (“estratégia de Lisboa”, onde cabe tudo e mais umas botas) mas não se diz qual é o “reformismo” e porque é “novo”. Sócrates procura frases redondas, sempre com um “toque” de modernidade na pose e no conteúdo. Em vez de o enfrentar, Sócrates usa o poder mediático de forma eficaz. Mestre em marcar a agenda, com medidas estilo “power-point”, gerando a ideia de ritmo e preparação das reformas. E sempre com uma gestão rígida e centralizada da informação. (continua)
publicado por Paulo Marcelo às 15:09 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 14.01.07

Vitalino

Vitalino Canas, o porta-voz da Comissão Política do PS, proclamou na Sexta-Feira: 'Queremos fazer uma campanha [do referendo sobre o aborto] baseada em argumentos da ciência, em argumentos racionais - não uma campanha baseada em argumentos da moral, da ética, do que quer que seja [sic]! Argumentos relacionados com a razão, com a ciência.'
Coitado.
Convinha que alguém lhe explicasse, racionalmente, que nenhuma das pessoas sérias que defendem o 'sim' ou o 'não' nesta campanha o faz por motivos "científicos" ou "racionais". E ninguém vai escolher 'sim' ou 'não' pela "razão" ou pela "ciência". Pelo simples motivo de que nem a "ciência" nem a "razão" fornecem qualquer argumento decisivo para qualquer dos lados.
Não há nenhum argumento científico que possa ser usado como critério para demarcar uma opção errada de uma opção acertada nesta questão. E não há também nenhum argumento "racional" para decidir entre as duas alternativas.
Acontece que o que move (e justamente) as pessoas envolvidas na campanha é precisamente aquilo que o pobre Vitalino Canas arreda com enfado: 'a moral, a ética, o que quer que seja', como ele, profundamente, diz.
Se o que estivesse aqui em causa fosse "científico" ou "racional", nem sequer haveria discussão. O que está aqui em causa é bem mais importante do que aquilo que o desditoso porta-voz parece considerar ser "racional" ou "científico". O que faz com que alguém veja como justo ou injusto praticar um aborto em determinadas condições são precisamente considerações de ordem ética. Ninguém que diga 'sim', aqui, tem uma posição menos ou mais científica do que quem diga 'não'. Porque não é disso que se trata.

(Em rigor, o próprio dr. Canas nem sequer conseguiria pôr, todas as manhãs, os pés fora da cama, se se regesse por critérios exclusivamente "racionais".)
publicado por Carlos Botelho às 20:31 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

'The jihad now is against the Shias, not the Americans'

O Guardian descreve a situação actual no Iraque numa reportagem com aparente acesso a círculos da insurgência. Se esta descrição corresponder à realidade, então as perspectivas são muito positivas. A influência externa no Iraque parece ter desmoronado. Mas convém desconfiar.
publicado por Bruno Verdial Maçães às 00:26 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 12.01.07

Quem é José Sócrates? (parte I)

Na campanha para as legislativas o candidato Sócrates não precisou de falar muito. As ideias e projecto político eram secundários, bastava-lhe capitalizar a enorme vontade de mudança do eleitorado. Hoje, com dois anos de Governo, já é possível saber mais sobre quem é e o que pensa o Primeiro-Ministro.
A primeira nota é o pragmatismo. Não se encontram grandes convicções ideológicas ou um pensamento político estruturado no eng. Sócrates. Não foi marcado pela revolução de Abril, não foi marxista na juventude, ou especialmente influenciado por correntes políticas ou filosóficas. Nem sequer se lhe conhece uma experiência religiosa ou de acção social relevantes, ao contrário de Guterres, o seu modelo político. Estes factos são importantes para perceber o estilo “Sócrates”. Por exemplo, quando o Primeiro-Ministro fala em reduzir o défice não é por ideologia (não é um liberal disfarçado) mas por necessidade. Isso reflecte-se na praxis do Governo: ninguém pretende reformar o estado social, a escola pública ou o SNS, mas apenas corrigir o necessário para manter o estado das coisas. Isso ficou bem claro na reforma da Segurança Social. Mesmo no combate à burocracia, área forte do Governo, há sobretudo uma preocupação de eficácia. (continua)
publicado por Paulo Marcelo às 18:45 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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