Terça-feira, 23.10.07

Da série "Melões de cá"

George Barbier, "Rugby", in La Gazette du Bon Ton (1914 )

publicado por Pedro Picoito às 17:11 | comentar | partilhar

Uma nova constituição para Portugal?

Menezes lançou o mote no final do Congresso do PSD: Portugal precisa de uma “nova constituição”. Quando ouvi esta ideia veio-me logo à cabeça uma frase bem ao estilo do novo líder do PSD: os portugueses não comem constituições. O que é verdade. Mas ultrapassado o sound-byte, o tema torna-se sério e merece reflexão.
Mudar de constituição implica uma ruptura com o sistema vigente. Rever a constituição, pelo contrário, consiste em alterar parcialmente mas sem alterar o regime fundamental. O que será que quer Menezes? Aderiu às teses de Jardim sobre o fim da III República logo agora que a coisa vai fazer um século? Pretende um sistema presidencialista quando fala de mais poderes para o chefe de Estado?

A Constituição de 1976 é muito portuguesa nas suas virtudes e defeitos. É pós-revolucionária por resultar da tensões pós-Abril, o que explica os compromissos que tem dentro de si. Não é socialista, mas também não é liberal, com uma extensa lista de direitos económicos, sociais e culturais. Não é presidencialista, sem ser totalmente parlamentar, concentrando largos poderes no primeiro-ministro. Combina a unidade do Estado com autonomia local e regionalização. É justo reconhecer, apesar de tudo, que o sistema tem funcionado, existindo um certo equilíbrio entre os poderes constituídos.

Depois de sete revisões constitucionais, a última em 2005 para permitir um referendo europeu -que tudo indica já não se vai realizar- o texto actual é muito diferente do original. Desapareceu grande parte da ganga ideológica, com excepção do Preâmbulo que fala ainda do “caminho para a sociedade socialista” e de certas partes da constituição económica.

Momentos houve em que o programa de um determinado governo se mostrou incompatível com a lei fundamental. Aconteceu com o primeiro governo maioritário de Cavaco Silva (1987), o que levou à profunda revisão constitucional de 1989, sobretudo na área económica e privatizações. Podemos hoje afirmar que existe um certo consenso constitucional entre os maiores partidos. Como interpretar então a “nova Constituição” de que fala Menezes?
(continua)
publicado por Paulo Marcelo às 15:41 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

A sorridência


Sou isto mesmo: um novato no universo dos blogs.
Não obstante, tenho passado - desde há meses para cá - alguns largos momentos a navegar pela escrita imensa, vocacionada para todos os gostos, feitios e tendências, que imensamente é descarregada, todos os dias, neste multifacetado universo.
Faço-o, visitando os blogs identificados quer à direita, quer à esquerda do nosso espectro político, sem deixar de lado aqueles que se dedicam à poesia e visitando até aqueles que se assumem mais vocacionados para frivolidades e banalidades avulsas. Tenho passeado por muitos dos que são mais referenciados nesta "nossa" comunidade.
Julgo ter, por isso, uma ideia - pelo menos inicial - do que é, para que vive, o que serve e a que se destina este mundo.
Acabo de ver os momentos finais do programa "Prós e Contras", dedicado ao tema da pobreza.
Só por impossibilidade absoluta não o vi na íntegra. Espero conseguir vê-lo em breve.
De qualquer modo, ainda fui a tempo de assistir à discussão acerca da luta contra a fome e da luta contra a pobreza. Do primeiro caso, ainda ouvi falar do Banco Alimentar. Iniciativa louvável, para a qual tenho dado o meu modesto contributo. Do segundo, ouvi dizer que estamos "no bom caminho".
Mantenho a pergunta: qual caminho?
Porque é que no nosso país, concentrado no défice, na inovação, na competitividade, no Scolari, nas escutas, nos Mc Cann, nos Congressos, nas Aparições, nas bancadas parlamentares e no centenário da república, não há um conjunto de almas que exijam que a questão da pobreza em Portugal seja tirada a limpo?
Mantenho a pergunta que já fiz: isto é coisa de líricos?
Será que, viajando pela comunidade de estridentes posts e de agradecidos coments, é suposto continuar a assistir a uma esquerda bloguística entretida à cata de deslises da Mª José Nogueira Pinto, de L F Menezes, de PS Lopes ou da Igreja Católica e à bloguística direita ocupada a bater no José Miguel Júdice, no diploma do PM, nos impostos que não baixam, nos impostos que não devem baixar (aqui varia...), no Referendo que não vai haver ou na responsabilização dos pais pelas faltas escolares dos filhos?
Tudo isto será relevante, com a relevância que lhe dará cada qual.
Acontece que voltei a dar de caras com a problemática da pobreza no meu país, agora na RTP, em prime-time.
Revisitando os mil sorrisos interiores, divididos entre quem posta e quem comenta, viajarei pelo universo imenso dos blogs nacionais, amanhã, por esta hora.
E então verei, de uma vez por todas, onde vim parar.

