Segunda-feira, 24.12.07

O Messias

Li há pouco a entrevista de Luís Filipe Menezes ao Expresso.
A blogosfera liberal saudou a chegada do novo Messias, que promete "desmantelar o enorme peso do Estado em meia dúzia de meses".
Recordo apenas, e sem querer estragar a consoada a ninguém, que este mesmo Messias propôs ao PS um pacto de regime para as obras públicas dos próximos dez anos.
É Natal, é Natal, mas não exageremos.
publicado por Pedro Picoito às 01:24 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

O assalto ao Palácio de Inverno

Em Fevereiro, quando terminar a exposição do Hermitage, parece que o Palácio da Ajuda vai receber uma exposição sobre a vida e obra de Saramago.
Faz sentido.
Depois dos restos do império czarista, os últimos vestígios da União Soviética.
publicado por Pedro Picoito às 01:10 | comentar | partilhar
Domingo, 23.12.07

Capital "Estrangeiro".

Face à possibilidade, que realmente existe, de o PS e o Governo Sócrates, escondidos por trás dos "accionistas de referência", virem a tomar conta do BCP, o "maior banco privado português", apelo aos grandes bancos estrangeiros para que, mesmo com grande sacrifício, comprem o BCP. Era um grande favor que faziam aos pequenos e médios accionistas, talvez também aos grandes, e uma ajuda que davam à nossa pobre "democracia" e ao nosso "capitalismo" de polichinelo.
publicado por Fernando Martins às 23:18 | comentar | partilhar

Aquele tentaculozinho mole do PS no BCP

"O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, (...) o dito polvo é o maior traidor do mar. Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra. (...) O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. (...) E que neste mesmo elemento se crie, se conserve e se exercite com tanto dano do bem público um monstro tão dissimulado, tão fingido, tão astuto, tão enganoso e tão conhecidamente traidor."

PADRE ANTÓNIO VIEIRA, "Sermão de Santo António aos Peixes", 1654.
publicado por Carlos Botelho às 13:26 | comentar | partilhar

O mercado de Inverno...

... não é só para o futebol.
publicado por Miguel Morgado às 11:14 | comentar | partilhar
Sábado, 22.12.07

Da série "Cachimbos de Lá"

Vincent Van Gogh, Natureza morta (1889)
publicado por Pedro Picoito às 01:24 | comentar | partilhar

Foi, não foi?

O Público de ontem trazia uma notícia sobre clínicas suspeitas de aborto ilegal.
Deve haver algum engano.
Toda a gente sabe que o aborto ilegal acabou quando o "sim" venceu o referendo.
publicado por Pedro Picoito às 01:24 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Sexta-feira, 21.12.07

Apontamentos sobre a Escola em autogestão do João Miranda

O Paulo Marcelo, por favor, que não me leve a mal, mas... sinceramente... o tal artigo do João Miranda não é, parece-me, um “excelente texto de opinião” . Será, isso sim, um excelente exemplo de um certo tipo de opinião. Nada tem de extraordinário – é, quando muito, um extraordinário disparate. É um texto de quem não sabe do que fala. E fala do que não sabe dum modo obscenamente assertivo. Seria hilariante, se a matéria não fosse tão grave.
O texto do João Miranda, na verdade, não passa de um texto “ideológico”. E é, de facto, uma defesa da ignorância. Como o são, de resto, os habituais aplausos babados a todas as grosserias programáticas deste Ministério (só nominalmente) da Educação.

O João Miranda, quando escreve sobre a Escola (e não, felizmente, noutros assuntos – aí bem mais certeiro), só me lembra aqueles estrategos de café – dispõem as tropas no terreno da mesinha entre um cinzeiro e duas chávenas e obtêm sempre estrondosas vitórias. Tudo tão simples. Assim todas as vitórias são fáceis: não se tem em linha de conta as características do terreno, as condições do tempo, o moral da tropa (sim, o moral...).

O problema com os textos do João Miranda sobre a Escola é o de serem dotados de uma espécie de boa coerência interna – as suas partes parecem bem concatenadas, isto é, os enunciados articulam-se aparentando constituir um sentido geral e, se nos deixarmos embalar, convence - mas, visto a partir de fora, como um todo, tudo aquilo acaba por se revelar como o que é na verdade: um aborto, um monstro.
Todos estes textos descaradamente bárbaros dos “liberais” sobre a Escola não são mais do que uma forma inteligente de "estupidez".
Há ali um manejo ilusionista de conceitos – o que denota uma certa destreza -, mas tudo isso está inscrito num quadro geral de cegueira. Alegre cegueira. Convicta cegueira.
É uma autêntica pulsão “liberal” que os faz querer “liberalizar” tudo o que mexe sob o sol. Doença infantil do liberalismo.

