Segunda-feira, 17.12.07

"I've done questionable things..."


A propósito disto: Durante as filmagens dessa cena específica, Riddley Scott pediu expressamente a Rutger Hauer que pronunciasse a sua deixa de forma a que se não percebesse a distinção entre "father" e "fucker". I want more life,...
publicado por Miguel Morgado às 22:58 | comentar | partilhar

Arrogância e ilusões

A propósito do comentário de Condoleezza Rice reproduzido no blogue da Atlântico, recordei-me de uma curta conversa, há umas semanas em Bruxelas. No decurso de uma comunicação, um alto responsável pela política de imigração no Reino Unido apresentou as seguintes percentagens: da emigração africana dirigida ao conjunto formado pelos EUA e pela UE, 80% da mão-de-obra especializada escolhe os EUA como país de destino; 60% da mão-de-obra não qualificada escolhe a UE como destino.

Do ponto de vista económico, a decisão de emigração é uma forma ‘radical’ de voto: um emigrante rejeita as condições e perspectivas de vida que tem numa determinada comunidade política em favor de outras, proporcionadas pela comunidade política de destino. As suas preferências relativas são reveladas através da sua deslocação efectiva –‘vota com os pés’. Note-se que, no caso de um emigrante africano, a deslocação para os EUA é muito mais difícil e onerosa do que para a UE, o que exige que a diferença entre as perspectivas de vida num e noutro lado seja ainda mais favorável para o emigrante no caso americano, de modo a motivar a deslocação. Ainda assim, uns esmagadores 80% dos trabalhadores especializados africanos preferem os EUA à Europa. No final da comunicação coloquei-lhe uma questão simples: como explica as percentagens da emigração africana?

A maior mobilidade ‘vertical’ da sociedade americana é um factor explicativo. Para um trabalhador com capacidades valorizadas no mercado, as possibilidades de acumulação de riqueza e de progressão social são comparativamente maiores nos EUA do que na UE (deixo a quem quiser tentar a explicação da inversão das proporções relativas nos destinos de emigração para o caso dos trabalhadores sem qualificações). Mas a resposta do responsável britânico surpreendeu-me porque enfatizou um aspecto inesperado. Disse, em alto e bom som: os trabalhadores africanos especializados preferem os EUA porque preferem viver integrados numa sociedade menos racista do que as sociedades europeias.

Em parte será o argumento da upward mobility por outras palavras. Mas não é só isso, pois não? E também não é certamente uma alusão aos infelizes programas de ‘affirmative action’. É uma atitude prevalecente na sociedade americana, uma forma natural de aceitação que favorece a integração e que permite que cada um encontre a ‘sua’ América na América de todos. É uma mentalidade de tolerância geralmente distorcida pela comunicação social, porque não proporciona bons filmes nem boas notícias (a fronteira entre ambos é cada vez mais difusa). É, acima de tudo, um modus vivendi, que dispensa –mais, que exige– um Estado não intrusivo nem condicionador, tentando por meios coercivos criar aquilo que efectivamente destrói.

Bem pode a UE organizar cimeiras intercontinentais, bem podem os demagogos proclamar em tom altissonante a superioridade do ‘modelo social europeu’, bem podem os anti-ocidentalistas vomitar imprecações contra a civilização americana, decretar o ‘horror’ do capitalismo americano, regurgitar pela enésima vez as patranhas da ‘inclusão’ e da ‘solidariedade’, para disfarçar a sede de controlo político e de garantir que os estados continuam a dedicar-se às actividades mais lucrativas para as oligarquias socialistas. Os rios de dinheiro e de propaganda não enganam os emigrantes africanos em busca de uma vida melhor. Nem enganam os eleitores europeus: se votam repetidamente em ilusões é porque, ao contrário dos africanos, vivem demasiadamente bem para desejarem viver melhor. Não será assim para sempre? Não importa: a indiferença da Pompadour pelo futuro democratizou-se.
publicado por Joana Alarcão às 11:17 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Reforma escolar e os professores