publicado por Joana Alarcão às 01:54 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 22.10.07

Da série "Posta restante"

"Em Portugal nunca se referendou o projecto europeu. Enquanto europeísta, lamento o facto, que dá argumentso aos eurocépticos. Pior: o receio da opinião dos cidadãos por parte dos políticos europeus leva ao presente processo de dissimulação e engano. Ou seja, os políticos ainda não perceberam o maior problema actual da construção europeia: o crescente afastamento das opiniões públicas face à integração."

Francisco Sarsfield Cabral, in Público, 22/10/07
publicado por Pedro Picoito às 22:13 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Crónicas do planeta oval (16)

E quando todos esperavam que Wilkinson voltasse a ser o D. Sebastião britânico no nevoeiro da final, foi o jovem Mathew Tait, com duas trocas de pés de se lhe tirar o chapéu de coco, quem abriu uma auto-estrada na defesa sul-africana, mais impenetrável que o Kalahari às três da tarde, e ofereceu o ensaio a Mark Cueto. Ensaio mal anulado, atrevo-me a dizer.

Foi o momento do jogo. Já li que foi um roubo e a história teria sido diferente se etc e tal, mas não exageremos. O ensaio foi mesmo à pontinha, nada nos garante que Wilkinson o convertesse (era o pior lado para o seu pé canhoto) e convém lembrar que, logo a seguir, o mesmo Wilkinson marcou uma penalidade. Ou seja, em vez de cinco pontos, os ingleses conseguiram três. Não altera muito o resultado de 15-6.

A verdade verdadinha, e sem história virtual, é que os springboks dominaram do princípio ao fim. Como aconteceu durante todo o torneio. Podem não ter deslumbrado, mas cometeram poucos erros (a arrancada de Tait foi quase o seu único lapso defensivo) e aproveitaram muito bem os erros dos outros. E sejamos sinceros - ninguém acreditava realmente na vitória dos bifes, pois não?

Vejam-se os três duelos particulares que decidiram o jogo, como aliás se previa.

O confronto dos avançados foi terrível, mas os sul-africanos foram superiores. Ganharam sete alinhamentos dos adversários (sete!), foram impiedosos no contacto (o número de baixas inglesas não é um acaso) e conseguiram-no fazendo menos faltas.

O que nos leva ao segundo duelo. Wilkinson teve duas oportunidades para usar o pontapé colocado e não as desperdiçou. Já os chutadores austrais tiveram seis: Montgomery marcou quatro, Steyn uma e ainda deu para falharem outra. Ou seja, o número 10 da rosa esteve melhor, mas o seu pack fez o triplo das faltas.
Não se pode dizer o mesmo do terceiro duelo, o que se travou entre ele e os asas springboks. Posso confessar agora, sem me acusarem de incitamento à violência, o receio de que Burger ou Smith aplicassem ao abertura-maravilha uma receita bem conhecida: a carga fora de tempo. Também o treinador inglês deve ter tido semelhante pesadelo porque poupou Wilkinson em várias jogadas, fazendo-o recuar para o lugar de Mike Catt. Coincidência ou não, Catt saiu lesionado na segunda parte... E das duas vezes que o mago Wilko, no seu lugar regimental, tentou o drop - falhou. É possível que algures, na sua cabeça de estratega, o fantasma do trio verde tenha tido algum efeito nocivo. Seja como for, o herói de há quatro anos não repetiu o feito. Também por aqui se pode ver como os sul-africanos são bons.
Muito bons, mesmo. Atacam cada bola, fazem cada placagem, conquistam cada palmo de terreno como se disso dependesse a salvação do povo boer (e talvez dependa). Ao mesmo tempo, são de uma frieza nórdica, de uma ausência de estados de alma, de uma constância no esforço que devem ter herdado de huguenotes e orangistas. Há equipas que jogam com a mesma paixão: a Nova Zelândia, a Argentina, a França, as Fiji, Gales, a Irlanda. Outras, não muitas, aproximam-se na inteligência: a Inglaterra e a Austrália. Mas nenhuma soube, durante o passado mês e meio, conciliar como eles o apocalipse e o organigrama. Se eu quisesse dar uma de Max Weber de sofá, diria que é esta mistura de intensidade africana e disciplina calvinista que faz o imperial domínio de um conjunto sem vedetas. Têm Habana, é certo, mas podem dar-se ao supremo luxo de não precisarem de Habana para vencer, ao contrário da Inglaterra wikinsondependente.
E o ábitro era irlandês. Estavam à espera de quê?
publicado por Pedro Picoito às 16:01 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

