Terça-feira, 29.01.08

Princípio de conversa


Afinal, a encomenda da ópera de Emmanuel Nunes pelo São Carlos teve um mérito: o de assistirmos ao esboço de um debate, tão necesário como sempre adiado, sobre a sacrossanta política de subsídios à criação artística.
O Público de hoje lança algumas pistas. Rui Nery e António Pinho Vargas, esse par de grunhos neoliberais, questionam que se faça de uma obra cujo valor só pode ser apreciado (e só foi apreciado...) por meia dúzia de especialistas o ponto alto da temporada lírica nacional. Pinho Vargas recorre a uma imagem demolidora: é como transmitir um jogo de xadrez em directo. Repare-se que não se fala em dinheiro nem em estética. O debate começa muito cá atrás: na política. Deverá fazer parte de uma política cultural, qualquer que ela seja, investir assim no subsídio às vanguardas?
A resposta de Mário Vieira de Carvalho, o Secretário de Estado da Cultura politicamente (e, ao que parece, pessoalmente) responsável pela encomenda, é todo um programa. Sim, diz, porque estas iniciativas proporcionam ao grande público "o confronto com o novo".
Vale a pena reler estas cinco palavrinhas. Está aqui resumida a essência das políticas culturais dirigistas que temos tido nos últimos anos, com os resultados que se sabem.
Vieira de Carvalho esquece que o domínio da apreciação estética é, por excelência, o domínio da liberdade individual. Por que carga de água, seja a água de esquerda ou de direita, deve o Governo usar os nossos impostos para "confrontar" os portugueses "com o novo"? Os portugueses, como seria de esperar, não acorreram propriamente em hordas ao apelo da modernidade dispensado pelo erário público. E isso é um direito que lhes assiste.
Se o senhor Secretário de Estado se lembrasse de Steiner ou Tocqueville, outros dois grunhos neoliberais, saberia que o desprezo pela alta cultura é o preço a pagar pela democracia. Um preço que estou disposto a pagar, desde que o Estado forneça os serviços mínimos de salvaguarda do património, incluindo o património musical. Que o Governo não está de modo algum a assegurar. Talvez porque o senhor Secretário de Estado prefira pagar antes o preço de uma ópera. Só para os amigos.
publicado por Pedro Picoito às 12:06 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Pausa para Publicidade

O programa de ontem pode ser visto aqui.
publicado por Joana Alarcão às 02:26 | comentar | partilhar

A grelha imaculada

José Ramos Horta e Xanana Gusmão não prestam para nada. Como tal, não há nenhuma razão para poupar nos adjectivos. Invertebrado. Pateta. Maluco. Sem vergonha. Indigno. Sem carácter. É nestes termos que Pedro Sales (assessor de imprensa do Bloco de Esquerda, embora no blogue não escreva nessa qualidade, note-se) discute as declarações de cunho político -- sim, podem ser discutíveis, mas são declarações políticas -- dos dois líderes timorenses. Interrogo-me se alguém em Timor, ou em Portugal, passa com nota positiva na sua grelha imaculada de avaliação moral.
publicado por Joana Alarcão às 01:44 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Precários são os outros

«Os dados respeitantes a 2006 revelam uma realidade preocupante, mas o quadro de 2007 parece ser ainda pior, adverte investigadora [Nádia Nogueira Simões]. A precarização [do trabalho] parece ter vindo para ficar» (Clara Viana, Público, 26.1.2008).
O trabalho precário continua a aumentar em Portugal, correspondendo já a 20,6% do total da população empregada. Porém, a precariedade de um quinto da população empregada, na verdade, continua a não preocupar a elite política portuguesa. Se a preocupasse, verdadeiramente, o empenho na discussão da flexigurança seria muito diferente.
publicado por Joana Alarcão às 01:04 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

O que tu queres sei eu...