Excelente texto de opinião do João Miranda no DN: Autogestão Escolar.
«Os professores encontram-se numa posição duplamente privilegiada. São pagos para executar um serviço pelos contribuintes, mas em vez de serem os contribuintes a dizer como é que o serviço deve ser prestado, são os professores que através dos sindicatos conseguem influenciar as políticas do ministério e que através das eleições internas decidem quem deve mandar nas escolas.
O ensino público encontra-se em autogestão. É necessário reformar o sistema de gestão escolar. É o que o Governo pretende fazer. Mas pretende fazê-lo mantendo algumas das perversões do actual sistema. O primeiro-ministro apressou-se a anunciar desde já que o director da escola terá de ser obrigatoriamente um professor. Não faz muito sentido. O director da escola não será contratado para dar aulas mas para dirigir a escola. As qualidades necessárias para dirigir uma escola não são exclusivas da corporação dos professores
publicado por Paulo Marcelo às 10:25 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Domingo, 16.12.07

A Lenda Continua


O resto, como se sabe, é treta.
publicado por Miguel Morgado às 12:47 | comentar | partilhar
Sábado, 15.12.07

O cepticismo de Aron?

Como há já mais de dois dias que não se falava no Aron, lembrei-me disto:

[...] A fricção entre as ideias da especulação e a rotina existente do mundo concreto não desaparece apenas por um acto de vontade. Assim, parece haver um dualismo insuperável entre aquilo a que poderemos chamar de “ponto de vista do estadista” e o “ponto de vista do filósofo”. Mas até este último ponto de vista não está isento de restrições. Na verdade – e Aron chamou muitas vezes a atenção para este aspecto –, o “ponto de vista do filósofo” está sujeito à mais inabalável das restrições: aquela que é imposta pelo limite do conhecimento.

Pensar sobre a política torna-se inevitavelmente também uma reflexão sobre os limites da política. No famoso livro "O Ópio dos Intelectuais", Aron considerava a possibilidade de o “intelectual” “perder interesse pela política no dia em que descubra os seus limites”. Esperar da política a redenção final dos homens conduziu invariavelmente ao horror da desumanização do homem. “Se a tolerância nasce da dúvida, ensinemos a dúvida quanto aos modelos e às utopias, aprendamos a desafiar os profetas da salvação e os profetas da desgraça. Roguemos pela chegada dos cépticos para que eles possam extinguir o fanatismo”.

Por estas passagens poderíamos pensar que a resposta céptica é a única adequada aos tempos do fervor ideológico e das paixões políticas radicais. Porém, essa hipótese é de certo modo equívoca. No final da sua vida, Aron revia o problema. A sua formulação é notável e merece reprodução: “O marxista-leninista assegura, ou melhor, decreta uma verdade universal, recusando distinguir o conhecimento do desejo; o pensador liberal ou crítico, consciente das armadilhas postas pelas suas paixões, consciente da ambiguidade da própria realidade, coloca constantemente em questão as suas hipóteses e os seus juízos. Cepticismo? De modo algum. O liberal procura constantemente a verdade, e ele nunca abandonará as suas convicções supremas, isto é, as suas máximas que são tão morais como intelectuais”.

Perante a possível ambiguidade da realidade que uma dada situação histórica particulariza, o existencialista preconiza o compromisso radicalmente livre, anterior a qualquer deliberação. Esse é o seu modo de negar o presente, sem conhecer o futuro que se criará. Mas, em termos políticos, corrigia Aron, é enganador dizer que a acção não decorre de uma deliberação prévia. A doutrina do “compromisso” não pode recusar o imperativo do conhecimento do mundo, sem o qual não pode haver deliberação razoável. Comentando o muito admirado Max Weber, Aron reconheceu que o “saber objectivo” talvez não fosse “indispensável”, mas era certamente “favorável” à “acção razoável”. Este é o “caminho mais longo”, o percurso moral e intelectual de quem reconhece o presente e se responsabiliza pela acção, consciente de que a acção se projecta no futuro e que os seus efeitos não são rigorosamente previsíveis. A confissão de ignorância quanto aos efeitos das acções humanas não deve conduzir ao desespero, nem à sedução pela aventura; apenas recomenda, como repetia Aron, “experiência, conhecimento e modéstia”. [...]


