Terça-feira, 03.07.07

É a convicção, estúpido

Teve ontem lugar mais um almoço do Caldas. Mais um não, este foi o primeiro promovido por Paulo Portas (afinal Ribeiro e Castro tinha boas ideias, boas iniciativas e boas concretizações. Portas quer manter, apesar de não conseguir manter o ritmo, pois parece que passarão a ser quinzenais).
O tema escolhido foi «os cuidados paliativos» com Isabel Galriça Neto como principal convidada. Foi uma boa entrada.
Embora... - que maçada! - fico sempre com a sensação que o PP quando quer prestígio e votos vem comer à mão do tal CDS que, em Congresso, representa uma força a abater. É ver Telmo Correia entusiasmado a pedir mais infantários, mais pontos de apoio para a Vida - gravidezes em risco - e, claro, combate sem tréguas às salas de chuto.
Eu concordo com tudo, mas, não sei porquê não acredito neles.
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 09:38 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Segunda-feira, 02.07.07

Os Loucos Anos 80 (3)

Peça de calçado indispensável para uma criança do Portugal dos anos 80. Verdadeiramente universal, pois servia ricos e pobres, meninos e meninas, grandes e pequenos. O seu extremo desconforto era negado três vezes por dia. Os pés é que pagavam. O olfacto também.
publicado por Miguel Morgado às 23:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Os Loucos Anos 80 (2)

É verdade que a banda nasceu muito no início dos anos 70. Contudo, foi nos anos 80 que se tornou parte da vida de muitos milhões de pessoas. Posso dizer que nunca fui grande admirador. Mas quem mais se pode gabar de ter dado dois hinos ao mundo e a que espontaneamente se associam momentos de glória?
publicado por Miguel Morgado às 23:15 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Os Loucos Anos 80 (1)

Uma telenovela americana e rasca tinha este personagem como grande vilão. O sorriso sempre igual com que encerrava os episódios tornaram-se mundialmente famosos. Piroso? Talvez. Mas o homem tinha sentido de humor. Foi ele quem disse: "my definition of a redundancy is an air-bag in a politician's car".
publicado por Miguel Morgado às 23:02 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sobre o Projecto Constitucional... perdão, Institucional... perdão, o não sei quê Europeu

"(...) isto vai acabar mal, porque está a ser mal feito, está a a ser feito com má fé, está a ser feito com dolo, está a ser feito para nos convencer que o gato é a lebre. Eu ainda sou da escola que acha que o gato não é uma lebre e não conto aderir à União Nacional."
publicado por Miguel Morgado às 22:55 | comentar | partilhar

É impressão minha....

... ou a boçalidade com que Joe Berardo se tem referido a Mega Ferreira já justificava uma palavrinha da Ministra da Cultura?
publicado por Pedro Picoito às 16:23 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Victrola Favorites




Com dedicatória para os autores do A Arte da Fuga, que celebra hoje três anos de actividade.
publicado por Joana Alarcão às 13:58 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Está decidido

Não vou votar no Zé. Não confio em bloquistas de gravata.
publicado por Pedro Picoito às 13:20 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Da Série "Grandes Dúvidas"

Por que será que todos os dias cresce o fascínio pela década de 80, mesmo entre aqueles que a não viveram?
publicado por Miguel Morgado às 12:18 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Não sou Conservador (3 - segunda ilustração)

A segunda ilustração descreve um caso real de sedentarismo conservador no interior de uma comunidade que se entende como peregrina: a Igreja Católica.
Recuo umas décadas para descrever o entendimento de liberdade religiosa veiculado na Igreja anterior ao Vaticano II. Tratava-se de um entendimento amplamente difundido e de forma resumida estruturava-se do seguinte modo.

Através de uma abordagem abstracta, partia de um axioma que deveria funcionar como um princípio jurídico supremo, regulador da ordem constitucional e da acção do Estado: «só a verdade tem direitos públicos, o erro não». Adicionava uma divisão tríplice da consciência em relação à verdade: consciência determinada exclusivamente por móbeis subjectivos (conscientia exlex); consciência formada de acordo com normas superiores verdadeiras (conscientia vera); consciência formada de acordo com normas superiores não-verdadeiras (conscientia recta sed non vera).
A primeira não tem quaisquer direitos; a segunda (a católica) deve possuir integralmente a liberdade religiosa; a terceira merece respeito, reverência e não deve ser obrigada a abandonar as suas convicções no domínio privado. Porém, porque o erro não tem direitos públicos, esta última não tem direito a manifestar publicamente as suas crenças, a publicitá-las, propagá-las ou disseminá-las.
Sem nunca poderem interferir com a consciência pessoal, os poderes públicos não devem autorizar a existência pública do erro, apenas tolerá-lo. Em que situações?