«Quando ainda falta mais de um ano para o termo da actual legislatura, mais de metade da composição inicial de deputados na Assembleia da República já mudou. De um total de 230 parlamentares eleitos em Fevereiro de 2005, 117 já suspenderam o mandato e 37 abandonaram mesmo o Parlamento» (António Sérgio Azenha, CM, 28.1.2008).
Seria interessante saber quantos deputados portugueses abandonaram o Parlamento europeu desde o último acto eleitoral. O exercício comparativo seria, presumo, muito esclarecedor. Todos sabemos qual é a diferença -- a única, atrevo-me a dizer -- entre a Assembleia da República e o Parlamento Europeu. O descrédito da democracia portuguesa também é feito destes pequenos nadas.
publicado por Joana Alarcão às 00:04 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 28.01.08

Do regicídio ao centenário

Enquanto não nos chega pela mão generosa da Atlântico, vale a pena ler a entrevista de Rui Ramos ontem editada pelo Público. O historiador lembra o que a investigação, sobretudo a sua e a de Vasco Pulido Valente, vêm dizendo nos últimos anos: a Primeira República, à espera de festa em 2010, foi o assalto ao poder de um partido minoritário e o uso do Estado contra a maioria. Não foi nem quis ser um regime de "todos os portugueses".
Nada o ilustra melhor do que a diminuição do universo eleitoral. Na monarquia, o voto era censitário, ou seja, votava quem pagava impostos. Na República, o direito de voto foi retirado aos analfabetos, cerca de três quartos da população.
Assim, a chamada República Velha significa um corte histórico com a tradição liberal portuguesa, para o bem e para o mal representada pelas sete décadas de constitucionalismo monárquico. Ao contrário do que ensina a mitologia corrente, a Primeira República não antecipa a democracia, de que a "longa noite do fascismo" seria apenas um intervalo, mas a ditadura do próprio Estado Novo. O quadro histórico em que se movem Afonso Costa e Salazar é o mesmo. A extraordinária violência da política republicana, que contamina o quotidiano do país, abre caminho à violência ordinária e quotidiana do salazarismo, que despolitiza o país. O país, cansado de política, suspirou de alívio. Durante 48 anos.
E pergunta o historiador: em 2010, o que é que vamos comemorar? A ditadura da Primeira República? O fim do regime monárquico? Ou a memória do nosso modesto liberalismo?
A questão não é académica. Em 2010, tudo indica que o PS estará ainda no Governo, com ou sem maioria absoluta. E o PS tem uma forte matriz republicana e jacobina, à qual presta oficial homenagem de tempos a tempos. O jacobinismo não consiste apenas na vontade de enforcar o último rei com as tripas do último padre, como prometiam os carbonários. O jacobinismo consiste em privilegiar a via revolucionária, a redução da política ao conflito, a eliminação do inimigo do espaço público, em nome do progresso. Um progresso que os jacobinos têm o destino cósmico de nos trazer. Aron explica.
É pouco provável que cheguemos ao ponto a que se chegou em Espanha, onde a actual batalha entre o PSOE e a esquerda, de um lado, e a Igreja e a direita, do outro, começou com os 70 anos da Guerra Civil. Não tivemos nenhuma guerra civil, felizmente, e somos de brandos costumes, infelizmente. Mas a tentação de fazer do centenário um pretexto para avançar com "fracturas" e "modernidades" será grande.
Não será talvez a melhor maneira de unir "todos os portugueses".
Resta saber o que será então o PS no Governo.
publicado por Pedro Picoito às 18:16 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Venham mais cinco

Enquanto íamos todos de fim-de-semana, o 5 Dias reforçou-se com o que havia de melhor à esquerda. Enfim, não há muito à esquerda do 5 Dias, mas vocês percebem-me.
Destaco as contratações do João Galamba, em boa hora regressado à blogolândia, do Pedro Vieira, aka Irmão Lúcia, e da Shyznogud, que afinal se chama Maria João Pires.
Três nomes que prometem debates inteligentes, bons bonecos (aqui fica o último...) e, acima de tudo, excelentes posts de rugby.
Eis boas razões para continuar a ir lá todos os dias.
Sem ser só para malhar nos do costume, quero eu dizer.
publicado por Pedro Picoito às 17:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Escrever à esquerda (2)