[Eu, numa edição da Nova Cidadania de 2005]
publicado por Miguel Morgado às 17:51 | comentar | partilhar

Prémio Pessoa 2007

Conheço muito razoavelmente o trabalho de Irene Pimentel e a dedicação, a seriedade e a competência que coloca em tudo aquilo que faz. No entanto, devo confessar que fiquei surpreendido com o facto de ter sido "agraciada" com o prémio Pessoa. Apesar de ter publicado vários livros sobre a história do século XX português, nunca a vi como uma historiadora com uma visão particularmente original da nossa história naquele século ou de “fatias” ou “temáticas” desse mesmo século. Aliás, duvido que alguém, incluindo a própria, nos possa dizer qual é a sua leitura, a sua interpretação genérica, a sua visão sobre o século XX português ou até, mais prosaicamente, sobre a história do Estado Novo ou do Salazarismo. Por isso, e embora a felicite sinceramente pelo prémio conquistado e pelo reconhecimento do seu trabalho que este acarreta, devo dizer que me lembrei imediatamente do nome de, pelo menos, uns dez historiadores portugueses que mereceriam bem mais ter recebido o prémio Pessoa pela singela razão de terem aquilo que penso faltar, ainda, ao trabalho e à obra de Irene Pimentel. E isto, por mais irrelevante e pouco convencional que seja no nosso pequeno meio, penso que deve ser dito. Descontando os nomes de historiadores mais mediáticos, que não vou sequer nomear, seguem os de alguns outros menos conhecidos, ou totalmente desconhecidos do grande público, mas cuja obra, mesmo que menos prolixa, é marcante e “incontornável” na historiografia recente sobre os séculos XIX e XX cá do burgo. São eles: Valentim Alexandre (ICS), Fernando Catroga (Universidade de Coimbra), Maria de Fátima Bonifácio (ICS), António Telo (Academia Militar), Nuno Valério (ISEG-UTL), Fátima Patriarca (ICS), José Augusto França (FCSH-UNL) e Jaime Reis (ICS).
Daí que, e devo confessá-lo, fico sem perceber muito bem quais terão sido os critérios da escolha. É que a Irene Pimentel não é (ainda?) o Manuel Damásio ou o José Mattoso da historiografia do século XX português. Mesmo que não tenha de sê-lo ou que não queira vir a sê-lo.
publicado por Fernando Martins às 04:09 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sexta-feira, 14.12.07

Intimissimi

Modelo Europeu Contratado:



Modelo Português com Tratado:


publicado por Joana Alarcão às 20:59 | comentar | partilhar

On the Waterfront, With style


Mesmo sem tratado reformador e pasteis de Belém, Lisboa foi destacada num artigo do New York Times: The 53 Places to Go in 2008 (via Lisboa na Ponta dos Dedos).
publicado por Paulo Marcelo às 17:32 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 13.12.07

As maravilhas da Europa

O Presidente da República ofereceu pasteis de Belém aos signatários do Tratado. Em Lisboa, os portugueses (como eu) foram agraciados com a gratuidade no metro. Nos corredores do metro de Lisboa julgo ter ouvido aquele desrespeitoso sistema audiovisual dizer que até o sindicato dos trabalhadores destas linhas de transporte partilhava do júbilo nacional (ou europeu, já não sei bem). Talvez para o ano se comemore o dia como se exige, com um feriado europeu. A menos que o tratado, por ser pouco importante, não mereça tanta atenção.
Esta Europa põe-nos bem dispostos logo pela manhã. Se for assim todos os dias, estou disposto a esquecer a maçada do referendo.
publicado por Miguel Morgado às 15:59 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Da série «O Governo até sabe fazer coisas boas»

O Primeiro-Ministro anunciou no debate mensal três objectivos para a reforma da gestão das escolas:

- Reforçar a participação das famílias e comunidades na direcção estratégica;
- Liderança mais forte: criação de um
director executivo;
- Reforçar a autonomia das escolas.