O Bush não conta

O meu amigo Duarte chamou-me a atenção para o tratamento dos jornais portugueses à recepção de Bush ao Dalai Lama na Casa Branca: grandes aplausos para o líder tibetano –com direito a setinha para cima no Público– mas ninguém se lembrou de louvar a coragem do presidente americano ao enfrentar a fúria chinesa. Bush esteve também no Capitólio para participar na cerimónia de atribuição da medalha de ouro do Congresso norte-americano ao líder tibetano. Recordo aqui, em contraste, a cobardia realpolitik do governo português. Mas o Bush não conta, claro, é dos maus.
publicado por Paulo Marcelo às 09:13 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 21.10.07

O Império Europeu (2)

Anónimo (b), é interessante o que dizes acerca de Berlim, cidade que conheço mal. Mas não vejo que contrarie o segundo ponto. O Império romano teve durante muito tempo duas "capitais". Se, como sugeres, Londres e Berlim são as duas capitais "explícitas" da Europa, seria interessante aprofundar o paralelo: duas capitais, uma "ocidental", a outra "oriental" (na Mitteleuropa).
Londres e Berlim são como dizes "instrumentos de fuga", mas não só pela língua ou pela história. A dinâmica de atracção das duas cidades obedece a imperativos mais recentes. Basta ver o caso da comunidade emigrante francesa em Londres. O ponto é que a Europa pode ter duas (ou mais) capitais sem que isso contrarie o seu "espírito" imperial. Pelo contrário, reforça-o.
O centro político-burocrático da Europa é Bruxelas. Mas só imperativos logísticos (e financeiros) desaconselham a União a relocalizar a sua capital política. Contudo, é curioso verificar que Bruxelas situa-se numa "nação" que praticamente deixou de existir enquanto unidade política e (talvez) histórica. Por assim dizer, segundo a lógica imperial não há melhor lugar onde situar a capital política do que na desenraizada Bélgica, e, no interior da Bélgica, na cidade que não pode reivindicar grandes méritos turísticos. Os milhares de funcionários europeus que trabalham e vivem em Bruxelas também sentem essa fuga à nação. É algo que também os atrai.
publicado por Miguel Morgado às 13:42 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

O Império Europeu

Se for aceite a definição de império que salienta as seguintes características:
- um Estado sem limites ou fronteiras definidas a priori segundo os critérios de etnia, geografia ou unidade histórico-cultural;
- um Estado sem uma capital pré-estabelecida, nem um centro determinado pelos critérios acima enunciados, que sejam lugares de privilégio político;
- uma unidade que se pensa e justifica a si mesma nos seus próprios termos, e não segundo uma anterioridade histórica, cultural ou política;
.
então, não há melhor candidato a ser império do que a União Europeia.
Haverá algum artigo sobre isto no novo documento constitucional?
publicado por Miguel Morgado às 00:00 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sábado, 20.10.07