Para responder a esta questão, aplicava-se o binómio clássico tese/hipótese. Tese: o Estado está submetido à lei natural e à lei divina positiva pela qual a Igreja foi estabelecida; uma religião que por lei divina não tem direito a existir, também não pode existir por direito humano. Seguem-se dois raciocínios e duas conclusões: já que o catolicismo é a única religião verdadeira, ela deve ser a única religião do Estado, a única a poder ter existência e acção pública. Por outro lado, todas as religiões falsas devem ser eliminadas. A tese defende assim a instituição legal da intolerância como corolário lógico e jurídico da instituição legal do catolicismo, é a situação ideal (de princípio) acerca das relações entre Igreja e Estado.
A hipótese (ou concessões que podem ser adoptadas tendo em conta as circunstâncias) contempla o caso de sociedades não católicas, onde vigora o pluralismo religioso, onde os católicos estão em minoria ou onde o catolicismo não penetrou na consciência nacional. Aqui a Igreja abdica da sua instituição legal. Nestes casos, a aplicação da tese poderia causar grandes males (atentar contra a a paz pública). Daí que, sem aprovar a situação de facto, a Igreja defende per accidens a tolerância legal de outras religiões.
Conclusão: a Igreja prescreve a intolerância pública sempre que possível e permite a tolerância pública sempre que necessário.

Frio, lógico e brutal, não? Como é que funciona?
Toda a estrutura argumentativa nutre-se de premissas abstractas que são transformadas em proposições e axiomas indisputáveis. O trabalho ulterior avança através de uma dedução estrita que aplica, a casos distintos, princípios a-historicamente recuperados. Recuperados de onde? Daquilo que, nesta questão, o conservador entendia como (a sua) tradição: o axioma medieval «extra ecclesiam nullum ius»; a reprodução da doutrina dos «dois gládios», em que o temporal deve estar à disposição da Igreja para sua protecção e aniquilação da heresia (tese) e a reprodução da doutrina medieval da tolerância para com os judeus e pagãos (hipótese).
Portanto, não é só a mudança que é entendida de forma peculiar pelo conservador. Também a tradição é entendida de forma muito particular. O resto? Descontextualização, cristalização e aplicação dedutiva de verdades auto-evidentes. Também por cá: “We hold these truths to be self-evident…” Muito bem. Mas quem somos nós? Esta deverá ser a primeira questão a colocar.
publicado por Joana Alarcão às 10:12 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Domingo, 01.07.07

Um email que circula...

Um email que circula e que é uma chamada de atenção para nos acordar da nossa habitual complacência.
E porque convém não esquecer certas coisas.
E porque vem a propósito tendo em conta o que quase aconteceu anteontem em Londres.
Muito a propósito.


Hoje [27 de Junho], o New York Times publica a análise de um documentário chamado Hot House filmado no interior de prisões israelitas e que examina as vidas de presos palestinianos. Não estamos a publicitar o documentário ou a análise. O que queremos é partilhar os nossos sentimentos consigo a respeito do radiante rosto feminino que adorna o artigo. Pode vê-lo aqui.

O documentário é produzido pelo HBO. Presume-se, portanto, que foi a secção de publicidade do HBO a responsável por criar e distribuir uma foto sedutora de uma jovem mulher nos seus vinte anos, sorridente e visivelmente satisfeita, para promover o documentário.

Aquela mulher é a assassina da nossa filha. Foi condenada a dezasseis penas perpétuas ou 320 anos que cumpre numa prisão israelita. Quinze pessoas foram mortas e mais de uma centena feridas e estropiadas pelos actos desta atraente pessoa e seus associados. Trata-se disto.

Tudo indica que nem o New York Times nem o HBO estão dispostos a dar um momento de atenção às vítimas dos bárbaros que destruiram o restaurante Sbarro em Jerusalém e as vidas de tantas vítimas. Ficaríamos, assim, agradecidos, se transmitisse este link para algumas fotos da nossa filha – chamava-se Malki. Ela não conseguiu chegar aos vinte anos – o Hamas evitou-o.

Ainda que não tivesse mais de quinze anos quando a vida lhe foi tirada a ela e a nós, achamos que Malki era uma mulher linda que vivia uma vida linda. Pedimos a sua ajuda para que outras pessoas – bem menos do que as que verão o New York Times, claro – possam saber dela. Por favor, peça aos seus amigos que olhem para as fotografias – algumas das poucas com que ficámos – da nossa filha assassinada. Estão em http://www.kerenmalki.org/photo.htm

E recorde-lhes o que a mulher da prisão israelita –a mulher sorrindo feliz no New York Times – disse no ano passado. “Não lamento o que fiz. Libertar-nos-emos da ocupação e então sairei da prisão.”

Com tantas vozes exigindo que Israel liberte os seus presos terroristas, não admira que ela sorria.

Saudações de Jerusalém,
Frimet e Arnold Roth
Em nome de Keren Malki.