Sabe-se ainda muito pouco sobre as reais intenções do Governo. Aliás, o mais certo é que estas boas intenções morram nas mãos dos burocratas centralistas da 5 de Outubro. O diploma terá ainda de ir para discussão pública e depois a Conselho de Ministros. A Fenprof ficou preocupada, o que é um bom sinal. Mas saúda-se o anúncio destes objectivos.

publicado por Paulo Marcelo às 12:12 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sucessão Dinástica na Europa


Morreu o Tratado Europeu.

Viva o Tratado de Lisboa!
publicado por Filipe Anacoreta Correia às 09:05 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 12.12.07

Abaixo o fascismo alimentar da ASAE

Pelas bolas de berlim e pelos bolos da Mexicana e do Califa. Abaixo os donuts empacotados com prazo de validade. Viva a ginginha com elas e sem elas. Viva a bica a escaldar em chávenas sujas e suspeitas. Abaixo os copos de plástico. Vivam os enchidos e as castanhas assadas enroladas em listas telefónicas. Diga não aos novos burocratas dos alimentos e da higiene pública.
Assine esta Petição.
publicado por Paulo Marcelo às 10:25 | comentar | ver comentários (38) | partilhar

2009















E os impostos, caríssimos?
É justo que baixem? É justo que se mantenham?
E o Isaltino? Deve demitir-se?
E as soluções para a educação? São, finalmente, estas?
E os debates mensais na AR? Falam de nós? Falam de si?
Quer mais maternidades? Escolas? Nos centros urbanos ou no interior?
Portagens? Sim ou não?
Despesa pública. Mais, menos ou igual?
Orçamento: há mais vida para além?
Futuro da Europa (Referendo): Com os cidadãos ou jogando pelo seguro?
Justiça: (há que manter a esperança...) Fundamental reformar?
Deficientes: Uma política?
Fisco: Os fins justificam os meios?
Mortes nas estradas: Fiscalização? Curvas perigosas? Conservação das estradas?
Segurança (nocturna e - já agora - diurna): Mais polícia? Câmaras de filmar? Penas agravadas?
O seu futuro resolve-se com um xis, em 2009, sendo certo que, olhando em redor, você perceberá hoje melhor que nunca o que quiz dizer Winston Churcill: vá à bola aos fins de semana e, quando chegar a altura, deixe lá estar o dever cívico.
Quando muito, pratique um acto de fé.

(Já percebeu, caro leitor, ou quer uma Nova Oportunidade?)
publicado por Joana Alarcão às 01:43 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 11.12.07

Os Loucos Anos 80 (27)

Não sei porquê, mas quando ouço debates sobre a questão europeia, lembro-me sempre de uma música - "What she said" - dos imortais The Smiths, que a certa altura canta assim:
...
What she read
all heady books
she'd sit and prophesise
it took a tattooed boy from Birkenhead
to really, really open her eyes...

[O género feminino de "she" pode e deve ser mudado para o masculino. Alarga o universo.]
publicado por Miguel Morgado às 17:44 | comentar | partilhar

E o que fez o Governo em quase três anos?

Esta disfuncionalidade a que fiz referência no meu texto abaixo foi reconhecida pelo Governo que inscreveu no seu Programa o belo chavão da «transformação modernizadora da legislação laboral». Mas o que foi feito até agora?