Tudo o que é dito no texto em questão poderia ser dito de qualquer actividade humana mais ou menos pública – com vários tipos de intervenientes com papéis diferenciados, com serviços prestados, com bens materiais implicados, etc. Tudo aquilo assenta no princípio segundo o qual todas as actividades, independentemente das suas diferenças específicas, são equivalentes. As regras que se aplicam a umas se podem aplicar indiferenciadamente (e indiferentemente...) a todas. O que é um erro.

Perguntará a rapaziada “liberal”: mas por que é que a Escola há-de ser diferente de uma mercearia? Não há que responder. É que a Escola já é, por si, diferente duma mercearia. Quem não consegue ver isso só pode ser lamentado.

Este discurso “liberal” sobre a Escola tem os tiques do parvenu que, chegado perante uma biblioteca, percorre com os olhos as estantes e não percebe. A seguir, desconfia daquilo. Qual é a utilidade daquelas coisas que ocupam um espaço tão precioso? Avalia os livros pelo seu peso (literal). Estes livros, visivelmente inúteis, podiam muito bem ser rentabilizados numa lareira. O seu conteúdo não importa (alguns gatafunhos são imperceptíveis e há mesmo línguas ininteligíveis) – importa sim o papel ser bom combustível ou não. Para que vou estar eu a pagar a manutenção de livros que não produzem uma boa fogueira? E é também importante que um livro não arda rapidamente. Um livro em combustão mais lenta produz calor durante mais tempo e é, por isso, um bom livro.
E porque não há-de isto ser gerido como um lagar? – pergunta-se o teórico. E discorre mesmo, inteligente: se um lagar com demasiadas tulhas mal cheias de azeitonas é um lagar visivelmente mal governado (desperdício de tulhas), então uma escola com demasiadas turmas com menos de 25 ou 20 alunos é uma escola mal gerida. Há aqui turmas a mais caramba! Qualquer pessoa de capacidade mediana vê isso. Não é preciso ser um professor para diminuir o número de turmas.
Pois não, pois não.
Basta um capataz mais ou menos alfabetizado. Alguém com experiência em armazéns.

Aqueles que vêem a Escola como uma fábrica de enchidos (a metáfora é terrivelmente apropriada), e que fazem o transporte da “lógica” desta para aquela, têm sempre a tarefa mais facilitada do que aqueles que não cometem esse disparate. É muito mais fácil fazer analogias fáceis sobre aquilo que é, por natureza, difícil. E essa dificuldade é sempre brandida como um pretexto miserável para a escolha do caminho mais fácil. No nosso tempo, aparece desde logo como mais ridículo aquele que defende a Escola enquanto Escola do que aquele que a compara com uma qualquer salsicharia.

Não partilho de todo daquela embirração dos “liberais” para com os sindicatos. Nem sequer chega a ser um ressentimento de classe. É mais uma reacção agressiva de tipo pavloviano. O próprio título do artigo ( "Autogestão Escolar" ), desonestamente, procura (e conseguirá) causar salivações enfurecidas naqueles que estão sempre dispostos a recordar (a propósito e a despropósito) as “loucuras” do Verão Quente. Os sindicatos são organizações de classe que procuram defender os interesses dessa classe. E depois?... Acontece que uma classe profissional não paira no vazio, mas trabalha num contexto e as suas condições laborais influenciam qualitativamente esse contexto - neste caso, a Escola. E então?...
Sinceramente, o que me desagrada mais nos sindicatos de professores são as manifestações em que se comportam mais como metalúrgicos dos anos 70. Esses comportamentos têm a sua importância "simbólica"... Deviam lembrar-se que não constituem um grupo profissional indiferente. Deviam saber manter-se no seu lugar.