há um ano atrás deitei fora para aí uns duzentos quilos de tralha lá de casa. voou tudo velhos almanaques disney até o amarrotado viagem ao mundo da droga e quinquilharia à brava desde a colecção de carrinhos da matchbox às velhas fotos de festas do avante.
tornei-me minimalista.
já só tenho na parede um esboço feito por um amigo da esbal e um poster do che. sinto a casa mais arejada e com o despojo próprio de um gajo de que não colecciona merdas inúteis.
sou de esquerda.
ou seja sou arejado sou diferente escrevo o nome todo da malta em minúsculas, digo palavrões sem preconceitos que a vida é como é e falo dela como deve ser. gosto da diferença. a malta sente-se protegida com roupa por cima da pele pois eu gramo praias onde a rapaziada anda com os tintins á mostra que os corpos são como são e a gente deve mostrá-los assim mesmo.
não me refiro a raízes nem ligo a isso raízes é coisa de queques brasonados e a minha raíz sou eu próprio. aliás com a tralha que voou foi uma foto da minha avó toda vestida de negro cabelo apanhado atrás rugas que são marcas do campo e fio de prata com uma medalhinha de uma nossa senhora qualquer. tudo aquilo que eu rejeito.
gosto da modernidade. detesto chefes hierarquias tradições e casamento. gosto de me sentir livre fumar umas ganzas ao som do sérgio e cascar na igreja nos padres e nos meninos da católica de camisinha azul e branca ás riscas e sapatinho de marca.
demoro horas de manhã para conseguir o despenteado ideal e a t-shirt por dentro das calças ou uma gravata agarrada à goela são das cenas com que não atino.
a noite é o bairro alto e às vezes a tasca por baixo de mim onde paro às sete da matina pró café e às sextas à tarde pra meter o euromilhões.
a 24 é cena ricos e eu não os gramo nem pintados.
teria mais pra dizer principalmente nesta cidade onde param tantos betos, filhos de preconceitos burgueses com cheirinho a leite e salões alcatifados mas é perder tempo. ser de esquerda é tar à frente e um gajo moderno não olha pra trás.
ser de esquerda é ser diferente pá. e não é pra todos. vê se fixas, iá?.
publicado por Joana Alarcão às 16:00 | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Canadá


Diz-se que o Canadá está demasiado próximo dos EUA para ser confundido com a Europa, e demasiado próximo da Europa para ser confundido com os EUA. Ao visitar uma exposição no Museu de Arqueologia e História de Montreal sobre as Revoltas dos anos 30 do século XIX percebi ainda melhor que há muito tempo que o Canadá (o Québec, bem como os restantes Estados) é o resultado nem sempre coerente de uma mistura única no mundo. As Revoltas foram o conjunto de combates e motins levados a cabo pela população francófona contra os Lealistas anglófonos com o propósito inicial de repor uma certa equidade na vida política do Baixo Canadá, mas que, com a amargura da luta, acabou por deslizar para uma autêntica guerra (perdida) de independência.

No Museu estava exposta a Declaração (Republicana) da Independência do Baixo Canadá (hoje, Québec), redigida por Robert Nelson. Trata-se de uma combinação curiosa da Declaração americana de Independência e da retórica da Revolução francesa, como não podia deixar de ser. O Canadá actual resulta dessa mistura. Resta saber como as imensas vagas de imigração dos últimos 30 anos interpretarão esta combinação tão particular.
publicado por Miguel Morgado às 15:33 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Pausa para Publicidade

Hoje, às 21.15, juntamente com João Gonçalves, vou estar em directo por aqui.
publicado por Joana Alarcão às 15:29 | comentar | partilhar

Quem regula o regulador?

A crise no BCP veio colocar em cheque os reguladores financeiros nacionais: Banco de Portugal e CMVM. Ao contrário dos políticos, legitimados pelo voto, os reguladores baseiam a sua autoridade na competência técnica e “independência” dos seus quadros dirigentes. Quando estas qualidades são questionadas, e não sendo possível o veredicto das eleições, a substituição dos seus responsáveis pode tornar-se conveniente, mas esbarra na inamovibilidade legal dos dirigentes das autoridades reguladoras ditas "independentes". Um outro problema pode estar no facto de que quem fiscaliza -Assembleia da República, o regulador dos reguladores- nem sempre estar em sintonia com o Governo que nomeia.
publicado por Paulo Marcelo às 08:23 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Escrito nas estrelas

Faits-divers e mais faits-divers. Soundbytes e mais soundbytes. É fácil resumir o rumo do PSD nos últimos quatro meses. Um PSD sem rumo, sem capacidade para marcar a agenda e sem crédito político. Só os crentes acreditarão que este PSD poderá vir a ser uma alternativa ao PS em 2009. O problema nem está na falta de propostas. Luís Filipe Menezes poderia ter -- mas não tem... -- as melhores propostas do mundo para apresentar aos portugueses que julgo que não faria grande diferença. Pura e simplesmente, falta-lhe o principal ingrediente na fórmula de sucesso de um político: a confiança do eleitorado. António Cunha Vaz poderia colocar «dois ou três activos» em cada lar português que isso não faria qualquer diferença.
publicado por Joana Alarcão às 08:05 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Domingo, 27.01.08

ASAE, a nova PIDE...