Primeiro, o Governo lançou um Livro Verde das Relações Laborais, um diagnóstico exaustivo (443 pgs) e realista da “doença laboral” portuguesa. Depois, constitui uma Comissão do Livro Branco das Relações Laborais que até apresentou boas ideias: maior flexibilidade na organização interna das empresas (mobilidade, polivalência, horários flexíveis, conciliar vida familiar e profissional) simplificar procedimentos, sobretudo nas micro empresas e PME, alargar o conceito de «inadaptação» do trabalhador, etc. Entretanto terminou o mandato desta Comissão (Novembro 2007) e não se conhecem as conclusões finais. Tal como não se sabe o que vai fazer o Governo, apesar das frases enigmáticas do Ministro Vieira da Silva.

Este caso é sintomático do estilo socialista de governar. Faz mesmo lembrar os tempos de Guterres: criar comissões de sábios, publicar livros verdes, seguido de livros brancos. A inovação “Sócrates” são mesmo os power-point, o resto é semelhante. Quanto a mudar uma lei politicamente sensível, o Governo prefere adiar, ficando refém de uma ideologia de esquerda serôdia.

Entretanto a economia move-se. A taxa de desemprego permanece no nível mais elevado dos últimos vinte anos, as empresas em vez de contratarem novos trabalhadores recorrem, cada vez mais, a contratos a termo ou ao trabalho falsamente “independente” (prestação de serviços ou outsourcing fictícios), numa precarização crescente das relações laborais.

Reparem que não estou para aqui a defender um mercado de trabalho desregulado. Escusam de encher a caixa de comentários do Cachimbo a acusar-me de falta de sensibilidade social. Proponho um quadro jurídico ajustado à realidade, que possa enquadrar as novas situações laborais e proteger mais o trabalhador. Mais flexibilidade, mas também uma maior protecção social dos trabalhadores, a cargo de um verdadeiro Estado garantia ("safety net").

Uma inovação concreta seria permitir que no contrato de trabalho fossem definidas as situações objectivas de cessação antecipada com a correspondente indemnização. Não seria um despedimento “sem justa causa” (proibido pelo artigo 53.º da Constituição), mas sim prever no contrato causas razoáveis e passíveis de verificação objectiva. Esta medida seria um incentivo concreto à criação de emprego, dando oportunidade aos excluídos pelo sistema actual.

O desemprego tem sido o grande falhanço deste Governo. Torna-se urgente a revisão do Código de Trabalho, ultrapassando os preconceitos ideológicos.
Este será o grande teste à capacidade reformista de Sócrates.

[Versão completa na edição de hoje do Diário Económico.]
publicado por Paulo Marcelo às 15:31 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

E o desemprego Sr. Primeiro-Ministro?

Os últimos números do Eurostat mostram que o desemprego em Portugal continua muito elevado: 8.3%, em Novembro (463 mil desempregados), chegando aos 19,3% no desemprego jovem. Há mais de vinte anos que a taxa não atingia níveis tão elevados no nosso país, sendo já uma das piores da UE27.

Claro que se pode dizer que o Governo pouco pode fazer. Que são as empresas e não o Estado que criam empregos. Que está em curso uma reestruturação da economia. Tudo isto tem sido repetido pelo Governo para se justificar. Mas se o baixo crescimento económico (1,9%) não é apenas culpa do Executivo, no único ponto da sua responsabilidade – criar uma lei favorável à criação de emprego – o Governo tem pecado por omissão.

Isto apesar da OCDE e do Banco Mundial qualificarem a nossa lei laboral como excessivamente rígida (a mais restritiva da UE15: OCDE, Perspectives de l’emploi, 2005), sendo essa uma das razões da nossa baixa produtividade (Relatório Going For Growth 2007).