No artigo, lêem-se aquelas frases sonantes: 'quem paga não manda, quem manda não paga'. Isto é, se sou eu que pago, devo ser eu a mandar e não é possível que um tipo tenha o poder de mandar e não tenha o encargo de pagar. Aquela frase do artigo do João Miranda pode dizer-se a respeito de tudo e a respeito de nada – soará sempre bem, parece sempre ser justa. Pode classificar-se esta coisa como mais uma manifestação da ‘síndrome do lojista míope’. Pelos vistos, tudo pode ser reduzido a uma questão de contrapartidas entre pagar e mandar. Mesmo uma coisa como a Escola.
Esquece-se que ensinar é uma actividade sui generis, no sentido radical da expressão. A relação professor-aluno, a apropriação, acompanhada, de saberes é um acontecimento demasiado grave (e ao, mesmo tempo, frágil) para ser sujeito a tratamentos grosseiros. Ao dizer-se isto, pisa-se terreno delicado, porque este é o tipo de enunciados que provoca o riso na rapaziada “liberal”. Insiste-se: uma sala de aula não é equiparável a um armazém de batatas ou à boa distribuição dos tubérculos pelas sacas.
Trata-se aqui de uma coisa que só existe num equilíbrio "ecológico" muitíssimo delicado. Mas esta gente, irresponsavelmente, dedica-se a demoli-la - até que não ficará pedra sobre pedra.
Destrói-se, assim, a Escola. Porque se estraga aquilo que lhe é mais próprio.


Para o ponto de vista(?) em questão há ali clientes que pagam. E há umas criaturas que fornecem uma mercadoria. Aquelas são os professores e a mercadoria é o conhecimento (podemos usar também o antiquado nome de Saber). Os clientes pagantes são os pais. Os fornecedores da mercadoria não são responsabilizados pelo produto e pelo modo como o fornecem. Os clientes, pagam, mas, coitados, não são tidos nem achados no tipo de produto que, sem alternativa, compram. Não lhes é dado o direito de avaliar a qualidade do produto. Coisa de que eles seriam perfeitamente capazes, claro. Ensinar trigonometria ou morfologia, como sabemos, não é diferente de vender sapatos ou presuntos.
São certamente felizes as pessoas que assim pensam. Têm tudo bem arrumadinho nas suas cabecinhas. Não sopra por ali uma dúvida, uma apercepção da radical diferença de uma coisa, uma inquietação. Não estão nunca postas perante uma dificuldade. Tudo é facilmente resolúvel.

Parece que durante anos vivemos sob uma espécie de ditadura mental da Esquerda. Talvez agora tenhamos caído numa ditadura “liberal”. Só que esta agora não chega a ser mental. Não tem espessura cortical para isso.

Seria curioso saber para onde enviará depois os seus filhos esta rapaziada “liberal” – se para as escolas públicas vandalizadas que preconizam, se para as outras.

Uma coisa tão séria como a transmissão e incorporação de conhecimentos é vista por estes voluntariosos teóricos como uma mera reprodução mecânica. Quase como uma coisa de êmbolos e torneiras controladas. O que passa completamente ao lado daquilo que importa.
publicado por Carlos Botelho às 19:55 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Espectáculo deprimente II

Ouvir e ver, há pouco, nos Telejornais, o nosso primeiro-ministro, na fronteira da Polónia com a República Checa ou sítio que o valha, todo contente, expressando-se (?) num Inglês pavorosamente "técnico". Com uma pronúncia de fugir e usando as palavras erradas (com vagas semelhanças fonéticas...). E o outro português, o Joseph Barroso, esforçando-se por fazer humor, coitado. À volta, os adultos lá se iam rindo.

Porque será que os nossos governantes, nas cerimónias com os colegas europeus, aparecem quase sempre com aquelas caritas contentes de filho da criada a quem deixam brincar com os brinquedos partidos do filho do patrão?
publicado por Carlos Botelho às 16:22 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Espectáculo deprimente I

Mário Soares, ontem, na RTP1, com uma Clara Ferreira Alves pressurosamente sorridente a cada sílaba do ancião, dentro de uma sinagoga, respeitoso de kippah e elogiando Yasser Arafat. Fazendo depois equivaler o ataque bombista ao hotel King David (alvo militar) por parte do Irgun de Menachem Begin em 1946 às matanças indiscriminadas e deliberadas de civis desarmados por parte da OLP e quadrilhas-satélites ao longo de décadas. Sempre com o sorrisinho ignorante da interlocutora. Estamos conversados.