Ontem, no Sul, numa coisa ruidosa do que ainda é o PSD, o dr. Bota, insigne anti-fascista, equiparou a ASAE à PIDE. Espantosamente, o homem não foi expulso lá do sítio por manifesta indecência. Aplaudiram até em transporte furioso.
...
Depois de recuperada a respiração, que dizer desta coisa?... Comparar facínoras encartados, que se dedicavam a roubar livros, espancar e torturar, a criaturas que verificam alvarás de tabernas e fiscalizam bolas-de-Berlim e arroz de cabidela é, para já, um insulto às vítimas da ditadura. E uma falta de respeito para com as suas famílias.
Para lá disso, esta é uma daquelas burrices (sem ofensa para com os simpáticos bichos) que só servem o adversário. O engenheiro Sócrates abocanhou logo a oportunidade. Lá veio ele, carpindo o escândalo, esbracejar indignadíssimo (como sempre, de resto) contra o ataque à sua ASAE - esse organismo civilizador do Estado. Generosamente, aproveitou logo, do alto do púlpito socialista, para nos educar um bocadinho: é a lei que nos dá a liberdade, filosofou. E, como é um homem equilibrado, também se atirou, com a sua habitual doçura fraterna, à "esquerda" do PS, ao seu camarada Alegre.
Enfim, Sócrates só pode pedir a todos os deuses que lhe mantenham este PSD.
publicado por Carlos Botelho às 21:35 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

O seu desejo é uma ordem

Caro João Villalobos, naturalmente agradeço o seu interesse na minha opinião. Estava com receio de tocar no assunto, pois não queria que ficasse erradamente no ar a ideia de que a agenda dos media é ditada por bloggers de serviço. Ou por agências de comunicação, permito-me acrescentar. (Algo despropositadamente lembrei-me de umas afirmações, não muito distantes, de Fernando Lima.) Adiante. Tendo clara consciência de que a agenda dos media é ditada apenas pelo factor notícia, actualidade, notoriedade e interesse público, permito-me lembrar que agora só falta saber notícias sobre a alegada ameaça de morte aos filhos de Helena Lopes da Costa. É o que me ocorre dizer, de forma escorreita, por agora.
publicado por Joana Alarcão às 19:16 | comentar | partilhar

One size fits all

«A participação de Portugal em missões de paz é determinada pela avaliação dos interesses e das prioridades nacionais, no quadro de uma nova doutrina de intervenção que deixou de ser motivada, exclusivamente, por factores históricos ou de proximidade geográfica e passou a pautar-se por critérios de segurança regional e internacional. É neste contexto que, enquanto Estado membro da União Europeia e da Aliança Atlântica, Portugal assume as suas responsabilidades como um produtor de segurança internacional.»
«Portugal no Chade: um dever humanitário», Nuno Severiano Teixeira (Público, 25.1.2008: 45).
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Digamos que sim, sem mais demoras, para simplificar a questão. Agora expliquem-me uma coisa, se conseguirem. À luz deste template, genérico, por que motivo vamos para o Chade ao mesmo tempo que reduzimos consideravelmente a nossa participação no Afeganistão? Qual foi a avaliação que foi feita dos interesses e prioridades nacionais que ditou o downgrade da nossa presença no Afeganistão? A dimensão do contingente é irrelevante, desde que permita afirmar que assumimos as nossas responsabilidades? Estaremos mesmo a assumir as nossas responsabilidades enviando para o Chade um C-130 e pouco mais?
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Não será seguramente através do PSD que teremos respostas para estas e para outras perguntas. Afinal, como frisou António Martins da Cruz, os sociais-democratas «não tem divergências» com o Governo em matéria de política externa. Há ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros com muita sorte.
publicado por Joana Alarcão às 16:38 | comentar | partilhar