Mas qual é afinal o problema da rigidez laboral? Não é difícil perceber. Tal como congelar as “rendas” tem um efeito semelhante a bombardear uma cidade, o excesso de proteccionismo laboral provoca a estagnação do mercado de trabalho e ao aumento do desemprego, por levar as empresas a contratar menos trabalhadores por tempo indeterminado. Uma maior flexibilidade, por contraste, permite às empresas ajustarem-se melhor às necessidades e a substituir os trabalhadores menos preparados, aumentando assim a produtividade. A lógica do emprego “vitalício” é contrária a uma cultura de mérito nas empresas e um dos factores que explicam a nossa baixa produtividade.
(continua)
publicado por Paulo Marcelo às 10:27 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Segunda-feira, 10.12.07

O tipo humano

Porque será que o Secretário de Estado João Cravinho fala exactamente com a mesma entoação do seu chefe, José Sócrates? Ai, o tipo humano, ai, o tipo humano...
publicado por Miguel Morgado às 22:47 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Trick or treat? (2)

Importa perceber o que realmente motivou o teor das estimativas da recente NIE sobre o programa iraniano de armas nucleares. Do ponto de vista da segurança internacional será difícil encontrar uma matéria mais importante e a questão permanece: risco calculado ou armadilha política?

De acordo com a primeira hipótese, a declaração da suspensão em 2003 do programa iraniano de armamento nuclear seria um risco calculado, que serviria para facilitar um acordo político entre os EUA e o Irão. O objectivo imediato seria a estabilização do Iraque: o Irão comprometer-se-ia a desactivar a guerrilha xiita, os EUA garantiriam condições políticas e militares que impedissem os sunitas de voltarem a constituir uma ameaça à segurança do Irão. Neste cenário, declarar a suspensão das tentativas iranianas de obtenção de armas nucleares tornar-se-ia uma profecia auto-realizada. Permitiria ao Irão desistir do programa nuclear sem comprometer a credibilidade do regime e desse modo resolveria o problema potencial de proliferação nuclear no Golfo Pérsico, diminuindo os incentivos para países como a Arábia Saudita ou o Egipto lançarem programas de armamento nuclear.

A segunda hipótese é mais simples: as agências de ‘intelligence’, especialmente a CIA teriam confrontado a administração norte-americana com as estimativas agora divulgadas, defendendo-as como as melhores conjecturas em função da informação disponível. A administração ficou perante um dilema sem escolha agradável: ou divulgava as estimativas, sabendo que as repercussões políticas limitariam drasticamente a sua margem estratégica face a Teerão (sob esta hipótese de forma não calculada), ou contrariava as conclusões dos ‘peritos’ e expunha-se à acusação de manipulação política da ‘intelligence’.

Ao longo dos últimos dias a opinião informada convergiu para a segunda hipótese. Alguma dessa opinião, não escondendo os aspectos de subversão burocrática na condução de um processo político e diplomático, defende ainda assim a atitude dos serviços de informação americanos, associando as estimativas apresentadas à ‘verdade’ dos factos e à precaução que deve orientar a conduta de burocratas que operam em áreas tão importantes como a informação secreta.

Sucede que a conduta dos responsáveis pela NIE não foi nem uma coisa nem outra. Comece-se pela questão da ‘verdade’ factual: com a excepção dos directamente envolvidos, praticamente ninguém corrobora ou aceita sem restrições as conjecturas da NIE. Diversos peritos rejeitam totalmente as conclusões. Outros sugerem que a avaliação recente é consistente com o longo historial de asneiras colossais da responsabilidade da CIA. Até a IAEA declarou que não se atrevia a ser tão ‘generosa’ –foi o termo utilizado– como a CIA e restantes agências envolvidas na NIE.

A verdade factual não teria grande importância se a primeira hipótese fosse a correcta. Seria ‘cheap talk’, uma forma de coordenar o processo negocial subsequente entre EUA e Irão. Mas sob a segunda hipótese é crucial. Aliás, a única defesa possível dos responsáveis pela NIE é a sua absoluta convicção de que estão a reportar a melhor estimativa do verdadeiro estado do programa nuclear iraniano. De outro modo, a ‘generosidade’ é um acto de sabotagem política ao mais alto nível. Repito: se um dia destes se vier a descobrir que afinal as fontes não eram fiáveis, ou que entre os responsáveis pela NIE havia quem não concordasse com a actual política externa americana face ao Irão e deixou que os seus juízos pessoais influenciassem matéria tão importante, então estaremos perante um acto bem mais grave do que outro fiasco de ‘intelligence’.