[Convinha, por exemplo, que Soares fizesse a comparação entre o modo como o governo israelita de Ben Gurion cortou com as actividades discutíveis do Irgun e a complacência e efectiva cumplicidade da Autoridade Palestiniana do rais Arafat para com os bandos do Hamas e dos Mártires de al-Aqsa.]

Deprimente também, depois, ver os dois, cá fora, diante de uma estátua de Maimónides, tentando, por entre as maiores banalidades, pronunciar o nome do pobre filósofo judeu...
publicado por Carlos Botelho às 15:49 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Este não é um filme de Natal...


O cinema brasileiro não deixa de surpreender. Depois da Cidade de Deus, surge agora Tropa de Elite, novamente à volta das favelas das grandes cidades brasileiras. Bons actores, melhor banda sonora, violento q.b., mas suficientemente realista para ser suportável, e um narrador "intimista" que nos prende a uma história baseada em factos reais. Desta vez, para além da polícia e dos favelados, há uma crítica social à burguesia universitária brasileira, cheia de preocupações sociais, voluntária nas ONG’s, mas cúmplice do sistema ao consumir a droga que alimenta o tráfico nas favelas. Revelador sobre os efeitos da corrupção nas polícias e em toda a estrutura social, permeável ao jeitinho brasileiro. O filme está em exibição no Brasil. Aguarda-se que atravesse o Atlântico. Até lá, só mesmo cópias piratas de amigos brasileiros experimentados no sistema.
publicado por Paulo Marcelo às 10:43 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Natal em Portugal

Confesso: gosto muito do Natal e detesto o chamado "espírito natalício".
Recordo com saudade muitas noites de Natal e celebro com alegria o nascimento daquela que é para mim a Personagem Histórica por excelência.
Por outro lado, horrorizo-me com a fúria consumista e a solidariedade de ocasião que, por estes tempos, tudo invade.
Vai daí, dei de caras por estes dias com duas dicas de relevo: a primeira diz-me que (1) o Cachimbo de Magritte é conhecido por ser o blog dos católicos, daqueles que levam com facilidade os assuntos do mundo para os lado de Deus e (2) que o Natal este ano seria diferente.
Acerca da diferença deste Natal (2), é-me dito que o comércio anda às aranhas. A malta compra menos. Até já há lugar para estacionar o carro nas redondezas das grandes superfícies comerciais. O espírito natalício sucumbe à economia.
Diz-se, por outro lado, que o Natal por cá será diferente este ano mercê da nossa ASAE e da nossa Justiça.
Aqui sim, entram os temas gratos à rapaziada católica (2). A partir de agora estou em casa, portanto. Assim sendo, explico:
Boata-se por aí que os presépios foram proibidos. Tudo porque a ASAE, sempre atenta, decidiu encerrar a gruta, por ter descoberto durante uma inspecção que o local não reunia condições suficientes de salubridade. O local foi encerrado preventivamente e o burro e a vaca foram mandados abater como medida de precaução.
Por outro lado, foi mandado retirar o menino do presépio. Tudo porque o Tribunal da Relação entendeu que este não devia estar à guarda de um homem que não é o seu pai biológico...
Cá está: tínhamos que levar o assunto para a esfera do religioso. Gente sem emenda, é o que é.
(Adenda: falo por mim, obviamente. O Cachimbo não é, nem nunca foi, um "blog de católicos")
publicado por Joana Alarcão às 00:51 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 20.12.07

Mais um Livro Branco…


Depois do Livro Verde das Relações Laborais, um diagnóstico exaustivo (443 pgs) sobre a "doença" laboral portuguesa, estão neste momento (18h) a ser apresentadas no LNEC as conclusões da Comissão do Livro Branco das Relações Laborais, cujo mandato terminou no final de Novembro.

Depois dos relatórios de sábios, que abundam em Portugal -os relatórios não os sábios, claro!-, vamos conhecer a coragem política do Ministro Vieira da Silva e do Governo para enfrentar de frente o problema da rigidez laboral. Estou curioso por ver a Proposta de Lei que o Governo vai apresentar na AR. Mantenho o que disse aqui e aqui sobre esta questão e os números do desemprego.
publicado por Paulo Marcelo às 18:12 | comentar | partilhar

Um brinde à linha azul?