Portugal e o Terrorismo: Reanálise, precisa-se

Sete dos 14 alegados membros de uma célula terrorista baseada em Barcelona, que foi desmantelada há uma semana pelas autoridades espanholas, estiveram em Portugal em 2006 e 2007 no âmbito de encontros religiosos (Carlos Varela/JN, 27.1.2008).
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Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para repensar algumas ideias estabelecidas sobre a relação de Portugal com o terrorismo transnacional. Destaco duas. A primeira é a de que somos apenas «um local perigoso de trânsito, de apoio» para falsificação de documentos, descanso e movimentos financeiros, como refere José Manuel Anes, vice-presidente do OSCOT.
A segunda é a de que pelo facto de a comunidade muçulmana ser pouco numerosa e «est[ar] bem integrada» em Portugal estamos relativamente protegidos de um eventual atentado terrorista, como nota Helena Rego do SIS.
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A célula terrorista de Barcelona, como facilmente se percebe, colocou estes dois pressupostos em causa.
publicado por Joana Alarcão às 15:41 | comentar | partilhar

Sinal dos Tempos

A ler, «a novela venezuelana», por José Pacheco Pereira e, «a arte de mentir», por António Barreto. Uma pequena nota na sequência do texto de Barreto. Fala-se cada vez mais no facto de o jornalismo se estar a transformar numa commodity. Vejo este passo com preocupação, na medida em que se trata de um nivelamento por baixo. Voltamos sempre ao mesmo, i.e. à Trilogia dos 3Q.
publicado por Joana Alarcão às 14:58 | comentar | partilhar
Sábado, 26.01.08

Passar das märchen

Das Märchen, a polémica ópera de Emmanuel Nunes encomendada pelo São Carlos, estreou ontem à noite com pompa, circunstância e transmissão directa para a Casa da Música e dezena e meia de teatros por esse país fora. A bem, já se sabe, da "descentralização da cultura".
Dizem as más línguas que o atraso de um ano na entrega da encomenda levou à demissão de Paolo Pinamonti, incomodado com o silêncio do Secretário de Estado da Cultura Mário Vieira de Carvalho. Não sei se sim ou se não, e não me interessa muito. Nunes está longe de ser uma das minhas preocupações melómanas. Como, aliás, parece estar longe de ser para a esmagadora maioria dos portugueses. Segundo o Diário de Notícias de hoje, no Porto assistiram à transmissão 165 pessoas, em Coimbra cerca de 150, em Beja 83 e em Leiria 25. No Funchal, a lotação do Teatro Baltazar Dias esgotou, mas o DN omite qual a lotação do Teatro Baltazar Dias. Ah, e que os bilhetes eram de graça. A bem da "descentralização da cultura", suponho.
Não tenho mais dados, mas o que eu gostava de saber é o custo total da operação, incluindo a encomenda. Não porque, como diz o João Gonçalves, ainda haja em Portugal gente que morre à espera de uma ambulância.
Nem vou por aí. Basta-me ficar pela política cultural socrática. A temporada do São Carlos começou em Dezembro (não é gralha, é mesmo Dezembro) e logo, por azar, com um Rigoletto arrasado pela crítica.
E para quê? Para a "estreia mundial" de uma ópera vista em ecrã panorâmico por meio milhar de compatriotas nas berças.
O nosso provincianismo é infinito.
publicado por Pedro Picoito às 18:24 | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Allí hay mucha gente preparada

«"¿Por qué vamos a atacar en el metro de Barcelona y no en otro lado?", preguntó el suicida a su compañero de martirio, uno de los paquistaníes. "Porque si atacamos el metro los servicios de urgencia no pueden llegar. Nuestra preferencia son los transportes públicos, especialmente el metro", contestó al instante este último.»Regresso a este assunto: «el testigo protegido (...) ha revelado que el grupo lo integraban seis suicidas, entre los que se encontraba él mismo, y preparaba una oleada de tres ataques en España, uno en Alemania y otros en Francia, Portugal y Reino Unido. (...) Allí [Alemania, Francia, Portugal y Reino Unido] hay mucha gente preparada", aseguró uno de los jefes de la célula al testigo protegido» (El País online, 26.1.2007).
.
Em Portugal andamos a brincar com fogo, de forma descuidada e despudorada. No contexto pós-11 de Setembro, em que as premissas de segurança mudaram, quase diria por completo, ter serviços de informações que não podem legalmente fazer escutas é, no mínimo, ridículo e um sinal de profunda inconsciência. Como é possível?
publicado por Joana Alarcão às 17:31 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Esta vida são dois dias e o Carnaval são três

Num lago ou num charco nunca há apenas uma ...
publicado por Joana Alarcão às 13:52 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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