Quanto à questão da precaução na conduta dos responsáveis pela NIE: li em diversos artigos e notícias que o DNI (Director of National Intelligence) estaria ‘escaldado’ com o fiasco Curveball e que isso explicava a sua conduta ‘conservadora’, evitando declarar a existência de um programa de armas nucleares activo sem dispor de evidência inquestionável. Percebe-se a ideia mas não é correcta. Em matéria de juízos probabilísticos, ser ‘conservador’ significa respeitar o status quo, até que nova evidência o permita rejeitar/rever com uma elevada margem de confiança. Ora neste caso o status quo corresponde à existência de um programa activo de armamento nuclear no Irão. É isso que consta claramente da anterior NIE, de 2005; é essa a opinião da generalidade dos serviços de informação ocidentais; é provavelmente essa a convicção dos peritos da agência da ONU para questões de energia nuclear, a IAEA. A estimativa mais recente da ‘intelligence’ americana não tem nada de conservadora: é uma revisão radical do consenso de especialistas nesta matéria. Embora não se trate de um ensaio de hipóteses na verdadeira acepção estatística, só se compreende a inversão de julgamento se a CIA & afins dispuserem de informação nova e extremamente fiável. De outro modo, a ‘generosidade’ dos burocratas adquire um sabor desagradavelmente próximo da subversão política: num regime constitucional bem ordenado, nem a administração pública nem as forças armadas fazem política.

Um último aspecto importante é a questão das consequências para a interacção política entre os EUA e o Irão. Robert Kagan afirma que mesmo tratando-se de ‘intelligence’ questionável, a melhor resposta da presidência americana é abrir conversações com os dirigentes iranianos. Isto pode sugerir que, afinal, as duas hipóteses não são assim tão diferentes do ponto de vista das consequências. Não é verdade. Uma negociação política com o Irão por iniciativa política presidencial é muito diferente de uma negociação política determinada pelas circunstâncias: o poder negocial de Washington é drasticamente menor sob a segunda hipótese –e o de Teerão bem maior. O ‘golpe’ não foi inocente e não será inconsequente para os interesses políticos americanos e ocidentais.

Aqueles cuja bússola política aponta sempre na direcção ‘anti-Bush’ poderão interpretar este texto como uma tentativa de isentar o presidente americano de responsabilidades políticas nesta matéria. Não é: sabendo-se o que está em causa, o que dizer do estado político de um presidente que deixa indivíduos por si nomeados para cargos tão sensíveis pendurarem-lhe uma coisa destas no nariz?
publicado por Joana Alarcão às 14:25 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Da Série "Países Ricos"

E da sua teimosia em gerar soluções simples e eficientes, neste caso através da utilização da rede de esgotos para fazer passar os cabos de fibra que darão acesso mais rápido, mais barato e com muito menos incómodo na comunidade aos utilizadores de internet.

Para a "H20 networks", a instalação de uma rede de fibra numa área de 1,2km que poderia custar entre £400,000 e £1,2m, faz-se agora por £80,000. O que antes poderia demorar 6 meses a 1 ano em planeamento, faz-se agora fisicamente em 4 horas.

Este tipo de soluções são também usadas em França ou no Japão, mas não na minha rua em Lisboa, cujo cenário se parece a Verdun em 1916.
publicado por Manuel Pinheiro às 13:54 | comentar | partilhar

Da série "Cachimbos de Lá"

Vincent Van Gogh, Auto-retrato com cachimbo (1886)
publicado por Pedro Picoito às 00:10 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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