O nosso venerável Primeiro-Ministro esteve ontem presente na inauguração da nova estação de metro do Terreiro do Paço (voltou à terra, portanto).
Percebe-se. Esta inauguração não é coisa para menos: anunciada a obra em 1992 e com termo previsto para 1997, a coisa acabou finalmente. Com uma tremenda e prolongada dor de cabeça para os automobilistas, uma ou outra derrocada e alguns milhões de euros a mais do que o inicialmente previsto, mas acabou.
Perante tão complicado e dispendioso projecto, havia já algum desânimo no ar, diga-se. O povo foi vendo passar o seu tempo, o seu dinheiro e a sua paciência. Por ali, só os carros não passavam.
Hoje será tempo de festa mas, já agora, também de reflexão.
Isto porque, bem vistas as coisas, bem que podíamos parar por um momento, lembrar todas as vicissitudes por que passou esta estação e perguntarmos a nós próprios como foi possível a cabala, digo, acabá-la.
publicado por Joana Alarcão às 00:11 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Quarta-feira, 19.12.07

Ai se isto se sabe em Viena

No Blasfémias expõe-se um gráfico/modelo a explicar o ponto de equilíbrio. No Insurgente dispara-se artilharia pesada de Chicago.
publicado por Manuel Pinheiro às 19:55 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Esquecendo por um momento o aumento de €23/mês português

O que os economistas americanos que subscreveram o manifesto para aumento do salário mínimo nos EUA nos dizem, é que partilham a visão empírica segundo a qual pequenas alterações no salário mínimo têm como consequência pequeno ou nenhum efeito no desemprego. Já percebemos que o mercado de trabalho não é, ou não tem sido, incrivelmente sensível ao preço desde que as mexidas sejam muito pequenas, ou melhor, modestas, para utilizar a expressão dos economistas citados. Nada de especialmente novo, e não se percebe muito bem o barulho que isto tem causado cá, sobretudo quando nos EUA o valor não era actualizado desde 1997 e, em termos reais, era inferior ao de 1951.

Mas no meio de toda esta discussão há 3 questões bastante importantes, a primeira se salário mínimo é salário mensal ou valor hora em contratos flexíveis? A segunda e terceira qual a queda salarial e de desemprego que existiria se o salário mínimo não existisse?

Como a esmagadora maioria das pessoas ganha mais do que o salário mínimo (o que deveria fazer seriamente pensar muita esquerda que parece não querer mudar de século), o acto de o baixar ou anular teria muito pouco impacto no rendimento e no emprego da população geral, mas teria algum impacto nalgumas pequenas franjas da população, nas quais se poderia constituir um incentivo algo perigoso para aderirem ou se manterem num qualquer programa de welfare ao invés de irem trabalhar.

Se se acredita na necessidade ou vontade de uma sociedade ser solidária ao ponto de defender a existência de um rede mínima de segurança, faz algum sentido criar um valor também mínimo de remuneração de trabalho que incentive as pessoas a sairem das redes de apoio social e a tornarem-se independentes, sem com isso sobrecarregar os empregadores. Claro que não há uma fórmula maravilha para esta visão, mas a ideia é que o valor mínimo de remuneração de trabalho seja efectivamente baixo e não muito distante do seu valor "natural" médio em caso de inexistência de obrigação legal, de modo a por um lado prevenir alguns abusos pontuais e por outro a não afectar o nível de emprego ao ponto da tentativa de retirar pessoas do welfare sair pela culatra.

A questão da forma salarial (mensal ou hora) é também estruturante nesta equação, e são dois paradigmas bastante distintos. Uma maior flexibilidade contratual facilita a entrada das pessoas de baixos rendimentos via uma maior adaptabilidade às necessidades concretas do empregador. Pode induzir uma maior rotatividade ou acumulação de empregos, mas aumenta o rendimento destas pessoas. Uma maior flexibilização laboral seria então uma óptima medida em conjunto com um salário mínimo aplicado em valor hora. Mínimo. Mínimo e baixo. Para enriquecer a sério as regras são outras.