Uma curiosidade antropológica

Escher, Cisnes


Quando certas pessoas dizem disparates como estes aqui, não podemos deixar de ver isso como uma... curiosidade antropológica. Como sermos surpreendidos por uma variação estranha, porventura cómica, duma espécie.
Sentimos escândalo, porque partimos sempre do princípio que certas pessoas não podem nunca dizer certas coisas. Sentimos por elas algo como uma simpatia “teórica” ou mesmo “pessoal”, ou ainda um “respeito intelectual”. E esse sentimento (não passa de um sentimento) bloqueia desde logo a possibilidade sequer de elas pensarem coisas que tomamos como impensáveis, proibidas.
Umas vezes, essas expectativas negativas (ele nunca dirá isto) não são adequadas, não fazem sentido. Por exemplo, qual é o estudante de Heidegger que não experimenta, no mínimo, um desconforto ao vir a saber da militância política do filósofo nos anos trinta? Ou quando sabemos da atitude... pouco edificante de Newton para com Hooke? Tudo se passa como se um pensador, um “génio”, não pudesse de modo nenhum ser uma criatura pessoalmente pouco recomendável ou um adepto de ideologias criminosas. Mas pode. Porque não haveria de poder?

Não é esse o caso com James Watson. Acontece que ninguém pode dizer seriamente que “os negros são menos inteligentes do que os brancos”. É o tipo de parvoíces que, apesar de tudo, se podem ouvir, apiedadamente, de algumas pessoas. Mas não de outras.
Para lá dos problemas que levantam as expressões “mais” e “menos” aplicadas à qualidade “inteligente” (não é de todo o mesmo que dizer “este pau tem mais 10 cms de comprimento do que aquele”...), há ainda a questão de, com o artigo definido “os”, se reunir (confusamente) no mesmo saco um “grupo” de seres humanos, fazendo tábua rasa de toda a incrível e inabarcável complexidade de um único humano. “Os” negros, “os” brancos.

Que sentido tem, realmente, dizer-se: “os negros são menos inteligentes do que os brancos”? Mediu-se a inteligência de todos os Negros e comparou-se com a medida da inteligência de todos os Brancos? E amostras – há-as? Pode haver? Deve haver? Uma pesquisa que procure aferir se certos humanos preferem gelado de baunilha em contraste com outro grupo de humanos que prefere gelado de morango tem a mesma qualidade ética (trata-se de decência, aqui) que uma pesquisa que procurasse determinar se os Brancos são mais ou menos inteligentes do que os Negros?

Os brancos (muito brancos) louros suecos são mais ou menos inteligentes do que os morenos italianos? Um Lapão é mais inteligente do que um Cretense? Um Minhoto é menos inteligente do que um Algarvio? E, relativamente a “os” negros e a “os” brancos, que lugar ocupam no podium “os” amarelos? E que amarelos? Os Mongóis? Os Japoneses? E onde ficam os Australóides?
Os Árabes (que Árabes?) são mais cruéis do que os “outros”? Os Judeus (que Judeus?) são mais gananciosos do que os Gentios? Os Católicos são mais risonhos do que os Baptistas?
E que dizer da força científica da prova apresentada por Watson? – quem tem um empregado negro sabe que etc.

É possível que o descobridor da estrutura do ADN padeça duma espécie de confinamento do olhar. Não é o primeiro. Não será o último. Um olhar incrivelmente atento, perspicaz, a um determinado ponto. Mas que deixa literalmente de fora outras realidades. Outras verdades.

É também surpreendente que, no nosso blog vizinho, o 31 da Armada, Rodrigo Moita de Deus tenha comentado o episódio desta maneira. Equiparar (sim, é o que ele, na verdade, faz) uma mera opinião disparatada de um cientista com o trabalho científico de Copérnico é estranho, to say the least. Não quero ser injusto, mas parece haver aí uma espécie de fúria “liberal” que à mínima crítica a uma opinião “politicamente incorrecta” de alguém, dispara de imediato com a denúncia do obscurantismo que quer sufocar as verdades incómodas, etc, etc. Será um sintoma da autêntica doença infantil do liberalismo que grassa por muitos blogs.

Acontece que, muitas vezes, uma opinião “politicamente incorrecta” é, também, incorrecta tout court.
publicado por Carlos Botelho às 19:45 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Crónicas do planeta oval (15)




A Argentina venceu ontem a França por 37-10 e ficou em terceiro lugar no Mundial de rugby. Nada a dizer. Os pumas foram superiores em toda a linha e provaram que a vitória da primeira fase não tinha sido um acaso. Bernard Laporte, o mister francês (os franceses também dizem mister?) insiste no tipo de jogo que tem dado vitórias aos outros - muito de avançados e pouco de três-quartos - , esquecendo o pormenor de que os seus avançados são piores do que os ingleses e os argentinos. E que só ganhou à Nova Zelândia porque os seus três-quartos marcaram um ensaio magnifique. Os naturais do hexágono têm esta qualidade histórico-depressiva de não aprender nada com as derrotas, mas ainda menos com as vitórias.