[A tradução é minha.]
publicado por Carlos Botelho às 16:32 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O Proteccionismo e a História Económica

Nos últimos tempos, um dos mais notáveis desenvolvimentos no debate sobre a globalização tem sido o ressurgimento dos argumentos favoráveis ao proteccionismo. Ou, pelo menos, da contestação aos princípios gerais do comércio livre. Não me refiro à selvajaria dos chamados "movimentos anti-globalização", que preferem o banditismo ao debate racional. Falo de gente sofisticada e da opinião pública de países que mais conscientemente abraçaram - não sem tropeções, é certo - a teoria e a prática do comércio livre, como os EUA, por exemplo.

O debate é complexo e já dura há pelo menos 250 anos. E não devemos estranhar a popularidade ciclicamente alternada de ambas as posições. Desde o século XVIII que ora o proteccionismo, ora o comércio livre, têm-se revezado no coração dos homens com o passar das épocas. Por vezes, List vence o braço-de-ferro com Ricardo; outras vezes é o contrário. No entanto, a oscilação não é cega. É sempre condicionada pela política, pelas teorias emergentes, enfim pelo espírito dos tempos. Hoje, crescem de tom as vozes que avisam que os princípios do comércio livre são simplificações perigosas da realidade. Um bom exemplo é este artigo do coreano Ha-Joon Chang.

Um dos vários problemas que quase sempre viciam os depoimentos em defesa da redescoberta dos argumentos proteccionistas consiste no uso muitíssimo duvidoso dos "exemplos históricos" invocados como prova das falácias da "vantagem comparativa" e outros princípios semelhantes. Quase sempre assistimos a usos medíocres da histórica económica, que, pasme-se, simplificam para explicar. É que é muito mais difícil do que se pensa comprovar historicamente as virtudes do proteccionismo.

Ha-Joon Chang recorda a história económica da América Latina do pós-guerra para denunciar a ineficácia da adesão aos lemas mais corriqueiros da "era da globalização". E é verdade que os resultados económicos nessa região do mundo durante as décadas de 1990 e 2000 têm sido decepcionantes. Mas dizer que a conversão da América Latina aos princípios da economia livre começa nos anos de 1980 é ser pouco rigoroso. A crise financeira do início dessa década não conduziu a grandes reformulações de política económica. Por outro lado, já não é possível falar da América Latina dos anos 80 em diante e omitir o fulgurante caso do Chile, sem incorrer na suspeita de selecção conveniente dos factos. Recuar um pouco mais e pensar no caso da Argentina ao longo de todo o século XX também poderia fornecer dados interessantes. Bem sei que a Grande Depressão e a II Guerra Mundial mudaram o mundo que fizera da Argentina um dos países mais prósperos de então. Mas Péron e o Peronismo que lhe sucedeu não são propriamente ilustrativos da abertura económica das nações.

Porém, Ha-Joon Chang espalha-se ao comprido quando menciona o exemplo africano. Parece que o problema começou na década de 80 (já que as décadas anteriores assistiram a um crescimento lento mas constante) e prolongou-se até aos nossos dias. E que uma das causas principais coincide, diz o autor, com o facto de "a maioria das economias africanas ter sido praticamente gerida pelo FMI e pelo Banco Mundial no último quartel de século". A conclusão aparentemente é simples: as economias africanas estão excessivamente abertas ao comércio internacional, e os resultados são catastróficos. É curioso que se não mencione o facto banal de, na passagem do período de relativa prosperidade para a desgraça contemporânea, ter ocorrido uma descolonização geral do continente, e que a descolonização foi defendida, entre outras razões, por que significaria o fim da espoliação das riquezas indígenas para benefício do "mercado internacional".

O apelo dos críticos do comércio livre ao exame das "lições históricas" tem como propósito lançar luz sobre o debate em curso. Luzes destas ofuscam mais do que iluminam.
publicado por Miguel Morgado às 15:17 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cinema Americano

Imito o Pedro Correia, do Corta-Fitas, e também acrescento os filmes que gostaria de ver incluídos na lista dos 100 melhores elaborada pelo Daily Telegraph. Tenho de começar por uma falha imperdoável, a ausência de How Green was my Valley. Não há justificação para deixar de fora este monumento cinematográfico. Depois, dois westerns: Two Rode Together e (como não existe cinema americano sem John Wayne) The Man Who Shot Liberty Valance. Se é inevitável premiar um Woody Allen, então escolho não Annie Hall, nem A Rosa Púrpura do Cairo, nem sequer Hannah e suas Irmãs, mas Uma Outra Mulher. E porque o Bogey Man também tem de estar presente, reclamo a inclusão de The Big Sleep, do grande Howard Hawks.
Mas conforto-me quando vejo no Top 100 uma fraqueza de juventude, O Caçador (53º lugar), que pode não ser uma obra-prima, mas contém várias obras-primas nos desempenhos de Robert de Niro, Meryl Streep, Christopher Walken, John Cazale e John Savage. E, claro, o eterno Blade Runner (97º lugar).
publicado por Miguel Morgado às 13:19 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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