(Pode-se acompanhar esta discussão no Blasfémias, Insurgente e no blogue da Lista E)
publicado por Manuel Pinheiro às 19:26 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

"Blade Runner": Ser ou não ser, eis a questão…


Não há dúvida de que Shakespeare sabia que perguntas vale a pena fazer; sabia quais não é possível não fazer.
Só assim se pode explicar que, depois de vinte e cinco anos e várias versões de Blade Runner, tantos esperassem esta “Director’s final cut” do filme de Ridley Scott, já referido no Cachimbo (e que já se encontra à venda em Portugal).
De facto, parece que a questão é saber se Deckard é mesmo um Replicante. Mas só é esta a questão se isso fôr o mesmo que procurar saber o que é ou não é humano; ou, também, saber se o medo é ou não condição da existência; se os factos que acontecem no tempo (no tempo de uma vida, no tempo da História) são apenas lágrimas na chuva…
Ao passar para o ecrã o livro de Philip Dick Do Androids dream of electric sheep?, Scott consegue uma dupla e rara proeza – a de ultrapassar o valor da obra literária, sem, no entanto, a atraiçoar. A riqueza e complexidade barrocas de Blade Runner – um filme que se “lê” por camadas, como acontece à fotografia que Deckard examina – tem o seu centro nevrálgico na visão (“the eye/I question”), ou não fosse o olhar que revela o eu.
Na era da chamada Pós-Modernidade – um tempo que nega o significado do Tempo – vale a pena rever esta fabulosa obra cinematográfica, que subverte a profecia distópica que ela própria faz, ganhando, para o seu protagonista, a tão desejada eternidade. E tudo isso se pode, ultimamente, resumir a um gesto, um gesto ilógico, disfuncional, não programado: o gesto gratuito, e, por isso, belo, de um Replicante que livremente poupa a vida do seu perseguidor.
Ver esta beleza: eis a questão. Eis a alternativa à miopia aguda dos génios Tyrell, falsos senhores deste nosso universo “high tech” e utilitarista que arrastou a noção de human being para a de human doing, a de conhecimento para a de competência, a de mestre ou professor para a de mediador.
publicado por Joana Alarcão às 17:31 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Terça-feira, 18.12.07

Porque alguns insistem no assunto...

Independentemente do que os nossos tempos mostram, é preciso recordar que o legalismo nas relações internacionais, o multilateralismo, a concepção de "segurança colectiva", a diplomacia aberta e pública, a rejeição do equilíbrio do poder, da acção directa dos Estados, em suma, tudo aquilo a que estamos habituados a atribuir ao horizonte diplomático dos países europeus, são ideias americanas. Mais: são ideias americanas que foram introduzidas na Europa como contraponto das ideias especificamente europeias a este respeito, que foram impostas como forma de substituir, de uma vez por todas, a teoria e prática europeias das relações internacionais.

É verdade que não foram americanos, mas europeus do século XVIII, quem originariamente concebeu as ditas ideias. Mas os seus esforços isolados puramente intelectuais não encontraram grande recepção aqui no Velho Continente. Coube a alguns americanos do século XX reformulá-los e apresentar essas reformulações como propostas de reforma, como uma teoria geral que conduz imediatamente a prática.

Seria interessante perceber por que é que, entretanto, os europeus substituíram os americanos no patrocínio dessas ideias. Mas essa é outra conversa.
publicado por Miguel Morgado às 18:21 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Menino Guerreiro

«É verdade, sou um provinciano, fiz-me sem pedir nada a ninguém. Não tenho aliados entre os grandes pensadores portugueses e a aristocracia de esquerda.»
José Sócrates ao Libération, 17.12.2007 (via Público on-line).
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 10:16 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Lápis cor-de-rosa

Aqui já esgotou, mas se puder dê o seu contributo a uma das causas meritórias deste Natal: a "Make It Number One" Campaign, que tem como objectivo imediato levar o clássico dos Pogues Fairytale of New York ao 1º lugar do top de vendas. O objectivo último é mostrar aos caniches histéricos da BBC onde é que podem e devem enfiar o lápis cor-de-rosa da nova censura:
The BBC has censored a popular Christmas song amid fears the lyrics will upset homosexuals.

Fairytale of New York, by The Pogues featuring Kirsty MacColl, has been re-released for the festive period and is a contender for the coveted Christmas number one slot.

It tells the story of two lovers who trade insults on Christmas Eve and one verse ends with the memorable line: "You scumbag, you maggot you cheap lousy faggot, Happy Christmas your arse I pray God It's our last."

Radio 1 bosses have bleeped out the word faggot(*) from the song, for fear it will offend homosexuals.
A BBC já fez coisas muito piores e muito mais graves. Mas a tacanhez deste acto mostra claramente que a nova censura não tem vergonha nem limites.

(*) faggot –maricas, bicha. Não porque a 'tradução' seja necessária, mas por causa do lápis cor-de-rosa.
publicado por Joana Alarcão às 02:39 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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