Ora o rugby gaulês precisa do que Sarkozy deu à direita: saber o que quer. O seu espírito está na finesse da nouvelle cuisine e não em pastelões contrários à cultura da tribo. Já ouço esta crítica desde que Jacques Fouroux, nos idos de 80, deu cabo de uma das mais notáveis linhas de três-quartos da história, pondo ao lado do fantástico Sella, e em lugar do discreto mas decisivo Charvet, um armário monotemático chamado Andrieu, célebre por tentar revolucionar o rugby jogando a primeiro centro como se fosse um pilar. Não deu resultado, claro.

Em 2007, o erro repete-se. É um sinal dos tempos que o maior símbolo da França não seja hoje um Blanco, ou mesmo um Rives, mas um troglodita de limitados recursos como Chabal. Ou que Dominici, um dos melhores pontas do mundo e um dos heróis de 99, tenha andado à deriva durante todo o torneio. Une drôle defaite, dizia-se em 1940.


E, com isto, chegámos ao big game: a final de logo à noite. Se os ingleses forem supersticiosos, começam mal. O jogo é exactamente no mesmo estádio onde, há meia dúzia de semanas, a África do Sul os humilhou por 36-0. Mas a história não vai necessariamente repetir-se porque agora têm Wilkinson.
É, aliás, à volta do "perfect number 10" que vão travar-se três dos duelos que vão decidir o duelo maior.
Um é o embate dos blocos de avançados, ambos fortíssimos. Será ganho pelo pack que cometer menos faltas, não dando ao chutador inimigo munições fatais.
Outro é a contabilidade entre os chutadores de um lado e de outro. Embora longe do seu melhor, Wilkinson parece mesmo assim melhor do que Montgomery - e pode sempre recorrer à ultima ratio regis: o seu drop vitorioso.
O último duelo, o menos visível e o mais interessante, trava-se entre Wilkinson e a terceira linha springbok, que irá carregar durante todo o jogo sobre o abertura inglês. Wilkinson vem de uma lesão e Shalk Burger e companhia não são propriamente placadores macios, como se pode ver na imagem supra (datada do tal encontro dos 36-0; a propósito, o pobre bife saiu a seguir). Mas se conseguir iludir a vigilância do temível trio, obrigando a África do Sul a sacrificar a mobilidade de que tem dado tão brilhante conta, a Inglaterra tem algumas hipóteses.
Remotas, muito remotas, mas tem.
publicado por Pedro Picoito às 10:45 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sexta-feira, 19.10.07

Vomitivo

Neste momento, contemplo, na RTP1, Esteves Martins entrevistando o primeiro-ministro.
Interroga-o numa voz quase doce, tom quase intimista...
E as perguntas parecem encomendadas, combinadas...
...

Estou mal disposto. Tenho que ir ali - já volto.
publicado por Carlos Botelho às 21:04 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

A parábola dos cegos

A cegueira continental dos burocratas que governam a Europa está resumida na frase que o Público atribui hoje a Jean-Claude Juncker, Primeiro-Ministro do Luxemburgo: "Haverá um acordo [sobre o novo tratado europeu] em Lisboa porque tem de haver um acordo em Lisboa".
Alguém me explica porque é que tem de haver um acordo?
publicado por Pedro Picoito às 15:25 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Deborah Kerr (1921-2007)

Morreu Deborah Kerr e todos se lembram do seu beijo "From Here to Eternity", em parceria com Burt Lancaster .
A Deborah Kerr de que me recordo é outra: é a superiora do improvável convento perdido nos Himalaias de "Black Narcissus", lutando pela conversão dos bárbaros enquanto o mundo à sua volta se desmorona.
O melhor retrato de um conservador, talvez.
publicado por Pedro Picoito às 15:08 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

A mulher de César e tal

A propósito deste post, um comentador critica a "leviandade" com que acuso alguém de dívidas fiscais.

Vamos lá a ver. Sendo certo que todos temos direito à presunção de inocência, também é certo que não acusei ninguém de nada: limitei-me a repetir que houve uma penhora, aliás confirmada pelo próprio, alegadamente por dívidas fiscais.

Mas a questão não é essa - é a imagem do PSD. Parece-me falta de bom senso atribuir o cargo de vice-presidente da bancada parlamentar a uma pessoa que está sob esta suspeita concreta. Que autoridade terá o PSD para dizer que não se devem baixar os impostos, se ninguém acreditar que os seus deputados os pagam?
publicado por Pedro Picoito às 14:30 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quinta-feira, 18.10.07

Os Despojos da Aliança

Assim se chama o livro que o Pedro Aires Oliveira escreveu sobre a Inglaterra e a questão colonial portuguesa, e a Tinta da China teve o bom gosto de publicar. Será apresentado por Medeiros Ferreira amanhã, às 18 horas, na Casa Fernando Pessoa.
Segundo creio, trata-se da Tese de Doutoramento que este antigo barnabé defendeu recentemente. Sou amigo do Pedro há quase vinte anos (como o tempo passa...) e, portanto, suspeito. Mas garanto-vos que vale a pena espreitar.
publicado por Pedro Picoito às 19:26 | comentar | partilhar

Da série "A concorrência faz melhor"

Por distracção, quase me esquecia de assinalar este post-artigo de Rui Ramos sobre o 5 de Outubro.
Está lá tudo, é só ler.
publicado por Pedro Picoito às 19:20 | comentar | partilhar

Memória de Adriano

Já sei que o camarada Van Zeller e os direitistas de passagem me vão bater, mas paciência: gosto muito do Adriano Correia de Oliveira. E houve um tempo em que ainda gostava mais, o tempo em que toda a gente ouvia Pink Floyd, Dire Straits e - nos casos perdidos - Mike Oldfield, enquanto eu dedicava tardes inteiras ao Adriano, ao Zeca e ao Vitorino. Uma adolecência rebelde, como vêem.
Quando, no Natal e no Verão, se reuniam as metades conservadora e revolucionária da família, falávamos de música. Uma das minhas tias tinha sido do GAC e amiga do Zé Mário Branco. Um outro tio fundara a UDP em Portalegre e guardava com desvelo os discos do Giacometti, verdadeiros mitos em sacos de serapilheira. A minha avó pertencera à Acção Católica e colaborara com o Almirante Tenreiro na assistência aos pescadores algarvios. O meu pai, depois de trabalhar com Menéres Pimentel no Ministério da Justiça, chegara à Direcção da PJ a tempo de engavetar os FPs.
À mesa de família, a política era um tema tabu.
Falar de música era um acto de duplo amor: à arte e aos outros.
Além de que, um quarto de século depois, nenhum de nós tem de se envergonhar de pretéritos afectos ao Oldfield e companhia.
publicado por Pedro Picoito às 19:18 | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Orfeu ao pequeno-almoço


Para os meus filhos, o iogurte líquido é "iogurte lírico".
Mistérios.
(De certeza que o Chesterton explica.)
publicado por Pedro Picoito às 19:16 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

As deselites (2)

Hoje, na mesma página, o Público traz duas notícias que mostram o estado a que chegou o PSD.
Cá em cima, ficamos a saber que um dos candidatos a vice-presidente da bancada parlamentar viu penhorado o seu salário de deputado por dívidas fiscais. Um terço do seu salário, mais propriamente, o máximo permitido por lei.
Mais abaixo, diz-se da briosa iniciativa de um militante de Braga que apresentou queixa contra Pacheco Pereira no Conselho de Jurisdição Nacional. Motivo? O símbolo do PSD, que apareceu de pernas para o ar no Abrupto.
Preparem-se.
Isto é só o princípio...
publicado por Pedro Picoito às 18:26 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Marca Portugal

Caríssimos estou de volta!
Neste primeiro post da minha rentrée faço uma pequena "sinergia" com o meu blog sobre livros, onde coloquei uma vídeo entrevista com Henrique Agostinho, autor que acaba de lançar "Vende-se Portugal". Um livro polémico que fala sobre um tema de enorme importância para o nosso País: A Marca Portugal.Concordando ou não com a visão crítica do autor vale a pena pensar no assunto... (ainda para mais tendo em conta as válidas iniciativas do Governo, que têm sido noticiadas nas últimas semanas)
Ora veja.
publicado por Joana Alarcão às 10:50 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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